Uma empreendedora é qualquer mulher que organiza e dirige uma empresa ou um negócio. Durante décadas, as mulheres foram donas dos seus próprios negócios, tendo a seu cargo a sua gestão, sem que, contudo, tivessem o reconhecimento dos seus esforços e dos seus méritos por parte da sociedade. Poder-se-ía dizer que eram alvo de uma espécie de invisibilidade que fazia com que trabalhassem lado a lado com os homens, em muitos casos os maridos, sem que o seu contributo fosse notado. De resto, muitos estudos convergem na noção de que as mulheres entram no mundo dos negócios por razões distintas das dos homens. Enquanto estes o fazem com vista, fundamentalmente, a um potencial crescimento e consequente aumento de
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lucros, elas visam satisfazer objetivos como a realização pessoal, encarando o sucesso financeiro como o reconhecimento externo das suas capacidades, mais do que como um objetivo.
Muitas são as razões para o empreendedorismo feminino. Na opinião de Anderson e Woodcock (1996), as mulheres tornam-se empreendedoras por necessidade, por insatisfação com a liderança masculina, pela descoberta de um nicho de mercado, pela satisfação em tomar as próprias decisões e pelo desafio. Boden Jr. (1999) acrescenta a estes aspetos a flexibilidade de horário ou administração da dupla jornada e razões familiares. Segundo Jonathan (2005), as mulheres têm características específicas relacionadas com o género que as ajudam profissionalmente como a humildade para procurar novos conhecimentos, a garra para seguir adiante e crescer e a sua flexibilidade e determinação, já que estão acostumadas a realizar muitas atividades ao mesmo tempo. De acordo com este autor, a diversidade de papéis pode ser uma característica do universo feminino, levando ao reconhecimento do seu talento para pensar e realizar de várias atividades simultaneamente. “A análise de como as mulheres contemporâneas lidam com a multiplicidade de papéis sugere a relevância que conferem ao ato de fazer escolhas sem pressões ou cobranças.” (2005, p.69)
Segundo dados do SEBRAE (2010), as mulheres empreendedoras, quando questionadas acerca dos motivos que as levaram a abrir um negócio por conta própria, apontaram como principais razões: a identificação de uma oportunidade de negócios (62,1%); a experiência anterior (30,3%); ou, ainda, o facto de estarem desempregadas, terem sido demitidas ou estarem insatisfeitas com a empresa em que trabalhavam (13%). Neste contexto, foi lançado, em 2004, com caráter nacional, o Prémio SEBRAE Mulher Empreendedora (PSMN), cujo objetivo sofreu pequenas modificações ao longo do tempo, sendo, desde 2007, denominado Prémio SEBRAE Mulher de Negócios.
De acordo como relatório do Global Entrepreneurship Monitor – GEM (2010), do total de empreendedores iniciantes no Brasil, 53% são mulheres e 47% são homens. O aumento da presença da mulher no mercado de trabalho deu-se, entre outros fatores, em função de transformações culturais, da queda da taxa de fecundidade e do maior nível de escolaridade.
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Dados do IBGE (2011) relativos à participação das mulheres no mercado de trabalho revelam que, em 1976, estas representavam 11,4% das mulheres brasileiras, atingindo os 36,5%, em 2002.
O empreendedorismo representa, então, uma alternativa relevante de inserção das mulheres no mercado de trabalho, bem como uma forma de sustento próprio e de renda para toda a família. Segundo Barroso e Frota (2010), através do artesanato, as mulheres ganharam autonomia e não apenas no sentido estritamente económico. Ao desenvolver essa atividade, elas conseguem superar limitações culturais que tentam confiná-las à esfera privado e a um contexto de domesticidade.
Note-se que o contexto social em que vivem muitas mulheres empreendedoras pode ser influenciado por fatores religiosos e até culturais, diretamente relacionados com a construção social do papel da mulher na sociedade. É preciso um reenquadramento do género na investigação e um envolvimento dos pesquisadores nesse sentido (Ahl & Nelson, 2010). Portela, Hespanha, Nogueira, Teixeira e Baptista (2008) salientam que ainda persiste a discriminação de género, e as mulheres têm de sobreviver e ultrapassar as barreiras sociais que lhe estão adstritas; assim, ainda há preconceitos vigentes na nossa sociedade que estão associados à mulher, como a noção de que ela é menos capaz de gerir negócios do que um homem.
