Luzia Wasilkosky1 e Pollyana Weber Da Maia Pawlowytsch2
1
Graduanda em Psicologia (6ª fase) pela Universidade do Contestado, Campus Mafra, [email protected].
2
Docente do Curso de Psicologia da Universidade do Contestado, UnC - Mafra, orientadora do estudo, [email protected].
Palavras-chave: representações sociais, pobreza, políticas públicas. INTRODUÇÃO
A pobreza vista sob o viés psicológico que segundo Crespo e Gurovitz (2002) pode deixar os indivíduos vulneráveis à humilhação, sendo que estes privam-se de participações festivas em sua vida comunitária, ocasionando assim uma ruptura das relações sociais. De encontro a isso Moura Jr (2014) afirma que as práticas discriminatórias sobre o sujeito pobre favorecem as vivencias privativas e ocasionam o isolamento em cerimonias sociais que outrora favoreciam a criação de laços relacionais entre indivíduos. O enfrentamento da pobreza segundo Moura, Ximenes e Sarriera (2014), vista sob um viés psicológico atua por meio de estratégias de emancipação da imagem vulnerável construída pelo próprio sujeito em condição de pobreza, bem como o trabalho psicoterápico de acolhimento. Por outro lado, as pessoas pobres devem ser reconhecidas a partir de suas potencialidades. Porém, cabe ressaltar que ainda existem impasses que dificultam o acesso de profissionais nos serviços públicos e de assistência social onde, especificamente, encontram-se estes sujeitos (OLIVEIRA E AMORIM, 2012). Desse modo o objetivo dessa pesquisa consiste em identificar as estratégias de enfrentamento da exclusão social a partir do discurso do sujeito pobre.
MATERIAL E MÉTODOS
Tratou-se de uma pesquisa básica e descritiva de abordagem quantitativo e qualitativo tendo como critério de inclusão no estudo a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta de dados se deu a partir de uma entrevista semiestruturada com perguntas abertas e fechadas que foi aplicada em um grupo de mulheres que se reúnem semanalmente no CRAS de um Município do Planalto Norte de Santa Catarina.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Participaram da pesquisa 17 mulheres com idade superior a 18 anos, destas 16,7% encontram-se trabalhando e 83,3% encontram-se desempregadas. Destas 35,3% possuem o ensino fundamental incompleto, 29,4% possuem o ensino fundamental completo e 35,3% possuem o ensino médio incompleto. Verificou-se que, dentro da situação de pobreza, 23,5% verbalizam sofrer algum tipo de exclusão social, enquanto que 76,4% afirmam não sofrerem praticas discriminatórias sobre o viés da exclusão social. Quando questionadas sobre a possibilidade de sair da condição de pobreza 41,1% verbalizaram que existe possibilidade de melhorar de vida, 47,0% verbalizaram que não existe possibilidade de sair da condição de pobreza e 11,7% não responderam ao questionamento. A busca de formas para solucionar a questão da pobreza é vista como a oportunização de empregos para geração de renda. Sobre isso a Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2006), o trabalho é a via fundamental para a superação da pobreza e da exclusão social, entendido como uma ocupação produtiva adequadamente remunerada, exercida em condições de liberdade, equidade e segurança e capaz de garantir uma vida digna. Porém ainda existem sérios fatores que dificultam a inserção no mercado de trabalho, dentre eles a raça e o gênero.
CONCLUSÕES
A percepção de práticas de exclusão social pelas participantes da pesquisa é vista como decorrente da condição de sujeito pobre, dentro disso identificou-se que 23,5% verbalizam que a pobreza provoca exclusão social e 76,5% verbalizam que a pobreza não provoca exclusão social. A respeito da possibilidade de sair da situação de pobreza, de modo que a exclusão seja amenizada, é vista sob uma subcategoria positiva tem-se a visão de que é através da entrada no mercado de trabalho.
REFERÊNCIAS
1. CRESPO, A P A; GUROVITZ, E. A Pobreza como um Fenômeno Multidimensional. Era - Eletrônica, São Paulo, v. 1, n. 2, p.1-12, 30 jul. 2002. Mensal. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/raeel/v1n2/v1n2a03. pdf>. Acesso em: 07 jul. 2013.
2. JR MOURA, James Ferreira, et al. Concepções de Pobreza: Um convite á Discussão Psicossocial. Trends in Psycology/ Temas em Psicologia-2014, Vol.22, nº2, 341-352. DOI: 10.9788/TP2014.2-06. ISNN: 1413-389X
3. MOURA, James Ferreira; XIMENES, Veronica morais; SARRIERA, Jorge Castellá. A construção opressora da pobreza no Brasil e suas consequências no psiquismo. Quaderns de Psicologia/ 2014, Vol. 16, No 2, 85-93. ISNN: 0211-3481.
4. OIT. Trabalho Decente nas Américas: uma agenda hemisférica 2006-2015. Informe do Diretor Geral. Brasília: OIT, 2006.
5. OLIVEIRA, Isabel Fernandes, and Keyla Mafalda de Oliveira AMORIM. "Psicologia e política social: O trato da pobreza como sujeito psicológico". Psicol. Argum 30.70 (2012): 559-566.
Fonte: Dados do estudo.
Figura 1. Percepção sobre práticas discriminatórias.
Tabela 1. Discurso dos sujeitos participantes do estudo que apontam práticas vivenciadas de exclusão social.
Sujeito Discurso
08
“Eu nem ligo mais, me acostumei com isso aí, nem do bola. Tem coisa que você é atendido, tem coisa que não né, é por esse tipo de coisa que eu passei sabia que tinha mas diz que não tinha, mas hoje eu me sinto mal depois disso”. (SIC)
15
“Já. Vamos supor que tem uma festa, posso se convidada, mas se eu sei que as pessoa vão bem vestida, bem arrumada e eu não tenho esse nível pra mim se apresenta lá eu nem vo. Por que eu vo í mal ajeitada”. (SIC)
16
“Ah é chato a pessoa olha na tua cara e olha assim a tua cartera e dize “ah você não tem experiência de nada então aqui não tem serviço pra você, você tá atrás de serviço pra que se não tem experiência di nada?”. (SIC)
Fonte: Dados do estudo
Tabela 2. Possibilidade de sair da condição de pobreza
Sujeito Discurso
01 “Existe, que nem eu te falei o emprego [...]” (SIC).
06
“Dando geração de renda, sabe tendo mais órgão que vamo supor que desse curso que o município se interessasse em abri uma cooperativa, pra eles te chance de produzir a safra deles e poderem vende. Se o munícipio tivesse tipo uma cooperativa e desse mais apoio pros agricultores” (SIC).
12 “Só se te serviço pra esse pessoal trabalha, pra te um ordenado né. Eu so muito a favor do colono, quanto mais o colono planta, melhor pra nóis que moramo na cidade, a gente depende né” (SIC).
Fonte: Dados do estudo
23,50% 76,40% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 1 2 Sim Não