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Expérience – Types de liaisons et conductivité (suite)

Dans le document Chimie 11e année (Page 123-129)

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ANNEXE 7 Expérience – Types de liaisons et conductivité (suite)

As unidades didáticas atrás apresentadas não deixam margem para dúvidas quanto às potencialidades do conto em contexto de aula de espanhol língua estrangeira, na medida em que, as estratégias e atividades apresentadas (tanto nas unidades hipotéticas como nas do estágio) permitem aguçar o gosto pela literatura, tocam em aspetos socioculturais interessantes e de destaque, além de que levam ao desenvolvimento de todas as competências necessárias para comunicar efetivamente em língua estrangeira, em contextos reais do quotidiano.

Agora, resta-nos deitar um olhar rápido sobre os contos que não foram alvo de unidades didáticas, no sentido de apresentar algumas possibilidades que ficaram por aplicar, por questões logísticas que, infelizmente, nos ultrapassam. De facto, já tivemos oportunidade de defender por diversas vezes que o uso do conto numa aula de espanhol traz hipóteses quase ilimitadas, corta com a rotina e potencia novas aprendizagens, além de poder levar a incrementar o gosto pela leitura fora do contexto escolar. Mas é claro que não podemos escolher textos ao acaso, estes “devem ser significativos e motivadores, tendo como critério de escolha os interesses dos estudantes (…) integrador de várias habilidades, cabendo ao professor selecionar quais serão trabalhados na aula. “ (Silva 2013: 168).

Acreditamos ter feito uma seleção vencedora, com possibilidades maravilhosas, como vimos atrás. Agora, para terminar, deixaremos apenas uns apontamentos sobre o que se poderá fazer com os restantes contos analisados na segunda parte deste estudo. Temos plena noção de que não se trata de um estudo exaustivo, até porque depende da vontade, da disponibilidade e dos conhecimentos de cada docente. Mas acreditamos que o céu é o limite.

Olhando, então para o texto “La primera gripe de Adán”, notamos o grande predomínio do modo condicional, que poderá ser aproveitado para um estudo gramatical mais aprofundado ou simples revisão. A nível lexical, temáticas como as doenças, os sintomas, o corpo humano poderiam ser exploradas com grande variedade de exercícios e atividades. E não esqueçamos a moralidade do conto, que reenvia para a importância das pequenas coisas a que não se dá valor até estarmos prestes a perdê-las. Através de um debate ou uma atividade lúdica, várias questões poderiam abordar-se aqui.

Em “El jardín de la alegria” estão bem patentes questões como a sexualidade, os comportamentos de risco, ou o conflito geracional, muito adequados a um público mais velho, do ensino secundário, em que estas problemáticas fazem parte do programa. Seria interessante

mostrar-lhes como a literatura é um espelho da vida e aborda temas que lhes estão bem próximos, com um tom ligeiro, despreocupado. Seria decerto uma forma diferente de introduzir estes temas, retirando-lhes um pouco o caráter preconceituoso com que os jovens adolescentes os costumam abordar. Também é um texto rico em expressões que exigem o uso do modo conjuntivo, bem como de contraste entre os tempos do passado, podendo servir de resumo / recapitulação para estes conteúdos gramaticais.

Já a obra “Un curioso intercambio” dedica-se a apresentar uma critica mordaz à família contemporânea, como vimos atrás, e, por isso, seria adequada para estudar as relações familiares, debatendo-se a hipocrisia e aparências da nossa sociedade. Além dos jogos de sentido que se podem explorar com o texto, a questão das festividades (Natal e Dia de Reis) também seria bem explorada partindo deste conto. O valor dos adjetivos, os pronomes, enfim, uma panóplia de exercícios gramaticais seria permitida, o que mostrarque um só texto possibilita organizar toda uma unidade, desenvolver todas as destrezas e dinamizar situações reais de comunicação em espanhol.

Temos ainda “El hada fea”, ideal para grupos mais jovens, para trabalhar a caracterização física e psicológica, a questão da aparência e da beleza interior, e até mesmo o bullying, tema tão complexo de introduzir nas nossas aulas, mas tão importante nos dias que correm. Os graus dos adjetivos seriam um dos conteúdos possíveis a nível gramatical, mas parece-nos que o mais importante aqui é a questão ética, pois este conto é um hino à força interior e pode ajudar crianças de baixo autoestima a valorizarem-se. Porque literatura também é isso.