O investigador canadiano Filion (1999) refere que a cultura brasileira é a do empreendedor espontâneo, aquele que está em toda parte, bastando um estímulo para que brote, floresça e dê frutos. Corroborando essa ideia, Dolabela (1999) afirma que o Brasil é um dos países com maior potencial empreendedor do mundo. Segundo ele (1999a, p. 12), “na formação de empreendedores, o fundamental é preparar as pessoas para agir e pensar por conta própria, com criatividade, liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço no mercado d e trabalho, transformando esse ato também em prazer e emoção”.
O empreendedorismo, no Brasil, surgiu como uma grande oportunidade, especialmente para as mulheres, uma vez que o Governo Federal, através da Secretaria Especial de Políticas da Mulher, criou incentivos fiscais e financeiros, facilitando assim o surgimento de inúmeros empreendedores que acabam se tornando geradores de muitos empregos e distribuição de renda.
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As definições de empreendedorismo existentes não fazem distinção de género, visto que as características empreendedoras podem ser comuns a homens e mulheres. No entanto, o empreendedorismo feminino tem vindo a crescer, tal como os estudos científicos nessa área (Silveira; Gouvêa, 2008).
Conhecer profundamente o ambiente em que irá empreender é um ponto crucial da viagem e implica as características e necessidades de público-alvo; os concorrentes e as experiências de terceiros; o ciclo de vida do setor; as práticas do mercado; as variáveis que influenciam os negócios na área em termos tecnológicos, políticos, sociais, económicas, financeiros, demográficos, legais. (Dolabela, 2010, p.111).
De acordo com Villasboas (2010, p.51) “Existem importantes diferenças entre os estilos de empreender masculino e feminino. As mulheres têm uma ótima capacidade de persuasão e preocupam-se com clientes e fornecedores, o que contribui para o progresso da empresa”. Portanto, a participação das mulheres na economia brasileira, através de ações de empreendedorismo, tem originado um crescimento significativo no desenvolvimento da economia do país e alcançado destaque no cenário mundial, de acordo com os dados da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), segundo os quais o Brasil já ocupa a 7ª posição em termos de desenvolvimento do empreendedorismo mundial (Natividade, 2009).
Historicamente, a dominação da mulher antecede a todas as outras opressões, mesmo as de classe, raça e propriedade. No momento que a mulher passou a ocupar-se do lar, uma tarefa que não é valorizada, nem mesmo por ela, os padrões sociais culturalmente relevantes passaram a ser os masculinos. No que diz respeito à escolaridade as mulheres possuem, não raras vezes, um nível mais elevado do que os homens, mas as oportunidades de trabalho, assim como a remuneração, são consideradas limitadas, o que justifica a sua necessidade de se inserirem na área do empreendedorismo. Como se percebe, o empreendedorismo nasceu da necessidade que as mulheres, em especial, têm de prover ao seu sustento e da sua família, uma situação que é muito frequente.
O Brasil já conta com iniciativas importantes aliadas ao processo de consolidação de projetos na área de empreendedorismo, justamente porque apresenta um forte contingente de
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instituições e profissionais com capacidade de alavancar incentivos para criação de micro e pequenos negócios, a partir do sistema de incubação de empresas, ajudando no processo de disseminação da cultura empreendedora. A disseminação da importância do empreendedorismo para o processo de desenvolvimento económico local é já matéria lecionada em cursos técnicos e universitários. Considera-se que o ensino é um agente fundamental na promoção da mudança cultural e no rompimento de barreiras de resistência à realização de ideias inovadoras; esse mecanismo, na verdade, gera comportamentos e atividades que conduzam à inovação e à criação de riqueza.
