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II. MATERIELS ET METHODES

II.3. ESSAIS BIOLOGIQUES

Seguem-se os resultados alcançados com a aplicação da metodologia de geoprocessamento e dados obtidos em trabalhos de campo na análise das transformações ocorridas no uso do solo que tiveram ação direta com a exploração de hidrocarbonetos.

5.3.1 - Clareiras de apoio à prospecção sísmica (CAS) e outras feições

A partir das informações contidas em cada classe do PI, foram aplicados os algoritmos de “Medidas de classes” e “tabulação cruzada” do Spring. Obtiveram-se as medidas de áreas dos PI que abrangem a mesma cena TM/Landsat (vide Figura 4.2) e mensuraram-se os valores de área, medidos em km2, de cada classe. Esses valores de áreas fornecem os indicativos principais para se mensurar as transformações ocorridas no uso do solo ao longo do período estudado, decorrentes da exploração de hidrocarbonetos na PPU e em suas proximidades.

Os PI utilizados são os que constam da Tabela 5.1, a partir do sul do município de Coari, começando pela cena TM/Landsat 233/64, seguindo pela 1/64 e assim por diante.

A Tabela 5.4 apresenta os valores de áreas de cada classe obtidos com o algoritmo “medidas de classes” do Spring, para os PI abrangidos pela cena TM/Landsat 233/64, em um período compreendido entre 1985 e 2003.

Tabela 5.4 – Áreas desmatadas para apoio às atividades de prospecção sísmica – Área da cena TM/Landsat 233/64

Ano Quantidade de feições Áreas das classes das feições (km2)

CAS helipontos poços estradas pistas de pouso

CAS helipontos poços estradas pistas de pouso 1985 112 0 0 0 0 1,47 0 0 0 0 1987 212 0 0 0 0 2,57 0 0 0 0 1999 595 0 0 0 0 7,93 0 0 0 0 2003 654 0 0 0 0 8,89 0 0 0 0

CAS = Clareiras de apoio à prospecção sísmica

Os dados da Tabela 5.4, na área da cena TM/Landsat 233/64, apontam para dois fatos. O primeiro é que as únicas transformações no uso do solo feitas pelas atividades da Petrobrás foram às aberturas de clareiras para apoio às atividades de prospecção sísmica (CAS), não se observando outras ações que implicassem desmatamento ou remoção parcial da cobertura vegetal como para abertura de estradas, construções de helipontos etc.

O segundo fato é que o desmatamento para abertura dessas clareiras foi crescente a partir de 1985, de tal maneira que tanto como o número de clareiras abertas bem como a sua área desmatada quase que sextuplicou, apesar de não ser esta a área no município em que essas atividades foram mais intensas.

Em prosseguimento a análise dos valores de classes, a Tabela 5.5 apresenta os valores de áreas de cada classe obtidos com o algoritmo “Medidas de Classes” do Spring, para os PI abrangidos pela cena TM/Landsat 1/64, em um período compreendido entre

1987 e 2003.

Tabela 5.5 – Áreas desmatadas para apoio às atividades de prospecção sísmica – Área da cena TM/Landsat 01/64

Ano Quantidade de feições Áreas das classes das feições (km2)

CAS helipontos poços estradas pistas de pouso

CAS helipontos poços estradas pistas de pouso

1987 323 0 0 0 0 2,79 0 0 0 0

1999 560 1 0 0 0 5.03 0,26 0 0 0

2003 726 1 0 0 0 6,37 0 0 0 0

CAS = Clareiras de apoio à prospecção sísmica

A exemplo do apresentado na Tabela 5.4, observa-se pelos valores da Tabela 5.5 que desmatamento para abertura dessas clareiras foi crescente a partir de 1987, de tal maneira que o número de clareiras abertas mais do que dobrou e a área desmatada para abertura dessas clareiras quase que triplicou. Apesar de que, em 2003, a área desmatada ter sido inferior na área da cena TM/Landsat 1/64 em relação ao da cena TM/Landsat 233/64, o número de clareiras aumentou, o que logicamente se deduz que estas clareiras possuíam dimensões menores.

