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B. MATERIELS ET METHODES

B.1 EXPRESSION IN VIVO DE HNANOS1 DANS LES CANCERS BRONCHO-

Conforme mencionado anteriormente, a técnica de recolha dados para este estudo recai sobre a entrevista semiestruturada. Com base no trabalho de Bardin (1991), as verbalizações audíveis captadas nas entrevistas foram tratadas a partir de uma análise de conteúdo, cujo interesse foi conhecer outras realidades através das mensagens dos entrevistados.

7 “Uma categoria é habitualmente composta por um termo chave que indica a significação central do conceito que se quer aprender, e de outros indicadores que descrevem o campo semântico do conceito” (Vala, 1999:110-111).

8 Apesar de não ser uma etapa obrigatória de toda a análise de conteúdo, a maioria dos procedimentos de análise de conteúdo organizam-se em redor deste processo.

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A entrevista semiestruturada consiste na combinação de um roteiro sistematizado com perguntas abertas e fechadas que permitem ao pesquisador orientar – se sobre as questões que pretende abordar. Para Minayo (1993) neste tipo de entrevista, não há necessidade de uma sequência rígida quanto aos assuntos a serem abordados, porque esta é determinada pelas ênfases e preocupações que emergem da fala dos entrevistados. Segundo De Ketele (1995) a informação que se deseja recolher, seguindo este formato, reflete melhor as representações na medida em que a pessoa entrevistada tem mais liberdade na forma de se expressar e porque permite uma recolha de informação num tempo mais curto que numa entrevista livre, na qual não se possui a garantia de se obter uma informação pertinente. Ao mesmo tempo o discurso é sequenciado por partes cuja ordem é, de alguma forma, sugerida.

Neste tipo de entrevistas existem pontos de referência orientados para o objetivo que se pretende alcançar. Assim, para este estudo a análise incidirá sobre o conteúdo das entrevistas, registadas por escrito, em impresso próprio, sobre o diário pessoal elaborado paralelamente ao decurso das entrevistas, com base na observação e nos dados retirados dos processos clínicos. Arquitetei, um roteiro de entrevista contendo questões orientadoras que permitam alcançar os objetivos desta pesquisa. As questões devem ser entendidas como um guia que orienta as entrevistas no sentido de aplicar as mesmas questões, numa sequência e ordem invariáveis à globalidade dos inquiridos, podendo, assim, obter resultados comparáveis caso a caso ou no seu todo.

Após a obtenção dos resultados surgem as categorias e a necessidade de quantificar o número de respostas incluídas em cada uma, só assim se revelam significativos os diversos aspetos considerados. A esse respeito, refere Moreira “pelo facto da recolha de dados ser definida como qualitativa, isso não significa que se devam na análise, evitar todos os elementos quantitativos” (Moreira, 1994; P.102). A conciliação entre a abordagem qualitativa e a quantitativa é possível e aceitável.

Os investigadores combinam, cada vez mais, as duas perspetivas. A tese de um continuum metodológico entre uma e outra é cada vez mais defendida, verificando-se que as abordagens puramente quantitativas, vieram a posteriori propor investigações que tomam em linha de conta os contextos do objeto e a dimensão interpretativa (Boudon, 1990).

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas aos utentes do Lar do Centro Paroquial de Santo André, pois este tipo de entrevista procura garantir que os diversos participantes respondam às

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mesmas questões, não exigindo uma ordem rígida nas questões. Pode fazer despontar informações de forma mais aberta, e as respostas não estão condicionadas a uma padronização de alternativas. Além disso, mantém-se um elevado grau de flexibilidade na exploração das questões. Estas entrevistas foram feitas na perspetiva de ajudar a recolocar questões em função da realidade social e da atualização dos respetivos argumentos teóricos que se encontram subjacentes à pergunta de partida.

Este estudo partiu da realização de uma entrevista exploratória a um sujeito do sexo masculino. Depois da entrevista, verificou-se que as questões eram claras pelo que optou-se utilizar este guião de entrevista definitivo na investigação. As entrevistas realizadas foram gravadas, transcritas integralmente e sujeitas a análise de conteúdo.

