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Estimation Methods

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FORECASTING PERFORMANCE

3. Estimation Methods

Foram registradas 83 espécies da herpetofauna: 29 anfíbios da ordem Anura, um Gymnophiona, quatro testudíneos, um crocodiliano, três Amphisbaena, 20 lagartos e 25 serpentes (Tabela 1). Ao comparar esses resultados com da- dos da literatura (Rodrigues, 2003; Garda et al., 2017; Mesquita et al., 2017), a riqueza observada foi menor, porém pode preencher lacunas sobre a distri- buição de espécies da herpetofauna na Caatinga stricto sensu.

Atualmente, encontram-se descritas, para a Caatinga, 79 espécies de Lagar- tos (Mesquita et al., 2017), 11 Amphisbaenia (Rodrigues, 2003; Mott et al., 2009), quatro Testudines, três Crocodylia, 52 Serpentes (Rodrigues, 2003) e 98 espécies de anfíbios (Garda et al., 2017). É importante destacar que a maioria dessas informações está concentrada em áreas protegidas e nos brejos de altitude, diferentemente das áreas investigadas nesse trabalho que estão inseridas na Caatinga stricto sensu. Essa diferença na riqueza, prova- velmente, é devido às características estruturais particulares entre as locali- dades estudadas.

Vale destacar que ao longo desses anos, o monitoramento da herpetofauna nas áreas do empreendimento do PISF ampliou a distribuição de espécies anteriormente subestimadas (Vieira et al., 2012; Ribeiro et al., 2012; Gogliath et al., 2015; Lantyer-Silva et al., 2016), contribuindo para o conhecimento da distribuição de espécies de anfíbios e répteis da Caatinga.

Analisando os dados coletados, a maior riqueza foi para os anfíbios anuros (n = 29), seguido de serpentes (n = 25) e lagartos (n = 20) e com relação à abundância, foram registrados 83.456 indivíduos de anfíbios e répteis duran- te o monitoramento das áreas PISF (Tabela 1).

Os lagartos foram mais abundantes com as espécies Ameivula ocellifera,

Tropidurus hispidus e T. semitaeniatus se destacando (Tabela 1). Os anuros Physalaemus cicada, Leptodactylus macrosternum e Rhinella jimi foram mais

abundantes (Tabela 1).

No geral, as espécies mais abundantes foram também as mais frequentes (Tabela 1). Esse resultado foi semelhante aos encontrados na literatura que

reforçam a facilidade de espécies generalistas colonizarem rapidamente áre- as impactadas, o que pode explicar essa frequência nas amostragens (Rodri- gues, 2003; Mesquita et al., 2017; Garda et al., 2017). O aumento populacio- nal dessas espécies pode ser preocupante quando levado em consideração que aquelas com uso de micro-hábitat mais restrito podem sofrer desvanta- gem ao competir por recurso (Rodrigues, 2003).

Igualmente, é importante destacar a presença de espécies com distribuição relictual (Acratosaura mentalis, Enyalius bibronii e Psychosaura agmosticha) e endêmicas (Ceratophrys joazeirensis, Phyllopezus periosus, Thamnody-

nastes almae e Tropidurus cocorobensis). Essas espécies são mais sensíveis

às alterações de hábitats porque utilizam micro-hábitats específi cos. Deste modo, a redução ou destruição desse recurso infl uencia na permanência des- sas espécies em ambientes alterados por atividades humanas.

Dentre essas espécies, o lagarto endêmico Tropidurus cocorobensis, que possui adaptação à vida em ambientes psamófi los (Rodrigues, 2003) apre- sentou variações na sua abundância durante e após o alagamento de um dos reservatórios monitorados. O adensamento de espécies durante o alaga- mento de reservatórios é comum e pode ser explicado pela busca por refúgio nas margens desses ambientes (Pavan, 2007). Uma das consequências do adensamento de espécies é a competição (Amorim, 2015). Contudo, é ne- cessário o estudo a longo prazo para avaliação desse efeito para espécies com padrão de distribuição relictual, levando em consideração a restrição de hábitat desses organismos, além de características ecológicas e evolutivas de cada grupo (Rodrigues, 2003).

