1.1 Results on periodic orbits
1.1.1 Construction of K. Kuperberg’s plug
Acabamos de estudar o nascimento da Ordem e a carto grafia das casas. Vejamos agora a constituição orgânica e o f u n c i o n a m e n t o da instituição.
Toda a instituição necessita de uma lei orgânica. A Ordem de S.Jerónimo seguia a regra de Santo Agostinho, a in_ dicação do Papa Gregório XI. A chamada regra de Santo Agos-
tinho não é mais que um pequeno conjunto de princípios muito gerais, consignados em sete capítulos, que tratam designada- mente do seguinte: do amor de Deus e do próximo e da comuni- dade dos bens (Cap. I); da oração, necessidade do jejum, e da abstinência, e da leitura no refeitório (Cap. II); conse-
lhos ascéticos sobre o olhar (Cap.III); normas gerais sobre o vestuário, saídas dos monges e sobre os livros (Cap.IV); do perdão das ofensas (Cap.V); da obediência (Cap.VI); das
obrigações dos prelados (Cap.VII)
A Regra não dá normas escritas sobre cada acto con- creto da vida em comunidade, nem muito menos sobre a admini£
tração dos mosteiros. Necessário se tornou, por conseguinte, que, a pouco e pouco, se fossem estabelecendo normas precisas que regulamentassem até ao pormenor a vida das casas. Assim, a par da Regra, nasceram os Estatutos ou Constituições. Por elas se regulava o governo da Ordem, de acordo com uma cer- ta estrutura. 0 governo dos mosteiros e da Ordem em geralera assegurado pela autoridade, distribuída segundo uma determi- nada hierarquia. No topo estava o provincial. Era a autorida_ de maior, eleito pelos priores e procuradores dos mosteiros.
Poderia ser eleito entre todos os priores da Ordem, e esta- belecia residência na casa onde acabava de ser prior. Segun- do a primitáa redacção dos Estatutos, do bispo de Silves, o Provincial seria permanentemente o prior de Penhalonga.Porém,
(1) - Sobre a Regra de Santo Agostinho cf. Luc VERHEIJEN, La Règle de
a bula da aprovação dos Estatutos, de Paulo II, exclui essa constituição, estabelecendo que o Provincial fosse escolhido entre todos os priores da Ordem. Com a fundação do mosteiro de Santa Maria de Belém e o aparecimento dos Estatutos "no- vos", as condições de eleição do Provincial foram alteradas. Estabelece-se agora que o provincial da Ordem, nestes Reinos de Portugal, seja sempre Prior do mosteiro de Nossa Senhora de Belém, "por quanto foi tomado em cabeça da Ordem" (Est. II) " e eleito pelos priores e procuradores da Ordem e pelo procu rador e 3 monges presbíteros, professos do mosteiro de Belém, com a justificação de que, neste caso, elegiam simu ltaneamejn te o Provincial e o prior de uma casa. Por isso, era feita no próprio mosteiro de Belém, no domingo segundo depois da Páscoa, quando se lia o Evangelho Ego sum pastor bonus. Di- zia-se a missa do Espírito Santo com comemoração de Nossa Senhora e S.Jerónimo (Est.VII). 0 exercício do provinciala- do durava um biénio, segundo as disposições da bula de LeaoX. Durante esse tempo cabia ao provincial todo o poder que ti-
nha o capítulo provincial. Dele devia usar "sempre havendo Deus diante seus olhos" renunciando a "todo o ódio e favor", deixando iradiar de si honestidade e observância de religi- ão. Era ajudado no desempenho das suas funções pelo Defini- tório, ou conjunto de seis definidores, de cujas atribuições estava excluído fazer novos estatutos ou constituições ou alterar as já vigentes. 0 mau exercício do seu oficio podia ser punido pelo capitulo provincial. 0 provincial, bem como os definidores e visitadores, não podiam mudar qualquer fra de de um mosteiro para outro contra sua vontade, sobretudo se fosse com carácter definitivo. Os frades professos "per- tenciam" a casa em que tinham professado. Todavia, por ra- zões ponderosas, como a fundação de um novo mosteiro, podiam- -se mudar temporariamente, o máximo até ao próximo capítulo provincial. Mas sempre com ponderação e mesura segundo os Estatutos "antigos" (Est.IV) e tinham lugar no mosteiro on- de o Provincial estivesse (Est.III).
anos. Segundo os Estatutos "novos" celebravam-ss de dois em dois anos e neles tomavam parte todos os priores e procura- dores dos mosteiros [Est. IV) e realizavam-se no mosteirode Belém, salvo, por razões graves, como fome ou peste.
