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9.2. THE EXECUTIVE SYSTEM
Esta pesquisa partiu do seguinte questionamento: “Como se dá a criação dramatúrgica a partir da memória da infância com alunos de 11 a 16 anos?”. Tendo isto como base, realizei uma oficina com a finalidade de incentivar e desenvolver a criação dramatúrgica a partir de técnicas e jogos teatrais coletivos e individuais os quais resultariam em uma mostra teatral.
Para o processo das construções dramatúrgicas esta pesquisa utilizou metodologias baseadas nos estudos de Stanislavski sobre memória emotiva proposto no livro Preparação do ator; Nas propostas de Cabral fundamentadas no
Drama como método de ensino; Nos jogos teatrais e improvisações de Viola Spolin,
presentes nos livros Jogos teatrais na sala de aula, Improvisação para o teatro e
Jogos Teatrais: o fichário de Spolin; Nas ideias de Maria Eugênia Milet e Paulo
Dourado contidas no Manual de criatividades; E nos jogos de Augusto Boal do livro
200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. Além disso, somei a essa pesquisa o estudo da memória baseado no livro Matéria e Memória de Henri Bergson.
Dessa forma, descobri que a criação dramatúrgica a partir da memória da infância se dá de forma espontânea em sala de aula. Os jogos, por mais que não sejam voltados para isso, quando direcionados para esse intuito, funcionam de forma positiva, ainda mais por se tratar de um trabalho temático e específico da criação dramatúrgica. O trabalho baseado na memória emotiva de Stanislávski contribuiu muito para a criação dramatúrgica dos alunos, fazendo-os ativar a memória da infância e desenvolvendo seus potenciais artísticos.
O estudo da memória, da infância e da dramaturgia contribuiu para responder a pergunta norteadora da minha pesquisa. Sem entender essa Geração Z e sem o conhecimento sobre a memória, eu não conseguiria descobrir como a dramaturgia nascia na sala de aula. Pois, foi a inter-relação desses elementos que proporcionaram a produção textual através de uma prática. Mesmo que algumas dessas teorias tenham sido adaptadas durante o processo prático, elas não foram descartadas, e sim redimensionadas e/ou aperfeiçoadas de acordo com as necessidades da turma. Isso contribuiu mais ainda para minha vida como pesquisadora, pois me fez conhecer melhor as teorias de minha pesquisa sem imposição das mesmas aos meus alunos e conhecendo seus limites. Afinal, como foi o caso desta investigação,
O professor de teatro, de modo particular, necessita dispor de um repertório de conhecimentos de dramaturgia e textos dramáticos (incluindo, com a devida ênfase, a produção brasileira), a fim de que possa orientar processos criativos que se deem sob sua responsabilidade (JÚNIOR; KOUDELA, 2015, p. 59)
A experiência dessa pesquisa foi a realização de um sonho. Ver alunos, que sempre quiseram fazer teatro, no palco do Teatro Martim Gonçalves, brilhando, foi muito gratificante. Ler os diversos diários de bordos e ver depoimentos como: “foram as melhores tardes deste ano” (G. C.), “se não fosse suas aulas eu entraria em depressão” (M. C.), “foi uma terapia para aqueles que precisavam” (H. S...), entre outros testemunhos, me deram orgulho de cursar Licenciatura em Teatro. Estimular a escrita em sala de aula apenas comprovou o gosto que as pessoas têm em escrever. Elas só necessitam receber estímulos para colocar isso em prática. Quando isso acontece, diversas produções textuais nascem, como foi o caso desta investigação. Portanto, tal pesquisa, além de caráter terapêutico, foi uma contribuição para o desenvolvimento da cognição dos estudantes. A realização da
criação dramatúrgica de forma pedagógica me fez perceber a contribuição social que o teatro pode exercer na formação do aluno, como confirma Júnior e Koudela:
Por isso, o conhecimento teórico e a experimentação prática, o exercício da função dramatúrgica, tornam-se, ou deveriam tornar-se, prioridades curriculares nesse nível de ensino. Em contexto de ensino/aprendizagem teatral que se dão fora da escola, em contextos de educação não formal (tal como na ação cultural, entre outros), os processos de criação dramatúrgica adquirem um relevo marcante, pelo fato de poderem torna-se modo de expressão fundamental do universo dos participantes, sem se perder de vista a possibilidade de sua problematização propulsora de reflexão e ação, para além da formação artística e estética. (JÚNIOR; KOUDELA, 2015, p. 59) Durante o processo, os desafios foram inúmeros, entre eles: manter o ritmo das aulas para que elas não se tornassem cansativas, adaptação de planos de aula aos alunos e espaço disponível, o estabelecimento de uma relação afetuosa, cuidadosa e de respeito com os participantes, entre outros fatores.