Com relação às serpentes, a maioria das espécies desse grupo apresen- tou menor abundância, algumas com apenas um indivíduo registrado como

Micrurus leminiscatus e Apostolepis longicaudata, por exemplo (Tabela 1).

O registro de serpentes é considerado ocasional devido às características ecológicas do grupo, como hábito fossorial, crepuscular e crípticos (Guedes, 2012). Assim, inferir com segurança a infl uência dos efeitos desse empreen- dimento sobre serpentes seria precipitado devido à escassez de informações populacionais para esse grupo.

Tabela 1. Espécies e abundância registradas nas Unidades Amostrais do PISF no

período de 2012 a 2017. Total - Total de indivíduos registrados para cada espécie; FO - Frequência de ocorrência e classifi cação das espécies de acordo com a pro- porção de registros: MF - Muito frequente (>50%), F - Frequente (50-25%), e PF - Pouco frequente (<25%). Táxon Anos Total FO (%) 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Amphibia Anura Bufonidae

Rhinella granulosa (Spix, 1824) 12 138 375 722 2283 233 3763 100 (MF)

Rhinella jimi (Stevaux, 2002) 92 219 511 551 2407 150 3930 100 (MF) Ceratophryidae

Ceratophrys joazeirensis Mercadal de

Barrio, 1986 2 2 17 (PF)

Hylidae

Corythomantis greeningi Boulenger, 1896 1 18 19 39 225 25 327 100 (MF)

Dendropsophus gr. microcephalus 16 16 17 (PF)

Dendropsophus minutus (Peters, 1872) 10 10 17 (PF)

Dendropsophus nanus (Boulenger, 1889) 136 37 31 47 251 67 (MF)

Dendropsophus soaresi (Caramaschi &

Jim, 1983) 1 1 17 (PF)

Hypsiboas raniceps Cope, 1862 8 14 100 105 67 24 318 100 (MF)

Scinax pachycrus (Miranda-Ribeiro, 1937) 50 50 17 (PF)

Scinax gr. ruber 256 252 262 561 424 269 2024 100 (MF) Leptodactylidae

Leptodactylus caatingae Heyer & Juncá,

2003 1 2 3 33 (F)

Leptodactylus fuscus (Schneider, 1799) 99 171 18 83 172 14 557 100 (MF)

Leptodactylus cf. latrans 4 27 12 43 50 (F)

Leptodactylus macrosternum Miranda-

-Ribeiro, 1926 142 227 801 1963 1309 658 5100 100 (MF)

Leptodactylus natalensis A. Lutz, 1930 39 39 17 (PF)

Leptodactylus spixi Heyer, 1983 1 1 17 (PF)

Leptodactylus troglodytes A. Lutz, 1926 54 277 163 598 379 146 1617 100 (MF)

Leptodactylus vastus A. Lutz, 1930 26 41 41 48 45 19 220 100 (MF)

Physalaemus cicada Bokermann, 1966 26 409 984 2038 2298 708 6463 100 (MF) Physalaemus gr. cuvieri 6 40 43 318 5 412 83 (MF)

Physalaemus kroyeri (Reinhardt & Lütken,

1862 “1861”) 6 98 150 33 1 16 304 100 (MF)

Physalaemus nattereri (Steindachner,

1863) 15 15 17 (PF)

Táxon

Anos Total FO (%)

2012 2013 2014 2015 2016 2017

Pleurodema diplolister (Peters, 1870) 7 166 530 454 1991 332 3480 100 (MF)

Pseudopaludicola pocoto Magalhães, Lo-

ebmann, Kokubum, Haddad & Garda, 2014 78 1647 303 761 745 213 3747 100 (MF) Microhylidae

Dermatonotus muelleri (Boettger, 1885) 2 180 73 87 158 47 547 100 (MF) Odontophrynidae

Proceratophrys gr. cristiceps 1 184 989 19 6 4 1203 100 (MF) Phyllomedusidae

Pithecopus nordestinus (Caramaschi,

2006) 4 18 30 211 199 57 519 100 (MF)