As relações entre o Provincial e os monges estavam determinadas nas Constituições (Est. XVII). Os monges podiam escrever ao seu provincial. Se a carta denunciava alguma coi_ sa digna de emenda acerca do prior ou do convento ou de al- gum frade da casa onde é professo, o prior era obrigado a enviá-la, ã custa do mosteiro, e sob pena de ser punido gra vemente, a critério do provincial ou dos visitadores. Fora destes casos, não era obrigado a enviar carta alguma. Toda- via, qualquer frade, sem despesa da casa, podia escrever ao provincial. Devia comunicar o facto ao prior, mas não o que tinha escrito nem sobre que tinha escrito. Nenhum prior ou frade podia abrir ou 1er as cartas do provincial para os re
ligiosos e, menos ainda, as destes para o provincial. Por força do conteúdo das cartas o provincial poderia ter que actuar. Devia fazi-lo imediatamente. Porém, se viesse a ve- rificar que o frade escrevera coisas injustas, que "não orno veo causa legitima de escrever sobre o tal caso", então, de_ via puni-lo gravemente, "de tal maneira que seja enxempro aos outros".
Segundo os primitivos estatutos os priorados dura- vam 3 anos. Pela bula de Leão X passam a durar apenas dois, a contar da confirmação da eleição. Os priores, uma vez elei^ tos, podiam ser constrangidos pelo provincial ou pelos con- firmadores a aceitar o cargo. Terminado o período de exerci^ cio da função podia regressar à casa donde era professo ou continuar no mosteiro onde exercera o priorado (Est.XIX). Os poderes que lhes cabiam estavam consignados nas Constitui^ ções. Não tinham poderes descricionários. Além das normas eg tabelecidas em direito que tinham de respeitar, eram enqua- drados por um pequeno grupo de conselheiros, três no mínimo, Para os assuntos mais graves requeria-se o consentimento do capitulo, como por exemplo, vender, trocar ou arrendar por
longo tempo as propriedades do mosteiro. Nas coisas leves e "mais acostumadas" os priores não necessitavam consultar nin guém (Est. XVIII).
Os priores podiam executar as penas das culpas gra- ves e mais graves, quando não houvesse dúvida quanto ã res- ponsabilidade do deliquente; aliás, devia ouvir o conselho dos deputados (Est. XXI).
Podiam também, por si só, dispensar, mudar ou tempe rar as culpas graves; porém, quanto às culpas mais graves, deviam recolher o conselho dos deputados. "E encarregamos as consciências dos Priores que em poor, agravar, dispensar, commutar e temperar as ditas penas, e assy mesmo as conscien cias dos ditos deputados em dar conselho se aiam discreta- mente tendo a deos diante dos olhos, pospoendo todo amor e favor, ódio, e temor e qualquer outro impedimento". Para dis pensar, perdoar, mudar ou temperar a culpa gravíssima requ£ ria-se conselho do capítulo ou maior parte dele (Est.XXII).
Todos os priores dos mosteiros eram obrigados a to- mar parte no concílio provincial. Só o caso de doença dis- pensava ou "outra muy legitima cauza", e, então, poderia en viar seus procuradores. A ausência sem razão justificante arrastava consigo punições mais ou menos graves, a critério do concílio provincial (Est. IV).
0 lugar dos priores, assim como dos procuradores,no capítulo provincial»respeitava a antiguidade das casas. Uma ressalva era feita para o procurador de Belém: precedia to- dos os procuradores dos conventos, por ser Belém a cabeça da Ordem. Contudo, os procuradores dos priores tinham prece_ dência sobre todos os outros, o de Belém inclusive (Est.V). A comunidade era constituída por frades clérigos e por frades leigos. Aqueles tinham sempre a precedência so- bre estes. Os frades clérigos podiam ser ou não de ordem sa era. estes não deviam ser recebidos a tratar de assuntos que pertencem ao capítulo (Est. XXXII). Excepcionalmente, fra- des leigos, que, no século, eram pessoas notáveis em estado, podiam ser chamados a dar conselho, mas conselho somente.
