2.4 Harmonic measures
2.4.3 Ergodic theorems
O edifício do Banco de Portugal foi inaugurado a 30 de Abril de 1928, e o estudo da sua implantação data de 20 de Abril de 1920.316
312 AHMP – D-CMP/9(320)-LO-0907-1921, fl. 58 – Requerimento, 27.7.1921.
313 AHMP – D-CMP/9(320)-LO-0907-1921, fls. 60 e 63 – Pareceres, 3.8.1921 e 12.8.1921. 314 AHMP – D-CMP/9(320)-LO-0907-1921, fl. 65 – Licenciamento da obra, 2.9.1921. 315
AHMP – D-CMP/9(358)-LO-1465-1922, fls. 267 e 270 – Requerimento e Licenciamento da obra, 4.9.1922 e 24.10.1922. 316 BPB-UM – Banco de Portugal, Agência em Braga. Estudo de Implantação. Documento nº 76, em tratamento.
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Instalado na Praça da República, no gaveto com o Largo de S. Francisco, o Banco foi considerado pela imprensa bracarense como uma grandiosa afirmação de arte, bom gosto e beleza.
Uma obra que impõe um arquitecto e atesta o valor e o progresso incontestáveis da nossa indústria.317
O edifício é composto por três pavimentos, no entanto, na altura da sua inauguração, todos os serviços do Banco estavam concentrados no r/c – um amplo átrio, severamente decorado a mármores
formando painéis, com portadas em ferro e metal, dá acesso por meio de uma porta giratória em madeira e vitrais de cristais, ao grande hall de operações. Neste pavimento ficavam instalados os
serviços de Expediente, Tesouro, Tesouraria e, separados por uma grande empanada de madeira de
castanho e de cristal, os serviços de Contabilidade. Junto a esta estavam os Gabinetes dos Directores e
Sala de Receber, também magnificamente decorados com ricas tapeçarias e com mobiliários de belo
efeito e bom gosto. Os serviços sanitários tinham a mesma condizente instalação.318
O r/c foi amplamente descrito pela imprensa local, destacando os materiais usados na construção e decoração dos interiores e fazendo alusão aos artistas e empresas responsáveis por esta
peça, verdadeiramente grandiosa pela sua sumptuosidade, que não fere nem se impõe por um luxo
desmedido, conjuga-se harmonicamente com a sobriedade das linhas gerais do edifício.319
Numerosas colunas e pilastras em mármore amarelo e capitéis em bronze sustentam o andar superior. Os tectos com um centro liso e uma cimalha discretamente ornamentada. As casas fortes estavam limitadas por uma galeria de vigilância, sendo amplas e oferecendo garantias de segurança.320
Destacam Moura Coutinho, autor do projecto do grandioso edifício, cujas obras o colocaram
já num plano dos nossos melhores arquitectos mas que com esta sua bela realização o consegue como
um artista de mérito inconfundível.321
O engenheiro José Abecassis Júnior, que superiormente superintende nos serviços de obras do
Banco, (...), concorrendo para que Braga tivesse um dos melhores edifícios bancários do País,322 foi
também quem acompanhou as obras do Banco de Portugal no Porto.323
O mobiliário foi da responsabilidade de hábeis artistas bracarenses, como Soares Barbosa & Irmão, Faustino & Barros, e as oficinas de Souza Braga, Filho. Os cristais foram fornecidos pela casa José da Silva Esperança & Filho.
317
In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 318 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 319 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 320 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 321 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 322 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928.
