Ao mesmo tempo que os teóricos se empenham em definir empreendedorismo, procuram traçar o perfil do/a empreendedor/a. Autores como Cabido (2007), Damasceno (2010) e Cruz (2005), entre outros, referem o papel preponderante da cultura empreendedora no processo de desenvolvimento económico de uma sociedade e demonstram que, quanto maior for a parcela de uma população com perfil empreendedor, maiores são as hipóteses da nação ou sociedade a que pertencem se tornar desenvolvida.
O empreendedor definido por Drucker (1987, p.28) é responsável por “reunir todos os fatores de produção e descobrir no valor dos produtos a reorganização de todo capital que ele emprega, o valor dos salários, o juro, o aluguel que ele paga, bem como os lucros que lhe pertencem”. O autor apresentou como requisitos necessários para se ser empreendedor o discernimento, a perseverança e um conhecimento sobre o mundo e os negócios, além da arte da superintendência e da administração.
Para Brooks, Forbath e Kalaher, (2007), o/a empreendedor/a apresenta determinadas habilidades e competência para criar, abrir, inovar um negócio, gerando resultados positivos. Com efeito, trata-se de uma atividade essencial para o desenvolvimento económico de um país e influi na melhoria da qualidade de vida do seu povo, pois não se pode ignorar que
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empreendedorismo constitui um fator de criação de empregos e de obtenção de rendimento. Daí que, atualmente, as organizações procurem empreendedores para garantir o sucesso e o desempenho inovador dos seus negócios, através de um conjunto de estratégias e práticas que lhes permitam alcançar esse objetivo.
De acordo com Menezes (2007, p.73):
Ser empreendedor é preparar-se emocionalmente para o cultivo de atividades positivas no planejamento da vida. É buscar o equilíbrio nas realizações considerando as possibilidades de erros como um processo de aprendizado e melhoramento. Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza.
Para Dolabela (1999, p. 67), empreendedor/a é “ toda pessoa que está na base de uma empresa, desde o franqueado, um dono de oficina mecânica, e aquele que desenvolve uma multinacional”. Assim, segundo o autor (1999, p. 44) empreendedorismo significa “[...] a introjeção de valores, atitudes, comportamentos, formas de percepção do mundo e de si mesmo voltados para atividades em que o risco, a capacidade de inovar, perseverar e de conviver com a incerteza são elementos indispensáveis.” Do mesmo modo, [...] o empreendedor é alguém que acredita que pode colocar a sorte a seu favor, por entender que ela é produto de trabalho duro.”
Na mesma linha de pensamento de Dolabela (1999), Diniz (2010, p 376),afirma que o/a empreendedor/a é uma pessoa que inova.
O empreendedor vê as oportunidades de introduzir um novo produto, Mudar a gestão organizacional da empresa, explorar novos mercados, encontrar novas fontes de matéria-prima, diminuir os custos de produção ou encontrar uma melhor forma de motivar a força de trabalho como uma forma de estar. Os empreendedores são frequentemente mais gestores do que investidores; eles são aqueles que conseguem ver o potencial económico das invenções.
Na opinião de Marshall (1890), para se ser um empreendedor de sucesso, era necessário compreender a indústria, ter capacidade de liderança e possuir a visão suficiente para perceber as
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mudanças ao nível da oferta e da procura, além da capacidade de ousar agir enfrentando riscos. Uma ideia corroborada por Cabido (2007) que, volvido mais de um século, chama a atenção para o facto de nem todos os empresários serem empreendedores e nem todos os empreendedores serem empresários. No entanto, muitos empresários também são empreendedores e fazem das suas organizações exemplos de inovação, criatividade e competência.
Também Damasceno (2010) aponta diferenças entre ser administrador e empreendedor; enquanto o primeiro se enquadra no mundo corporativo e está mais relacionado com processos gerenciais e solução de conflitos e de circunstâncias desfavoráveis à empresa, o segundo nem sempre se faz presente nas corporações, uma vez que, na maior parte do tempo, está atento aos mercados, às oportunidades, produtos, inovação, em suma, ao negócio presente e futuro.