Cada convento devia enviar ao concílio um procurador, "um frade presbítero dos mais idonios e discretos que forem em a casa". A escolha fazia-se por eleição, em escrutínio se creto. Ao que obtivesse maior número de "vozes" (votos) ca- bia exercer as funções de procurador. Se dois monges tives- sem "vozes" iguais, ao prior cabia escolher "qual segundo sua consciência vir que he mais ydonio e discreto para ser pro- curador". 0 prior não tinha voto nesta eleiçãos apenas lhe cabia a escolha em caso de empate. Devia, contudo, estar pre sente ao acto para lhe garantir disciplina e honestidade. Quando um mosteiro, por qualquer razão, não podia enviar um dos seus membros como procurador, podia escolher um mongede outro mosteiro, na condição de que este não estivesse repre sentado por mais que dois procuradores. Mesmo que represen- tasse dois mosteiros, o procurador não tinha mais que um v£ to. Os priores e conventos que, sem legítima justificação, não enviassem procuradores, eram objecto de sanções, a cri- tério do capítulo.
As Constituições estabeleciam um código penal.As ape lações contra o capitulo provincial ou privado, contra os vi sitadores, priores ou mesmo vigários da casa, eram susceptjl veis de sanções. Se o faltoso era de ordens sacras, perdia o direito de voz no capítulo durante um ano, e tomava-seiná bil para o exercício de qualquer função dentro da Ordem, pe- lo período de três anos. Ficava, além disso, suspenso a d"ivl_
nis até que humildemente satisfizesse àquele que ofendera.Se
fosse leigo ou de ordens menores, no refeitório sentar-se-ia no chão, três dias por semana, a pão e água e, por sobre tu- do isto, era encarcerado durante dois meses.
0 capítulo provincial tinha poderes para agravar ou afrouxar a tonalidade das penas.
Penas rigorosas eram aplicadas aos frades fugitivos, aqueles que, contra mandamento do Prior ou sem licença pas-
savam a cerca do mosteiro com vontade de fugir ou de cometer algum malefício (Est. XXXVIII).
Se regressassem antes de 5 dias recolhia ao cárcere durante igual período de tempo e recebia diariamente uma dis ciplina no refeitório. Se voltasse dpois de 5 dias e antes de quarenta, recolhia ao cárcere durante dez dias e, nos pri meiros cinco, recebia uma disciplina; após quarenta dias e antes de 1 ano, devia jazer no cárcere durante quarenta dias, com disciplina diária no refeitório e, à sexta-feira, no C£ pítulo de culpas.
Penas estavam previstas também para os reincidentes pela segunda, terceira e mesmo quarta vez.
Quanto aos definidores, os Estatutos "novos" não os querem adoptar. Limitam-se, todavia, a tolerá-los; "como es tava antigamente". Os definidores do capítulo provincial eram seis: três priores e três procuradores. Eram eleitos. Duraji te o concílio provincial, juntamente com o provincial, cabia -lhes "instituir, ordenar, e definir todas as cousas que,se gundo Deus e boa observância da nossa ordem, virem ser mais proveitosas em esse capítulo provincial". Os seus poderes terminavam com o Concílio, salvo aa, pelo mesmo concilio, fossem prorrogados ainda por alguns dias.
Entre um concilio e outro, entravam em acção os vi- sitadores» Tinham um papel importante. Eram escolhidos, no último dia do concílio, entre "presbíteros tementes a Deus, discretos e zeladores da Santa Religião". Pertencia- lhes, du_ rante o biénio que mediava entre um concílio e o seguinte, visitar as pessoas e mosteiros da ordem que lhes fossem de- signadoss para emendar ou corrigir as negligências e exces- sos assim dos priores como dos frades da ordem (Est.XIV)acon tecidas após a última visitação,ou até mesmo anteriores,mas que, por quaisquer razões, foram ocultas aos últimos visita_ dores. Podiam privar do priorado, em certos casos de força maior: heresia, renúncia manifesta, pecado carnal, delapid£ ção dos bens do mosteiro, por furto, homicídio, grave sacr_i légio, perjuro» conspiração contra a disciplina da ordem ou contra os estatutos do capitulo provincial, falsificação de
letras apostólicas, de cardials, príncipes e bispos ou dos priores da ordem, obtenção de graças ou previlégios contra os Estatutos da Ordem, etc..
