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Approche multi-paradigmes

3.4 Une extension du modèle : DynFish 2

As conceções neoclássicas ajudam-nos a descrever os modelos hierárquicos de organização comercial, destacando-se os princípios de Hotelling (1929), a teoria da renda fundiária (Alonso, 1960) e a teoria dos lugares centrais (Christaller, 1933; Berry & Garrison, 1958). Estas perspetivas atribuem um papel relevante às questões relacionadas com a distância e com a localização da atividade comercial no espaço urbano (Öner & Larsson, 2014).

4.1.1. Princípio da aglomeração espacial

Nas conceptualizações neoclássicas destaca-se o princípio de Hotelling (1929), sistematizado na Figura 4.1. De acordo com este princípio, os estabelecimentos comerciais tendem a localizar-se próximos uns dos outros e, sobretudo, numa área central. Ilustrado através do cenário de dois vendedores de gelados numa praia, Hotelling defende que a distribuição espacial das atividades comerciais tende a revelar fortes tendências de concentração e de aglomeração num mercado onde a procura é idêntica e os custos de transporte são constantes. Nesse contexto, dois vendedores de um mesmo produto tenderão a localizar-se no meio do mercado com preços de venda iguais. Este princípio evidencia a tendência de aglomeração espacial que os estabelecimentos retalhistas configuram, localizando-se mais próximos uns dos outros, uma vez que a proximidade física entre eles minimiza a incerteza para os comerciantes e, também, para os consumidores (Brown, 1992).

Preço Localização P1 P1 A F1 F2 B A e B: localizações de ótima cobertura do mercado P1 e P2: preços de mercado F1 e F2: fronteiras do mercado P2

Figura 4.1: princípio da aglomeração espacial e a localização ótima no mercado

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Porém, a evolução registada pela atividade comercial, conforme aponta Teixeira (1996), não se compadece com a manutenção dos pressupostos do modelo original. Por um lado, os estabelecimentos que vendem os produtos mais banais, como as mercearias, tenderiam a apresentar um padrão mais disperso. Por outro lado, a reduzida flexibilidade do modelo não se compadece com a realidade atual, em que várias empresas atuam num mesmo território. Este princípio traduz a importância das externalidades positivas das economias de aglomeração decorrentes da concentração espacial.

4.1.2. Teoria da renda fundiária urbana

Alonso (1960) propôs uma teoria que se baseia na concorrência entre usos numa apologia pela localização mais acessível no centro das cidades, culminando no desenvolvimento e alocação de diferentes setores da cidade a distintas atividades económicas. De acordo com a teoria, as atividades com níveis de especialização e de raridade mais elevados localizam-se no centro e as funções de nível hierárquico inferior assumem maior expressão territorial na periferia (Figura 4.2).

Comércio retalhista Renda Distância Renda Indústria/comércio Distância Renda Renda Distância Distância Apartamentos Moradias unifamiliares

Figura 4.2: teoria da renda fundiária (trade-off)

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Esta teoria tem subjacente a ideia de uma cidade monocêntrica em que a acessibilidade é máxima no centro e declina regularmente em todas as direções. Os modelos da renda fundiária implicam que o preço do solo varia em função da distância e que a licitação dos terrenos seja feita através de licitação concorrencial entre usos com diferente capacidade de pagamento, localizando-se nas áreas centrais as funções com maior capacidade de pagar o valor da centralidade, sendo, segundo Alonso (1960, 1964), o comércio a atividade que pode pagar as localizações mais próximas do centro. Este valor decorre da importância da centralidade e das áreas acessíveis, uma vez que estão associadas à existência de um maior mercado potencial.

O modelo do uso do solo urbano ajuda-nos igualmente a compreender que as atividades com maiores exigências em termos de espaço, como os grandes armazéns retalhistas, os centros comerciais regionais ou os hipermercados, tendem a localizar-se na periferia, tal como as atividades industriais, resultado dos valores fundiários mais reduzidos.

4.1.3. Teoria dos lugares centrais

As bases da Teoria dos Lugares Centrais (TLC) remontam a Christaller (1933) e Lösch (1941), que atribuem particular importância ao conceito de espaço através da centralidade e das funções associadas ao espaço central (Figura 4.3). A hierarquia dos lugares é construída a partir do centro, cuja oferta (bens ou serviços) varia em função da distância ou do custo máximo que um consumidor aceita percorrer para adquirir esse bem ou serviço (elasticidade), e ao limiar da procura, ou seja, ao volume mínimo de clientes para que o serviço possa oferecer lucro ao produtor. Através da utilização desta teoria, Teixeira (1996) considera que esta se revela basilar para identificar hierarquias e relações de dependência que ajudam a compreender a organização funcional do espaço urbano, em geral, e da atividade comercial, em particular.

Assim, os níveis hierárquicos dos aglomerados dependem do número e do tipo de funções. Consequentemente, os bens ou serviços mais raros tendem a localizar-se nas áreas mais centrais e os bens e serviços mais banais apresentam uma distribuição territorial mais dispersa e são predominantemente oferecidos em centros de nível hierárquico inferior. A teoria está ancorada num conjunto de pressupostos que implicam a existência de um espaço isotrópico, em que se identificam condições de mercado que são uniformes, sejam em termos de condições de entrada no mercado, de distribuição dos comerciantes, de vendas e de preços. Além destes, o consumidor deve deslocar-se ao centro mais próximo, adquirindo apenas um único bem ou serviço, sendo, portanto, um consumidor que tem um conhecimento perfeito do ambiente comercial e das alternativas de compras (Brown, 1993; Rodrigues et al., 2002).

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Porém, como realçam Brown (1992) e Teixeira (1996), grande parte dos consumidores contemporâneos não se desloca ao centro mais próximo apenas com a intenção de comprar um único produto, pelo que os centros de nível inferior têm progressivamente menor procura também nos produtos mais banais, sendo esses produtos adquiridos nos centros de nível hierárquico superior, independentemente do seu nível de raridade. Por exemplo, a existência de vários produtos num mesmo centro, independentemente do seu nível de raridade, tendem a colocar em causa a TLC, uma vez que o reforço das tendências oligopolísticas dificulta o seu papel explicativo17, além da crescente

importância das compras agrupadas (multi purpose shopping trips), com uma periodicidade quinzenal ou mensal. Estas transformações na organização espacial do comércio e da distribuição alimentar serão discutidas nas próximas subsecções.