323 Em 1917 inicia-se o processo para a instalação da Filial do Porto num edifício condigno. O primeiro passo foi dado com a aquisição de um
terreno à autarquia local, na Praça da Liberdade. No ano seguinte, outro terreno é adquirido também à CMP. Em 1918, o anteprojecto para o novo edifício será entregue aos arquitectos Ventura Terra e José Teixeira Lopes. A morte destes dois arquitectos, em 1919, veio interromper a sua colaboração nestes trabalhos. Em Junho de 1922 o projecto definitivo é apresentado pelo engenheiro José Abecassis Júnior, baseado em linhas gerais no anteprojecto daqueles arquitectos, tendo sido aprovado. Em 23 de Abril de 1934, o edifício é inaugurado e a caixa Filial muda- se para as instalações, onde hoje se encontra. Informação cedida pelo Arquivo Histórico do Banco de Portugal, em Lisboa.
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A Direcção do Banco de Portugal, mereceu também destaque da imprensa local, que ao mandarem fazer este edifício em Braga, terra tão esquecida dos poderes, mas que por si e pelo seu
esforço, pelo seu comércio e pela sua indústria, caminha para um grande futuro, (...) quis fazer justiça devida - dotando-a com edifício condigno. Dignos de reconhecimento foram, também, os directores da
Agência em Braga.324
A grandeza das suas instalações interiores corresponde com a mais exacta harmonia à
majestade do seu aspecto exterior. Tudo foi pensado para comodidade do público e do pessoal: desde o
aquecimento à iluminação, com uma área superior envidraçada, integrando-se bem no carácter que
deve ostentar uma casa bancária.325
Ao nível de documentação gráfica, para além do estudo de implantação, apenas tivemos acesso ao alçado que dá para o Largo de S. Francisco, datado e assinado por Moura Coutinho, a 9 de Dezembro de 1927, aquando de um pedido de alteração da fachada em consequência de uma modificação numa escada interior.
Possivelmente receoso de alguma crítica ao seu trabalho, por a escada ter ficado recortada na janela, informa-nos que a modificação requerida, somente altera a forma sem na essência alterar a
ideia que prezidiu a esta parte do projecto. […] a modificação feita tem por fim dar luz para o vestíbulo da casa forte. Ainda assim, recorre a citações de autores, “autorizados” para justificar esta
decisão em obra, como Ch. Blanc e Luis Cloquet: A conveniência, diz Ch. Blanc, é a arte de apropriar
um edifício ao seu destinho e de escolher para todos os seus membros a forma que se preste melhor à sua função. […] E Luis Cloquet, fallando nas formas de estructura real diz “As formas de estructura real são as que acusam os meios effectivos de construção e que mostram a expressão verdadeira da organisação architectural”. E acrescenta pelas suas palavras que há a notar que a discordância é n‟um simples detalhe que não altera a forma geral d‟esse corpo. Mas quando assim fosse isso somente daria mais carácter ao edifício, porque lhe traz maior expressão, pois que é uma forma de utilidade, ou
conveniência, que se acentua.326
O edifício forma gaveto virado para a Praça da República, destacando-se a união das duas fachadas com cúpula sobre torreão, encimado por duas esculturas em bronze. Amplas janelas rasgam cada um dos alçados, tendo o que está virado para o Largo de S. Francisco sete vãos por piso, todos de verga recta com excepção de um no canto superior direito, que tem arco de volta perfeita, enquanto o
324 In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. O directores da agência em Braga eram António de Vilhena e José Gomes da Silva Matos de Souza Cardoso.
325
In Correio do Minho – A Agência do Banco de Portugal, 29.4.1928. 326 AMB – OG10, Processo 106/927 – [Nota justificativa], 9.12.1927.
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alçado para a Praça da República tem três vãos por piso, sendo os do rés-do-chão de verga recta e os outros em arco de volta perfeita.
De salientar que interiormente o edifício é composto por três pavimentos, mas exteriormente estão marcados apenas dois, rematadas por larga cornija. No entanto, exteriormente é perceptível essa divisão interna a partir das janelas altas do 2º andar e visível nos lanços de escadas em duas dessas janelas. Les encorbellements des tourelles d‟escaliers à vis.327
De gosto nitidamente clássico de influência francesa, este Banco impõe-se pela sua imponência e monumentalidade para as Praças a que dão os seus alçados.