Nestes casos graves, os visitadores, após terem pr£ cedido à privação do ofício, deviam proceder à eleição de no vo prior.
Todos os mosteiros deviam ser visitados uma vez em cada biénio, para que se conservassem em estado de boa reli^ gião. Os visitadores congregavam em capitulo o prior e fra- des do mosteiro. Pedia-se-lhes que fossem "cuidadosos" e"di. ligentes",mas "avisados"; que se informassem acerca dos prio res "com grande instância e diligência" e "sem afeição de pessoas": se eram carnais ou muito seculares, se davam bom exemplo aos súbditos, na regularidade ao coro e nas abstinêjn cias da ordem, se faziam guardar os estatutos do capítulo provinciais se saíam muitas vezes do mosteiro, se eram solí_ eitos e discretos no regimento da casa e isto no que respei_ tava ao espiritual como ao temporal. Na realidade "peros Pri£ res se esforça ou desfalece a ordem". Apontavam o que enten_ diam necessitar de emenda e correcção. Deveriam além disso informar-se sobre a "paz da casa, isto é, sobre as relações de uns com os outros, do prior com os frades e detectar as raízes das perturbações para as eliminar. E dos frades era necessário saber como se haviam na observância da ordem - no que respeita a pobreza, castidade, obediência e reverência ao prior, do respeito mútuo, do silêncio nas horas G tempos devidos, na assiduidade e fidelidade ao ofício divino, no res_ peito das abstinências,' se os presbíteros celebram frequen- temente, se os frades guardam a honestidade religiosanas con versas entre si, com os hóspedes ou com os seculares.Os pr£ blemas temporais da casa não eram passados em silêncio: de- viam saber se a casa estava endividada e quanto devia (não perguntando, contudo, a quem). As inquirições eram feitas "apartadamente" a cada um dos frades, assim do Prior comode uns e outros. 0 que necessitasse de emenda devia ser corri- gido e, na medida do possível, não deviam deixar para o con
cílio privado ou para o provincial os negócios que pudes- sem resolver. Tudo terminado, deviam logo despedir-se do mojs teiro "porque no muito falar não se escusa pecado".
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Desde o reinado de D. Manuel, como vimos, por breve do Papa Leão X, de 1517, o prior de Belém era simu Itaneamer^ te o Provincial da Ordem. Verificou-se, porém, que este re- gime trazia inconvenientes. 0 Provincial, solicitado pelas obrigações de prior de Belém, não podia visitar as casas da Província que estavam rematas umas das outras. De resto, as funções de Prior de Belém, cabeça da Ordem, eram já de si absorventes, dado o grande número de monges e ainda o gran- de número de estrangeiros,que,quotidianamente,demandava o porto de Lisboa. Perante estas e outras dificuldades» o Ca£ dial Infante D. Henrique, legado a latere, por autoridade apostólica, nomeou visitadores da Província Fr. Jerónimo de Lisboa, prior do mosteiro de Penhalonga, e Fr. Manuel de ÉV£ ra, "pessoas antigas, de muita religião e confiança".Dos au toe das visitações constava da conveniência em alterar al- guns estatutos e constituições antigas, postos que confirrna das por bulas apostólicas, e ordenar e prover algumas coi- sas mais importantes.
Habilitado com autorização pontifícia ( bula de 15 de Dezembro de 1573), o Cardial D. Henrique e os referidos visitadores, examinados os estatutos e bulas da Ordem, de- terminam o seguinte:
1. Pelos inconvenientes que advêm do facto de o oficio de Provincial andar junto com o de Prior do mosteiro de Be-
lém - pois o Provincial não pode visitar as casas da Províjn cia distantes umas das outras nem cumprir com as demais obri gações do seu cargo, sem prejuizo do bom regimento do mos- teiro que, por ser cabeça da Ordem e ter grande número de religiosos e concurso de gente estrangeira que cada dia de-
manda o porto de Lisboa, tem estrita necessidade deter Prior que nele faça contínua e pessoal residência e entenda no g£ verno da casa - ordenamos que, daqui em diante, os ofícios de Provincial e Prior de Belém sejam distintos e separados um do outro.