Por fim, encontramos o conto tradicional “La mujer guerrera”, que permite estabelecer um contraste entre o passado e o presente, relembrando a tradição guerreira, mas também apaixonada, do povo ibérico. Seria o texto ideal para preparar um roteiro pelas várias regiões de Espanha, explorar contos e lendas de cada terra estudada, por exemplo. É também uma possibilidade para falar de viagens, da caracterização física e psicológica, ou de heróis nacionais do povo espanhol ou hispano.

Como se viu, as possibilidades são imensas, não nos compete a nós enumerá-las todas, pois cada aplicação concreta depende do professor, do contexto, dos alunos. Apenas desejarmos provar que a nossa premissa inicial não podia estar mais certa: usar contos em aula de língua estrangeira é abrir as portas de um mundo encantado, que pode ajudar-nos a fazer aulas mais dinâmicas, divertidas e profícuas, em que os alunos desenvolvam todas as habilidades escolares e socioculturais para se tornarem cidadãos do mundo.

Conclusões

Eis-nos chegados ao final do empreendimento que nos tomou os últimos meses. Fomos abordando muitos assuntos ao longo destas páginas, uns de forma mais profunda e abrangente, outros apenas de modo ligeiro, no sentido de estabelecer pontes para outras leituras, talvez a realizar no futuro. Temos plena consciência do caráter embrionário do nosso trabalho, dados os constrangimentos de diversa ordem, mas parece-nos que conseguimos focar os pontos mais importantes e polémicos, deixando pistas de reflexão que poderão ser retomadas e, quiçá, ampliadas noutro momento, por qualquer estudioso interessado. Impõe-se agora uma reflexão final, onde possamos retomar os temas-chave do nosso estudo, provando que os objetivos perseguidos foram amplamente alcançados.

A primeira conclusão que devemos apontar é o facto de, ao contrário do que era esperado quando iniciámos a pesquisa biobibliográfica, o género conto já ter sido amplamente estudado nos últimos cinquenta anos na sua vertente educativa. Quer isto dizer que muitos autores se têm debruçado sobre a estreita ligação que existe entre o género e o ensino / aprendizagem de línguas, tanto materna como estrangeira. Mesmo ao nível do espanhol, têm surgido inúmeros trabalhos – uns mais teóricos, outros com sugestões práticas interessantes – que atestam a nossa ideia de que o conto deve assumir lugar central nas atividades da aula de ELE. Perante a diversidade da oferta biobibliográfica, procedemos a bastantes leituras, optando, na primeira parte da dissertação, por realizar uma síntese das opiniões e dos factos recolhidos, aos quais se somaram as nossas próprias ideias.

Assim, notamos que a literatura em geral (e o conto em particular) tem tido um lugar dúbio no ensino / aprendizagem das línguas, ao longo dos tempos. Se durante séculos foi o centro de todas as atividades em sala de aula, com a chegada dos métodos direto e audiovisual, perdeu o seu lugar, por se considerar uma tipologia textual demasiado complexa, com exemplos de língua inadequados ao carácter prático e imediatista que assumiu a aprendizagem de LE. E mesmo com a chegada da abordagem comunicativa, já no último quartel do século passado, o texto literário não tem sabido reassumir o seu papel.

Na verdade, todos os estudos apontam para a literatura como um documento autêntico a ter em conta nas nossas aulas, pois, além das diversas mostras de língua que apresenta ao estudante, encerra toda uma componente cultural essencial para quem pretende aprender uma nova língua. Além disso, ficou igualmente claro que os textos literários, essencialmente os contos, possuem uma linguagem próxima da do jovem, apresentando-lhe inconscientemente soluções para os seus problemas de desenvolvimento. Cada narrativa fala ao íntimo do leitor,

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transporta-o para tempos e lugares onde tudo é possível, ajudando-o a fugir à rotina, ao mesmo tempo que lhe devolve o gosto pelo poder mágico da leitura. A (re) introdução de contos nas aulas de LM ou LE, a sua aplicação como forma de fuga à rotina, em atividades criativas, dinâmicas, inovadoras, que colocam o estudante no centro de todo o processo, pode ser uma forma de levar os nossos jovens a reconciliar-se com a escola e, assim, fazer marcha atrás no progressivo alheamento / desenraizamento da nossa sociedade. É que, se os nossos estudantes são o futuro do país, é urgente ensiná-los a ser críticos, a olhar para o mundo de forma plena, consciente. E tal pode ser claramente conseguido pelo poder da leitura. Quanto mais lerem, melhor o farão e mais prazer sentirão. Ao mesmo tempo, melhores alunos e melhores cidadãos serão.