Observa-se também na Tabela 5.5 o surgimento de uma nova feição, denominada de heliponto. A Figura 5.12 foi obtida diretamente do Spring da imagem TM/Landsat _1/64 de 08/09/2003, apresenta suas dimensões em metros, e observam-se duas colorações: amarelo intenso que é solo completamente exposto sem vegetação e a outra em um tom de verde mais claro, que significa que o desmatamento aí deixou uma cobertura de vegetação rasteira no solo; fato este confirmado, em entrevista com o Gerente de SMS da UN-BSol, o Engo. Jorge Amorim (Petrobrás, 2004 (c)), que declarou que a mesma era deixada para uma posterior “regeneração” da cobertura florestal, em um procedimento similar para as clareiras de apoio à prospecção sísmica (CAS). Essa possível “regeneração” da cobertura florestal não se confirmou pelo exame das imagens, em todas as cenas TM/Landsat de 2003.

Figura 5.12 – Feição heliponto, obtida da imagem TM/Landsat 01/64 de 08/09/2003. A Tabela 5.6 apresenta os valores de áreas de cada classe obtidos com o algoritmo “medidas de classes” do Spring, para os PI abrangidos pela cena TM/Landsat 01/63, em um período compreendido entre 1985 e 2003.

A área da cena TM/Landsat 01/63 é a que abrange, em sua totalidade, a PPU e uma parte do poliduto Urucu - Coari. Pelos valores apresentados na tabela 5.6, já em 1987 era considerável o número de clareiras abertas na floresta para apoio à prospecção sísmica, em torno de 1.027 com 9,30 km2 de desmatamento. Em 1999 este número mais do que duplica tanto no número de clareiras como em área desmatada, atingindo 2.361 CAS com 23,06 km2 de desmatamento. Estes números continuaram a crescer, apesar das informações que as atividades da prospecção sísmica foram interrompidas em 2000, atingindo valores de 2.721 CAS com 27,65 km2 de desmatamento.

Tabela 5.6 – Áreas desmatadas para apoio às atividades de exploração de hidrocarbonetos na PPU – Área da cena TM/Landsat 01/63

Ano Quantidade de feições Áreas das classes das feições (km2)

CAS helipontos poços pistas de pouso CAS helipontos poços pistas de

pouso

1987 1027 3 0 0 9,30 0,49 0 0

1999 2361 30 37 1 23.06 3,14 4,74 2,61

2003 2721 30 77 0 27,65 3,14 6,00 2,61

CAS = Clareiras de apoio à prospecção sísmica

No que tange ao número de helipontos, o crescimento foi acentuado de 1987 para 1999, atingindo-se o número de 30 com 3,14 km2 de desmatamento, estabilizando-se esse número em 2003.

Há de se ressaltar que a resolução espacial de 30 metros da imagem TM/Landsat não permite uma diferenciação entre os helipontos e os poços de petróleo em áreas adjacentes, ou

ocupando a mesma área. Os poços sofreram um crescimento acentuado em seu número, de 1987 para 2003, atingindo o número de 77, abrangendo os campos petrolíferos Rio Urucu (RUC) e Leste de Urucu (LUC), com 6,00 km2 de área desmatada (vide tabela 5.6).

A Figura 5.13 apresenta, em sua parte superior, uma sucessão de ampliações obtidas do SPRING, sobre a imagem TM/Landsat 01/63 de 19/07/2003. Na Figura aparecem três feições: um heliponto, uma pequena estrada e uma clareira para apoio à prospecção sísmica (CAS). Observa-se na terceira ampliação que clareira possui dimensões da ordem de 130m x 170m, que pelo exame visual de todas as imagens TM/Landsat pesquisadas, pode ser considerado como sua média em dimensões nas CAS abertas no município de Coari.

