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Evaluation locale du gradient et de l’orientation ´

Na procura da justificação destas posições reunimos um conjunto de dimensões atribuídas ao Design de Ambientes que colocam no centro desta prática disciplinar a interacção entre o Homem e o ambiente construído. A expressão foi entendida num âmbito muito vasto de temas partilhados pelas diversas áreas disciplinares, como a arquitectura, o design ou a psicologia, enfatizando o comportamento e a experiência humana face ao espaço vivenciado.

Esta abordagem foi introduzida na entrevista de Jorge Spencer (JS) que revela a importância dos (…) temas da dimensão psicológica da leitura do espaço para condicionar logo o modo como as pessoas se comportam do próprio espaço (para.65).

O enfoque do Design de Ambientes no comportamento humano traduziu-se por um conjunto significativo de referências, dadas por sete (7) entrevistados.

O olhar de especialistas sobre a intervenção no espaço construído, cuja prática profissional não está ligada à arquitectura ou ao design, centrou-se igualmente no estabelecimento de relações de influência entre o espaço e o comportamento das pessoas, conforme propõe João Pedro Fróis: Há uma intencionalidade que está muito centrada na perspectiva do observador, (JPF, para.66), ou ainda de Isabel Carlos (…) no modo como se conduz os espectadores (IC, para.21).

Na discussão dos pressupostos conceptuais do Design de Ambientes, ensaiámos, sempre que possível, enquadrar o discurso destes participantes na abordagem aos

processos psicológicos fundamentais da experiência do ambiente construído – a dimensão sensorial e perceptiva do espaço, a dimensão simbólica e cultural ligada à memória e cognição e finalmente a emoção e o pensamento – considerados os processos básicos de interacção do Homem com o ambiente (Muga, 2005).

2.2.3.1 Dimensão sensorial e perceptiva do espaço

A ideia de manipulação do espaço parece ser entendida como um acto que, segundo Luísa Pacheco Marques, (…) transborda a questão do espaço físico limitado (LPM, para.14), sujeito a leituras e reinterpretações feitas pelos seus ocupantes. Aos aspectos estéticos, construtivos e funcionais do espaço somam-se os aspectos de ordem sensorial, que se apreendem pelos sentidos, numa valorização essencial à compreensão da realidade que é o espaço vivencial.

Nesta abordagem, registámos que alguns especialistas (5) convocam para o tema de Design de Ambientes uma relação fenomenológica, centrada no objecto vivido e não no objecto propriamente dito. Rui Barreiros Duarte (RBD) considera que se trata de uma relação (…) sensível às emoções e de transmutação de uma metamorfose do espaço (para.13).

Entender como o objecto é percebido no ambiente e como o homem o percebe e se relaciona com ele diz respeito à compreensão fenomenológica do mundo. Dulce Loução (DL) afirma: Esta dimensão que transcende a dimensão funcional do espaço e que é uma dimensão, não lhe chamaria psicológica, mas sim uma dimensão existencial do espaço, que é aquilo que o Design pode conferir aos interiores, para os tornar eficazes (DL, para.19).

Jorge Spencer acentua esta ideia ao referir que o Design de Ambientes se aproxima de (…) uma área do território que atira muito mais para os temas da psicologia comportamental, dos temas da percepção, da fenomenologia (…) e, aí, podemos falar dos snacks bares dos anos 70, das ruas em Barcelona com os aromas, ou das ruas com a água em Elvas, da música e dos centros comerciais, etc., esses, sim, são temas convocados para o Design de Ambientes (JS, para.72).

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Observou-se uma tendência para aludir aos temas da percepção do espaço em torno de uma ideia central do Design de Ambientes, que (…) apela a todas as cargas sensoriais (LPM, para.14), remetendo-nos simultaneamente para questões ligadas ao espaço construído através de (…) uma análise física e também uma análise sensitiva, mais sensorial, conforme explicita Nuno Vidigal (NV, para.12).

Eu diria que o Design de Ambientes é um pouco isso tudo – uma série de elementos sensoriais (…) que dizem respeito à pr pria profissão do projecto – Para nós, no séc. XXI, o ambiente reúne todas essas dimensões (JPM, para.40).

A análise do espaço associa “inputs” sensoriais – visuais, auditivos, olfactivos e em particular, tácteis e cinestésicos privilegiados em trabalhos como nos de Alvar Aalto ou Frank Lloyd Wright – que nos envolvem no campo sensível e na forma como esta informação é descodificada e compreendida através do processo perceptivo.

A experiência perceptiva relacionada com a interacção entre o espaço e o sujeito não é atribuída exclusivamente aos sentidos, mas inclui outros estímulos ambientais – luz, som, temperatura, gravidade, objectos etc., – que interagem com o ser humano e fornecem informação sobre os movimentos corporais, orientação e posição no espaço. (Gibson, 1986, referido por Muga, 2005, p.75).

