5.2 Utilisation des arbres
5.2.1 Evaluation d’expressions & parcours d’arbres ´
A MCC parte de alguns postulados. Gomez et. al. (op. cit.) sistematizam tais postulados da seguinte maneira:
53 CHOMSKY, N. Language and politics. Nova York: Black Rose Books. 1988.
54 SEARLE, J. Mente, lenguaje y sociedad. La filosofia em El mundo real. Madrid: Alianza (v. o. 1998). 2001. 55 MEAD, G. H. Espíritu, Persona y Sociedad. México: Paidós (v. o. 1934). 1990.
56 HABERMAS, J. Teoria de la acción comunicativa I : Racionalidad de la acción y racionalización social II : Crítica de la razón funcionalista. Madrid: Taurus (v. o. 1981). 1987.
a) Universalidade da linguagem e da ação: pois essas são capacidades inerentes às pessoas, a qualquer pessoa. Não há culturas superiores e sim diferentes. Partindo da concepção de Habermas (1987) todas as pessoas são capazes de linguagem e ação, assim, na utilização da MCC, o conhecimento deve ser construído em conjunto com as pessoas participantes da investigação, entendendo que todas podem se comunicar e interagir com as demais.
b) As pessoas são entendidas como agentes sociais transformadores: através do diálogo todas as pessoas se constituem em agentes transformadores de seus contextos. Centra- se em teorias que buscam o desenvolvimento de capacidades e potencialidades e reconhecendo as pessoas como agentes sociais de suas vidas e contextos. Na MCC potencializam-se outros tipos de relações nas quais prevalecem as pretensões de validade (argumentos) e não de poder (imposição), e os investigadores não são tidos como conhecedores do mundo.
c) Racionalidade comunicativa: é diferente da racionalidade instrumental que leva as pessoas a utilizarem-na como meio para conseguir determinados fins. A racionalidade comunicativa usa a linguagem como meio de diálogo e entendimento.
d) Sentido comum: para conhecer porque se produz uma ação, deve-se levar em conta o sentido comum das pessoas. O sentido subjetivo depende da experiência de vida e da consciência das pessoas que normalmente se formam dentro do próprio contexto social.
e) Sem hierarquia interpretativa: as interpretações das pessoas investigadas podem ter tanta solidez como as da investigadora. Os indivíduos e a sociedade tem capacidades para interpretar e compreender o mundo social. A compreensão detalhada proporciona o contato direto, escutando e reconhecendo as opiniões e relatos das pessoas participantes e interpretando com elas seus próprios contextos. A maior aproximação da realidade se dá quando essas interpretações são compartilhadas e, por meio do diálogo, consensuadas.
f) Igual nível epistemológico: as pessoas investigadoras e investigadas encontram-se no mesmo nível, tanto no processo de investigação como na interpretação das ações, onde por meio de argumentos, busca-se um consenso com relação ao objeto de estudo. Este postulado é, na verdade, continuação do anterior e alerta para o fato de que, em busca de uma quebra dos diferentes níveis de interpretação, comumente apontados nas ciências sociais, é importante que a pessoa pesquisadora participe do processo
comunicativo no mesmo plano de igualdade que as pessoas participantes, levando para o diálogo as suas vivências e saberes, podendo contrastar teorias e investigações científicas.
g) Conhecimento dialógico: a perspectiva comunicativo-crítica integra a dualidade objeto (realidade está posta, objetividade/positivista), conhecimento objetivo com o sujeito (subjetividade, interpretação da realidade) e conhecimento subjetivo, por meio da intersubjetividade e capacidade de reflexão e autoreflexão, numa comunicação que se estabelece a partir de pretensões de validade e não de poder, assim, o conhecimento dialógico contempla:
- Interação entre pessoas e grupos com pretensões de validade e não de poder; - Análise da realidade mais reflexiva e igualitária;
- Uma situação real (quem somos e como nos relacionamos);
- A busca de uma situação ideal (quem queremos ser e como queremos nos relacionar).
Sobre tais postulados, Girotto (2011) sintetiza:
Vale destacar que, na MCC não se impõe algo como bom e verdadeiro aos contextos investigados, pois parte-se do pressuposto que através do diálogo e da interação com pretensão de validade e não de poder, as pessoas podem criar conhecimento, compartilhar experiências e transformar a realidade. Ao ter em conta isto, está se considerando o mundo da vida e não os sistemas, os agentes e não apenas a estrutura, os sujeitos e não apenas a comunidade científica. (GIROTTO, 2011, p. 129).
Segundo Gómez et al. (2006), o processo de uma investigação é constituído pelos componentes chaves do estudo que se concretizam em ações como: a formulação de uma questão de estudo, uma possível hipótese para a problemática, o levantamento bibliográfico acerca do tema e a delimitação do marco teórico, a formulação de objetivos e/ou hipóteses e a seleção da população a ser investigada. Em seguida dá-se a coleta de dados/informações e a análise em busca da obtenção de resultados.
Quanto à coleta de dados/informações, esta pode dar-se por meio de técnicas quantitativas ou qualitativas, dependendo do objetivo da pesquisa. Na técnica quantitativa, os instrumentos podem ser testes, provas objetivas, escalas, questionários, etc. Para a técnica qualitativa podem ser utilizadas as observações comunicativas, os relatos de vida comunicativos, os grupos de discussão, a história de vida, etc.
Os resultados levam em consideração as dimensões exclusoras/ excludentes, transformadoras e os diferentes tipos de manifestação do discurso. As pessoas investigadoras tem a responsabilidade de incorporar os conhecimentos disponíveis na comunidade científica podendo estes serem refutados, ampliados ou transformados pelos argumentos das pessoas investigadas, agregando rigor científico à investigação. A metodologia comunicativo-crítica utiliza em sua análise tanto as informações quantitativas como as qualitativas, porém a partir de uma orientação comunicativa, que supõe, segundo Gómez et. al. (op. cit.):
- Diálogo intersubjetivo: os critérios de verdade se baseiam na participação de todas as pessoas implicadas na investigação por meio de um diálogo intersubjetivo com a intenção de chegarem a entendimentos sobre a questão de estudo. É essencial o diálogo entre ciência e sociedade para a construção de conhecimento.
- Pretensões de validade: o conceito de rigor, tão unido às pretensões de validade, está estritamente relacionado com o conceito de entendimento, dado que este tem como meta o consenso. Os argumentos melhores fundamentados se constituem na garantia da metodologia comunicativa frente às pretensões de poder. A MCC supõe que, em um processo de entendimento consideram-se mais os argumentos fundamentados do que a posição de poder das pessoas participantes do diálogo. Os argumentos são suscetíveis de crítica e por esta razão podem se validar, sendo que a crítica se define como a capacidade de reflexão e argumentação que as pessoas tem sobre suas próprias interpretações da realidade e potencializando seu raciocínio como forma de validar as hipóteses. As relações das pessoas com o mundo se atualizam a partir dos questionamentos e argumentos utilizados no diálogo investigativo em busca de consenso.
- Compromisso: para garantir o rigor das investigações e o desenvolvimento científico, convém adotar o compromisso na busca da verdade por meio do entendimento intersubjetivo. Isto possibilita um melhor entendimento em e com outras áreas científicas, especialmente quando se trabalha de maneira interdisciplinar. O compromisso está em gerar conhecimento sobre aquilo que é imprescindível à atuação no mundo, ou seja, o conhecimento não é completo se não contemplar, também, as ações dos sujeitos no mundo permitindo a transformação das condições que estão postas.
Apresentam-se de maneira detalhada, no item a seguir, as técnicas qualitativas de coleta de informações.