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COMMUNICATIONS SUBSYSTEMS

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FASTRAND II AND III MASS STORAGE UNITS

7.3. COMMUNICATIONS SUBSYSTEMS

Apesar de terem ocorrido construções textuais na primeira etapa e pequenos exercícios voltados para a temática da infância, o enfoque ainda não caía sobre a construção dramatúrgica. Foi justamente na segunda etapa que começou a nascer o texto da mostra, por isso denominei tal fase de O surgimento. Esta etapa mescla um pouco com a primeira e durou cerca de um mês, final de outubro e início de novembro. Um trabalho mais centrado no campo da escrita e teatral iniciou-se. Passei a explicar também, de forma teórica, as funções existentes em um teatro: de iluminador, cenógrafo, produtor, entre outros. Explanei para os alunos, brevemente, o funcionamento de um grupo teatral e as técnicas de escrita de peças.

A escrita aconteceu em grupo, porém eu servia como orientadora dessa construção e também autora do texto. Entretanto a opinião de todos tornou-se fundamental para a produção da peça, afinal

Um relacionamento de grupo saudável exige um número de indivíduos trabalhando interdependentes para completar um projeto, com total participação individual e contribuição pessoal. Se uma pessoa domina, os outros membros têm pouco crescimento ou prazer na atividade, não existe um verdadeiro relacionamento de grupo (SPOLIN, 2006, p. 8)

E meu intuito não era esse, pelo contrário, o trabalho coletivo, no meu ponto de vista é até mesmo mais prazeroso e enriquecedor, ainda mais quando se trata de uma escrita dramatúrgica.

Essa etapa, a princípio, só se referia a criação de narrativa cênica a partir do que surgiu em sala nos processos anteriores. Porém, ainda se fez necessária a aplicação de jogos e técnicas teatrais. Além disso, foi reforçada a questão da infância com a execução de mais brincadeiras, propostas tanto por mim como por eles. No quesito da infância, em uma das aulas, houve um resgate das cantigas que inclusive é uma atividade apresentada no Manual de Criatividades. Nessa fase também passei a ter mais participação no processo de memória e infância. Esse recurso foi um aspecto muito interessante, pois, como há uma diferença de idade entre nós, as minhas brincadeiras e cantigas não possuíam o mesmo formato que a deles, algumas canções ganharam ritmos diferentes, por exemplo, e automaticamente muita coisa tornou-se novidade. A partir do momento que entrava no jogo havia uma maior relação de confiança com os alunos e eles pareciam mais dispostos a participar, sem acanhamento. Ao mesmo tempo, o formato diferente que trazia da brincadeira deixava-os mais curiosos com a proposta.

Outra forma que utilizei, além das brincadeiras, foi a execução de músicas da infância dos alunos ou da minha durante as aulas e a utilização de objetos marcantes da infância dos alunos levados por eles para a aula. Além disso, o breve trabalho a partir da ideia de memória emotiva de Stanislávski em uma das aulas influenciou na criação dramatúrgica dos alunos, fazendo-os desenvolver seus potenciais artísticos e ativando os seus imaginários para a criação de narrativas. Partindo de lembranças da infância eles construíram, de forma descritiva e cênica, personagens que foram apresentados em sala nas improvisações feitas nas aulas.

De acordo com Zaltron (2010, p. 01), Stanislavski propõe trabalhar a partir das subjetividades interiores, ou seja, do “crer para agir”, por isso focou na memória emotiva. Para ele a memória emotiva justifica internamente as ações do ator em cena e traz para ela uma maior veracidade, pois a sensação para o ator é de estar vivendo novamente aquela emoção. Porém, na verdade tal sentimento está sendo utilizado pelo personagem naquele momento. Trata-se de uma reativação das subjetividades internas através da memória, neste caso das lembranças da infância, para uma posterior inserção desta recordação na ação física.

Portanto, tal fase buscou um trabalho mais enfático no campo da dramaturgia, dando inicio ao processo de escrita coletiva que, por sua vez, estava sendo estimulada pela memória da infância, fator de grande importância para o processo criativo, seja ele cênico ou escrito, como aponta Sanchez (2010, p. 95):

Quando um estímulo é proposto em um processo criativo, parte-se intencionalmente para a reflexão sobre este. Essa atitude é um convite a manifestação da memória, à reação ao estímulo, trazendo lembranças de imagens vividas ou imaginadas, ativadas com determinada intenção. Nesse momento várias zonas da memória são acionadas, chegando aos campos em que repousam os tesouros das inumeráveis imagens de toda espécie de coisas introduzidas pelas percepções. As primeiras intuições organizam-se pela ação do pensamento, visto que os sentimentos são manipulados de propósito.

Por esse motivo foi possível observar em diversas cenas apresentadas em sala de aula a presença do estado emocional do aluno assim como a inserção de fatos do dia-a-dia, como violência, problemas familiares e desigualdade social. Nessa segunda etapa também foram utilizados com mais proeminência a respiração diafragmática, exercícios corporais e vocais e construção de personagem.