Pipidae

Pipa carvalhoi (Miranda-Ribeiro, 1937) 1 20 8 70 15 2 116 100 (MF) Gymnophiona

Siphonopidae

Siphonops paulensis Boettger, 1892 1 1 17 (PF) Reptilia

Testudines Chelidae

Mesoclemmys tuberculata (Lüderwaldt,

1926) 12 8 9 6 16 7 58 100 (MF)

Phrynops geoffroanus (Schweigger, 1812) 2 50 2 9 1 1 65 100 (MF) Kinosternidae

Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) 2 7 3 12 50 (F) Testudinidae

Chelonoidis carbonarius (Spix, 1824) 3 5 2 6 16 67 (MF) Crocodylia

Alligatoridae

Caiman latirostris (Daudin, 1801) 1 2 3 33 (F) Squamata

Sauria"Lagartos" Gekkonidae

Hemidactylus brasilianus (Amaral, 1935) 29 94 95 205 54 69 546 100 (MF)

Hemidactylus mabouia (Moreau de

Jonnès, 1818) 1 4 2 7 50 (F)

Lygodactylus klugei (Smith, Martin &

Swain, 1977) 162 307 361 629 212 199 1870 100 (MF) Phyllodactylidae

Gymnodactylus geckoides Spix, 1825 162 883 534 916 316 218 3029 100 (MF)

Phyllopezus periosus Rodrigues, 1986 13 30 21 55 75 102 296 100 (MF)

Phyllopezus pollicaris pollicaris (Spix,

1825) 26 290 126 369 337 146 1294 100 (MF)

Continuação.

Táxon

Anos Total FO (%)

2012 2013 2014 2015 2016 2017 Mabuyidae

Brasiliscincus heathi (Schmidt & Inger,

1951) 6 20 19 12 6 4 67 100 (MF)

Psychosaura agmosticha (Rodrigues,

2000) 2 6 2 4 13 18 45 100 (MF)

Iguanidae

Iguana iguana (Linnaeus, 1758) 7 14 14 27 48 17 127 100 (MF) Leiosauridae

Enyalius bibronii Boulenger, 1885 1 1 2 33 (F) Polychrotidae

Polychrus acutirostris Spix, 1825 1 2 3 33 (F) Tropiduridae

Tropidurus cocorobensis Rodrigues, 1987 6 5 181 50 16 258 83 (MF)

Tropidurus hispidus (Spix, 1825) 869 1548 2076 4852 1909 1503 12757 100 (MF)

Tropidurus semitaeniatus (Spix, 1825) 942 1776 1560 4306 2001 1542 12127 100 (MF) Gymnophtalmidae

Acratosaura mentalis (Amaral, 1933) 2 2 4 33 (F)

Micrablepharus maximiliani (Reinhardt &

Luetken, 1862) 10 9 6 3 28 67 (MF)

Vanzosaura multiscutata (Amaral, 1933) 20 153 61 87 24 22 367 100 (MF) Teiidae

Ameiva ameiva (Linnaeus, 1758) 35 48 28 68 12 4 195 100 (MF)

Ameivula ocellifera (Spix, 1825) 672 1905 2370 6542 1718 1511 14718 100 (MF)

Salvator merianae (Duméril & Bibron,

1839) 20 17 19 42 12 15 125 100 (MF)

Amphisbaenia Amphisbaenidae

Amphisbaena alba Linnaeus, 1758 1 4 5 33 (F)

Amphisbaena lumbricalis Vanzolini, 1996 1 1 2 33 (F)

Amphisbaena vermicularis Wagler in Spix,

1824 4 3 7 33 (F)

Serpentes Leptotyphlopidae

Epictia borapeliotes (Vanzolini, 1996) 8 3 1 12 50 (F) Boidae

Boa constrictor Linnaeus, 1758 5 3 7 10 3 2 30 100 (MF)

Epicrates assisi Machado, 1945 1 2 1 1 5 67 (MF) Colubridae

Leptophis ahaetulla (Linnaeus, 1758) 1 1 17 (PF)

Oxybelis aeneus (Wagler in Spix, 1824) 1 3 2 1 7 67 (MF) Continuação.

