Chapitre 4 Validation des concepts et méthodes : maquettes numériques et études de cas
4.3 Etude de cas industriel : matrice de «carter de pompe»
Os modelos de primeira geração prescrevem que a ocorrência de crises cambiais está relacionada como o comportamento dos fundamentos macroeconômicos. Caso os fundamentos macroeconômicos sejam compatíveis com a sustentação do regime de câmbio fixo a crise cambial não acontece, caso contrário uma crise cambial ocorre em período finito de tempo. O modelo de Flood e Garber (1984, a) produz explicitamente uma equação em que a probabilidade de ocorrência de crises cambiais depende de variáveis macroeconômicas consideradas relevantes na determinação da taxa de câmbio.
Os modelos de segunda geração também estabelecem a relação entre crises cambiais e fundamentos macroeconômicos, embora admitam a possibilidade da ocorrência de crises cambiais sem notável deterioração desses fundamentos. A grande diversidade de modelos de crises cambiais constante na literatura nas últimas décadas
corresponde a uma também grande diversidade de variáveis possivelmente associadas a crises cambiais.
Alguns autores procuraram identificar quais variáveis macroeconômicas seriam relevantes ou não e em que medida para a determinação de crises cambiais. Essas mesmas variáveis serviriam como indicadores antecedentes da iminência de uma crise cambial. Frankel e Rose (1996) examinaram uma amostra de mais de uma centena de países em desenvolvimento no período de 1971 a 1992 utilizando método Probit. Os resultados indicaram que crises cambiais, definidas como uma aceleração pronunciada da desvalorização cambial, foram mais freqüentes quando no ano anterior a economia se caracterizava por elevado crescimento do crédito interno líquido, taxa real de câmbio apreciada, reservas internacionais/importações reduzidas e ingresso de capitais concentrados em investimentos em carteira ou direcionados ao setor público. Déficits fiscal e em transações correntes não apresentaram comportamento particularmente diferenciado. Crises cambiais ocorreram mais freqüentemente em um contexto de elevadas taxas de juros nos países industrializados. Milesi-Ferreti e Razin (1998a, 1998b) obtiveram resultados semelhantes aos de Frankel e Rose (1996), além de observarem que o crescimento econômico no triênio posterior à crise cambial foi maior em países com elevado crescimento no triênio anterior à crise e com maior abertura ao comércio exterior.
Em estudo similar, os resultados obtidos por Sachs, Tornell e Velasco (1996) corroboraram os de Frankel e Rose (1996), exceto quanto ao efeito dos ingressos de capitais. Os autores observaram ainda que os países asiáticos conseguiram absorver fluxos de capitais vultosos sem que a taxa real de câmbio se tornasse excessivamente apreciada, ao contrário da maioria dos países latino-americanos.
Kaminsky, Lizondo e Reinhart (1998) propuseram um método de construção de um indicador antecedente de crises cambiais. Os autores partem da revisão de vinte e cinco estudos empíricos prévios, realizados por outros autores. Desses estudos, catorze produziram estimativas de ocorrência de crise cambial no período seguinte. As variáveis macroeconômicas que mais sucesso obtiveram como indicadores antecedentes nesses estudos foram selecionadas. O comportamento dessas variáveis foi monitorado de forma a identificar desvios de suas trajetórias usuais nos vinte e quatro meses que antecederam crises cambiais. Sempre que o desvio de alguma variável excedeu determinada magnitude, isso foi interpretado como a emissão de um sinal de iminência de crise cambial. A própria crise cambial é definida como um desvio
de um índice de pressão no mercado de câmbio, construído como uma média ponderada de desvalorização cambial e de redução das reservas internacionais. A magnitude do desvio de cada variável foi calculada de forma a produzir a melhor relação entre sinais corretos e sinais incorretos de uma crise cambial iminente.
As variáveis que apresentaram melhor desempenho na indicação da iminência de crises cambiais foram as exportações, a taxa real de câmbio, a razão entre oferta monetária ampliada e reservas internacionais, o produto interno e os preços de ações. Algumas variáveis investigadas não registraram desempenho satisfatório, inclusive importações, diferencial entre as taxas de juros internas e internacionais, diferencial entre as taxas de juros para empréstimos e para depósitos e os depósitos bancários.
Em outro exercício a crise cambial asiática de 1997 se assemelhou ao padrão das crises cambiais latino-americanas (Kaminsky e Reinhart, 1998). Observa-se que a volatilidade de 15 indicadores macroeconômicos em períodos de crise cambial e/ou bancária foi maior em países latino-americanos que em países asiáticos durante o período de 1970 a 1995. A severidade das crises, quando medidas pela magnitude da desvalorização cambial, perda de reservas internacionais e custo das operações de salvamento bancário foi também muito superior na América Latina do que na Ásia. Em contraste com esse histórico, a crise asiática de 1997 apresentou generalização na economia e severidade similares ao padrão latino-americano das últimas décadas. As autoras atribuíram essa inovação à participação crescente de capitais de curto prazo e decrescente do investimento direto na composição do investimento estrangeiro direcionado aos países asiáticos, sob um ambiente de regulação e supervisão bancária deficientes, a exemplo do que acontecia na América Latina em décadas passadas.
Ainda em outro exercício econométrico, Klein e Marion (1997) identificaram a taxa real de câmbio e a oferta de liquidez no mercado financeiro internacional como os principais determinantes do abandono do regime de câmbio fixo. Komulainem e Lukkarila (2003), por sua vez, examinaram as causas de crises financeiras em 31 economias emergentes no período de 1980 a 2001. Foram avaliadas 23 variáveis macroeconômicas e financeiras. Os principais indicadores foram a taxa de desemprego e de inflação, bem como aqueles vinculados ao nível de endividamento do setor privado, particularmente a dívida externa do setor bancário.
Osband e van Rijckeghem (2000) examinaram dados de países em desenvolvimento no período de 1985 a 1998 e indicaram níveis de dívida externa e de reservas internacionais que resultam em probabilidade de ocorrência de crise cambial inferior a um por cento.