O desequilíbrio económico é, sem dúvida, a principal causa da supremacia jurídica do marido na sociedade conjugal, pois na medida em que ao homem cabia o papel de provedor, arcando sozinho com essa responsabilidade, eram-lhe reconhecidos mais direitos, atingindo-se, dessa forma, o equilíbrio. As mulheres tiveram a coragem de assumir seu papel transformador, de consciencialização da mulher como sujeito de uma sociedade, como cidadã, e como sujeito determinante da evolução social. A mulher não é igual ao homem; mas não são apenas características fisiológicas que as diferenciam dos homens. A própria natureza se encarregou de distinguir o masculino do feminino, e criar um estilo tipicamente feminino, com as suas riquezas intrínsecas.
Nos últimos anos, as mulheres têm sido beneficiadas por um conjunto de programas de políticas públicas que tentam promover melhores condições e igualdade de género no trabalho. Tais ações, ainda que sistemáticas, não têm conseguido vislumbrar conquistas significativas no cenário mais amplo que minimizem as assimetrias de maior vulnerabilidade presentes na vida cotidiana desse grupo em particular. (Natividade,2009, p.234)
As mulheres lutam pela igualdade em termos de poder masculino, sem perguntar o que a igualdade entre o homem e mulher significa realmente. O que tem sido ignorado é que, como homem, a mulher seria sempre incompleta, já que não pretende, para viver a sua individualidade, em termos de carreira ou de realização pessoal, abrir mão das suas especificidades. As mulheres não querem deixar de ser mulheres; querem, sim, ser indivíduos tão diferenciados quanto possível, através de uma multiplicidade de outros fatores que vão mais além que o sexo biológico. Para elas, não existe mais uma oposição entre trabalho e feminilidade.
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Os movimentos feministas têm provocado, por isso, mudanças nas relações entre os seres humanos, transformando, no processo, os mecanismos de poder. Têm, sobretudo, chamado a atenção para o facto de que nada mudará realmente, enquanto metade da população – a metade feminina – permanecer excluída das decisões e do poder.
Com efeito, o que se tem vindo a observar em muitos pontos do mundo, é uma crescente participação da mulher em todas as áreas de atuação, mesmo naquelas que antes constituíam um feudo masculino. Até ao final dos anos 40, meados dos anos 50 do século XX, no Brasil, a mulher só estudava até à Escola Normal, onde aprendia a ser uma boa esposa, uma boa dona de casa, quando muito, professora do primeiro grau. Hoje a história é outra e essa evolução cresce em ritmo acelerado, quase chegando a igualar-se à dos homens. Atualmente, já há mulheres exercendo posições de destaque na política, na economia e em todas as áreas, o que é muito bom para o Brasil que vive uma democracia plena. Em termos económicos, o empreendedorismo está a ser encarado como algo de grande futuro, relativamente ao qual a participação das mulheres é extremamente relevante, tendo em vista o crescimento da economia do país. A mulher tem-se mostrado mais bem preparada, mais criativa e capaz de iniciativas melhores. Desta forma, o que se espera é que, nos próximos anos, as mulheres se destaquem como empreendedoras.
Passos et al. (2008) refere que 13 em cada 100 brasileiros adultos estão envolvidos com alguma atividade empreendedora, o que corresponde a 20% do PIB nacional. Contrariando uma tendência histórica, a mulher representa 52% desse total. O empreendedorismo feminino é um assunto em destaque no Brasil. Entre 2001 e 2011 a iniciativa das mulheres em abrir novos negócios foi de 21%, enquanto a dos homens foi de 10%. Nesse período, a taxa de empreendedoras subiu de 48% para 54% (SEBRAE, 2013).
São muitos os estudos realizados sobre o empreendedorismo, e, em particular, sobre empreendedorismo feminino, pois as mulheres demonstram maior capacidade de iniciativa e criatividade, principalmente na área dos serviços, além da própria necessidade que o mercado de trabalho lhe impõe. Esse setor da economia tem sido um campo bastante vasto em que mais estudos deverão surgir como contribuição para um maior aprofundamento do papel da mulher como empreendedora e gestora (Vale, Serafim, Teodósio, 2013).
