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V ERIFICATIONS / CORRECTIONS COMPLEMENTAIRES DES DONNEES BANCARISEES

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3. COMPARABILITE – FIABILITE DES RESULTATS

3.4 V ERIFICATIONS / CORRECTIONS COMPLEMENTAIRES DES DONNEES BANCARISEES

A caraterização dos prestadores informais de cuidados será feita quanto ao sexo, classe etária, escolaridade, situação profissional e grau de parentesco com o utente (Tabela 4).

Tabela 4.

Caraterização sociodemográfica dos prestadores de cuidados

Variáveis/categorias N % Sexo (n=160) Masculino Feminino 31 129 19,4 80,6 Classe etária (n=160) Adultos e meia idade até aos

64 anos Idosos ≥ 65 anos 95 65 59,4 40,6 Escolaridade (n=160) Analfabetos 1.º Ciclo 2.º Ciclo ou mais 20 103 37 12,5 64,4 23,1 Condição perante o trabalho

(n=160) Activo Não ativo 43 117 26,9 73,1 Parentesco com o utente

(n=160) Filhos/filhas Cônjuges Outro parentesco Sem parentesco 62 53 20 25 38,8 33,1 12,5 15,6

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Pela observação da tabela verifica-se que a maioria dos prestadores de cuidados (80,6%), pertence ao sexo feminino e a classe etária predominante é a dos adultos e meia idade, situada entre os 18 e 64 anos (59,4%). A média da idade é de 60,75 anos, o desvio padrão é de 14,598 anos, sendo o valor mínimo de 24 anos e o máximo de 93 anos. Importa referir que 22,7% dos prestadores de cuidados têm mais de 75 anos de idade. A evidência salienta o facto de muitos idosos cuidarem de idosos (Grelha, 2009), o que também se verifica no presente estudo. Estes dados são igualmente confirmados num estudo acerca de cuidar idosos dependentes no domicílio, de Araújo et al., (2009) em que 91,7% dos entrevistados pertence ao sexo feminino e 27% dos indivíduos têm mais de 65 anos de idade, proporções que são superiores às do presente estudo no caso do sexo, mas bastante inferiores no que se refere à classe etária dos prestadores de cuidados.

No que diz respeito à escolaridade, constatamos que a maioria dos prestadores de cuidados desta amostra (64,4%) possui o 1º ciclo, destacando-se que existem 12,5% de analfabetos. Estes dados são igualmente confirmados pelo INE (2011), que refere que 25% da população (que corresponde ao nível mais elevado) possui o 1º ciclo, e por um estudo de Machado et al., (2011) que afirmam também que os cuidadores apresentam poucos anos de estudo e não têm formação específica para cuidar. Relativamente à proporção de analfabetos desta população é idêntica à encontrada num estudo realizado na região transmontana por Pereira da Mata, Pimentel e Sousa (2012) que identificaram uma percentagem de cuidadores analfabetos de 11,2%, ligeiramente inferior à obtida no nosso estudo.

Na distribuição dos prestadores de cuidados segundo a condição perante o trabalho verificamos que a grande maioria (73,1%) pertence à população não ativa, embora os restantes 26,9% ainda exerçam uma atividade profissional, a que acresce o papel de prestador de cuidados. A população não-ativa de prestadores de cuidados informais é constituída, essencialmente, por reformados (38,8%) e domésticas (33,1%). Estas constatações são igualmente verificadas por Calvário et al., (1999) quando referem que Portugal é o país da Europa onde existe uma maior percentagem de trabalhadores (39,8%) a acumular a tarefa de cuidar de alguém.

Relativamente ao parentesco do prestador de cuidados com o utente dependente, registamos que o maior grupo de prestadores de cuidados (38,8%) é constituído pelos filhos ou filhas dos dependentes, enquanto apenas 12,5% dos prestadores de cuidados têm outros parentescos com os dependentes, nos quais incluímos os netos, sobrinhos, irmãos, genros e noras. É de

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salientar que 15,6% dos prestadores cuidados não têm qualquer parentesco com os utentes, pressupondo que são amigos ou vizinhos do dependente. O mesmo acontece num estudo conduzido por Karsch (2003) que concluiu que em 98% dos casos o cuidador pertencia à familia da pessoa cuidada, era predominantemente do sexo feminino; sendo que os conjuges desempenhavam esse papel em 44,1% dos casos, seguidos pelas filhas (31,3%). Ou seja verifica-se uma troca de posições entre os conjuges e as filhas/filhos. Uma outra investigação da autoria de Lage (2007) concluiu que pessoas significativas, como os filhos e cônjuges, são os principais responsáveis pelos cuidados informais a idosos em situação de dependência, o que confirma os resultados obtidos. Estudos conduzidos por Imaginário (2002) caraterizam os cuidadores como sendo essencialmente do sexo feminino, esposas e geralmente com mais de 60 anos.

