A visão é o último dos cinco sentidos humanos tradicionais a se desenvolver por completo. Ao nascermos e abrirmos nossas pálpebras, luz direta incide sobre nossos olhos pela primeira vez. No entanto, muitas estruturas ainda não estão completamente desenvolvidas.125 Um recém-nascido tem uma visão turva e percebe apenas luz, formas e movimento. Ele não é capaz, por exemplo, de ver o mundo em três dimensões,126 nem de enxergar as cores. Nas fases iniciais da vida, inclusive, especialmente até o oitavo mês, o bebê experimenta sinestesia, sendo a visão não muito diferenciada dos demais sentidos (JAY, 1994). Contudo, gradualmente, sua visão vai se desenvolvendo e se especializando até que, ao final do primeiro ano de vida, passa a espelhar a de um adulto.127
Com o desenvolvimento, a visão começa a ganhar cada vez mais destaque. Dotado de cerca de dezoito vezes mais terminações nervosas que o nervo coclear (ligado à audição), o nervo ótico consegue enviar ao cérebro uma quantidade impressionante de informações a uma velocidade surpreendente. Nos olhos, mais de 120 milhões de bastonetes captam informações sobre cerca de 500 níveis diferentes de iluminação, enquanto sete milhões de cones nos permitem distinguir entre mais de um milhão de combinações de cores. O olho também consegue desempenhar suas tarefas a uma distância superior aos demais sentidos. A visão é capaz de assimilar informações num raio de quilômetros (JAY, 1994).
Mas como exatamente os olhos desempenham sua função? De modo simplificado, as principais estruturas anatômicas envolvidas nesse processo são: a córnea, a íris, a pupila, o
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Para se desenvolver plenamente, os olhos necessitam de luz e, no útero materno, não há luz. Durante grande parte da gestação, o feto permanece de olhos fechados. Somente a partir do terceiro trimestre é que o feto começa a abrir e fechar os olhos, como que para treinar o reflexo de piscar. É verdade que se uma lanterna for acesa perto da barriga da mãe nessa fase, é provável que o bebê mexa a cabeça em direção à luz e tente pegá-la, mas as condições ideais para o desenvolvimento da visão só são encontradas após o nascimento. À medida que os olhos do bebê vão sendo expostos à luminosidade, eles vão amadurecendo e mudanças vão ocorrendo. Uma das mudanças mais perceptíveis é a alteração da cor dos olhos. A cor dos olhos é determinada geneticamente pela quantidade de melanina presente na íris. Quanto mais melanina, mais escura é essa cor. Como os olhos quase não produzem melanina no ventre, um bebê pode nascer com olhos azuis, mas vir a ter olhos castanhos, já que é a luz natural que estimula a produção da melanina.
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Temos dois olhos. No entanto, nem tudo que um olho vê é igual ao que o outro enxerga. Então, apesar das imagens projetadas em cada retina individualmente serem planas, o cérebro leva em conta as diferenças entre elas e as funde em uma imagem única estereoscópica, ou seja, tridimensional. Essa é uma habilidade que aprendemos ao longo do tempo e da qual os recém-nascidos não são dotados.
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O desenvolvimento da visão não se encerra no primeiro ano de vida. Isso só ocorrerá com o crescimento e maturação do olho e do sistema nervoso central, ou seja, por volta do décimo ano de vida, sendo os cinco primeiros anos considerados os mais importantes.
cristalino, a retina e seus fotorreceptores (bastonetes e cones), e o nervo ótico. A seguir, explicamos a função de cada uma dessas estruturas:128
a) Córnea: Esta é a camada mais externa do olho. Transparente, fina e resistente, a córnea tem a forma de uma calota esférica um pouco saliente. Além de proteger a parte anterior do globo ocular sem impedir a passagem da luz, ela é uma das principais responsáveis pela refração, ou seja, o desvio e correto direcionamento da luz para o fundo do olho.129
b) Íris: Esta é a parte colorida do globo ocular. A íris é um músculo circular responsável por regular a intensidade de luz que entra no olho. Ela relaxa sob luz fraca e se contrai sob luz forte, aumentando ou reduzindo o diâmetro da pupila. Esse movimento protege a retina, pois apenas a quantidade apropriada de luz chega ao fundo do olho.130
c) Pupila: Este é o círculo negro no centro da íris. A pupila é um orifício de diâmetro regulável através do qual a luz chega ao fundo do olho.
