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As redes sociais situam-se entre as formas de comunicação que mais se propagaram mundialmente, sobretudo entre os jovens, e que acabaram por operar mudanças nos comportamentos e relacionamentos sociais. Posto isto, de forma a assegurar a sua boa

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utilização torna-se essencial “compreender as suas dinâmicas, potencialidades e ameaças” (Gabriel, 2011, p. 198).

Apesar da existência de alguns trabalhos sobre redes sociais, muito ainda está por fazer. Este trabalho, de carácter exploratório, inclui um primeiro estudo empírico que teve por objetivo a construção e validação de um instrumento para avaliação dos riscos /oportunidades dos jovens utilizadores do Facebook dos países de língua portuguesa, uma vez que à data desconhecia-se a existência de uma ferramenta para esse fim. Só após a construção e estudo psicométrico deste instrumento se puderam realizar os outros estudos.

Tendo em conta que Portugal é um dos países europeus que mais utiliza o Facebook (INE, 2015), ainda assim escasseiam estudos sobre os hábitos de utilização, os riscos e as oportunidades associados à utilização do Facebook pelos jovens portugueses e, em especial, sobre a sua relação com o género, idade e regiões do país. Assim sendo, o presente trabalho visou, por um lado, caracterizar os hábitos de utilização do Facebook, os riscos e as oportunidades online, segundo o género, a idade e a região, na

subamostra de jovens portugueses e, por outro, estudar a relação destas variáveis com as diferentes regiões de Portugal. Procurou-se, assim, no segundo estudo conhecer a relação entre os hábitos de utilização do Facebook, os riscos e as oportunidades online e destas variáveis com o género, a idade e as regiões de Portugal.

Desconheciam-se estudos sobre o papel das variáveis nacionalidade e fase de desenvolvimento dos jovens, nas relações entre os hábitos de uso do Facebook e os riscos e as oportunidades ou que comparassem especificamente Portugal e Brasil. Além disso, os estudos existentes sobre o papel do desajustamento psicossocial nesta relação

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eram inconclusivos. Posto isto, o terceiro estudo guiou-se pela interrogação de saber qual o papel do (des)ajustamento psicossocial, da nacionalidade e da idade, na relação entre os hábitos de utilização e os riscos e oportunidades online de jovens utilizadores do Facebook do Brasil e de Portugal.

Conforme atrás referido, é hoje praticamente consensual que fruto das tecnologias móveis, as fronteiras entre online e offline estão cada vez mais esbatidas, dando lugar a um mundo cíbrido. São, no entanto, ainda escassas as investigações que abordam o cibridismo, neste caso a relação entre riscos online e comportamentos offline, por um lado, e oportunidades online e bem-estar offline, por outro. Muito mais raros são os trabalhos que abordem também as diferenças culturais no uso desta rede social em países de língua oficial portuguesa, já que a maioria dos estudos interculturais sobre o Facebook tem sido realizada entre utilizadores leste-asiáticos e americanos. Assim, com o quarto estudo pretendeu-se conhecer o contributo da diversidade cultural na

explicação das diferenças nos hábitos de utilização, nos riscos / oportunidades online, nos comportamentos de risco e bem-estar (offline) nos jovens da Comunidade de Países de Língua Portuguesa e de Macau. Procurou-se também avaliar qual o papel

desempenhado pelos hábitos de utilização e pelos riscos/ oportunidades (online) nos comportamentos de risco e bem-estar (offline) dos jovens utilizadores do Facebook destes países.

Dois conceitos são fundamentais na presente dissertação. O primeiro refere-se à assunção da inexistência de fronteiras entre virtual e real (cibridismo). Os smartphones,

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tablets70 e outros instrumentos eletrónicos, fazem hoje parte do dia-a-dia, sobretudo dos jovens, ouve-se música no Youtube, colocam-se fotografias na rede social