2. Atendendo aos muitos "subornos, ódios e diferenças, quebras de religião e outros inconvenientes que nascem das eleições dos priores, vigários e outros oficiais das casas da Província serem eleitos pelas comunidades dos mosteiros e não pelo Capítulo provincial, ouvido o parecer de muitos religiosos, ordenamos que, daqui em diante, o Provincial que acabou seu tempo presida no Capítulo até ã eleição de novo Provincial. Este, com os quatro definidores eleitos, prove- rá os Priores.
3. Os visitadores são suprimidos. Com efeito, separa- dos os cargos de Provincial e Prior de Belém, àquele fica tempo para visitar a Província.
4. Que não se tomem noviços senão no Capítulo pelo no vo Provincial e Definidores eleitos e que secriem todos no no viciado de Penhalonga.
5. Em caso de vacatura do provinciado devia o Prior de Belém convocar os outros Priores e mais capitulares para nova eleição, se o titular não tivesse servido metade do tem poj em hipótese inversa, devia chamar os quatro Definidores para a eleição de um Presidente que teria os poderes de Pro vincial até ao próximo capítulo. Estas determinações foram promulgadas a 12 de Março de 1574, no mosteiro de S. Bento de Xabregas.
A bula, conhecida doravante por "bula do Cardial"te_ ve perniciosas consequências e foi origem de graves pertur- bações dentro da Ordem. Fr, Juan de Queimada, nomeado visi- tador e depois Provincial dos mosteiros portugueses,por von tade expressa de Filipe II, deixou-nos uma "relação verda- deira" do sucedido
( l) - Relacion verdadera de lo procedido en la orden de nuestro padre
sont Hieronimo en la província de Portugal. A.M.E., Caixa 13,
As perturbações começaram ainda em vida do Cardial. Alguns religiosos a quem as reformas não agradavam enviaram a D. Sebastião um memorial de queixas contra o Cardial, seu tio. Convencidos de que o monarca não gostava dele, facil- mente admitiram que tomaria partido a seu favor. D. Sebas- tião entregou o memorial a D. Henrique que, mandando chamar os seus autores, desterra uns e priva outros dos seus ofí- cios. Estes, porém, não desistem e, após a morte do Cardia_l -Rei, tentam repor as antigas estruturas de governo da pro- víncia e abandonar a chamada "bula do Cardial". Encontram, desta vez, a resistência do Provincial de então, Fr. Manuel de Évora, que não renuncia e persiste em continuar ate ao fim do seu mandato. A tal ponto subiu a exaltação dos âni- mos que encarceram o Provincial e fecham nas celas os mon- ges que o apoiavam. 0 mosteiro de Belém está divididoem duas facções, ambas renitentes. 0 escândalo corre por Lisboa. Os governadores comunicam o facto ao Legado de Sua Santidade que lhes ordena a libertação do Provincial e obediência como a seu verdadeiro Prelado. Não o fizeram durante dois meses. Fugiam do mosteiro quando sentiam queos vinham prender e vo_l tavam logo que podiam, para alimentar o motim. 0 Legado não teve outra solução que não fosse o recurso ao braço secular Três companhias de soldados dirigem-se para Belém. Libertam o Provincial e prendem alguns dos delinquentes. Outros ti- nham fugido. Os autores principais, como Fr. Manuel Baião, Fr. Jerónimo de Vila Viçosa, Fr. Francisoo de Amieira e Fr. Pedro de Lisboa, foram desterrados para Castela.
Não se ficaram por aqui as dificuldades do rei cat£ lico com os monges de Belém. Desta vez, eram provocadas por razões de ordem política: a Ordem estava dividida em realis_ tas e antonistas.
D. António, prior do Crato, não havia desistido da luta a favor dos seus direitos ao trono de Portugal. Recebi_