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São, sobretudo, dois os fenómenos económicos que explicam o facto de as mulheres serem detentoras dos maiores negócios próprios. O primeiro está relacionado com o setor dos serviços o qual tem dado azo a diversas oportunidades a serem exploradas em áreas como alimentação, vestuário, artesanato, beleza – com abertura de salões – e fitness e bem-estar físico como academias de ginástica, entre outros. O outro setor diz respeito à terciarização em que os trabalhos são realizados por terceiros, no desenvolvimento da produção direcionada para as pequenas indústrias e o pequeno comércio dos mais variados produtos e serviços, principalmente na área da confeção.
A crescente presença da mulher no mercado de trabalho ao longo dos anos influenciou muito esse resultado. A mulher empreendedora aplicou aos negócios características que antes não eram tão valorizadas, tais como: criatividade, sensibilidade, flexibilidade, colaboração. Essa nova postura feminina fez com que a mulher assumisse compromissos financeiros em casa e, em alguns casos, passou a ser a principal provedora de renda. (Passos et al., 2008) Com efeito, uma grande parcela das mulheres brasileiras tem procurado diversificar suas formas de sobrevivência, não só devido às dificuldades encontradas no mercado de trabalho, como às diferenças salariais comparativamente com os homens, transformando-se em autênticas provedoras dos seus lares, segundo dados de Jonathan (2011).
Porque o empreendedorismo é uma área de grande relevância para a economia brasileira, neste trabalho procurou-se demonstrar qual o papel da mulher no sucesso dos negócios, tendo já sido demonstrado que a mulher ocupa já o seu espaço numa situação de relativa superioridade em relação aos homens (Passos et al., 2008). Atualmente, as mulheres estão presentes em quase todos os setores da economia do país, ocupando, inclusivamente, cargos administrativos e gerenciais no desempenho dos quais se têm saído airosamente.
Vale, Serafim e Teodósio (2011) chamaram a atenção para o facto que é muito comum as mulheres recorrerem aos seus patrocinadores ou mentores, geralmente homens, para obterem legitimidade no ambiente de trabalho. Ao contrário dos homens que se apoiam quase sempre em outros homens. Mas o feminismo ganha corpo fora dos movimentos organizados. Revela-se em casa e no trabalho; procura recriar as relações interpessoais e repensar a identidade do género. O
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movimento de mulheres nasceu e se fortaleceu reconhecendo as vivências próprias de cada mulher. A partir dessas vivências, construiu sua força e solidariedade.
Em Fortaleza, o empreendedorismo feminino representa 52% dos novos empreendedores. As mulheres cearenses encontraram uma oportunidade de mudar as suas vidas e descobrir fontes de sustento, a partir de trabalhos realizados em associações que desenvolvem atividades económicas por meio de parcerias com o governo e ONGs. Elas contribuem para o desenvolvimento das comunidades. Algumas não possuíam renda própria quando se filiaram nessas entidades, mas hoje chegam a faturar cerca de um salário mínimo (R$724,00) com a comercialização de produtos produzidos dentro dos grupos. A Rede de Comercialização Solidária Estrela de Iracema, por exemplo, é uma iniciativa que existe há cinco anos e apoia aproximadamente 30 grupos desse tipo, em diferentes bairros da Capital, cada um com uma média de 15 mulheres associadas. Segundo a sua coordenadora, Ana Célia Batista, a rede intenta fortalecer e integrar as associações, por meio de reuniões mensais, planeamento no início de cada ano, viabilização de feiras, promoção de oficinas e cursos de capacitação.
Para as cearenses, o envolvimento com uma associação de Mulheres é importante e só traz benefícios, na medida em que estimula a organização, melhora a autoestima e cria novas oportunidades. Apesar de o lucro obtido por alguns grupos funcionar como complemento dos rendimentos, muitas mulheres voltaram a estudar, dedicaram-se à cozinha e passaram a ter uma participação mais efetiva nas comunidades, como afirmou uma das associadas entrevistadas. “A questão do financeiro ainda não é ideal, mas como primeiro passo escolheremos o trabalho coletivo, a valorização da mulher e do artesanato, que dialoga com a vida da gente, o que é difícil fazer no universo capitalista”, diz Luciana Eugênio, secretária da Associação das Mulheres em Ação -AMA (Diário do Nordeste, 2014, s/n).