• Aucun résultat trouvé

Extension à d’autres directions

4.3 Un accumulateur pour une détection semi-locale

4.3.3 Extension à d’autres directions

A literatura é fértil em sugestões de estudos suplementares e de direções novas a tomar na investigação do coping em contexto de trabalho. Muitas dessas indicações repetem- se entre si e repetem as sugestões acerca do estudo do coping em termos gerais. Sintetizando estas últimas, há um apelo para se estudar (1) os significados pessoais que os indivíduos atri- buem ao coping em situações específicas, (2) o papel das emoções nos processos de stresse (Lazarus, 1993a), (3) o coping referente a descrições narrativas de episódios de stresse efetua- das pelos sujeitos a estudar (Coyne & Gottlieb, 1996), (4) o coping em estudos longitudinais, e

intraindividuais, que possibilitem (5) observações diárias, macroanalíticas e em profundidade dos comportamentos de coping dos indivíduos (Lazarus, 2000), (6) a estrutura do coping recor- rendo a metodologias analíticas confirmatórias (Skinner et al., 2003), (7) o coping recorrendo a abordagens narrativas (Folkman & Moskowitz, 2004), como as entrevistas semiestruturadas para explorar mecanismos específicos de coping (Costa et al., 1996), e (8) estratégias de coping específicas, em vez de categorias gerais de coping (Carver & Connor-Smith, 2010). A investiga- ção tem concretizado algumas destas sugestões. Por exemplo, Stanton (2011; Stanton & Franz, 1999; Stanton et al., 2000) tem elucidado teórica e empiricamente a função adaptativa do

coping de confrontação emocional. Na realidade, todas estas sugestões se aplicam ao contexto

particular do trabalho.

No que respeita especificamente ao coping no trabalho, ancoramo-nos nas sínteses de Dewe (2001; Dewe et al., 2010) e de Burke (2002) para destacar os desafios que se colocam à investigação sobre o coping no trabalho. Dewe (2001) aponta quatro direções tendentes a uma melhor integração da perspetiva transacional de Lazarus (1999; Lazarus & Folkman, 1984). Em primeiro lugar, é importante operacionalizar o conceito de avaliação primária, na medida em que ela fornece o significado que as pessoas atribuem aos encontros de stresse, sendo que esse é o processo central dos mesmos. Além disso, compreender o contexto das avaliações primárias pode concorrer para conhecer melhor o ajustamento entre as mesmas e as propriedades objetivas do ambiente de trabalho. Em segundo lugar, importa explorar a natureza do coping, no sentido de perceber se a distinção teórica entre coping focado nos problemas e coping focado nas emoções tem tradução real na forma como as pessoas lidam com o stresse no trabalho no seu dia-a-dia, assim como os papéis facilitadores ou inibidores desempenhados pelos padrões de coping. Em terceiro, é necessário estudar as dimensões de controlo inerentes à avaliação secundária. Uma tal investigação permitiria compreender melhor como as pessoas consideram os recursos pessoais e organizacionais nos seus processos avaliativos, o que possibilitaria, por sua vez, perceber melhor a contribuição dos aspetos orga- nizacionais (ou psicossociais) na definição dos atos de coping dos indivíduos. Por fim, a quarta área de estudo a aprofundar prende-se com o papel das emoções nos processos de stresse, e em concreto com o significado relacional nuclear que elas representam. Este significado desempenha um papel crucial na escolha das estratégias de coping, e o coping, por sua vez, por efeito de feedback, dá forma a novas emoções (Lazarus, 1999, 2006). Tendo verificado não existir elevada correlação entre as duas variáveis, bem como diferentes padrões na sua mani- festação longitudinal, Fugate et al. (2002) sugerem mesmo que as emoções sejam distinguidas operacionalmente do processo de avaliação cognitiva. Dewe et al. (2010) acrescentam outras cinco linhas de estudo a explorar (enunciamos apenas, uma vez que já abordámos as quatro primeiras nos capítulos e subcapítulos precedentes): (1) a incorporação da influência da psico- logia positiva no estudo do coping; (2) o coping proactivo; (3) o coping interpessoal, coletivo ou comunal; (4) o coping de criação de significado; e (5) o estudo do lazer como estratégia de

coping. A literatura revela claras associações entre o lazer e a saúde e bem-estar, e sugere que

ele funciona quer como recurso, quer como estratégia de coping. Enquanto forma de lidar com o stresse do trabalho, as atividades de lazer proporcionam distração ativa, são oportunidades de renovação, energização e revigoramento, promovem equilíbrio na vida, e facilitam a resi- liência individual para lidar de forma proactiva com as adversidades laborais.

