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4.4. Une méthode d’analyse des dommages pour la maçonnerie

4.4.6. Exemples

Embora os métodos analógicos convencionais permitam o manuseamento dos dados das Ciências da Terra, eles são extremamente limitados pela sua natureza não digital, ou seja, é possível efectuar análises numéricas e estatísticas dos dados que existem nas cartas, mas à medida que aumenta a quantidade de dados que contêm, aquela análise torna-se impraticável, como já se mencionou anteriormente.

A evolução rápida do software e hardware nos últimos tempos, em especial na última década, tem vindo a proporcionar novos métodos de trabalho aos especialistas em Ciências da Terra e, em particular, na área da cartografia digital. Contudo, tais métodos têm vindo a ser aplicados essencialmente a situações geológicas pouco complexas.

Entre as primeiras utilizações de computadores para a elaboração de sínteses a partir de diferentes cartas, incluem-se os trabalhos de TILMAN et al. (1975), FROELICH et al. (1978),

LAIRD et al. (1979), VAN DRIEL (1980) e RADBRUCH-HALL et al. (1987). Neste último trabalho, a metodologia seguida foi designada por computer composite-mapping, englobando os seguintes passos (Fig. II.6):

a)

após a selecção dos atributos ou conjuntos de atributos que influenciam o objectivo da carta em elaboração, divide-se a área em análise segundo uma malha regular definindo células;

b)

a cada célula definida atribui-se um peso em função da importância relativa do atributo em análise; efectua-se então a soma dos pesos parciais de cada célula para obter o peso total;

c)

definição de um símbolo/padrão/cor para cada célula em função do peso total; delimitação das unidades assim definidas.

Este método é uma variação da metodologia analógica definida por McHARG (1971) e já

referida no capítulo anterior. Este procedimento ainda hoje é utilizado na análise de dados em modelos matriciais dos SIG.

Os computadores vieram proporcionar os meios necessários à manipulação eficaz de grandes volumes de dados e à sua análise, nomeadamente numérica tentando-se, assim, diminuir a subjectividade na elaboração de mapas e auxiliar o processo de interpretação e de avaliação de inter-relações entre os diferentes atributos. A expressão cartográfica final é também facilitada, ao disponibilizarem uma extensa gama de ferramentas de desenho que permitem melhorar a representação gráfica final.

Para além disso, como uma carta geotécnica é um tipo de documento que pode ser sempre actualizado e melhorado à medida que aumenta o volume de dados disponível sobre a área representada, a utilização de computadores para armazenar todos os dados utilizados anteriormente, facilita e acelera grandemente a revisão e a edição de uma versão mais actualizada, uma vez que a informação não se torna obsoleta só porque se alteraram as necessidades ou os objectivos que conduziram à sua selecção (JONHSON et al., 1998).

Há diversos tipos de software que permitem manipular dados e representar cartas digitais; os mais comuns são sistemas do tipo CAD e SIG existindo, contudo, alguns outros software específicos.

Das quatro funções que o computador pode desempenhar, isto é, manipulação, interpretação, representação e edição, apenas a primeira e a última são completamente automáticas (SILVA, 1990). O processo de interpretação tem um grau de automatismo variável, permitindo distinguir duas técnicas distintas:

Processos Produtos

Cartografia básica Inventário Topografia Geologia Hidrografia

Formas de terreno Depósitos de cobertura Subafloramentos de seixeiras

Figura II.6 - Esquema do sistema “computer composite-mapping” de FROELICH et al. (1978, adaptado).