Instagram, está-se a par das notícias no Facebook e é até possível beijar à distância, bastando para isso associar um gadget71, o Kissenger72 , a um smartphone (Stickland, 2016). Este mundo cíbrido em que vivemos, operou mudanças na forma como as pessoas se relacionam. São poucas as informações que não partilhamos online, uma vez que o conceito de privacidade é agora algo mais abrangente e parece englobar, sem restrições, os conteúdos que são partilhados online. Por seu turno, os riscos a que os jovens se expõem no Facebook, seguem a lógica do cibridismo e não ficam circunscritos ao virtual, tendo impacto no quotidiano offline (e.g., Marcusa, 2011). Por exemplo, a adesão a grupos/páginas que incentivam os jovens a ter determinados

comportamentos de risco offline, como a participação em eventos contra minorias. O mesmo se passa com os estados emocionais, isto é, os jovens mais desajustados psicossocialmente podem encontrar no Facebook um meio único para se relacionarem e alargarem o seu leque de amizades, sobretudo se fizerem uma utilização mais ativa desta rede social (Subrahmanyam & Lin, 2007). Por seu turno, uma utilização mais ativa,

70 “Tablet é um tipo de computador portátil, de tamanho pequeno, fina espessura e com ecrã sensível ao

toque (touchscreen). É muito usado para navegar na internet, para a leitura de livros, jornais e revistas, para visualização de fotos e vídeos, reprodução de músicas, jogos, etc.”

(https://www.significados.com.br /tablet/).

71 “Pequeno utilitário desenvolvido para facilitar o acesso a funcionalidades disponibilizadas

por determinadas aplicações mais abrangentes” (Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico, 2003-2017).

72 Junção de kiss (beijo) com Messenger (Software criado pela Microsoft que permite a comunicação

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apesar de poder abrir caminho para o surgimento de riscos, gera também

oportunidades, com consequente relação no aumento do bem-estar (Kimberly & Ybarra, 2009).

Outro conceito estruturante para o presente trabalho, relaciona-se com a influência da cultura quer nos hábitos de utilização, quer nas atividades que o jovem tem online e que pode favorecer o surgimento de riscos e/ou oportunidades. Os estudos existentes mostram a existência de diferenças entre culturas no que respeita sobretudo aos hábitos de utilização (Elmasry, et al., 2014) e à profundidade de revelações que os jovens fazem acerca de si mesmos (Wheeless et al., 1986), aspetos que por sua vez poderão ter impacto nos riscos e nas oportunidades online (Ellison et al., 2007).

Estes conceitos foram aprofundados ao longo do Capitulo I, apresentando os principais estudos que constituíram a base da presente investigação. Num primeiro momento foi abordada a literatura sobre os aspetos relativos à cibercultura/cibridismo, num segundo as principais variáveis relacionadas com o Facebook, e num terceiro momento, incidiu-se sobre os aspetos culturais e a sua influência na utilização do Facebook.

As questões relativas ao desenho da investigação e metodologia fazem parte do Capitulo II, que se segue, no qual se apresentam as variáveis em estudo, os

instrumentos utilizados, os procedimentos para recolha da amostra e também a caracterização dos participantes.

O Capítulo III inclui os estudos empíricos, todos de metodologia quantitativa. O Estudo 1, envolveu a construção, adaptação e validação de um instrumento para

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avaliação dos riscos/oportunidades dos jovens utilizadores do Facebook dos países de língua portuguesa.

O Estudo 2 pretendeu caracterizar os jovens portugueses no que respeita à utilização da rede social Facebook. Tiveram-se em consideração as variáveis relacionadas com o ambiente online (hábitos, riscos e oportunidades) e analisaram-se as diferenças nestas variáveis em função da idade, do género e da região do país.

O Estudo 3, com base numa amostra transcultural de jovens de Portugal e Brasil, explorou o papel moderador do (des)ajustamento psicossocial, do país e da idade na relação entre os hábitos de utilização do Facebook e os riscos e oportunidades online.

O Estudo 4 envolveu a amostra total dos nove países estudados (oito da CPLP e Macau), e explorou o papel dos hábitos de utilização e dos riscos e oportunidades online, no offline (comportamentos de risco e bem-estar). Pretendeu-se também avaliar se o facto de os participantes serem oriundos de diferentes países contribuía para explicar a variância dos hábitos de utilização, dos riscos online/oportunidades e dos comportamentos de risco/bem-estar total

O Capitulo IV refere-se à Discussão e Considerações finais - integra uma visão holística dos estudos desenvolvidos, salientando-se os principais resultados.

Apresentam-se igualmente algumas limitações do presente estudo que poderão servir de ponto de partida para futuras investigações dentro deste tema e ainda as

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