No que concerne especificamente a aula de espanhol, existem igualmente diversos estudos que apontam, como defendemos desde o princípio, para a necessária centralidade do texto literário, nomeadamente, do relato contista. De facto, esta tipologia textual constitui um input linguístico importante. Permite desenvolver todas as competências linguísticas exigidas a um estudante de LE, tanto a nível da compreensão como da produção, passando pelo funcionamento da língua. Sem esquecer que possibilita um contacto real com os mais diversos níveis de língua, fomentando, igualmente, o contacto com a realidade sociocultural da língua meta, privilegiando uma maior compreensão e aceitação das diferenças. Além disso, dá-se também a iniciação estética do jovem leitor, que cimenta o gosto pela obra de arte. Deste modo, o aluno está preparado para usar a língua em qualquer contexto real de comunicação, como preconizam as orientações nacionais e internacionais em termos educativos.

Como ficou evidente a íntima relação entre o conto e o ensino / aprendizagem do espanhol, achámos pertinente verificar como as preocupações de pedagogos, didatas e outros teóricos eram tidas em conta na hora de se produzirem orientações de cariz mais prático. Por isso, analisámos os documentos oficiais, tanto europeus como nacionais. E as conclusões são, no mínimo, contraditórias. O MCERL deixou claro que o texto literário é um dos documentos à disposição do docente que ensina ELE, mas nunca apresenta de forma clara, concreta, que tipologias textuais usar ou que estratégias e atividades poderão ser mais adequadas. Parece- nos que as orientações deste documento são demasiado vagas. O mesmo acontece com o PCIC, que nos chega de Espanha como forma de guiar os docentes no seu trabalho diário, embora também fique aquém do esperado no que respeita à defesa da necessária centralidade do conto em sala de aula. Nota-se, neste documento, uma grande preocupação com os objetivos a atingir para cada nível de proficiência linguística, em detrimento das formas de alcançar essas metas. Só nos níveis mais avançados há a referência clara ao conto, que parece

ter um lugar quase marginal, pondo em causa todas as ideias debatidas anteriormente, por inúmeros estudiosos do nosso tempo.

Dentro desta perspetiva crítica, podemos dizer que, se ficamos desiludidos com a falta de referência direta ao conto nas diretrizes europeias, não correu melhor a análise dos documentos ministeriais, embora, neste caso concreto, não tenhamos sido apanhados de surpresa. Na verdade, enquanto docentes de uma língua estrangeira (francês), tínhamos já a noção do sentido em que vão os programas. E, tendo já experiência anterior na lecionação do espanhol, sabíamos que as diretrizes não variam muito de uma língua para a outra. O primeiro reparo a fazer é a falta de metas curriculares para o ensino / aprendizagem da LE2 no nosso país. Existem apenas para o inglês, denominado LE1. Assim, para o espanhol, são elaboradas listas de conteúdos que os alunos devem dominar no final de cada ano / ciclo de estudos, com breves apontamentos a alguns materiais a usar, mas tudo abordado de forma muito geral. Olhando para os programas da disciplina, somos obrigados a dizer que estes não passam da compilação de conteúdos programáticos e de termos nocio funcionais, esquecendo-se completamente as estratégias e atividades que possam facilitar a apreensão desses temas. Há referência pontual ao texto literário, mas longe da esperada estratégia de revitalização do conto. Como dissemos atrás, não notamos verdadeira preocupação com a parte instrumental, com a aplicabilidade das diretrizes. Estas são mesmo vagas e contraditórias, o que não nos causou grande surpresa.

No que respeita aos manuais de ensino adotados no nosso país para a aprendizagem de espanhol, podemos notar a existência de uma certa heterogeneidade editorial, embora todos sejam fieis aos programas, estes dão-lhes liberdade para organizar conteúdos e estratégias / atividades. Ora, o que vimos foi que as competências linguísticas e socioculturais estão sempre contempladas nos compêndios analisados, embora de forma bastante irregular, como ilustram os gráficos elaborados. Por outro lado, notou-se um caráter repetitivo, pouco motivador, na maioria das atividades. Há uma certa dificuldade em fugir à rotina, o que põe em causa o dinamismo desejado para as aulas. Tal acontece porque, infelizmente, o contro mantém um lugar muito marginal nos nossos livros de estudo. Mesmo quando são usados, estes textos surgem subaproveitados, em atividades estanques, superficiais, que não valorizam o texto em si, nem toda a questão linguística e cultural em seu redor. Não nos surpreende a existência de tão poucos contos no universo da aula de ELE, pois tal também já tinha sido verificado ao nível do francês. Continua a notar-se, por parte das editoras, uma certa desconfiança em relação ao relato contista, como aliás acontece com quase toda a literatura. Parece-nos que, no sentido de evitar equívocos linguísticos, as opções editoriais dão mais

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valor a textos com linguagem mais simples, com estruturas mais tipificadas, mais fáceis de decorar, mas em que se perde, decerto, parte da riqueza vocabular e, também, cultural da língua visada.

