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ATTN and ERROR ROUTINES

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O conhecimento do perfil dos consumidores é importante pois permite orientar o trabalho de produção, direcionar o processo de marketing e comercialização, além de dar uma idéia da importância desse segmento de consumo no mercado regional.

A gzrosso modo, pode-se dizer que existem basicamente dois tipos de consumidores orgânicos. O primeiro tipo são aqueles consumidores mais antigos, que estão motivados, bem informados e são exigentes em termos de qualidade biológica do produto. Estes consumidores são os freqüentadores das feiras verdes de produtos orgânicos. Um segundo tipo, mais recente, ainda pouco estudado, é o consumidor das grandes redes de supermercados.

O perfil a ser apresentado, em função da disponibilidade de dados, corresponde ao primeiro tipo. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada junto aos consumidores que freqüentam as duas feiras verdes semanais no município de Curitiba (Ruchinski & Brandenburg, 1999). Além disso, são complementados com uma outra pesquisa na qual é possível comparar a feira orgânica com outras feiras convencionais (Paraná Pesquisas, 1998).

Os resultados apontam que o consumidor orgânico é normalmente um profissional liberal, na maioria (66%) do sexo feminino, com idade variando entre 31 e 50 anos, em 62 % dos casos. Apresentam nível de instrução elevada, tendo, em sua maioria, cursado o ensino superior (Fig. 1). Ademais, a pesquisa indica que são pessoas que têm o hábito de praticar esportes (54,9%) com freqüência e, mesmo morando na cidade, procuram um estilo de vida que privilegie o contato com a natureza, o que faz com que 62,9% freqüentem parques e bosques regularmente.

Com base nos dados, é possível afirmar que a procura por alimentos "limpos" tem uma ligação forte com a escolaridade, considerando que existe um grande interesse desse consumidor pela questão ambiental. Além disso, na pesquisa de Ruchinski & Brandenburg (1999) constatou-se que esses consumidores têm maiores informações e dizem conhecer os males dos agrotóxicos.

A outra pesquisa, que comparou consumidores de feiras orgânicas (FO) e feiras convencionais (FC), aponta que os consumidores da FO têm um maior nível de escolaridade em relação aos consumidores da FC. Enquanto na feira convencional a maior parte dos consumidores tem apenas o primeiro grau, na feira orgânica a maior parte fez um curso universitário.

Outro aspecto interessante diz respeito ao desconhecimento dos consumidores que freqüentam as feiras convencionais sobre os produtos orgânicos. Os resultados da Paraná Pesquisas (1998) mostraram que apenas 2,7 % dos consumidores das feiras convencionais sabem da existência da feira orgânica. Isso indica que ainda existe um grande público, freqüentador regular de feiras, que desconhece ou não tem informação clara sobre o produto que consome.

Passando para a análise da renda familiar mensal, observamos que existe uma tendência similar ao que acontece com o nível de instrução escolar. Enquanto a maior parte dos consumidores das feiras convencionais têm renda até dez salários mínimos, os consumidores da feira orgânica têm, na maioria, renda acima deste patamar (Fig. 2). Cerca de 68% dos consumidores orgânicos têm renda superior a nove salários mínimos.

Em última análise, os dados refletem que o público das feiras orgânicas, tanto em termos de escolaridade quanto de renda, faz parte de um grupo de consumidores mais intelectualizados e de uma classe economicamente mais elevada.

Além do perfil socioeconômico observado, foi possível confirmar que o consumidor orgânico é fiel e constante. A grande maioria se diz adepto da alimentação orgânica, sendo que 58,8% dos consumidores freqüentam semanalmente a feira verde. Esses resultados demonstram que a feira verde de produtos orgânicos tem tido êxito em cativar o público e, portanto, configura-se como um espaço privilegiado de educação e articulação dos consumidores.

Para finalizar, é importante destacar que o desafio de levar o alimento orgânico para as outras camadas da população não está relacionado apenas aos aspectos técnicos (produção em quantidade, qualidade, regularidade e diversidade) e econômicos (preços competitivos aos produtos convencionais), mas também aos aspectos políticos e sociais.

Fonte: Rucinski & Brandenburg (1999).

Fig. 1. Nível percentual médio de escolaridade dos consumidores de produtos orgânicos de Curitiba, PR.

Fig. 2. Nível percentual médio para a renda individual dos consumidores de produtos orgânicos da feira verde de

Curitiba

Fonte: Ruchinski & Brandenburg (1999). Nota: SM = salário mínimo .

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Introdução

Muitos aspectos estão envolvidos na conversão de sistemas convencionais para sistemas orgânicos de produção, em especial os econômicos e políticos, que condicionam a adoção da agricultura orgânica junto a diferentes estratos socioeconômicos de agricultores. Isto é importante, particularmente quando se pensa na difusão em larga escala de sistemas orgânicos de produção, exigindo um apoio mais expressivo e que considere suas especificidades, por parte da política agrícola do Estado.

Considera-se, ainda, que a existência de dificuldades no período inicial de conversão para a agricultura orgânica, relacionados à perda inicial de produtividade devido ao tempo para recondicionamento do ambiente de produção, não tem estimulado uma resposta mais efetiva da maioria dos agricultores, mesmo considerando o nível de preços que os consumidores estão atualmente dispostos a pagar. No Brasil, isto é agravado pelas incertezas geradas pela estrutura ainda precária de comercialização.

O objetivo deste artigo é, a partir de uma análise inicial sobre o conceito de conversão, discutir, em função das diferentes situações iniciais possíveis das unidades produtivas, os fatores que interferem no processo de conversão. Feito isto, amplia-se a discussão para os princípios que norteiam este processo e as diferentes estratégias possíveis de serem adotadas, para então concluir com uma proposta com os diferentes passos a serem dados em um processo de conversão, que ultrapasse os meros limites legais para obtenção do selo orgânico e, a partir de um processo educativo, possibilite a criação de agroecossistemas realmente sustentáveis.

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