3. Le futur lointain
3.8 Existe-t-il un compromis entre la transparence fiscale et le maintien de la
A música expressionista buscava um exagero como na pintura, criando uma distorção do romantismo tardio. Seus artistas eram obcecados em despejar na música toda a carga de suas emoções mais intensas e profundas. O grande representante deste estilo é Arnold Schoenberg, que também era pintor. Entre os difusores de sua obra estão seus alunos: Alban Berg, que foi professor de Adorno, e Anton Webern. O professor e seus alunos trabalhavam juntos na capital austríaca, fazendo ficarem conhecidos como “A Segunda Escola de Viena” (BENNETT, 1986, p. 72-73).
Em sua primeira fase, a música expressionista estava ligada a harmonias que passavam a ficar cada vez mais cromáticas, levando-a à atonalidade. As características mais difundidas entre seus compositores são o uso de harmonias extremamente dissonantes e melodias frenéticas. Schoenberg, em 1899, escreve sua primeira obra expressionista no sexteto de cordas Noite Transfigurada. A partir daí, iniciou uma série de tentativas atonais que culminaram no Segundo Quarteto de Cordas composto em 1908, que inclui no terceiro e no quarto movimentos uma voz de soprano. No quarto movimento, Schoenberg abandona de vez a tonalidade.
No hall das mais importantes obras expressionistas atonais se encontram Cinco Peças
para Orquestra, Op. 16, e Pierrot Lunaire, para soprano e cinco instrumentos de Schoenberg.
Webern, Cinco Peças para Orquestra, Op. 10. Este último caracteriza suas obras de maneira mais radical, usando instrumentos musicais de maneira separada, quase como se fossem solistas tocando músicas totalmente diferentes uma das outras.
Schoenberg se tornou uma figura bastante polêmica no mundo da música expressionista. Suas primeiras obras são atonais considerando o uso livre do material sonoro, abandonando o emprego do sistema maior-menor em favor do tonalismo. No entanto, ele chegou à conclusão de que deveria formular um princípio que substituísse de vez a tonalidade. Um procedimento de composição cuja finalidade seria dar unidade e coerência a uma peça atonal. Desenvolveu então um método chamado dodecafônico ou serialismo.
O funcionamento do dodecafonismo é explicado da seguinte forma: em uma peça, o compositor ordena inicialmente todas as 12 notas da escala cromática da maneira como achar conveniente. Formando uma sequência de notas, dá se o nome de série fundamental que é a base para toda a composição. As notas da escala cromática possuem igual importância e por isso não devem aparecer fora de sua vez, mesmo que qualquer nota possa ser repetida. Além da forma original de execução, outras maneiras podem ser empregadas na leitura da série: de maneira retrógrada, quando é lida de trás para frente; e inversa, surgindo de baixo para cima (BENNETT, 1986, p. 73).
O dodecafonismo permite que as séries possam ser transpostas e utilizando qualquer nota da escala cromática. O compositor tem a liberdade de usar qualquer tipo de posição das notas, tanto horizontalmente como verticalmente para construir seus temas. Schoenberg reconhece que seu sistema oferece apenas o material básico – a série de notas. Espera-se que o artista coloque no trabalho todo o seu talento e imaginação para aplicar esse material na construção de temas e acordes, formulando padrões rítmicos e selecionando timbres instrumentais que melhor se adaptem à composição.
Webern e Berg adotaram o sistema dodecafônico de seu mestre, no entanto aplicando- o de maneiras diferentes. Berg usou livremente as notas seriais fora de qualquer ordem ou sequência, além de incluir outros materiais quando achava necessário. Ele conseguia efeitos que deixavam a série mais flexível e com implícitos acordes reconhecíveis do sistema tonal maior-menor. A série sobre a qual Berg baseou seu elogiado Concerto para Violino possuía estes tipos de características, e fora concebido como um réquiem em memória de uma jovem conhecida sua que morreu de paralisia infantil. Nesta obra, Berg desenvolve sua música atonal em torno de um coral, muito bem planejada e convincente.
As músicas de Berg foram consideradas pela crítica da época como obras mais acessíveis do que as de Schoenberg e Webern por justamente misturar técnicas seriais com harmonias próprias do sistema tonal.
Quanto a Weber, este emprega o dodecafonismo de maneira mais radical em suas obras. Em geral, ele busca formas perfeitas e estruturadas de composições que se assemelhem a certas flores e cristais minerais (BENNETT, 1986, p. 74). As composições principais do artista são a Sinfonia, Op. 21; o Quarteto para Clarinete, Saxofone, Tenor, Piano e Violino, Op. 22; e o Concerto para Nove Instrumentos, Op. 24.
Sem dúvida, a figura mais importante da nova música é Arnold Schoenberg, e Adorno o considera um verdadeiro representante do progresso musical. Em sua Filosofia da Nova
Música apresenta suas obras como “as primeiras em que realmente nada pode ser diferente:
são documentos e construção ao mesmo tempo” (2004, p. 41). Uma vez que sua preocupação é levar a arte ao reconhecimento de seu potencial cognitivo, Schoenberg, na visão de Adorno, luta contra a total regressão da sociedade, buscando promover uma verdadeira tomada de consciência do indivíduo perante a realidade que o cerca.
Schoenberg assumiu uma atitude tão polêmica a respeito do jogo quanto a respeito da aparência. Ele mesmo formulou sua dupla atitude da seguinte maneira: “A música não deve enfeitar, mas deve ser verdadeira” e “A arte não nasce do poder, mas do dever”. Com a negação da aparência e do jogo, a música tende ao conhecimento (ADORNO, 2004, p. 41).
É preciso ressaltar que, por mais admiração da figura de Schoenberg que tenha Adorno, ele o critica em diversas passagens da Filosofia da Nova Música, justamente pelo afastamento maior do atonalismo livre e pela implementação de uma técnica de dominação sonora do material musical. Como o próprio filósofo destaca, suas primeiras obras são mais atonais do que dodecafônicas, e isso o coloca um passo à frente do seu tempo. Este seria o progresso no âmbito da arte: sair do encantamento, seja do sistema tonal ou de qualquer outro sistema que inibe a liberdade do artista.