Como sabíamos à partida que os manuais escolares de ELE em uso não colocam a literatura no seu devido lugar, nem põem em destaque todas as virtualidades que esta pode assumir na aprendizagem da nova língua, decidimos escolher um conjunto de contos em língua espanhola, de natureza variada, para com eles realizar um estudo eminentemente prático. Os textos foram selecionados sobretudo por gosto pessoal, de entre um acervo que fizemos chegar de Espanha. São narrativas de inegável valor literário, todas elas com leituras muito atuais. Optámos por selecionar textos espanhóis e latino-americanos, tradicionais e contemporâneos, exatamente com o intuito de provar que qualquer conto é passível de ser usado em aula, mesmo que à partida nada tenha a ver com os conteúdos programáticos previstos; há sempre forma de estabelecer conexões, basta um pouco de criatividade, e muito gosto pela profissão.

Depois, realizámos um trabalho de leitura muito livre de cada um dos contos, apontando possíveis percursos, dando pequenas achegas estruturais, mas sempre com a preocupação de elaborar análises simples, lineares, de fácil compreensão. Nunca foi nossa ideia realizar um estudo puramente literário dos mesmos (não esqueçamos que esta dissertação é eminentemente didática) e, se entramos de forma leve nos domínios da análise semiótica, foi principalmente para mostrar que a estrutura dos contos é sempre semelhante, as suas mensagens mais profundas devem estar ao serviço do trabalho docente que deve ajudar os jovens a crescer de forma sã e integral. Assim, vimos que as sintagmáticas escolhidas se revestem de uma linguagem simples, clara e simbólica, ao serviço de temáticas tão variadas como as relações familiares, a aparência física, a sexualidade, o desportivismo ou mesmo o bullying, tão em debate na sociedade e na escola atuais. Seria um claro desperdício cultural, linguístico e cultural não usar estes textos em aula de ELE.

Por isso, a terceira parte do nosso estudo centrou-se na elaboração de sugestões práticas em que os contos estudados surgissem como base de todo o trabalho em sala de aula. Elaborámos unidades variadas, completas e, a nosso ver, motivadoras, em que a literatura e ensino / aprendizagem caminham realmente de mãos dadas. É certo que não nos foi possível aplicar os nove contos, pois, para tal seria preciso um período de estágio mais longo ou lecionar espanhol numa escola. De qualquer forma, as reações dos discentes foram muito positivas, como tivemos oportunidade de mostrar, o que vai no sentido de provar, mais uma vez, que a nossa premissa central estava correta: o conto em aula de ELE é sempre uma mais-

valia, desenvolve todas as competências, serve de ponte para outros conhecimentos linguísticos e socioculturais, permite debates variados e fomenta o gosto pela leitura. Dá origem a atividades mais motivadoras e, em última instância, conduz os jovens no sentido de encararem a escola e a vida de forma mais criativa. E as sugestões metodológicas que deixámos para os restantes textos vão no mesmo sentido. Numa aula de língua estrangeira em que reina a criatividade, tudo é possível. Está nas mãos dos docentes mudar as práticas e aplicar, verdadeiramente, aquilo que inúmeros teóricos defendem há largos anos: revitalizar o uso de contos é meio caminho andado para levar os mais novos a fazerem as pazes com a escola em geral, e com a aprendizagem de línguas em particular.

Resta-nos dizer, para terminar, que temos clara noção das possibilidades abertas com o estudo que apresentamos. Nunca foi nossa pretensão realizar um trabalho completo e definitivo, até porque, em literatura e em didática das línguas, tal não existe. Referimos diversas vezes que queríamos lançar pontes para uma reflexão alargada, mostrando que a literatura está em todo o lado, não se resume à aula de LM, e que os professores têm o poder de transformar o seu trabalho, torná-lo mais prazeroso. Já que as diretrizes oficiais são vagas, usemos esse poder para, nas nossas aulas, introduzir um pouco de cor, diversidade, alegria que os contos inspiram. Sairemos todos a ganhar, sobretudo os jovens que formamos para serem os adultos de amanhã.

É esta a solução de todos os problemas, apanágio de todos os males do ensino / aprendizagem de língua estrangeiras? Decerto não será, mas é um caminho, humilde, aberto a novas propostas. É um trilho. Desafio todos a segui-lo…

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