Como conclui Durão: “a percepção refere-se à forma como a aquisição de informação do meio envolvente, feita através dos sentidos, se transforma em experiência de acontecimentos, objectos, sons, sabores e assim por diante.” (2006, p.157).

2.2.3.2 Dimensão simbólica e cultural

A dimensão simbólica e cultural atravessou também este conceito quando assumido no âmbito da realização de diversos projectos que contribuem para a criação de ambientes, em particular as exposições. Estes traços particulares foram consolidados por catorze (14) intervenientes quando observados à luz dos espaços expositivos. A memória do ambiente, associada aos processos cognitivos, desempenha importantes funções psicológicas. A este respeito, João Paulo Martins fala da intervenção de Daciano da Costa em diferentes projectos, como na Aula Magna da Reitoria, na Gulbenkian e na Biblioteca Nacional, sobre a qual esclarece: (…) aquilo é

o depósito da memória cultural, literária, escrita, do país; aquele sítio tem esse significado. Portanto, fazer uma intervenção, ou de arquitectura de interiores, ou de Design, para aquele sítio, implicava encenar isso mesmo. Porque aquilo não era uma estação de caminhos-de-ferro, um aeroporto, nem um hospital, etc.. Portanto, não podia ter o mesmo mobiliário, as mesmas cores, os mesmos materiais, as mesmas escalas, a mesma definição de ambiente, porque vivia dessa carga simbólica, dessa necessidade de expressar, de encenar e fazer com que todas nós, que lá vamos e que conhecemos aquele ambiente, participemos nesse espectáculo, dessa performance colectiva, que é estarmos juntos naquele espaço (JPM, para.24).

Também Luísa Pacheco Marques, sobre a intervenção do arquitecto no espaço urbano, explica: Quando eu estou a fazer um plano de pormenor e consigo imaginar, exorbitar, sentir, percepcionar qual é o ambiente que eu quero criar no espaço urbano que eu estou a criar, que não tem só a ver com forma, mas tem a ver também com cor, tem a ver com cheiro, tem a ver com a predominância de determinados tipos de elementos sobre outros, tem a ver com conceitos simbólicos, eu estou a criar ambientes, eu trespasso, digamos, não só a caracterização física dos espaços. É muito mais do que isso (LPM, para.14).

De acordo com Holahan (1982), as diferentes culturas são responsáveis pela forma como se estabelecem e se sustentam as relações das pessoas com o espaço vivencial.

Na sequência da abordagem da relação do Design de Ambientes com o espaço, alguns dos intervenientes (4) aludiram às consequências cognitivas do ambiente nas pessoas, para além da tónica dada à carga afectiva através da criação de algumas memórias, referências e (…) emoções que perdurem na memória por o máximo de tempo possível, designadas de provocações por este entrevistado, José Manuel Castanheira (JMC, para.39).

Nuno Vidigal, a respeito do trabalho de Design, conclui: O nosso objectivo deveria ser fazermos espaços em que as pessoas, passado muito tempo, ainda se lembrem que lá estiveram por algum motivo, e que aquilo não seja um espaço completamente anónimo (para.38).

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Nesta linha de pensamento, Norberg-Schulz (1972) menciona o espaço existencial para se referir à imagem cognitiva que formamos de um espaço que vivenciamos através das tensões criadas entre nós e esse espaço.

A memória, ligada ao processo perceptivo, desempenha importantes funções para a compreensão do mundo, desde a evocação de emoções e sensações até à identificação das experiências pessoais anteriores. Estas emoções e experiências são recuperadas em posteriores situações, influenciando essas vivências. Para Merleau-Ponty (1994, p.47), a experiência que temos das coisas interfere no significado que fazemos delas: aquilo que lemos ou ouvimos só tem significado por interferência da memória.

Só se pode compreender a memória como uma posse directa do passado, sem conteúdos interpostos (...). A memória é fundada pouco a pouco na passagem contínua de um instante no outro e no encaixe de cada um, com todo o seu horizonte, na espessura do instante seguinte. (…) Assim como na “conservação das recordações” não existe discussão a instituir (…) não existe o problema da distância e a distância é imediatamente visível, sob a condição de que saibamos reencontrar o presente vivo em que ela se constitui. (Merleau-Ponty, 1994, p. 358).

Numa aproximação à natureza do Design de Ambientes, foi possível conhecer os seus principais objectivos, suportado nas reflexões expressas por estes especialistas. Nos seus princípios, o problema foi avaliado e discutido a partir de uma práxis centrada na caracterização física do espaço.

