Chapitre II Plans d’expériences optimaux pour la construction de méta-modèles
II.3 Applications
II.3.2 Estimation du coefficient d’échange global d’un cylindre vertical en convection
O modelo raising surgiu como uma alternativa à hipótese transformacional, e se baseia no alçamento da expressão nominal alvo da relativização, quer dizer, a relativização, em todas as estratégias, ocorre via movimento de constituinte, via alçamento.
Segundo Kenedy (2002), o modelo raising foi estabelecido originalmente por Brame (1968), mas foi somente com o trabalho de Kayne (1994) que ele ganhou força entre as pesquisas gerativistas. Segundo essa vertente, “assume-se que o sintagma alvo da relativização é um constituinte da cláusula relativa (CP), alçado de sua posição de base, no domínio do IP56, para a cabeça da relativa, isto é, para spec-CP” (KENEDY, 2002, p.39). Significa dizer que não
é somente afirmar que há alçamento57, pois o próprio modelo tradicional, de alguma forma, assumia isso, mas raising significa alçamento do XP alvo da relativização. Ou seja, no modelo tradicional, quando havia movimento (relativa padrão), este era do pronome relativo, que seria o resultado da transformação do NP alvo da relativização, já no modelo raising, o alvo faz parte da cláusula relativa e é alçado para spec-CP (cabeça da relativa), conforme o modelo a seguir58:
(79) [CP ALVOi [IP ... ti ...]]
Exemplificando com o PB:
(80) O [CP homemi que [IP João convidou ti]]
Por conta disso, alguns conceitos do modelo tradicional são confrontados:
1. A hipótese de que haveria dois NPs é substituída: não há dois NPs, mas um único XP que ocupa posições distintas no percurso da derivação;
2. O alvo da relativização é um NP, porém selecionado por um Determinante, portanto, generalizando, para o modelo raising, o alvo é um DP59;
3. O NP alvo da relativização é um constituinte da cláusula relativa que foi alçado a spec-CP;
4. A relação entre NP e CP, aliás, entre DP e CP60, não se dá por adjunção, mas por complementação.
Portanto, em outras palavras, a hipótese do modelo raising para as relativas restritivas é de que a cláusula relativa (S) é um constituinte do sintagma determinante (DP), relacionado ao seu núcleo (Art). As relativas caracterizam-se pela relação entre Art e S, porém Art não é o alvo da relativização, este continua sendo o NP presente no domínio de S, conforme o esquema61:
57 Por alçamento entende-se o processo pelo qual um constituinte é elevado, alcançando uma posição de
destaque dentro da cláusula.
58 Exemplos de Kenedy (2002, p. 39)
59 DP – Determiner Phrase (Sintagma Determinante).
60 Já que, por esse modelo, é o Determinante que seleciona um NP, este presente no domínio da cláusula relativa
(CP).
(81) a. DP
Art S (N+CP)
Ou melhor:
b. DP
D CP
Isso significa que a relativização é descrita com base nas propriedades de seleção do Determinante (D) em relação à cláusula relativa (CP). Essas propriedades desenvolvem-se por meio de complementação, no âmbito do qual D é o núcleo e CP, o complemento, portanto a sintaxe é [D CP], e não [D NP], como afirma o modelo tradicional.
Outro ponto levantado também nesse modelo refere-se aos sintagmas preposicionados. Com relação a esses, Kenedy nos diz o seguinte:
Não obstante, deve-se ter em conta que tal DP alvo pode ser objeto de uma preposição, e, consequentemente, será dominado por um PP[PP[P[DP]]]. Esta é uma observação
relevante para a caracterização do fenômeno pied-piping, pois, a princípio, quando dominado por um PP, o DP alvo da relativização poderá carregar consigo, no Movimento a spec-CP, o sintagma que o domina (PP). Logo, embora o alvo da relativização seja sempre DP, que contém a expressão nominal alvo da predicação, nem só DPs são alçados na relativização, também PPs podem o ser (KENEDY, 2002, p. 59).
Em vista disso, Kenedy sugere uma revisão da classificação tripartida clássica para as orações relativas. De acordo com ele, as análises de Tarallo (1983) e Kato (1996) não diferenciam os ambientes preposicionados dos não-preposicionados, o que gera algumas incongruências, já que as propriedades de um constituinte preposicionado não são as mesmas de um não-preposicionado, ou seja, há especificidades em cada um desses tipos de ambiente, por exemplo, quando selecionado por uma preposição, o pronome lembrete (resumptivo) não pode ser substituído por uma categoria vazia ( ), concretizada por uma lacuna, pois, com isso, a construção seria agramatical:
(82) *Esse é o homem que eu falei com .
(83) Esse é o homem que eu vi .
Com a finalidade de abranger essas especificidades, a proposta de Kenedy é separar as estratégias em dois grupos:
• Quando o sintagma alvo é um DP, as possibilidades de relativização se concretizam por meio de duas estratégias:
Relativa padrão DP [o homem que eu vi ] Relativa resumptiva DP [o homemi que eu vi elei]
• Quando o alvo da relativização é um PP, o DP regido pela preposição será a cabeça da cláusula, e as possibilidades se concretizam por meio de três estratégias:
Relativa padrão PP [o homem com quem eu falei ] Relativa resumptiva PP [o homemi que eu falei com elei] Relativa cortadora [o homem que eu falei com ]
Procedendo dessa forma, acredita Kennedy que as especificidades de cada estratégia serão contempladas e mais bem analisadas, visto que um ambiente preposicionado difere, em todos os aspectos, de um não-preposicionado.