d) Cristalino: Esta é a lente do olho. O cristalino está localizado exatamente atrás da pupila e é responsável pela nitidez e foco das imagens. Esse ajuste é possível porque, assim como a pupila, ele também aumenta ou diminui de diâmetro; o que vai ocorrer a depender da distância em que estejam os objetos sendo observados. e) Retina: Esta é uma membrana localizada no fundo do globo ocular. A retina é como
uma tela onde as imagens captadas pelos olhos são projetadas e transformadas de estímulo luminoso em estímulo nervoso, ou seja, de luz em impulsos elétricos.131 As células que transformam a informação luminosa em sinal elétrico são os
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Existem diversos sites na internet sobre a anatomia do olho humano e a fisiologia da visão. Consultamos inúmeros deles para a redação deste trecho do trabalho. Para aqueles que se interessam em maiores leituras a respeito, recomendamos os blogs dos oftalmologistas Dr. Raphael Trotta e Dr. Alexandre Rosa, que podem ser acessados, respectivamente, nos seguintes endereços eletrônicos: <http://www.oftalmologistabh.com.br/blog/> e <https://retinapro.com.br/blog/>. Acesso em: 20 ago. 2018.
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Todas as estruturas pelas quais a luz precisa atravessar até chegar ao fundo do olho são transparentes. Isto quer dizer que elas não absorvem, nem refletem os raios de luz, mas permitem sua passagem praticamente da mesma forma, com apenas alguns desvios de sua trajetória. Esse é o caso da córnea e do cristalino. Para garantir sua transparência, nenhuma das duas estruturas possui vasos sanguíneos.
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A íris é colorida em tons que variam do azul aos matizes mais escuros de castanho. Vista ao microscópio, sua pigmentação tem várias nuances, com padrões e marcas características, além de sua superfície apresentar uma relevo irregular. Isso faz com que cada íris seja única, ou seja, todas as pessoas tem duas íris diferentes e elas podem funcionar como uma espécie de “impressão digital”. Esse é o princípio por trás do rastreamento ocular desenvolvido para sistemas de segurança. O único problema é que ele pode falhar no caso de pessoas mais idosas, pois cirurgias de catarata alteram a forma da íris. Para maiores informações, visitar: <https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-funciona-o-sistema-de-seguranca-por-reconhecimento-de- iris/>. Acesso em 22 ago. 2018.
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Quando a imagem chega à retina, ela está menor e de cabeça para baixo. Quem corrige a imagem é o cérebro, colocando-a na posição normal e no tamanho real.
fotorreceptores. A retina possui cerca de 126 milhões de fotorreceptores entre bastonetes e cones, cuja principal diferença funcional reside em seu grau de sensibilidade à luminosidade.132
f) Bastonetes: Estas células são extremamente sensíveis à luz, funcionando mesmo em ambientes pouco iluminados. Os bastonetes acentuam a percepção de contrastes e a saturação e matizes do preto, branco e cinza, mas não das cores em si. Eles são responsáveis pela visão noturna e as imagens em tons de cinza que enxergamos na penumbra. Há cerca de 120 milhões de bastonetes em cada retina.
g) Cones: Estas células são menos sensíveis à luz, funcionando em ambientes bastante iluminados, como ao ar livre durante o dia ou em ambientes fechados sob luz artificial. Nessas condições, os cones nos permitem ver não só os detalhes, como também as cores dos objetos. Cada retina humana conta com até sete milhões de cones subdivididos em três tipos: cones sensíveis às ondas luminosas compridas (relacionadas ao vermelho), cones sensíveis às ondas médias (próximas aos verdes), e cones sensíveis às ondas curtas (relacionadas ao azul e violeta). A diferença entre os sinais recebidos a partir dos três tipos de cones permite que o cérebro perceba toda a gama de cores que vemos.133
h) Nervo ótico: Este é um dos doze pares de nervos cranianos que partem do encéfalo conectando-o a órgãos do sentido e músculos. O nervo ótico é responsável por captar informações dos cones e bastonetes e conduzir esses impulsos nervosos até o córtex onde eles são processados, gerando resultados de cor, forma, tamanho,
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Existe uma área na retina que não apresenta fotorreceptores. Ela é denominada de papila ótica. Nessa região, somos totalmente cegos. Não percebemos esse ponto cego porque a visão de um olho compensa a do outro, e o cérebro, ao interpretar as informações de ambos os olhos, junta as imagens. Mesmo com apenas um olho aberto, é muito difícil perceber o ponto cego, pois o cérebro trabalha para compensar a ausência de informação dessa região.