O fato de se pretender conhecer a estrutura e função das redes de apoio social aos idosos, levou a considerar a entrevista como a melhor forma de conhecer as opiniões, atitudes e perceções sobre o apoio social recebido. Seja qual for o tipo de entrevista realizado existem sempre duas caraterísticas que são comuns a todas elas: por um lado, “a entrevista é uma conversa com um objetivo” (Bingham & Moore, 1924, citados por Ghiglione & Matalon, 1993, P.70), por outro, uma entrevista é um encontro interpessoal que ocorre num contexto e situação social específica e que implica a presença de duas pessoas, assumindo uma delas por acumulação o estatuto de “profissional”.

Podemos observar a relação entre as questões da entrevista e as dimensões da investigação no quadro 3 a seguir apresentado.

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Quadro 3 – Relação entre as perguntas da entrevista e as dimensões da investigação

Fonte: Autor

O trabalho de campo de realização das entrevistas foi realizado entre 24 de Março a 3 de Abril. Relativamente aos contextos de realização das entrevistas, todas decorreram numa sala privada cedida gentilmente pela diretora. O entrevistado era informado de que os dados recolhidos se destinavam a um trabalho de investigação no âmbito de uma tese de mestrado sobre suportes

Dimensão da Investigação Perguntas da Entrevista

Estrutura da Rede

8-Tem irmãos? Se sim quantos? Onde moram? 9-Tem uma família grande? Tem filhos? Tem netos? Tem sobrinhos? Outros? E o seu

marido/mulher? Que tipo de contactos mantém com estes familiares? Com que frequência contacta com eles? e de que tipo?

(telefonemas,visitas, encontros)?

11-Quando pensa na sua vida, quem indicaria como pessoas mais para si? (por mais

importantes, as pessoas que têm um papel mais importante na sua vida, que lhes estão mais próxima, com quem pode contar.

Função da Rede

12-Numa situação de emergência a quem recorre? E qual a importância dessas ajudas? 14-Quanto necessita de roupa, calçado, alimentação a quem se dirige?

15- No caso de necessitar de tratar de assuntos administrativos/consulta médica a quem se dirige?

16- Quanto necessita de conversar/conviver qual a pessoa mais próxima de si?

Nível de Satisfação

10-Essa frequência/proximidade agrada-lhe ou preferia que fosse de outro modo?

17- Sente-se apoiado no seu dia-a-dia? Gostaria de ter mais apoio? De que tipo? E de quem?

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sociais e população idosa. Procurava-se que o entrevistado compreendesse que estávamos de fato interessados em estudar a função e estrutura da sua rede de apoio social, que este era o objetivo do nosso trabalho e que não existiam respostas certas ou erradas. Garantia-se ainda a confidencialidade das informações recolhidas e o seu anonimato.

Para recolha da informação foi utilizado o gravador, com autorização9 prévia dos interlocutores e com o compromisso de que as gravações realizadas serão apagadas assim que tiverem sido analisadas. Foram realizadas 10 entrevistas com a duração média de 40 minutos, variando entre 30 minutos (a mais curta) e 1h 15 (a mais longa), de acordo com a dinâmica de cada entrevistado. Quanto à relação entrevistador / entrevistado é também de realçar a necessidade da existência de um equilíbrio em termos de distância / proximidade entrevistador /entrevistado, de forma que, por um lado, se atinja o grau de reflexão pretendido ultrapassando a emergência de defesas, e, por outro, não se exerça demasiada pressão, a qual poderia destruir a relação estabelecida.

Num modo geral a recetividade dos entrevistados à pesquisa foi muito positiva. No entanto, apesar dos esforços no sentido de dar liberdade de expressão aos sujeitos, tal como referido por Ghiglione e Matalon (1993), reconhecemos que, no âmbito de uma entrevista, a pessoa não é completamente livre de dizer o que quer, já que de alguma forma está condicionada pela própria situação.