Ainda na Figura 5.13, na fotografia de sua parte inferior, trata-se um outro heliponto, com uma clareira de sísmica, também nas proximidades da PPU. A referida fotografia foi obtida por meio de um sobrevôo em que especialistas contratados pela Petrobrás fizeram sobre a região (Petrobrás, 1989). Esta feição possui dimensões um pouco maiores do que a apresentada na Figura 5.12. Observa-se nesta fotografia que as partes desmatadas retilíneas são para aproximação do helicóptero do local de ponto de pouso (a área de solo exposto sem vegetação).

Figura 5.13 – Ampliações sucessivas, feitas na tela do monitor do Spring, das feições heliponto, estrada e CAS, sobre a imagem TM/Landsat 01/63 de 30/08/2003. Na parte inferior trata-se de um heliponto próximo a PPU, em fotografia obtida em 1989.

A Tabela 5.7 apresenta os valores de áreas de cada classe obtidos com o algoritmo “medidas de classes” do Spring, para os PI abrangidos pela cena TM/Landsat 233/63, em um período compreendido entre 1985 e 2003.

Tabela 5.7 – Áreas desmatadas em km2 para apoio às atividades de prospecção sísmica – Área da cena TM/Landsat 233/63

ANO CAS Helipontos (km2) CAS (km2) Helipontos (km2)

1985 94 0 1,13 0 1987 747 2 10,81 0,25 1995 1676 5 23,55 0,85 1997 1809 6 30,56 0,88 1998 1990 6 32,87 0,89 2000 1950 6 31,68 0,89 2003 1781 6 29,25 0,89

CAS = Clareiras de apoio à prospecção sísmica

Pelos valores apresentados na Tabela 5.7, entre 1985 a 2000, observou-se de forma similar ao acontecido em outras áreas do município de Coari, um crescimento considerável do número de clareiras abertas na floresta para apoio à prospecção sísmica (CAS). De 1985 para 1987 este crescimento foi quase oito vezes maior; de 1987 para 1995 mais que dobrou. De 1997 para 1990 o número de clareiras aumentou em 181 e não houve desmatamento para abertura de helipontos, mantendo o seu número fixo em seis até 2003.

Ao considerar que as atividades da prospecção sísmica foram interrompidas em 2000, houve uma diminuição no número de clareiras CAS de 2000 para 2003, o que poderia se presumir um crescimento de vegetação secundária nas áreas desmatadas. Para se confirmar esta hipótese de crescimento, utilizaram-se os algoritmos de análise espacial denominado “estimador de densidade Kernel”, “tabulação cruzada” e “programação em Legal”.

O emprego do “estimador de densidade Kernel” obedeceu à metodologia citada no item 4.4. A partir do PI “sísmica00_233/63”, utilizando-se parâmetros do algoritmo como: tamanho do pixel da grade a ser gerada, largura da banda (distância aproximada entre duas clareiras CAS) e utilizando-se, também, os polígonos de CAS, obteve-se um novo PI, em formato temático, com quatro classes de densidade “Kernel”, a saber: baixa, moderada, alta, e intensa, associadas às suas respectivas cores. A classe de densidade intensa é aquela com maior concentração de polígonos de CAS, decrescendo essa concentração para a classe alta, moderada e baixa, respectivamente.

A Figura 5.14 apresenta o resultado obtido com o “estimador de densidade Kernel” sobre a imagem TM/Landsat 233/63 de 08/09/2003. É possível se observar os alinhamentos das linhas de prospecção sísmica obtidos a partir do posicionamento das CAS. Pode ser observado que a maior concentração de CAS acontece na área próxima a maior curvatura do

traçado do poliduto Urucu - Coari. Algumas considerações sobre o traçado do poliduto, baseadas na continuidade dos resultados da análise espacial no Spring, serão tecidas mais adiante.

