Nos últimos anos, com a polêmica dos alimentos transgênicos e o mal da "vaca louca", os temas relacionados com a questão agroambiental têm obtido maior espaço na mídia. Apesar de crescente, este espaço ainda é insuficiente para sensibilizar o consumidor sobre os problemas relacionado aos agrotóxicos
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Estamos nos referindo à pesquisa patrocinada pelo sítio "A Boa Terra", uma empresa agrícola que produz e comercializa hortaliças orgânicas no município de São Paulo. A pesquisa foi realizada entre novembro e dezembro de 1996, destinada a conhecer a aceitabilidade dos legumes e verduras orgânicos, que estão sendo comercializados em São Paulo.
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Vale lembrar que a hortaliça hidropônica é cultivada utilizando água como substrato em vez de terra. Como não há terra, os fertilizantes altamente solúveis (proibidos pela agricultura orgânica) são utilizados em grandes quantidades. Esse processo - em função do maior controle, apesar de diminuir (não eliminar) o número de aplicações de agrotóxicos em relação à agricultura convencional - produz um alimento de baixo valor biológico, que não está de acordo com as das normas de produção orgânica.
e aos benefícios da alimentação orgânica. Apesar de os dados evidenciarem que esta é uma questão de alto risco para a saúde pública, pela falta de informação acaba não sendo objeto de preocupação popular.
Tem-se, portanto, uma dificuldade no que se refere à sensibilização do consumidor. Se, por um lado, existe interesse do consumidor em pagar mais para preservar o meio ambiente, por outro lado a divulgação depende muito da grande mídia (televisão, sobretudo), que ainda não discute o assunto de forma mais ampla e continuada. Desta forma, pode-se afirmar que a preocupação dos consumidores só será despertada e seus hábitos modificados se houver um trabalho mais eficiente de divulgação.
Se nos países desenvolvidos o consumidor já é o principal elemento articulador de mudanças, no Brasil este trabalho está apenas começando. O desafio é conscientizar o consumidor sobre o problema da agricultura convencional para a saúde e meio ambiente. Além disso, é preciso mostrar que sua capacidade transformadora tem reflexos em todos os outros segmentos da economia. Por isso, o importante é que a própria sociedade tome a iniciativa de se organizar.
Em Curitiba, PR, um grupo de consumidores da feira de alimentos orgânicos iniciou um trabalho visando estreitar as relações entre os produtores orgânicos e os consumidores. Há cerca de três anos este grupo de consumidores vem desenvolvendo atividades na região metropolitana de Curitiba (RMC). Uma iniciativa que tem trazido bons resultados é a visita dos consumidores às propriedades orgânicas. Este tipo de atividade permite verificar as dificuldades dos agricultores in loco e tirar dúvidas dos consumidores em relação à forma de produção e certificação. O trabalho também tem servido como uma forma de educação
ambiental, promoção do turismo rural e valorização da produção local de alimentos.
Nesses passeios, realizados aos domingos, o consumidor tem a oportunidade de colher a hortaliça
diretamente, num sistema tipo "colha-e-pague". O almoço é realizado na propriedade por um grupo de
agricultores do município, funcionando como forma de confraternização entre agricultores e consumidores. Paralelamente, um Boletim Informativo ensina e orienta o consumidor sobre a produção orgânica, além de denunciar os riscos dos agrotóxicos para saúde e dar dicas para uma alimentação mais saudável.
Esse processo de organização culminou com a fundação, em 15 de julho de 2000, da Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná - ACOPA, que tem como objetivo estimular e promover a aproximação entre agricultor e consumidor, elevar os padrões de qualidade alimentar, além de divulgar a importância da produção orgânica e proporcionar uma maior conscientização do consumidor. Neste sentido, a iniciativa busca uma participação política do consumidor no Conselho Estadual de Agricultura Orgânica.
Essa aproximação já aponta para alguns resultados positivos. Primeiro, observa-se que o consumidor tem um grande interesse em conhecer de onde vêm os produtos que está levando à mesa. Em segundo lugar, as visitas às propriedades têm servido para ampliar a conscientização do consumidor e aumentar a
valorização do produto orgânico. Assim, a falta de regularidade de um produto como o tomate, por
exemplo, é melhor compreendida pelo consumidor, que não vê restrições em adquirir um outro legume "da época". Além disso, trata-se de uma forma de valorizar a produção local e regional.
Outra dinâmica desencadeada a partir deste trabalho é a obtenção de um crédito alternativo para o agricultor, longe do "circuito bancário". Alguns agricultores orgânicos já estão sendo financiados pelos próprios consumidores, que adiantam uma quantia em dinheiro ao agricultor, recebendo posteriormente em produtos com um desconto especial. A associação dos consumidores procura manter uma relação estreita com a associação dos produtores visando criar uma rede de distribuição de sacolas com produtos
orgânicos. O objetivo é criar alternativas às redes de supermercados que diminuam o custo final do
alimento orgânico ao consumidor.
Do lado do agricultor, existe uma série de vantagens em manter contato direto com o consumidor. Como relata um dos agricultores de um grupo visitado, "...para nós, quando o consumidor vem até a
propriedade, o trabalho é menor, é mais confortável, o custo final é menor e o preço também é menor. A gente se sente valorizado".
No Brasil, ainda não é possível ter uma idéia clara do número de consumidores que alimenta o mercado de produtos orgânicos. Além disso, existem os consumidores das redes de supermercados e outros pontos de venda, que precisam ser melhor estudados. Para se ter uma idéia, na região metropolitana de Curitiba, a procura por produtos orgânicos tem sido em média 35% superior à oferta (Darolt, 2002).