Na visão de Cruz (2005), o/a empreendedor/a foi-se tornando, ao longo do tempo, numa figura essencial e imprescindível à evolução da humanidade, ao questionar paradigmas, produzir revoluções, criar novos conceitos, novas formas de fazer as coisas e novas respostas para questões antigas, assumindo-se, enfim, como incessante e incansável agente de mudanças. De acordo com o autor, o/a empreendedor/a está sempre disposto/a a aprender, a romper barreiras, a criar, a inovar, a enfrentar desafios e a superar dificuldades
Rwigema e Venter (2004) consideram que o empreendedor é alguém que é propenso à inovação, tornando-se, assim, um agente de mudança, capaz de criar riqueza e acrescentar valor aos recursos e outros bens, ao mesmo tempo que introduz mudanças na economia.
Como se pode constatar, quase todas as definições sobre empreendedor convergem no consenso relativamente a um padrão de comportamento típico: o de tomar decisões, organizar e reorganizar mecanismos sociais e económicos a fim de transformar recursos e situações para proveito próprio, aceitar o risco ou o fracasso (Shapiro apud Hisrich, Peters, 2004).
Veronesi (2012) elenca oito características principais que, na sua opinião, definem um perfil empreendedor:
iniciativa e pró-atividade;
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conexões e criatividade; aprendizagem contínua; controle e liderança
Os empresários nascem com aptidão para o empreendedorismo? São criados para empreender? Ou aprendem essa capacidade? Muitos não sabem dizer por que há empresários bem-sucedidos e outros não. Contudo, segundo Veronesi (2012), os investigadores afirmam ter encontrado as qualidades que definem uma pessoa empreendedora, que fazem parte de um estudo recente.
Com o objetivo de identificar traços de personalidades comuns aos empreendedores, investigadores da Target Training International realizaram um estudo que comparou novos empreendedores com histórias de sucesso e fracasso. Depois de avaliadas as habilidades de cada um, foi comparado seu desempenho com o de um grupo de controlo. O resultado revela a existência de um conjunto de habilidades em comum entre os indivíduos com tendência para o empreendedorismo. “Fomos capazes de prever com precisão de mais de 90% quais pessoas se tornariam empresárias de sucesso” comentou Bill J. Bonnstetter (apud Veronesi 2012, s/n.).
Segundo a pesquisa, são características fundamentais para um/a empreendedor/a a persuasão -- para Bonnstetter, os empresários que possuem essa qualidade se destacam dos demais pela sua capacidade de convencimento, pois conseguem mudar a opinião, crença ou comportamento dos outros; a liderança -- segundo o estudo, os bons líderes são aqueles que têm visão de futuro e sabem o que fazer para chegar ao sucesso; a responsabilidade pessoal – “as pessoas que são responsáveis olham os obstáculos como parte do processo e, em vez de desistirem, elas são motivadas pelos desafios”, Veronesi (2012, s/n.); o foco definido – os empreendedores precisam de perseguir os seus objetivos mas sem deixar de lado a missão e os valores da empresa; e as competências interpessoais --essas competências são “a cola que mantém as outras quatro em conjunto”, explica Bonnstetter (apud Veronesi 2012, s/n.). "Ela[s] inclu[em] a comunicação eficaz, a construção de contatos profissionais e um bom relacionamento com pessoas de todas as origens, religiões e estilos" Luiza Belloni Veronesi (2012, s/n.).
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Neste estudo, seguiu-se uma definição de empreendedor/a que vai ao encontro dos pressupostos de autores como Rewigema e Venter (2004), Cruz (2005) e Veronesi (2012) tomando o perfil do/a empreendedor/a como alguém pró-ativo, inovador, criativo, persistente, capaz de se tornar um agente de mudança.