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O colorido do mundo ao nosso redor nada mais é que o reflexo da luz. Quando um raio de luz atinge um objeto, parte dessa luz é absorvida e outra parte refletida. Quando enxergamos um objeto na cor verde, isto quer dizer que ele absorveu todos os raios de luz nas outras cores e refletiu para nossos olhos as ondas luminosas na frequência que conhecemos como verde. Para que um animal seja capaz de enxergar cores, ele precisa de, no mínimo, dois tipos diferentes de cones e um cérebro que seja capaz de interpretar as informações enviadas por essas células. Apesar da gama de cores que o ser humano é capaz de enxergar, segundo Jay (1994), elas constituem menos de um por cento do espectro total. O ser humano não consegue, por exemplo, enxergar o infravermelho ou o ultravioleta. Existem muitos animais que nos superam nesse quesito. O papagaio, assim como outras espécies de aves, peixes e répteis, possui quatro tipos de cones, os nossos mais um para o ultravioleta. A combinação desses quatro tipos de cones cria um mundo notavelmente mais colorido que o nosso. Para fins de comparação, seria como tentar imaginar uma realidade com quatro dimensões, ao invés das três que conhecemos. No entanto, quatro não é o número máximo de tipos de cones que um animal pode possuir. Existe uma espécie de camarão, o mantis, que tem pelo menos 12 classes de células sensíveis à cor, tornando difícil sequer imaginar o que seria enxergar como esse animal. Para maiores informações sobre como os animais enxergam, visitar: <https://super.abril.com.br/ciencia/como-os-animais-realmente-enxergam-o-mundo/>. Acesso em: 20 ago. 2018.
distância e noções de espaço. Ele é constituído por um conglomerado de fibras nervosas que formam um cordão volumoso e arredondado. O nervo ótico possui mais de um milhão de fibras nervosas.
Imagem 1: Algumas estruturas do globo ocular134
Fonte: Google Imagens
Todas essas estruturas anatômicas trabalham juntas para enviar ao cérebro as informações necessárias ao processamento da imagem. O funcionamento do olho humano pode ser comparado ao de uma máquina fotográfica:
A energia luminosa refletida por um objeto qualquer entra no olho através da córnea (o “filtro”) e atinge a íris (o “diafragma”), que automaticamente regula a quantidade de luz, aumentando ou reduzindo o diâmetro da pupila (a “abertura”), conforme a intensidade luminosa. A luz atinge então o cristalino (a “lente”) que, de acordo com a distância, põe o objeto em foco, convergindo os raios luminosos exatamente sobre a retina (o “filme”). Como o cristalino tem a forma de uma lente biconvexa, a imagem invertida chega à retina, onde é transformada em impulsos nervosos. Esses impulsos são encaminhados ao cérebro através do nervo ótico. No córtex cerebral, a imagem é finalmente percebida conscientemente (a “revelação da foto”). Mas, apesar da complexidade do processo, a imagem é quase instantaneamente percebida,
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Audiodescrição: A imagem mostra o desenho de um corte transversal do olho humano. Setas indicam a nomenclatura de algumas estruturas. A camada mais externa do globo, semelhante a uma abóboda, é representada num tom azul bem claro. Uma seta a identifica como “córnea”. A próxima camada, um espaço azul mais escuro logo atrás da córnea, não é nomeada. Em seguida, vê-se uma membrana fina na cor vermelha com um orifício no meio. Setas indicam que a membrana denomina-se íris e o orifício, pupila. Logo atrás da íris, encontra-se uma lente biconvexa na cor branca. Uma seta identifica a estrutura como cristalino. Atrás do cristalino, encontra-se um grande espaço arredondado na cor vermelha, dividido ao meio por uma espécie de canal. Essas estruturas não são identificadas. O fundo do olho, atrás desse espaço vermelho arredondado, é coberto por uma membrana fina na cor amarela. Uma seta identifica a membrana como “retina”. Por fim, essa mesma membrana amarelada se prolonga formando dois cordões grossos que adentram uma espécie de canal logo atrás do globo ocular. Uma última seta indica que os cordões amarelos formam o nervo ótico. A fonte da imagem é o Google Imagens.
