organizações de caráter popular e progressista.
Princípios e Dimensão Político-Metodológica para o
Desenvolvimento
a) Qualquer ação cidadã (indivíduo ou instituição com capacidade de compreender o mundo e inserir-
se, conscientemente concordando ou atuando para modificá-lo) só torna-se possível se implica no
autoconhecimento e reconhecimento de identidades específicas (indivíduos ou instituições); b) as iniciativas avançam de forma participativa se os procedimentos de construção das mesmas
gerarem o compromisso. O assumir implica em construção conjunta de todos os passos do processo;
c) todas as ações implicam num entrelaçamento de atividades institucionais diferenciadas. É preciso compreender as diferenças e encontrar os pontos comuns de ação (aliança política), para potencializar as iniciativas;
d) se existem as alianças, existem os enfrentamentos políticos necessários, cuja análise deve indicar que setores, classes, grupos estão frontal ou parcialmente em oposição (baseados na visão de organização social, de desenvolvimento e destino das riquezas);
e) a verdadeira concepção (para além do discurso) manifesta-se quando determinada pessoa ou grupo social passa a ter hegemonia sobre um instrumento de poder (instituição, cargos, recursos). Considerados estes elementos, a compreensão de desenvolvimento passa, necessariamente, pela
recriação do espaço de vida, principalmente do trabalho, como espaço educativo, pois por ele enfrentamos o desafio de reinventar as condições da existência. Em grande parte, o trabalho determina nosso imaginário social e pessoal.
Hoje, podemos perceber três dimensões necessárias a considerar quando pensamos o desenvolvimento: a esfera Econômica, a esfera Jurídica e a esfera Intelectual ou Espiritual.
A esfera Econômica, para que se desenvolva em harmonia, é preciso que seja orientada pela diretriz da fraternidade, ou seja, uma vida econômica saudável deverá orientar a produção de riquezas de acordo com as necessidades naturais e as inventadas, da maioria absoluta da população e da natureza. À medida em que se produz com base nas necessidades dos outros, de forma fraterna (solidária), a produção, despojada de especulações, atingirá o equilíbrio da vida econômica.
A esfera Jurídica deve estar calcada nos princípios da igualdade, onde as organizações estabelecem normas, onde duas partes fazem acordos, onde há fechamento de negócios ou são assumidos compromissos; há de se estabelecer uma relação de total igualdade, onde o exercício do poder não sirva para privilégios ou vantagens sobre outros.
Para que a esfera Intelectual ou Espiritual se desenvolva com harmonia, faz-se necessário que esteja permeada pelo princípio da liberdade. O ser humano não poderá ser tolhido nas suas capacidades individuais de criar, de propor e atuar no mundo. Tanto no pensamento, quando na ciência, na arte, no ensino, na religião, no trabalho ou em qualquer outra atividade do espírito humano, há de se abolir a massificação e a imposição de ideologias, dogmas ou verdades absolutas, para que, em liberdade, cada ser humano possa contribuir de forma construtiva no desenvolvimento social.
O trabalho humano, quando considera as dimensões acima, deve gerar:
a) competência técnica: capacidade de produzir (bens e serviços) com eficiência, gerindo racionalmente e de forma sustentável os recursos disponíveis e criando caminhos para alocação ou geração de recursos não disponíveis;
b) socialização do conhecimento: incorporação dos conhecimentos historicamente gerados e úteis, bem como a recriação dos mesmos;
c) capacidade metódica: o indivíduo ou instituição, ao trabalhar desenvolva a capacidade de organizar-se e de organizar (analisar, diagnósticar, planejar, executar, avaliar e reorientar);
d) sensibilidade solidária: luta e busca de formas de trabalho não destruidoras das condições físicas das pessoas e da natureza.
Na estratégia (ou estratégias) de desenvolvimento, há que se considerar as aptidões naturais, humanas e tecnológicas existentes. Estas condições são superadas constantemente e, à medida que evoluem, terão que reconstruir as organizações sociais para que evolua também a democratização das riquezas geradas (benefícios salariais, de renda e sociais).
No Sul do Brasil, estes princípios gerais, e muitos outros mais específicos, têm orientado as ações das organizações populares, ONGs e movimentos sociais, criando um campo gravitacional muito favorável em prol do desenvolvimento sustentável e da agroecologia.
A Rede TA, que antes se articulava por um conjunto de ONGs, se rearticula incluindo outras ONGs, movimentos sociais, associações formais e grupos informais de agricultores familiares, cooperativas de consumidores, processadores e pequenos comerciantes, na Rede ECOVIDA de Agroecologia. A Rede ECOVIDA de Agroecologia é, segundo sua própria caracterização, um espaço de articulação entre agricultores familiares e suas organizações, estruturas de assessoria e pessoas simpatizantes envolvidas na produção, processamento, comercialização e consumo de alimentos ecológicos.
"A rede trabalha com princípios bem definidos e tem como metas fortalecer a agroecologia nos mais amplos aspectos, disponibilizar informações entre os envolvidos e criar mecanismos legítimos de geração
de credibilidade e de garantia dos processos desenvolvidos por seus membros."
A rede tem por princípios a agroecologia como base do desenvolvimento sustentável e a certificação participativa, decorrente de um processo de geração de credibilidade que tem na participação dos agricultores e consumidores, o estabelecimento de mecanismos de controle social com o amplo envolvimento de todos esses atores. Outros princípios, como organização social, normativa própria e construção do comércio justo e solidário também são bases do trabalho da rede.
Estar organizado em rede, na lógica da agroecologia, significa construir relações de transparência e horizontalidade, sem hierarquias e com a ampla participação de todos os atores sociais envolvidos.