A aula mais marcante dessa fase foi quando minha orientadora de estágio, professora Celida Salume, esteve presente para observação, pois isso os deixou empolgados e nervosos ao mesmo tempo. Nessa aula um dos exercícios que ajudou bastante para o desenvolvimento dos alunos foi a atividade da projeção vocal com o auxílio do elástico juntamente com o trabalho de lembranças de músicas da infância. Em dupla, os alunos esticavam ou aproximavam o elástico um do outro e trabalhavam a projeção vocal a partir dessa movimentação cantando músicas da sua infância, ora todos juntos, ora em instantes separados, fazendo-os explorar o sentido auditivo e a atenção no colega. Por meio desta atividade surgiu uma das

músicas presentes na mostra final que foi a canção Brincadeira de Criança (1997) do grupo Molejo.

Outro acontecimento significativo foi a atividade do Guia de cego do Manual de

Criatividade. Em duplas, um colega conduzia o outro e cada cego possuía um guia

que conduziu um passeio pela instituição. Posteriormente, os papéis foram invertidos. Neste dia foi possível explorar o ambiente escolar para além da sala de aula, praticando o exercício por todo o pátio do colégio e fez com que os participantes reconhecessem objetos e pessoas, ativando assim o tato, e trabalhando com a confiança no companheiro de sala.

Contudo, o fundamental dessa etapa foi a construção final do texto. Tendo como base todas as narrativas, cenas e personagens criados em sala de aula foi possível criar o texto final da mostra unindo à ideia inicial de montagem com as propostas de temáticas dos alunos.

Como lembranças vivas provocadas na memória pelos impulsos interiores, o drama e, consequentemente, a dramaturgia, seria o processo consciente que manipula essas lembranças vividas, compondo sequências de ações com o significado da interpretação sobre um tema. (SANCHEZ, 2010, p. 96).

Sendo assim, utilizei o estudo da memória emotiva, que ativa a criação de personagem a partir de lembranças do próprio ator, com os alunos adaptando o conceito para a produção dramatúrgica. Nessa fase, estimulei veementemente as lembranças dos fatos da infância por diversos meios: cantigas, brincadeiras, relaxamento, objetos e músicas, e sempre após esse processo de rememoração eles escreviam o que haviam lembrado. Eu recolhia todas as escritas feitas em sala e no diário de bordo ou anotava o que era relatado. Aos poucos fui unindo as problemáticas presentes nessas memórias em um único texto. As discussões ficaram centralizadas em torno da importância da infância e do saudosismo pelas brincadeiras e cantigas. Voltado para isso, a peça fala sobre uma loja de brinquedos tradicionais abandonada devido ao frenético desejo das crianças por tecnologias. Temática também proposta pelos alunos.

Dessa maneira, nasceu nessa etapa a peça Quando eu era pequeno. O espetáculo fala da loja de brinquedos Sintonia. A mesma encontra-se abandonada porque as crianças só querem saber das tecnologias e videogames da loja que foi aberta em frente. Com isso, Sintonia, que ganhava vida toda a noite, fazendo os seus brinquedos falarem e dançarem na maior alegria, encontrava-se agora sempre

fechada. Até que certo dia o dono da loja vai até a empresa pegar um documento e acaba não fechando a porta direito. O menino Pedro, que estava na loja de videogames, vê o acontecimento. Espertamente consegue enganar os pais, que estavam fascinados pelas tecnologias, e entra na loja. Fica triste ao ver tantos brinquedos abandonados e quebrados. Senta-se, começa a chorar cantando a música da sua infância e de repente todos os brinquedos ganham vida. O garoto fica encantado com a mágica da loja, os brinquedos ficam felizes com a presença de uma criança e cada um conta sua história. Até que o garoto tem uma brilhante ideia que irá solucionar o problema da Sintonia: cantar para as crianças, que estão na loja da frente, uma música da infância delas no intuito de atraí-las para a loja. O que Pedro não sabia era se aquilo tinha sido realidade ou apenas um sonho, pois ele acabou dormindo dentro da loja e quando acordou estava tudo parado.

Alguns dos personagens dessa história nasceram em sala de aula nas improvisações apresentadas como o robô, a bailarina, o soldado e o garoto. Vale ressaltar que tais improvisos foram feitos a partir das lembranças da infância, especificamente dos brinquedos que eles gostavam. Outros personagens surgiram dos próprios brinquedos que os alunos levaram para a sala de aula ou relataram em textos. A minha memória foi inserida no texto através dos nomes dos personagens que eram de pessoas que haviam marcado minha vida. Além disso, uma das músicas da peça foi uma canção importante da minha infância. Contudo as outras músicas foram também originadas das memórias dos participantes.

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