Somos levados a concluir, por estes e outros resultados do nosso estudo que a família permanece como uma instituição que cumpre o seu papel de cuidar dos seus membros dependentes, não obstante as alterações operadas nas dinâmicas familiares ao logo da últimas décadas. Na perspetiva de Pavarini & Neri (2000) há uma expectativa cultural de que a família cumpra esse papel oferecendo proteção e cuidados aos idosos em colaboração com outras instituições sociais.

Relativamente aos utentes dependentes iremos proceder à caraterização da população em relação ao sexo, classe etária, estado civil e área geográfica de residência (Tabela 5).

Tabela 5.

Caraterização dos utentes dependentes

Variáveis/categorias N % Sexo (n=160) Masculino Feminino 61 99 38,1 61,9 Classe etária (n=160) Adultos e meia idade até aos

64 anos Idosos ≥ 65 anos 11 149 6,9 93,1 Estado civil (n=160) Solteiro(a)

Casado(a) Viúvo(a) Divorciado(a) 17 70 73 0 10,6 43,8 45,6 0 Área geografica (n=160) Murça

Candedo Jou Fiolhoso Noura 32 40 48 18 22 20 25 30 11,2 13,8

Pela análise da tabela constata-se que a maioria dos utentes (61,9%), pertence ao sexo feminino e a classe etária predominante é a dos idosos ≥ 65 anos com (93,1%). A média da idade é de 79,6 anos, sendo o desvio padrão de 10,3 anos, estes dados são confirmados num estudo de Machado et al. (2011) onde se observou que a respeito dos familiares cuidados no

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domicílio, estes apresentam idades acima dos 61 anos. Observamos uma grande amplitude na distribuição da variável, já que o dependente mais novo possui 40 anos de idade (valor mínimo) e o mais velho apresenta 99 anos de idade (valor máximo). As estatísticas também confirmam os resultados por nós obtidos, que nos permitem afirmar que as diferenças entre sexos são explicadas como consequência da sobremortalidade masculina e a desigualdades na duração média de vida, favorável às mulheres. Com efeito, na segunda metade do Séc. XX (1950 a 2000) a esperança de vida em Portugal subiu de 55,8 para 73,3 anos para os homens e de 61 para os 80,3 anos no caso das mulheres; mantendo-se esta tendência na primeira década do Séc. XXI (Oliveira & Mendes, 2010).Nesta linha, vários estudos realizados junto de amostras de idosos dependentes apontam para a preponderância do género feminino. Assim, Araújo et al., (2011) encontraram um predomínio do género feminino (62%), muito idêntica aos valores que obtivemos e Torres, Reis, Reis, Fernandes, Alves, Silveira e Mascarenhas (2009) uma frequência de mulheres de 70 %.

No que se refere à distribuição dos utentes dependentes por estado civil, verifica-se que, dos 160 utentes estudados, o maior grupo são viúvos (45,6%) e casados (43,8%), sendo que não existe nenhum divorciado, estes resultados estão em linha com os dados do INE (2011) que referenciam que em Portugal, há uma predominância de indivíduos casados (47%); relativamente aos divorciados, a região Norte é aquela que apresenta menor percentagem (4,5%), facto que justifica na nossa população não existir nenhum dependente divorciado. Relativamente ao grupo dos viúvos estes resultados são confirmados por um estudo de Gonçalves (2010) num estudo acerca de famílias de idosos da quarta idade, que obteve na caraterização da sua população de idosos, relativamente ao estado civil, 51,2% de viúvos, proporção ligeiramente acima da nossa.

Quanto à área geográfica, verifica-se, que a maioria dos utentes (30%) reside na freguesia de Jou e a minoria em Fiolhoso (11,2%) e Noura (13,8%), dados de alguma forma validados pelos Censos 2011, indicativos que relativamente ao concelho de Murça o índice de dependência mais elevado pertence à freguesia de Valongo de Milhais, 594,7% (área geográfica de Jou) e o índice de dependência mais baixo pertence à freguesia de Noura, 171,2% (área geográfica de Noura).

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4.2. Dados relativos à documentação no sistema de apoio à prática de

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