A oficina me trouxe alguns desafios pertinentes quanto a minha futura profissão. As aulas me possibilitaram refletir sobre a postura que devo ter em sala de aula e com os alunos, principalmente no quis diz respeito de entendimento do ser humano e seus problemas. Com essa pesquisa constatei o verdadeiro objetivo da Educação através da Arte apontada por Milet e Dourado:
No relacionamento professora-aluno a palavra da professora tem um peso e uma importância muito grande. Qualquer juízo de valor como feio-bonito, bom-mau, certo-errado, mesmo que não seja colocado como correção ou avaliação, pode projetar modelos de conduta, aos quais a criança vai tentar adaptar-se, fugindo assim à expressão genuína do seu verdadeiro universo. Este caso constituiria justamente o oposto dos principais objetivos da Educação através da Arte: O auto conhecimento e a livre expressão do indivíduo. (1985,p. 23)
No papel de professora pude perceber como foi imenso o desenvolvimento dos alunos tanto no comportamento como na expressão corporal e vocal. Alunos que não se expressavam e não sabiam lidar com seus próprios dilemas conseguiram alcançar pequenas transformações por meio das aulas de teatro. Vale ressaltar que foi essa prática que me ensinou a lidar com questões rotineiras e empíricas que podem vir a acontecer dentro de uma instituição de ensino ou oficina. Além disso, aprendi que existem outros fatores de influência no processo de ensino- aprendizagem dos alunos como a convivência familiar e a violência.
Percebi que o teatro pode ser um fator importante na vida de um adolescente, pois pode vir a colaborar com o seu desenvolvimento corporal e expressivo e
estimular a sua criatividade. Por consequência, isso pode levar a uma formação mais sensível e posteriormente uma construção de um individuo que enxergue o mundo de forma diferente, com uma visão mais ampla. E acredito que ter promovido esta oficina para alunos que nunca tiveram contato com o teatro pode ter sido importante para o desenvolvimento deles. Vale ressaltar que a abordagem teórica aliada a essa prática fortaleceu também o campo de pesquisa na área de dramaturgia.
Mudanças significativas foram constatadas e pontuadas pela coordenadora do colégio e por alguns pais e professores. Eles relataram que alguns participantes da oficina haviam mudado de comportamento, pareciam mais calmos e animados com as aulas de teatro. Até os próprios alunos agradeceram pelas aulas e falaram que estavam mais unidos, que o teatro lhes proporcionou um maior círculo de amizade e a diminuição da timidez. Como mostra o relato presente no diário de bordo do aluno G. C.: “As aulas foram boas, foram quase uma terapia em grupo” (2014).
Dessa experiência no Colégio Aliança, o fator mais significativo foi perceber a importância das aulas de teatro na vida desses alunos. O quanto foi fundamental para o desenvolvimento deles tanto na escola como no ambiente familiar e social. O agradecimento não partiu somente deles, mas também de muitos pais. E ambos torceram para que as aulas continuassem. Fiquei muito surpresa com as declarações e mudanças positivas dos alunos. Assim como o meu envolvimento com o grupo e as aulas.
Outro fator importante da oficina foi a assídua presença dos alunos. A grande maioria comparecia as aulas, alguns faltavam apenas em época de avaliação no colégio. Mesmo não tendo uma participação muito ativa, a instituição também buscou contribuir com a realização das aulas cedendo espaço, equipamento de som, local para guardar cenário, alguns materiais para construção de cenário e transporte gratuito para os alunos nos dias de ensaio e apresentação no Teatro Martim Gonçalves. Além disso, a coordenadora prestigiou os alunos estando presente na mostra do dia 06 de dezembro.
A coordenação também incentivou solicitando que o grupo se apresentasse no dia 28 de novembro na festa de encerramento do ensino fundamental I. E isso foi fundamental para os alunos, pois serviu como uma espécie de ensaio aberto e lhes proporcionou uma maior noção sobre a apresentação.
A experiência prática foi marcante para mim tanto no quesito realização pessoal como pesquisa de trabalho de conclusão de curso. Ampliou os meus horizontes como pesquisadora e me ajudou a definir meu objeto de pesquisa que ainda estava amplo demais quando esta oficina foi realizada. A investigação me trouxe alguns desafios pertinentes quanto a minha profissão, eles me possibilitaram refletir sobre a postura que devo ter em sala de aula e com os alunos, principalmente no quis diz respeito de entendimento do ser humano e seus problemas.
Vale ressaltar que foi a prática profissional que me ensinou a lidar com questões rotineiras e empíricas. Além disso, aprendi a lidar com os fatores que influenciaram no processo de ensino-aprendizagem dos alunos como convivência familiar e violência. E apenas na oficina dessa investigação tive a breve oportunidade de correlacionar tudo isso com a teoria, tentando buscar o melhor de meu trabalho como educadora.
