Notre Modèle de Coût
Algorithm 2 Algorithme de répartition de charges( Algo_Migration_Dynam)
São ainda escassos os trabalhos que abordam a influência da cultura na utilização do Facebook. Os poucos que existem partem do modelo de Hofstede para caracterizarem os países em causa e, de entre as dimensões do modelo, a de
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Individualismo/coletivismo tem sido a mais amplamente utilizada nos estudos transculturais (Almakrami, 2015).
Os estudos têm mostrado que os hábitos e os tipos de utilização do Facebook são largamente influenciados pelos fatores culturais (Hofstede, 2001; OfCom, 2008). No que respeita aos hábitos de utilização, nas culturas coletivistas a importância dos familiares, amigos e grupo podem ser parcialmente responsáveis pela utilização menos frequente das redes sociais, já que há tendência para obter apoio nas relações offline (Elmasry, Auter, & Peuchaud, 2014; Kim, Sohn, & Choi, 2013; Quiu, Lin, & Leung, 2013). Nas culturas individualistas, os jovens habitualmente estabelecem relações mais
distantes e superficiais, aspeto que os leva a utilizar mais frequentemente o Facebook. Além disso, os jovens inseridos numa cultura individualista têm uma perceção mais positiva das redes sociais e, portanto, utilizam-nas mais (Pumper, Yaeger, & Moreno, 2013).
Os jovens de países coletivistas partilham informações úteis não só para si próprios, mas também para os outros, frequentemente revelam informações políticas e/ou religiosas, não exibem o status de relacionamento (ou colocam solteiro), e são mais propensos a exibir perfis com nomes falsos ou com imagens de algo/alguém (Lustig & Koester, 2006; Yum & Hara, 2006). Por exemplo, nos países do médio Oriente, como a Turquia68, publicar fotografias de membros da família dentro dos espaços privados da casa, imagens de casais, ou comentários sobre tópicos privados é muito mal visto pela
68 Segundo Hofstede (https://geert-hofstede.com/turkey.html) trata-se de um país com elevada distância
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sociedade (Costa, 2016). Apesar disso, os utilizadores rompem essa barreira cultural e mostram nas redes sociais aspetos mais íntimos do seu quotidiano:
O que a cultura ocidental descreve como o efeito de autorrevelação do Facebook, para a cultura oriental é encarado como uma grave ameaça para o mundo social. Certo é que apesar dos orientais tentarem manter a sua privacidade, esta rede social criou uma porta de entrada para o íntimo no domínio público (...). Existem agora novos espaços privados online que facilitam as comunicações secretas e as relações entre pessoas de diferentes sexos a um nível que nem sequer era imaginável há alguns anos.
Costa (2016, p. 168)
Por seu turno, em sociedades individualistas, os jovens fazem mais atualizações de status, publicam fotografias/ vídeos sobre si próprios para fins de autorrevelação e autopromoção, a imagem no perfil é muitas vezes da face do utilizador em zoom-in, mais frequentemente assinalam estar “numa relação” e o foco dos seus perfis é
habitualmente a sua vida social e atividades do dia-a-dia (Elmasry et al., 2014; Huang & Park, 2013; Kim et al., 2013; Quiu et al., 2013).
Os estudos existentes indicam que existem poucas diferenças na autorrevelação em sociedades individualistas segundo a variável género, havendo apenas uma diferença significativa no número de imagens publicadas, uma vez que o género feminino tende a publicar mais fotografias que o género masculino (Yum & Hara, 2005). Estes resultados contrastam com as descobertas do estudo de Dominick (1999). Este autor concluiu que a variável género não influenciava a autorrevelação nas redes sociais no que respeita à quantidade de imagens publicadas, mas observou que o género feminino incluía mais informações íntimas, declarações sobre a sua filosofia de vida e informações sobre a família e o namorado. Outros estudos (e.g., Hong, Morris, Chiu, & Benet-Martinez, 2000; Qiu et al., 2012) sugerem não ser nem o género nem a cultura os fatores
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responsáveis pelas diferenças na autorrevelação, mas sim as características da própria rede. Lamoreaux e Morling (2008) concluíram que os utilizadores tendem a mudar de comportamento online por forma a coincidir com o dos outros utilizadores. Tratando-se o Facebook de uma rede social criada por um país com características individualistas (América), poderá haver um fenómeno de “aculturação Facebook”69, em que os seus utilizadores tendem a assumir um comportamento segundo os valores que subjazem à própria rede social (individualistas) e, paralelamente, esse comportamento é propenso a homogeneizar-se. Certo é que Qiu et. al. (2012) concluíram que as pessoas se
comportam de modo diferente em distintas redes sociais, sendo que os utilizadores biculturais agem de um modo, numa determinada rede social e de outro modo noutra.
Segundo os mesmos autores, este aspeto pode ter importância para a aquisição de experiências multiculturais através de interações sociais online. Assim, o aumento do individualismo nas relações interpessoais pode estar associado à estrutura das redes sociais, já que “o que ocorre é que indivíduos constroem as suas redes, online e offline, com base nos seus interesses, valores, afinidades e projetos” (Castells, 2003, citado por Barcelos, Passerino, & Behar, 2010, p. 3). Este aspeto poderá contribuir para uma homogeneização cultural, ou para um consenso a este nível, no entanto desconhece-se até que ponto “as experiências multiculturais online podem facilitar a formação de uma identidade cosmopolita que venha a transcender as fronteiras culturais e ajude os indivíduos a desenvolver uma sensação de ser um cidadão do mundo” (Cannon &
69 Denominação por nós adotada para designar este fenómeno que se opera nos utilizadores do
Facebook, que consiste na modificação de alguns aspetos do seu modelo cultural de base, resultado do contato permanente destes quer com uma rede social criada segundo um sistema cultural diferente do seu sistema de origem, quer com utilizadores oriundos de outras culturas.
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Yaprak, 2002; Gillespie, McBride, & Riddle, 2010, citados por Qiu et al., 2012, p. 116). Autores como Kelly (2009), discordam que a utilização da Internet no geral, e das redes sociais em particular, estejam a aumentar o individualismo da sociedade, e argumentam que estas tecnologias não só maximizam a autonomia individual, mas também podem estar a contribuir para a criação de uma sociedade coletivista a nível global, devido a favorecerem a partilha de conteúdos e de ideias.