Burke (2002) partilha as sugestões de Lazarus (1993a, 2000) ao advogar a realização de estudos que sigam uma pessoa ao longo de tempo e através de diferentes situações, de modo a (1) compreender melhor o processo de coping num encontro específico de stresse ao longo do tempo, (2) avaliar as variações nas respostas emocionais, cognitivas, comportamentais e fisiológicas em distintos encontros de stresse para um mesmo indivíduo, e (3) a identificar fatores estáveis de coping em situações diversas. Burke fornece ainda outras quatro sugestões de pesquisa adicional. Em primeiro lugar, apela a que se perceba com exatidão as situações de stresse com que as pessoas têm de lidar, nomeadamente a sua frequência e intensidade, bem como a distinção e interação entre aquelas intrínsecas ao trabalho e aquelas relativas a outros domínios de vida, mas que se manifestam também no trabalho. O segundo desafio consiste em estudar o coping o mais possível na ausência de interferência do investigador, recorrendo a observações naturais e entrevistas às pessoas nas organizações, de forma a conseguir catalo- gar-se as diferentes ações de coping reais. Um terceiro desafio refere-se à identificação, ope- racionalização e avaliação de modo claro das variáveis mediadoras (ou moderadoras, como as relativas ao ambiente de trabalho e as referentes aos indivíduos) e da sua influência na dimi- nuição ou amplificação do impacto da situação stressora na perceção e coping dos indivíduos. Por fim, a quarta sugestão aponta para o uso de múltiplos critérios de avaliação da eficácia do

coping no trabalho, tanto individuais como organizacionais. Burke alerta para o facto de só

assim se obviar à potencial conflitualidade entre algumas medidas, por exemplo entre umas que sendo boas para os indivíduos, são más para as organizações (ou vice-versa).

Por fim, permitimo-nos acrescentar outros quatro desafios. O primeiro refere-se ao contexto em que se estuda o coping no trabalho, que deve ser em contexto real de trabalho. Com efei- to, Fugate et al. (2002), ao constatarem fraco suporte empírico para resultados precedentes obtidos com estudantes universitários em exame, alertaram para o reduzido poder de genera- lização dos mesmos e apelaram a mais investigação em contexto organizacional. O segundo consiste em estudar a forma como as pessoas lidam com o stresse moderado no trabalho, que comporta stressores crónicos que não põem em risco a vida dos indivíduos (como numa catás- trofe), e que resultam de processos sofisticados de tomada de decisão. Nestes contextos, o controlo é decisivo, e “torna-se mais importante à medida que desenvolvemos organizações ainda mais complexas e integradas” que encerram limitações suplementares ao comporta- mento individual (Karasek, 2011, s/p). Em terceiro lugar, é necessário investigar a contribuição dos fatores psicossociais na definição das estratégias de coping dos indivíduos. Este desafio representa uma abordagem positiva ao ambiente psicossocial do trabalho, na medida em que aquele tipo de fatores tem sido concebido essencialmente como gerador de stresse, e não como recurso de coping. Jex & Britt (2008) apelaram mesmo a uma melhor conceptualização e avaliação das características reais das organizações (por comparação com as individuais, como a personalidade e a capacidade, mais estudadas), de forma a suprimir a maior limitação do modelo de ajustamento pessoa-ambiente, que é o estudo reduzido da componente ambiental. Por outro lado, a perspetiva positiva da saúde ocupacional e do comportamento organizacio- nal não define com clareza quais os comportamentos de coping que são facilitados e promovi- dos pelas organizações saudáveis (nem como). Por fim, o estudo do ambiente psicossocial do trabalho enquanto recurso de coping pode contribuir para as organizações modificarem as suas práticas de organização do trabalho, no sentido de se tornarem organizações saudáveis, autentizóticas e salutogénicas. O quarto desafio é de natureza teórica, e consiste em testar

empiricamente qual a classificação das estratégias gerais de coping que melhor traduz as estratégias concretas usadas pelos indivíduos no trabalho, se a mais usada na literatura (foca- do nos problemas e focado nas emoções), se aquela que a nossa revisão teórica (Cf. Capítulo 1) fez emergir como mais adequada: confrontação e evitamento. Assumimos ainda os reptos de Carver & Connor-Smith (2010) e de Dewe et al. (2010) de estudar estratégias específicas de

coping (e não tipos de coping), e de Folkman & Moskowitz (2004), de incluir metodologias

qualitativas na recolha de dados. Procuramos integrar estes seis desafios no estudo empírico que relatamos a partir do quarto capítulo.