O mais gratificante de toda essa experiência não foi somente ter alcançado meu objetivo como pesquisadora e ter conseguido também construir um texto coletivo. Mas foi perceber como a memória, o teatro e a infância podem se relacionar de maneira produtiva e como é importante um trabalho de criação dramatúrgica em sala de aula. Afinal, conseguir trabalhar jogos teatrais, expressão corporal e vocal e ainda estimular a produção de textos teatrais colaborou, no meu ponto de vista, com o desenvolvimento sensitivo-cognitivo dos alunos por meio de uma criação dramatúrgica subjetiva a partir da memória. Rememorar os fatos e transformá-los em texto tornou-se tarefa prazerosa para os alunos. Percebi também que ao resgatar a infância de adolescentes através de lembranças foi possível contribuir para um eventual aperfeiçoamento na formação desses jovens.
Sendo assim, concluo que a criação dramatúrgica em sala de aula nasce de forma natural e contribui de forma positiva na vida dos alunos ajudando-os a dominar a própria língua. Ao ver a transformação que o teatro causou na vida desses alunos percebi a importância dessa pesquisa para a formação desses adolescentes. Fazê-los lembrar da infância também foi importante para a superação das dores e/ou problemas passados. Ou seja, ajudá-los, tornou a oficina mais que uma realização de um sonho, me fez perceber, mais ainda, o quanto é importante o meu papel de professora na sociedade e que mesmo em pequena quantidade é possível melhorar a vida desses jovens e crescer junto com eles, como foi o meu
caso. Sem dúvidas essa pesquisa foi o ápice de meu processo educacional como estudante de licenciatura em teatro, tendo contribuído muito para o meu desenvolvimento profissional e pessoal.
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ANEXOS TEXTO TEATRAL CONSTRUÍDO
Quando eu era
pequeno...
Sinopse: A loja de brinquedos Sintonia encontra-se abandonada porque as crianças só querem saber das tecnologias e videogames da loja que foi aberta em frente. Com isso, Sintonia, que ganhava vida toda a noite, fazendo os seus brinquedos falarem e dançarem na maior alegria, encontra-se agora sempre fechada. Até que certo dia o dono da loja vai até a empresa pegar um documento e acaba não fechando a porta direito. O menino Pedro, que estava na loja de videogames, vê o acontecimento. Espertamente consegue enganar os pais, que estavam fascinados
pelas tecnologias, e entra na loja. Fica triste ao ver tantos brinquedos abandonados e quebrados. Senta-se, começa a chorar cantando a música da sua infância e de repente todos os brinquedos ganham vida. O garoto fica encantado com a mágica da loja, os brinquedos ficam felizes com a presença de uma criança e cada um conta sua história. Até que o garoto tem uma brilhante ideia que irá solucionar o problema da Sintonia. O que Pedro não sabia era se aquilo tinha sido realidade ou apenas um sonho, pois ele acabou dormindo dentro da loja e quando acordou estava tudo parado.
Personagens:
Criança – MATHEUS: um menino alegre de 9 anos que consegue resolver todos os problemas com muito otimismo. Ele está triste porque as crianças estão deixando de brincar e abandonaram seus brinquedos
Bailarina e Mãe – SARAH: uma dançarina de balé clássico que vive dentro de uma caixinha de música. Equilibrava-se com delicadeza e dançava com os braços levantados. Ela gosta muito do que faz, porém certo dia ela se desequilibra e cai machucando uma das pernas. É o dia em que conhece o soldado de chumbo por quem se apaixona perdidamente
Soldado de chumbo e pai – GUSTAVO: porque possuía um defeito na perna ele foi devolvido para a loja de brinquedos. Sempre ficou abandonado no canto da loja, por isso o soldado era muito triste. Até o dia em que ele viu a bailarina dançando em sua caixa lindamente e apaixonou-se.
Robô e dono da loja – BRUNO: mesmo possuindo um jeito sério, ele é um ótimo amigo. É o salvador dos brinquedos. Por ser um robô muito inteligente ele consegue consertar os brinquedos com facilidade.
Marionete – MANOELA: uma boneca muito alegre e inteligente, porém passa por dificuldades para se locomover com todos os fios que possue e sem alguém para lhe ajudar a manusear.
Boneca de Pano – FERNANDA: com sua flexibilidade corporal a boneca de pano é linda, doce e animada. Porém algumas vezes ela fica triste por lembrar que foi abandonada por sua dona porque ela cresceu e não queria mais brincar de bonecas. Torna-se a melhor amiga do robô e da marionete.
Fada 1 – LUDMILA: uma fada muito esperta que adora brincar e unir pessoas. Fica de olho em tudo que acontece. Ela e o duende vivem aprontando e brigando.
Fada 2 – RAISSA: A irmã mais nova da outra fada. Morre de medo de fazer mágica