Figura 5.14 – Linhas de sísmicas obtidas com o “estimador de densidade Kernel”. Após definição de como se foram feitos, pelas equipes da Petrobrás, os lineamentos de prospecção sísmica, pode-se continuar com a análise espacial para se determinar, no caso específico dos valores da Tabela 5.7, quais clareiras CAS existiam em 2000 e desapareceram em 2003. Para isto utilizou-se do algoritmo “tabulação cruzada”. Os PI utilizados foram o “sísmica00_233/63” e o “sísmica00_233/63”, que a priori, tiveram que ser “rasterizados” utilizando o algoritmo “transformação vetor-matriz” do Spring, pois o cálculo de áreas é feito a partir do formato matricial. A Tabela 5.8 apresenta os seus valores de áreas para cada uma de suas feições digitalizadas, em um período compreendido entre 2000 e 2003.

Tabela 5.8 – Cruzamento de dados das feições dos PI “sísmica00_233/63” com “sísmica03_233/63” utilizando o algoritmo “tabulação cruzada” do Spring Feição Áreas das classes das feições (km2)

CAS 2003 Heliponto 2003

CAS 2000 29,25 0

Heliponto 2000 0 0,89

Comparando os dados da Tabela 5.8 com os da Tabela 5.7 observa-se que em relação à feição helipontos não houve alterações de áreas desmatadas entre 2000 e 2003. Com relação à feição CAS, 29,25 km2 de área desmatada pelo total de suas feições em 2000 coincidem

com a feição CAS no ano de 2003; isto significa que são as mesmas feições neste intervalo de tempo. Todavia, na Tabela 5.7 observa-se que existiam 31,68 km2 da feição CAS em 2000 e 29,25 km2 da feição CAS em 2003, que significa uma redução de 2,43 km2 em dois anos. Estes números podem apontar para uma regeneração da cobertura vegetal, o que não significa uma volta à sua condição inicial antes do desmatamento e, sim, com uma cobertura vegetal suficiente que não permitiu discernir da vegetação original adjacente. Assim, essas feições das CAS puderam ser detectadas nas imagens TM/Landsat 233/63 de 15/09/2000, mas não na imagem de 08/09/2003.

A existência das CAS na imagem de 2000 e sua não-existência na imagem de 2003 apontam para duas possibilidades: a) regeneração de parte da cobertura vegetal ou b) presença de cobertura de nuvens em 2003. Para se localizar essas CAS, presentes em 2000 e ausentes em 2003, utilizou-se o algoritmo de análise espacial de álgebra de mapas, no Spring, com o emprego da linguagem Legal (linguagem espacial para geoprocessamento algébrico), citada no item 3.2.1.

Com a aplicação da linguagem Legal, inserida no módulo de análise espacial do Spring, é definida uma nova categoria (modelo de dados), do tipo temático, com uma classe que permitirá se mapear e contabilizar as clareiras CAS que deixaram de existir em 2003 e que existiam em 2000. Em seguida é definido o nome do PI que conterá a feições desejadas, no caso, as clareiras CAS que, a princípio, tiveram a sua vegetação regenerada. Após a definição do modelo de dados: variáveis, categoria, classe e PI; define-se a relação entre as variáveis e as classes que contêm as CAS no PI “sísmica00_233/63” e “sísmica03_233/63”, utilizando-se operadores booleanos que irão executar a álgebra de mapas. Seguem-se as linhas de comando do programa Legal utilizado:

// variação das clareiras de apoio à prospecção sísmica entre 2000 e 2003 {

//Definindo as variáveis e suas categorias

Tematico sismica00("clareiras"), sismica03("clareiras"), mud("mud_sismica");

//Recuperando planos

sismica00=Recupere (Nome = "sismica00_233/63"); sismica03=Recupere (Nome = "sismica03_233/63"); //Criando novo plano

mud=Novo(Nome="mud_sismica00_03", ResX=30, ResY=30, Escala=60000); //Definindo as relações entre classes

mud= Atribua (CategoriaFim = "mud_sismica") {

"novo": (sismica00.Classe == "poligono_sismica_00" && ! sismica03.Classe == "poligono_sísmica_03")

}; }

"poligono_sismica_00" && ! sismica03.Classe == "polígono_sismica_03") é, basicamente, informar quais são as CAS que existiam em 2000 e não existiam em 2003 (operadores booleanos && e !).