Táxon

Anos Total FO (%)

2012 2013 2014 2015 2016 2017

Tantilla melanocephala (Linnaeus, 1758) 1 1 2 33 (F) Dipsadidae

Apostolepis cearensis Gomes, 1915 2 1 1 1 5 67 (MF)

Apostolepis longicaudata Gomes in Ama-

ral, 1921 1 1 17 (PF)

Boiruna sertaneja Zaher, 1996 2 1 3 33 (F)

Erythrolamprus poecilogyrus (Wied, 1825) 1 3 4 33 (F)

Erythrolamprus viridis (Günther, 1862) 2 6 1 1 10 67 (MF)

Leptodeira annulata (Linnaeus, 1758) 5 1 2 2 2 12 67 (MF)

Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron &

Duméril, 1854 3 4 5 14 2 2 30 100 (MF)

Philodryas nattereri Steindachner, 1870 9 11 15 39 19 18 111 100 (MF)

Philodryas olfersii (Liechtenstein, 1823) 2 3 1 6 50 (F)

Pseudoboa nigra (Duméril, Bibron &

Duméril, 1854) 1 3 4 3 1 12 83 (MF)

Thamnodynastes almae Franco & Ferreira,

2003 3 3 17 (PF)

Thamnodynastes hypoconia (Cope, 1860) 6 1 7 33 (F)

Thamnodynastes phoenix Franco, Trevine,

Montingelli & Zaher, 2017 2 4 5 11 50 (F)

Thamnodynastes sertanejo Bailey, Thomas

& Silva-Jr, 2005 1 1 17 (PF)

Xenodon merremii (Wagler in Spix, 1824) 1 1 17 (PF) Elapidae

Micrurus lemniscatus (Linnaeus, 1758) 1 1 17 (PF)

Micrurus ibiboboca (Merrem, 1820) 3 2 1 2 2 1 11 100 (MF) Viperidae

Bothrops erythromelas Amaral, 1923 1 8 8 3 3 3 26 100 (MF)

Crotalus durissus Wagler in Spix, 1824 5 8 5 9 1 3 31 100 (MF) Total geral de indivíduos registrados 4032 11528 12798 27160 19577 8361 83456

A curva de acúmulo apresentou tendência à estabilização a partir do terceiro ano de coleta (Figura 1). O Bootstrap estimou que 89% das espécies foram registradas e que quatro espécies poderiam ser adicionadas à riqueza (Figura 1). Esse resultado indica que o esforço empregado foi sufi ciente.

O dendograma de dissimilaridade revelou a formação de um agrupamento com 23 áreas e separou o PML 11 dos demais (Figura 2). O PML 11 apresentou similarida- de aproximada de 30% com as demais áreas investigadas, possivelmente devido à estrutura do hábitat que caracterizou uma composição de espécies diferenciada.

Essa área fi ca localizada em Sertânia, no Estado de Pernambuco, e, de acor- do com imagens de satélite, seguidas por vistorias em campo, apresenta uma fi tofi sionomia diferenciada com destaque para cobertura vegetal bem conservada e com 75% da área constituída por caatinga arbórea. Além disso, essa área se encontra situada próximo ao agreste e pode ser infl uenciada por fatores edáfi cos e climáticos dessa microrregião.

As demais áreas apresentaram aproximadamente 40% de similaridade, sen- do as áreas PML 02, PML 03, PML 07; PMN 11, PMN 12 e PMN 13 mais similares (~70%). A riqueza de espécies nessas áreas foi mais semelhante e pode ser refl exo da afi nidade quanto à estrutura de hábitat nessas localida- des, além da proximidade entre as mesmas (PML 02, PML 03, PML 07, PMN 11, PMN 12 e PMN 13).

Figura 1. Curva de acúmulo da herpetofauna registrada nas unidades amostrais do PISF no período de 2012 a 2017.

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