Registámos a opinião de onze (11) entrevistados, dos quais destacamos o ponto de vista de Rui Barreiros Duarte, que defende que (…) há uma modulação dos ambientes, e os ambientes são uma coisa para ser modulada. É aquilo que nós, na arquitectura, chamamos de espaços (para.17), ou a de Nuno Vidigal, que afirma: O Design de Ambientes cria espaços e ambientes, mas não altera a estrutura do espaço e, portanto, manipula o espaço e manipula o estar no espaço através da sua transformação superficial e, também, através do controle das próprias especialidades que estão inerentes a essa manipulação (para.31), ou ainda a de Rita Filipe (RF), que conclui, generalizando, que Design de Ambientes é (…) tudo o que contribuiu para a construção de um espaço (para.18).

Dentro deste grupo, seis (6) destes elementos descrevem o Design de Ambientes como o compositor da criação de atmosferas que provocam efeitos de sentido. Como concluiu Nuno Vidigal: (…) o que todos procuramos no Design de Ambientes são as atmosferas (para.28). Esta expressão é enfatizada por Isabel Carlos: (…) atmosfera… sim, gosto mais de atmosfera! (para.14).

A perspectiva atribuída ao Design de Ambientes, de (…) sistema holístico e não um sistema partilhado, como sustenta Luísa Pacheco Marques (para.17), passa a ser uma palavra-chave para a realização de trabalhos centrados na relação do espaço construído com o ser humano, ideia igualmente partilhada por João Paulo Martins: Temos essa visão global, holística, daquilo que é o ambiente e, portanto, se precisamos de compor o ambiente, será através da definição de todas essas dimensões. Hoje em dia, isso é mais ou menos inevitável (para.40).

Esta dimensão holística do Design de Ambientes pressupõe uma intervenção coerente, (…) em que tudo seja pensado como um todo e não como um somatório de partes. Eu penso que isso é o mais importante (NV, para.17).

2.2.3.3 Conhecimento interdisciplinar do Design de Ambientes

Denunciando a ambiguidade do âmbito conceptual e operacional do Design de Ambientes, objectiva-se, neste ponto, nortear o conhecimento dos temas que o Design de Ambientes convoca e aferir a sua ligação com outras áreas do conhecimento.

Revemo-nos na posição defendida por Moreira da Silva que, numa perspectiva alargada do design, (2009, p.83), considera que o conhecimento disciplinar do design “(i) contribui para uma melhor visão dos princípios, relações e contexto do design dentro de várias disciplinas, (ii) ajuda-nos a uma melhor compreensão dos processos, temas e do próprio produto do design, e (iii) torna possível a existência do design com métodos e ferramentas próprios”.

Neste contexto, vale a pena considerar algumas observações feitas sobre este tema por este grupo de especialistas que, embora sem expressão significativa, concorrem para uma clarificação dos processos, métodos e ferramentas que esta área projectual

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convoca. O enfoque positivista foi posto em evidência por um grupo significativo de entrevistados que encaram o design como uma área disciplinar assente numa metodologia específica de abordagem para resolver problemas concretos. A ênfase é colocada na identificação dos métodos, em resultado de uma consciência disciplinar do design, que deve ser tomada como ponto de partida, porque os resultados derivam, sobretudo, da metodologia utilizada e dos processos com que se chega ao conhecimento. Nuno Vidigal explica: (…) se há um problema pragmático, uma questão a resolver, o design, através de uma metodologia muito específica, resolve- a! (para.14).

Também Dulce Loução assegura: O design tem uma vocação enfim teórica, muito pragmática relativamente à sua própria metodologia. O design pressupõe a existência de uma questão a resolver, uma metodologia própria de abordagem, que tem a ver com o papel do utilizador, do fruidor do espaço (para.19).

O entendimento do método projectual em design foi explicitado por alguns dos participantes neste estudo de uma forma muito próxima do ponto de vista de Daciano da Costa (1995, citado por Souto, 2001, p.39): “a arquitectura e o design têm em comum a “acto do projecto” como modo de resolver problemas da materialidade do Ambiente Humano, mas fazem coisas diferentes de maneiras diferentes”. Para esta autora, a obra de Daciano da Costa, enquanto designer, assume uma perspectiva de “complementaridade e não de subalternidade”.

Jorge Spencer coloca a questão a nível da (…) consciência disciplinar que [tem] a ver com a identificação dos métodos (para.57) e Luísa Pacheco Marques conclui que se trata de (…) um problema de abordagem metodológica que deve ser tomado como ponto de partida porque, mais uma vez, os resultados derivam, não muitas vezes dos conhecimentos, mas mais da metodologia que nós utilizamos e dos processos com que chegamos aos conhecimentos (para.24).

A metodologia do design contribuiu de forma considerável para a estabilização da disciplina a partir dos anos 60, recorrendo a métodos científicos para integrar no processo do projecto de modo a serem aceites pela indústria: quando (…) se dá a produção em massa é quando o projecto do objecto se torna uma área disciplinar própria (MT, para.17).