A Figura 5.15 apresenta a localização dessas clareiras (CAS) sobre a imagem TM/Landsat 233/63 de 08/09/2003. Observa-se na figura que as CAS apresentam uma resposta espectral similar à cobertura florestal ao redor, o que dificulta sobremaneira suas localizações nas imagens TM/Landsat. É interessante comparar a Figura 5.15 com a Figura 5.6 em que aparecem as CAS com solo exposto.

Figura 5.15 – Resultado da aplicação do Legal: Ampliação do PI com as clareiras de apoio à prospecção sísmica (CAS) que foram regeneradas de 1987 para 2003.

Durante o trabalho de campo realizado na PPU em abril de 2005, foi possível se visitar uma das primeiras CAS abertas na região, provavelmente em 1985. A mesma apresenta uma área de 1088 m2,centrada nas coordenadas geográficas de latitude = 04o 53' 33”,14 sul e longitude = 65o 18' 02”,35 oeste (medidas no campo por rastreio GPS), localizada na margem esquerda da estrada que liga os campos de petróleo Rio Urucu (RUC) e Leste do Urucu (LUC), próxima ao poço de petróleo RUC-10.

A Figura 5.16 apresenta em sua parte superior duas fotografias obtidas no local, em que é possível se observar à floresta secundária que surgiu no local, caracterizada por troncos mais finos. É possível se ver na fotografia superior direita, em seu canto esquerdo, um tronco caído da cobertura florestal original. Na parte inferior da Figura observam-se duas ampliações da mesma área: à esquerda com a imagem TM/Landsat 01/63 de 30/08/2003 e à direita com a

imagem Ikonos de 2000. A CAS apresenta uma resposta espectral mais clara na imagem TM/Landsat em virtude das bandas espectrais serem da região do infravermelho próximo e médio, ao invés da imagem Ikonos cujas bandas espectrais são da região do visível.

Figura 5.16 – Clareira de apoio à prospecção sísmica (CAS) aberta em 1985. Parte superior: fotografias no local mostram a regeneração parcial com vegetação secundária. Parte inferior: Localização da CAS nas imagens TM/Landsat de 2003 e Ikonos de 2000.

Como observação final na abertura das clareiras para apoio à prospecção sísmica (CAS), ressaltando o abordado no capítulo um, existe o risco potencial à população rural do município de Coari devido à probabilidade de ocorrência de acidentes com explosivos que foram empregados nos pontos de tiro das linhas de prospecção sísmica e que ainda não foram acionados. Segundo gráficos constantes em Rezende, Gomes e Pombo (2004), no município de Coari existem áreas de risco com os cinco níveis citados.

Os resultados obtidos com as localizações da CAS podem fornecer subsídios à ANP e à Petrobrás que facilitem a localização desses explosivos, contribuindo para se diminuir os riscos que poderão advir com os mesmos, que por não terem sido desativados, podem se tornar em verdadeiras minas terrestres, com riscos de provocar acidentes à população rural do município.

5.3.2 - Transformações no uso do solo ocorridas na área da Planície Petrolífera de Urucu (PPU)

A região da PPU de 1987 para 2003 sofreu profundas modificações no uso do solo, conforme os valores apresentados na Tabela 5.6. A Figura 5.17 apresenta essas modificações obtidas pelo processamento das imagens TM/Landsat de 02/08/1987 e 30/08/2003, no Spring.

Figura 5.17 - Transformações no uso do solo da Província Petrolífera de Urucu: a) em 1987; b) em 2003.

Conforme pode ser observado na Figura 5.17, essas transformações no uso do solo foram de grande envergadura, abrangendo uma área de 65,4 km de extensão ao longo do rio Urucu, fazendo que a PPU se transformasse em um verdadeiro enclave de exploração petrolífera na floresta.