pois faz o percurso objeto-cérebro à velocidade da luz, ou seja, 300 000 quilômetros por segundo. (GOZZI, [s.d.])135
Para o correto funcionamento da visão, no entanto, é necessário que todas as estruturas que descrevemos anteriormente desempenhem suas funções adequadamente. Alguns dos problemas de visão mais comuns decorrem de erros de refração. Entre eles podemos citar: a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. A miopia ocorre quando a córnea é muito curva ou o olho é mais comprido que o usual, fazendo com que os raios de luz que atravessam nossas lentes naturais focalizem-se antes de chegar à retina e produzam imagens “borradas” dos objetos mais distantes. A hipermetropia ocorre quando a córnea é muito plana ou o olho é menor que o normal, fazendo com que os raios de luz focalizem-se depois da retina, provocando distorções das imagens mais próximas.136 Já o astigmatismo ocorre quando a córnea tem um formato irregular e apresenta ângulos diferentes, fazendo com que os raios de luz focalizem-se em vários pontos da retina, causando distorções tanto das imagens mais distantes quanto das mais próximas.
Outra causa bastante comum de problemas de visão é o envelhecimento. A presbiopia e a catarata, por exemplo, ocorrem devido ao desgaste natural do cristalino. No caso da presbiopia, ou “vista cansada”, os músculos responsáveis por mudar a forma do cristalino para melhorar a focalização das imagens passam a não funcionar tão bem e a visão de perto acaba sendo prejudicada. A catarata, por sua vez, ocorre quando o cristalino perde sua transparência e começa a ficar opaco, deixando a visão turva ou embaçada.
Tanto os problemas de refração, quanto aqueles causados pelo envelhecimento natural de nossos olhos podem ser corrigidos, quer através do uso de óculos ou lentes de contato, quer através de cirurgias corretivas. Problemas de visão só se caracterizam como deficiência visual quando disfunções nas estruturas envolvidas em nosso processo de captação de imagens não são passíveis de correção e afetam nossa capacidade visual a níveis tão severos que impeçam a realização de tarefas do dia-a-dia. O Ministério da Saúde na Portaria nº 3128 de 24 de dezembro de 2008 define deficiência visual em seu Art. 1º como sendo:
§ 1º Considera-se pessoa com deficiência visual aquela que apresenta baixa visão ou cegueira.
§ 2º Considera-se baixa visão ou visão subnormal, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no melhor olho com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de comprometimento visual do CID 10) e considera-se
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GOZZI, Rogério. Retina – Camadas – Anatomia do olho humano. Anatomia do corpo humano. Disponível em: <http://www.anatomiadocorpo.com/visao/olho-humano-globo-ocular/retina/>. Acesso em: 20 ago. 2018.
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Todos nascemos hipermétropes. Nosso olho é naturalmente curto ao nascer para que não sejamos todos míopes ao ir crescendo.
cegueira quando esses valores encontram-se abaixo de 0,05 ou o campo visual menor do que 10º (categorias 3, 4 e 5 do CID 10).(BRASIL, 2008)
Para melhor entender a definição presente nesse documento legal é preciso compreender os conceitos de acuidade visual e campo visual, além de estar familiarizado com a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).
A visão é o resultado da interação de diversas funções: “acuidade visual, campo visual, coordenação binocular, sensibilidade ao contraste, adaptação à luminosidade, adaptação à obscuridade, [e] visão de cores” (LEME, 2003, p.9). O termo deficiência visual é geralmente usado para se referir a pessoas que tenham sua acuidade visual e/ou campo visual de tal forma afetados que, mesmo com auxílios ópticos, essas funções não possam atingir o grau considerado normal.
Entende-se por acuidade visual a capacidade de distinguir a forma e o contorno dos objetos. Essa capacidade é aferida através da apresentação de caracteres (símbolos, letras ou números) progressivamente menores a uma distância padrão de 20 pés (seis metros).137 A acuidade visual é expressa através da relação entre o que se consegue ver e essa distância padrão, ou seja, alguém que tenha visão considerada normal terá acuidade visual de 20/20, o que quer dizer que essa pessoa consegue ver a 20 pés o que se espera que alguém veja à distância de 20 pés.138
Uma pessoa que tem acuidade visual de 20/400 (ou 1/20), equivalente aos 0,05 mencionados na legislação, tem 5% de acuidade visual e vê a um metro de distância, com seu melhor olho e com a melhor correção óptica possível, algo que uma pessoa com visão normal veria a 20 metros. Já uma pessoa com acuidade visual de 20/60 (ou 1/3), equivalente aos 0,3 mencionados no texto legal, tem acuidade visual de 30% e vê a cerca de um metro, com seu melhor olho e com a melhor correção óptica possível, o que uma pessoa com visão normal veria a cerca de três metros (FLORIO, 2026).139
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Esse é o padrão porque “a essa distância as lentes dos olhos estão em sua posição natural, não precisam acomodar-se para encontrar o foco” (LEME, 2003, p.10).