Inundação + drenagem Estabilidade de taludes + solos expansivos Derivados e interpretados Análise Aptidão (obtida em computador) Síntese

• a automática, em que o computador efectua a interpretação rápida dos

dados com base em análises lógicas, por exemplo booleana (NATHANIEL & ROSENBAUM, 1994; MARINOS, PERLEROS et al., 1997; MARINOS, PLESSAS & VALADAKI-PLESSAS, 1997), ou matemáticas, por exemplo através da elaboração de algoritmos (NARANJO et al., 1994; ORLIC & SUNARIC, 1994;

MEIRA & CALIJURI, 1997; ABOLMASOV et al., 1998). Uma vez efectuada e testada a programação inicial, é simples examinar as implicações que resultam, quer da alteração dos critérios de selecção dos atributos a pesar, quer da ponderação dos pesos que lhe foram atribuídos, bem como de qualquer actividade relativa à actualização dos ficheiros existentes. Há apenas que ter o cuidado de avaliar os resultados obtidos;

• com auxílio do computador, em que, por processos iterativos, o especialista vai interpretando os dados sendo assistido por ferramentas que os programas de desenho em computador lhe facultam, em consonância com as suas necessidades, nomeadamente, a possibilidade de efectuar em tempo real ampliações ou reduções de uma área, sobreposição alternada de diferentes níveis de informação (que correspondem a diferentes factores do meio em análise), etc.. SILVA (1990) e SILVA & RODRIGUES-CARVALHO (1991) fazem uma breve apreciação das vantagens deste método com base numa aplicação a um caso real. Esta tecnologia foi utilizada essencialmente durante cerca de uma década (BUISSON et al., 1979; MONTANARI & PREVIATELLO, 1979; VAN ZUYLEN, 1982a, b; BOONSTRA, 1983; BOCCO et al., 1990; COULTHARD et al., 1990;

DURAND, 1990; SILVA 1990), que coincidiu com a implantação dos programas de desenho do tipo CAD em computadores pessoais.

Ambas as técnicas cartográficas atrás expostas baseiam-se, geralmente, na existência de uma BD que serve de suporte à informação utilizada e às interpretações feitas. Foi nos finais da década de sessenta, inícios da década seguinte, que surgiram as primeiras BD geotécnicos, ligadas a grandes zonas urbanas, onde a informação geológica e geotécnica disponível, em especial sob a forma de sondagens, cresce rapidamente devido à realização contínua de novos estudos. Foi o que aconteceu no Canadá (num total de vinte e oito cidades, tendo Ottawa sido a pioneira) e em França (Nancy, Paris ou

Rouen) e, posteriormente, noutros centros europeus como Barcelona, Helsínquia,

Bruxelas, Londres, Madrid, Porto, etc. (ARNOULD et al., 1978; DAM et al., 1977; CALEMBERT et al.,1980, CANDELA, 1988; SILVA, 1990; ELLISON et al., 1993; TELES & FERNANDES, 1994;

OLIVEIRA et al., 1995; WHITE &KARROW, 2001, entre outros).

O facto de as políticas de gestão dos recursos naturais implicarem a disponibilização de informação actualizada de natureza multisectorial, tem conduzido à necessidade de criar sistemas de bases de dados afim de se poder aceder à informação actualizada sobre o uso do solo, em tempo real. A aplicação tradicional dos diversos tipos de SIG em termos de gestão, cartografia e modelação de dados espaciais e atributos associados, bem como a tomada de decisões espaciais iniciou-se, como seria de esperar, nas ciências e profissões que têm a ver com o terreno. Os respectivos modelos de dados também

foram herdados de fontes de aquisição de dados terrestres (WRIGHT & GOODCHILD, 1997). Os modelos de dados constituem o coração dos SIG, uma vez que determinam o modo como os fenómenos são representados em formato digital. Os SIG são BD concebidas para conter informação espacialmente localizada na Terra e proporcionam ao utilizador uma interface gráfica associada a uma capacidade de efectuar análises temáticas, espaciais ou não. Ao oferecer capacidades analíticas mais sofisticadas, espera-se que os SIG constituam mais do que um inventário e um sistema de visualização para as cartas digitais. Nesta ferramenta, as operações de interrogação, análise e visualização são interdependentes e permitem ter dois tipos de interacção com a BD: pode-se aceder a dados, mas também se pode contribuir com os resultados da análise para completar a BD. Assim, derivam-se novas cartas a partir da informação inicialmente existente e com base num determinado conjunto de associações especificadas.