Atualmente a Rede ECOVIDA está organizada em 18 núcleos espalhados nos três Estados do Sul do País e no sul de São Paulo. Cada núcleo tem uma dinâmica própria, se organizando dentro dos princípios da Rede ECOVIDA, e são o espírito da rede, pois são eles que constróem as relações na base da rede, agricultores/consumidores, que são os dois atores sociais mais importantes.
Além desses núcleos da Rede ECOVIDA, diversas outras associações de agricultores, pequenos grupos com dinâmicas e interações locais de comercialização, mesmo não certificados pela rede Ecovida, fazem parte desta construção histórica que é a agroecologia. É difícil citar todas as experiências da Região Sul, pois sempre corremos o risco de esquecer algumas, que muitas vezes são de pequeno porte, mas com grande consistência. Vejam, por exemplo, os companheiros dos assentamentos do MST do sul do Rio Grande do Sul, que estão produzindo sementes ecológicas de hortaliças, que ainda não são associados da Rede ECOVIDA e não usam nenhum tipo de selo, pois têm uma legitimidade reconhecida em todo o País e desenvolvem um importante processo de produção ecológica. Assim, a agroecologia no sul do Brasil tem- se construído muito mais como um processo social do que pelas tecnologias apropriadas aos agricultores familiares. Mas, ao mesmo tempo que se fortalece enquanto processo social, tem desenvolvido importantes ações no campo das tecnologias, da aceitação cultural por parte dos agricultores, da sustentabilidade econômica e ambiental, na construção de um novo paradigma de desenvolvimento.
Instituição Principais ações/
experiências Contato
No Paraná:
Núcleo regional da Rede ECOVIDA “Centro Oeste” - Intituição de apoio: Fudação RURECO
Plantas medicinais, mel, manejo de recursos naturais e agrofloresta
Luiz Tomacheski (42) 627-5349 [email protected] Núcleo regional sudoeste da Rede
ECOVIDA - Instituição de apoio:
Núcleo regional agroflorestal - Instituição base: COOPERAFLORESTA ASSESOAR Agroindústrias de açucar mascavo e melado, hortifruti, avicultura ecológica e diferenciada, feiras Vanderlei Dambros (46) 524-2488 [email protected] Produção de banana e outras frutas em sistemas agroflorestais, passas, doces e derivados
Pedro (015)3577-1476
Em Santa Catarina
Núcleo regional Oeste da Rede ECOVIDA - Instituição de apoio: APACO
Produção de grão “In Natura”, tranformados, feiras, açucar mascavo e hortifruti
Denilson (049) 324-6131 [email protected]
Núcleo regional Oeste da Rede ECOVIDA- Intituição de apoio: CAPA
Hortifruti, grãos e farinhas
Ivo Macagnam (049)664-0550 [email protected]
Núcleo regional planalto serrano da Rede ECOVIDA - Instituição de apoio: Intituto VIANEI
Natal (049) 222-4255 Mação, cebola, Pêssego,
hortaliças, feiras
Núcleo regional Planato Norte da Rede ECOVIDA - Instituição de apoio: ASPTA/ CEPAGRI
Frutas transformadas, “In Natura” , hortaliças.
Aires (042) 9975 1610
Núcleo regional Vale do Rio do Peixe- Instituição de apoio: CEPAGRI
Feiras, Frutíferas de caroço, macã.
Marcos (049)0563 1947 [email protected] Núcleo regional Alto Vale do Itajaí-
Instituição de apoio CEMEAR
Hortifruti, feiras, agroindústria.
Alexandre (047) 352 0118
Núcleo regional grande Florianópolis- Instituição de apoio: CEPAGRO
Hortifrutigrangeiros Luiz (049) 334 3176 [email protected]
No Rio Grande do Sul
Núcleo regional Alto Uruguai - instituição de apoio CAPA Erexim
Grãos, hortifruti, açúcar mascavo
Vitor (054) 321 5951 [email protected] Núcleo regional Planalto - Instituição de
apoio: CETAP
Grãos, hortifruti, feiras, sementes
Gilmar (054)313 3611 [email protected] Núcleo regional Vale do Rio Pardo-
Instituição de apoio: CAPA Santa Cruz do Sul
Hortifruti, feiras, grãos Márcio (051) 3715 2750 [email protected]
Núcleo regional da Serra - Instituição de Apoio: Centro Ecológico
Vinho, Doces, hortifruti, feiras, sucos
Jairo (054) 214 1477 [email protected]
Núcleo Regional Litoral solidário- Instituição de apoio: Centro ecológico
Banana, doces, hortifruti, feiras
Ana (051) 664 0220 [email protected]
Resumo das principais experiências em agroecologia no Sul do Brasil e as principais instituições de apoio e promoção do desenvolvimento.
Apresentação
A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - Fepagro foi criada em 1994 e reuniu os extintos Institutos de Pesquisas Agronômicas, Veterinárias, Zootécnicas e de Recursos Naturais e o Departamento de Pesca da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Rio Grande do Sul. Esse ato representou a integração de parte das ações da pesquisa agropecuária, que vem sendo realizada pelo governo estadual desde 1919. Foi uma conquista dos pesquisadores e do setor primário gaúcho, os quais há muito tempo reivindicavam maior autonomia para o desenvolvimento da pesquisa nessa área.
A entidade é vinculada à Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia e desde 1999 atua alinhada às metas da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Sua missão é desenvolver pesquisas voltadas à agricultura sustentável, atendendo principalmente os agricultores de base familiar, seguindo os princípios da agroecologia. Outra diretriz que tem sido ampliada é a promoção de parcerias com outras instituições de pesquisa, ensino, assistência técnica e extensão rural. Também são executados projetos com empresas públicas e privadas, prefeituras, movimentos sociais e entidades representativas dos produtores rurais.