O diagrama da Figura 5.18, produzido pela Petrobrás, apresenta um mapa simplificado da PPU, com posicionamento de suas principais instalações. A principal estrada construída pela Petrobrás na região é a que liga porto Urucu ao porto Evandro, asfaltada com 69 km de extensão e atravessa os campos petrolíferos do Rio Urucu (RUC) e Leste de Urucu (LUC), cortando trechos dos igarapés da Lontra e do Macaco. A PPU possui ainda 67 km de estradas não asfaltadas.

A PPU, na situação de enclave, não possui vínculo de dependência com a sede do município de Coari. Seu principal abastecimento, tanto de material como de serviços é feito por via fluvial, por meio de balsas que navegam pelo rio Urucu para transporte equipamentos, componentes pesados e veículos, ficando reservado por via aérea, basicamente, o transporte para pessoal.

Figura 5.18 – Diagrama da PPU.

Fonte: Gerência de Operação e Produção da Petrobrás na PPU.

A Figura 5.19 apresenta uma fotografia obtida durante o trabalho de campo de abril/2005, com uma das balsas que fazem o transporte de equipamentos, atracada em porto Urucu.

Figura 5.19 – Balsa de transporte de equipamentos atracada em porto Urucu, na PPU. Fonte: Trabalho de campo – Abril de 2005.

Existe por parte da Petrobrás uma preocupação com o replantio das áreas desmatadas na PPU, o que a faz manter uma unidade voltada à recuperação de orquídeas, bromélias e outros tipos de vegetação local. A Figura 5.20 apresenta uma fotografia da parte externa da

unidade de replantio na PPU, com mudas de diversas árvores endêmicas da região a serem replantadas.

Figura 5.20 – Unidade de replantio (“orquidário”) da vegetação endêmica da PPU. Fonte: Trabalho de campo – Abril de 2005.

A Petrobrás construiu uma verdadeira mini-cidade para seus 1300 trabalhadores na PPU. A Figura 5.21, que apresenta um detalhe do arruamento existente na base de apoio da PPU, que possui uma usina de asfalto para fazer o recapeamento das estradas locais.

Figura 5.21 – Pista de cooper na base de apoio - PPU Fonte: Cáuper (2000)

Em complemento a Figura 5.17, a Figura 5.22 apresenta quatro ampliações da imagem Ikonos de setembro de 2000, abrangendo a pista do aeroporto, o pólo Araras, a base de apoio (onde ficam alojamentos, prédios administrativos etc) e o alojamento “Tucano”. Essas

ampliações estão com maior detalhamento devido à resolução espacial dessas imagens corresponder a um metro no terreno.

Figura 5.22 – Ampliações de setores da PPU obtidos com a imagem Ikonos/set2000. Fonte: Cedidas pela empresa Space Imaging Co.

A Figura 5.23 apresenta quatro fotografias obtidas durante o trabalho de campo de abril de 2005. Na parte superior esquerda consta um trecho da estrada que liga a base de apoio ao pólo Araras. Na parte superior direita consta uma vista elevada do citado pólo, tendo em primeiro plano as esferas de armazenamento de GLP e o queimador principal de gás natural ao fundo. Na parte inferior esquerda consta uma vista de uma das três unidades de processamento de gás natural (UPGN) existentes no pólo; e, na parte inferior direita consta o primeiro queimador de gás natural (GN), ambas obtidas no pólo Araras.

Figura 5.23 – Pólo Araras na PPU: a) trecho da estrada que liga a base de apoio ao pólo Araras; b) vista elevada do pólo Araras e esferas de GLP; c) vista de unidade de GPN; d)

primeiro queimador de gás natural. Fonte: Trabalho de campo: Abril de 2005.

A Figura 5.24 apresenta duas fotografias obtidas também durante o trabalho de campo de abril de 2005, onde se observa nas proximidades do primeiro queimador de GN um pequeno lago, que na ocasião possuía uma lâmina de petróleo, e verifica-se a existência de barreiras de contenção de óleo em sua superfície. Em uma instalação industrial como é a PPU, que lida com elementos de elevado potencial de poluição, apesar de todos os cuidados

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