Quanto ao operador QUE, Kenedy afirma que há uma dificuldade de análise em PB. Há estudiosos que o consideram como complementizador, pois, como ele não manifesta marcas de gênero, número ou caso, sua utilização não sofre restrições, porém, quando se trata de relativas pied-piping, essa classificação muda e passa a ser de pronome relativo, como o faz Tarallo (1983), pelo fato de que, no movimento, o QUE leva a preposição. Há outros, no entanto, que mantêm essa classificação de pronome relativo em qualquer das estratégias, são os casos de Kato (1996) e Kato et all. (1996), pois, se comparado ao complementizador do inglês, that, QUE apresenta mais propriedades de um pronome, por exemplo, em inglês, that não pode ser usado numa construção pied-piping, pois tal construção articula preposição e pronome relativo62:
62 Exemplos do próprio autor.
(84) * This is the pen with that I wrote the book.
Já em português, uma construção com o QUE em substituição ao relativo o qual é totalmente possível:
(85) a. Esta é a caneta com que escrevi o livro. b. Esta é a caneta com a qual escrevi o livro.
Isso acarreta as dificuldades em classificá-lo. Kenedy afirma que, em termos de economia derivacional, é mais coerente defender a classificação do QUE como complementizador, pois, segundo ele, a seleção do QUE complementizador implica a ocorrência de apenas uma operação Move (alçamento do DP para a cabeça da relativa), ao passo que, como pronome relativo, o processo envolveria dois alçamentos (alçamento do DP para a cabeça da relativa e alçamento do NP dominado por DP a spec-DP). Pelo fato de que o usuário opta praticamente pela estratégia mais econômica, é mais coerente defender a classificação de complementizador.
Essa é também a nossa hipótese, a de que o QUE, nas pseudorrelativas, está perdendo seu estatuto de pronome relativo e passando a operar apenas como conector de orações, como complementizador.
Com relação aos sintagmas preposicionados, o fato de o QUE levar ou não consigo a preposição é evidência de que há, de fato, apagamento da preposição nesse trajeto, ela é deslocada com o operador, porém, em algum ponto, é apagada no componente fonético (FF). Acredita Kenedy, baseado em Kayne (1994), que esse apagamento da preposição se deve à agramaticalidade de estruturas com prepositional-stranding (preposição-órfã) no PB.
Em línguas românicas, um elemento regido por preposição não pode ser deslocado de sua posição de base deixando in situ a preposição que o rege, diferente do que acontece com as línguas germânicas, em que esse processo é totalmente gramatical:
(86) a. João falou com quem? b. Com quem João falou? c. *Quem João falou com?
d. O homem com quem João falou. e. *O homem que(m) João falou com.
Com as línguas germânicas, isso é totalmente possível:
(87) a. To whom did John talk? b. Who did john talk to?
c. The man to whom John talked. d. The man who John talked to.
Por tal observação, em português, quando o elemento regido por preposição é deslocado, esta tem de ser deslocada junto com ele, do contrário, a construção não se valida gramaticalmente. Isso proporcionou, segundo Bagno (2001)63, o apagamento da preposição, pois, ao se deslocar para um lugar que elas normalmente não ocupam, abre-se margem para tal apagamento, gerando a chamada relativa cortadora, conforme exemplo64:
(88) a. Encontrei o livro. Referiste ao livro. Posição natural: referiste a.
b. Encontrei o livro a que referiste. Posição nova: a referiste.
c. Encontrei o livro (a) que referiste.
Bagno afirma ainda que a ocorrência tão frequente da estratégia cortadora deve-se ao fato de que o ouvinte/leitor é capaz de reconhecer a preposição apagada, e o falante se vale sempre desse reconhecimento de seu interlocutor. Esse é um forte indício de que a preposição não é registrada na FF, porém continua presente na FL, e os usuários reconhecem isso.
Esse fenômeno de apagamento da preposição, segundo Kennedy (2002), é visto como uma simetria: se o DP na base é uma lacuna, P é apagada; mas, se o DP na base é um resumptivo, P é realizada, conforme os exemplos:
(89) [DPO [CP homemi que [IP eu falei [PP com [DP elei]]]]]
(90) [DPO [CP homemi que [IP eu falei [PP com [DP ti]]]]]
63 Apesar de Bagno não ser gerativista, achamos interessante sua observação a esse respeito e decidimos citá-la
para explicar esse processo.
Esse comportamento simétrico é a explicação para a não ocorrência deprepositional-stranding (preposição-órfã) em PB. Nas línguas em que ela é gramatical, a cópia de base do DP pode sofrer apagamento independente de P, consequentemente, o apagamento de P não é licenciado nessas línguas, quer dizer, a estratégia cortadora não é gramaticalmente permitida:
(91) a. [DP The [CP mani that [IP I talked [PP to [DP ti]]]]]
‘O homem que eu falei com’
b. *[DP The [CP mani that [IP I talked [PP to [DP ti]]]]]
*‘O homem que eu falei’
Como o apagamento da preposição, decorrente do apagamento da cópia do DP na base, é o fenômeno, segundo tantas pesquisas linguísticas na área, de maior frequência, acreditamos que esse foi o ambiente em que se desenvolveu a pseudorrelativa, pois, com o QUE assumindo um papel de complementizador, sua recorrência é permitida, gerando assim uma estrutura na qual se podem inserir infinitos sintagmas permitidos pela recursividade, conforme o exemplo de Bechara (1999):
(4) Ali está o homem que eu pensei que tivesse desaparecido.
Destituindo o QUE de (co)referencialidade, abre-se espaço para que seja usado como introdutor de orações (nossa hipótese principal).