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Quando a acuidade é muito baixa e a pessoa não consegue ler nenhum dos caracteres apresentados, recorre-se a outros métodos. Em primeiro lugar, procura-se verificar se a pessoa consegue contar dedos e a que distância. Se isso não for possível, busca-se averiguar se a pessoa consegue ver os movimentos da mão. Por fim, caso isso também não seja possível, procura-se checar se a pessoa percebe a luz (percepção luminosa) e de onde ela provém (projeção luminosa).
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Conteúdo disponível online: FLORIO, Lucia Helena. Entendendo o que é a acuidade visual. Stargardt – Doença degenerativa da retina, 2016. Disponível em: <http://www.stargardt.com.br/entendendo-o-que-e- acuidade-visual/>. Acesso em: 23 ago. 2018.
Tabela 1 – Diferentes notações de acuidade visual140
Fração Fração reduzida Número decimal Porcentagem
20/60 1/3 0,3 30%
20/100 1/5 0,2 20%
20/200 1/10 0,1 10%
20/400 1/20 0,05 5%
20/800 1/40 0,025 2,5%
Fonte: Site Stargard – Doença Degenerativa da Retina (http://www.stargardt.com.br/)
O campo visual é a amplitude da área alcançada pela visão, ou seja, a área total que uma pessoa consegue cobrir com seus olhos sem que a mesma precise mover a cabeça. Essa função é medida em graus. Alguém que tenha visão considerada normal tem um campo visual de quase 180º, o que permite perceber estímulos do entorno sem ter que desviar a atenção para um objeto específico. A diminuição do campo visual pode afetar a visão periférica ou central, dificultando a “mobilidade e todas as tarefas que dependem de uma visualização global da situação” (BATISTA; ENUMO, 2000, p.[160?]). Ao tentar uma ultrapassagem numa rodovia, por exemplo, o condutor precisa observar os espelhos e a pista para a qual deseja passar sem deixar de prestar atenção à estrada. Um campo visual reduzido torna essa tarefa muito mais difícil. De acordo com o texto legal, uma pessoa com baixa visão tem um campo visual menor que 20º no melhor olho com a melhor correção óptica, enquanto uma pessoa cega tem um campo visual menor do que 10º.
Por fim, a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) é uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que fornece uma codificação padrão para todas as doenças conhecidas. Ela é utilizada por órgãos governamentais como a Previdência Social, por exemplo, para conceder benefícios. Para sinalizar que se está utilizando a décima versão da publicação, a sigla CID é seguida do número 10 (CID 10). Um código CID 10 é formado por uma letra e três números. No caso da deficiência visual, eles podem ser H54.0, H54.1 ou H54.2. O código H54.0 indica cegueira
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Audiodescrição: A imagem mostra uma tabela. No alto, à esquerda, está o título Tabela 1 – Diferentes notações de acuidade visual. Logo abaixo, está o cabeçalho, dividido em quatro células. Sobre um fundo cinza em negrito, lê-se: fração, fração reduzida, número decimal e porcentagem. O conteúdo está disposto em cinco linhas. Primeira linha: Fração: 20/60; Fração reduzida: 1/3; Número decimal: 0,3; Porcentagem: 30%. Segunda linha: Fração: 20/100; Fração reduzida: 1/5; Número decimal: 0,2; Porcentagem: 20%. Terceira linha: Fração: 20/200; Fração reduzida: 1/10; Número decimal: 0,1; Porcentagem: 10%. Quarta linha: Fração: 20/400; Fração reduzida: 1/20; Número decimal: 0,05; Porcentagem: 5%. Quinta linha: Fração: 20/800; Fração reduzida: 1/40; Número decimal: 0,025; Porcentagem: 2,5%. Ao final, à esquerda, lê-se: Fonte: Site Stargard – Doença Degenerativa da Retina (http://www.stargardt.com.br/).
em ambos os olhos (classes de comprometimento visual 3, 4 e 5 em ambos os olhos), o código H54.1 indica cegueira em um olho e visão subnormal em outro (classes de