5.5 Optimisation des param` etres sur des images routi` eres
6.1.4 R´ esultats exp´ erimentaux
Gabriel estava com sete meses de idade. Amanhece um pouco adoentado, com sintomas febris. Levamos ao médico que, depois de consultá-lo, nos informou que era uma pequena virose, porém, sem maiores complicações. Receitou-nos alguns medicamentos, que adquirimos na farmácia mais próxima.
Passei o dia com Gabriel no colo, acalentando-o. Quando, pelas tantas, passei a criança para o colo do pai para pegar umas fraldas, de repente ela se virou para mim e começou a chorar. Assim que eu me virei para ele, percebi que ele me havia feito, pela primeira vez, o sinal de ‘M-A-M-Ã-E’, bem na minha frente. Gabriel me chamou, fazendo o sinal com a mão, apontando seu indicador no meio do nariz. Não fez o sinal totalmente correto, pois o indicador é apontado para o lado do nariz, mas eu entendi. Para mim e meu marido, foi a maior emoção do dia, o nosso filho sinalizando pela primeira vez. Realmente foi um momento inesquecível. Lembro-me que peguei o Gabriel no colo, abracei-o fortemente, com lágrimas de alegria, pois pela primeira vez estava ele me sinalizando ‘M-A-M-Ã-E’.
Na figura 24, pode-se observar o exemplo do primeiro sinal feito por Gabriel
Figura 25: Sinal correto de “M-A-M-Ã-E”
Assim como o sinal de ‘M-A-M-Ã-E’, o CODA começou a balbuciar outros sinais, porém, com as mãos, imitando os pais sinalizadores. É claro que, como era um balbucio apenas, ele não conseguia fazer os sinais corretamente, mas, mesmo assim, eu entendia a sua comunicação e percebia que ele se esforçava para conversar em sinais.
Os sinais de ‘SIM’ e ‘NÃO’ Gabriel também fazia, movimentando a cabeça, ao responder às perguntas como: Quer comer? Vamos tomar banho? Agora vamos dormir? E várias outras vezes, apenas sinalizava com a cabeça. Às vezes ele se contrariava respondendo SIM com um sorriso, mas com movimento de NÃO.
6.2 Balbucio Manual
Os estudos sobre a pré-linguística e o balbucio como aquisição da linguagem para bebês surdos e ouvintes são similares na língua natural – materna – tanto pela fala quanto pelo sinal. As diversas pesquisas de estudos da surdez, tais como de Karnopp (1994), Quadros (1997/2011), Petitto e Marentette (1991), dentre outros, apontam para essa afirmativa.
Segundo Petitto (1991), os bebês surdos adquirem a língua de sinais dos pais surdos já nos primeiros meses de vida. Por outro lado, já começam a balbuciar, com as mãos, na idade de seis a doze meses. Afirma ainda, que os bebês ouvintes que têm
“pais surdos que sabem sinalizar, gesticulam de maneira diferente, seguindo um padrão rítmico específico, distinto de outros movimentos com as mãos. É um balbucio, mas com as mãos”.
Petitto e Marentette (1991) realizaram um estudo sobre o balbucio em bebês surdos e ouvintes. Comprovaram que os estágios desde o nascimento até os quatorze meses de idade seguem os mesmos períodos em todos os bebês. Observaram também que o balbucio é um fenômeno que ocorre normalmente, como fruto da capacidade inata para a linguagem. Esse balbucio pode ser tanto oral quanto manual. Analisaram os dados pesquisados quanto à organização sistemática desses períodos e concluíram que os bebês surdos apresentaram possibilidades de usar as duas formas de balbucio manual: “o balbucio silábico e a gesticulação. O balbucio silábico apresenta combinações que fazem parte do sistema fonético das línguas de sinais. Ao contrário, a gesticulação não apresenta organização interna. ” (QUADROS, 1997, p.70).
As autoras descreveram que os bebês começam a adquirir a linguagem pré- linguística com determinada idade, não apenas o bebê surdo, mas também o bebê ouvinte.
O período pré linguístico se inicia desde o nascimento até por volta dos 14 meses de idade, período em que surgem os primeiros sinais.
Neste período a criança se comunica através do choro e balbucio. [...], constataram que o balbucio em bebês surdos e ouvintes ocorrem no mesmo período de desenvolvimento. E também observaram que o balbucio oral e manual é um fenômeno que ocorre em todos os bebês, independentemente de serem surdos ou não. (GURJÃO, p. 30, 2013).
O jornal “The Times”, traz a seguinte contribuição ao assunto:
“Assim como os bebês de pais ouvintes começam a balbuciar com cerca de sete meses..., os bebês de pais surdos começam a “balbuciar” com as mãos imitando a língua de sinais dos pais”, mesmo sendo ouvintes. - Jornal londrino
The Times. (Disponível em:<http://interpretelibras-
libras.blogspot.com.br/2010/07/filhos-de-pais-surdos.html>. Acesso: set. de 2016).
6.3 Análise
Observei que meu filho CODA começou a adquirir a sua primeira língua já na fase de balbucio, a partir do momento que demonstrou entendimento da Libras, usada
pelos pais. Ao mesmo tempo começou a entender as expressões faciais na nossa interação, se usávamos frases interrogativas, afirmativas, de negação ou exclamação, às quais tentava também responder também com expressões faciais, já que para se comunicar em Libras, deve-se incorporar as expressões faciais, que compõem alguns sinais.
Ao chamar, pela primeira vez, a mãe, balbuciando o sinal de ‘M-A-M-Ã-E’, o CODA optou pela língua dos pais, não produzindo o chamamento pela fala, mas pelas mãos, balbuciou de forma visual-motora, como entendendo a cultura surda da sua família.
Pizzio, Resende e Quadros (2010) destacam que:
[...] as crianças ouvintes, filhas de pais surdos, apresentam e desenvolvem os dois tipos de balbucio até chegarem a produção das línguas. Usualmente, essas crianças, por terem input nas duas línguas, com seus pais surdos na língua de sinais e com seus parentes e amigos ouvintes na língua portuguesa, crescem bilíngües. (p.19)
A análise mostra, então, que nesta fase, também, o desenvolvimento bilíngue do meu filho CODA ocorria de forma natural, por meio de muito estímulo e esforço dos pais. Ele conseguiu balbuciar em Libras. Esse fato foi muito importante para nós e comprovou que a sua aprendizagem decorria normal na interação com os pais, mesmo vivendo em meio a outras realidades sonoras.
No contexto da surdez, ainda é muito escasso literaturas que ajudem os pais surdos na educação de seus filhos, sendo eles também surdos ou ouvintes. Assim, para a aquisição bilíngue do meu filho, resolvemos criar estratégias próprias, as quais passo a relatar na sequência deste estudo.
7 OS PAIS CRIAM ESTRATÉGIAS PARA APRENDIZAGEM DE LIBRAS PELO