DIRECTION DEPARTEMENTALE DE LA COHESION SOCIALE ET DE LA
TITRE 5 : LES EPANDAGES ARTICLE 22 :
Jürgen Habermas, filósofo, sociólogo alemão e integrante da Escola de Frankfurt, também buscou desvendar as origens e as principais características das formas de racionalidade até então discutidas. Entre seus tantos outros interlocutores13 é com Weber, em sua concepção da racionalidade do mundo ocidental, que se dá o contraponto apoteótico de sua crítica. Conforme constatamos, para Weber, a racionalidade moderna é fundamentada na justificativa de que subjaz às ações sociais dos indivíduos interesse com sentidos subjetivos, cujo utilitarismo racional constitutivo de valores morais e éticos alcançaria todas as esferas do social.
Nessa visão, Weber (1982) vê predominar na modernidade um tipo específico de razão técnica e administrativamente burocrática, que pode ser chamada de agir racional com relação a fins ou meios, constituindo-se em um perfeito instrumento de controle social e político posto que as suas normas de ação são justificadas pelos critérios da racionalidade instrumental. A tecnificação da política, da educação, da cultura permitiu que se fortalecesse esse tipo de racionalidade provocando nos indivíduos a perda do controle sobre suas próprias atividades. Assenta-se assim, um ethos de um racionalismo instrumental utilizado como
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Sentimo-nos impelidas a ressaltar a capacidade de Habermas em interagir e articular criativamente construções teóricas e reconstruções históricas a partir do debate com grandes teóricos da tradição do pensamento ocidental: de Marx e Lukács (sobre o marxismo); Weber (teoria social); Durkheim e Parsons (teoria da integração social); Horkheimer, Adorno (críticos da Escola de Frankfurt); Gadamer (hermenêutica); Austin e Searle (teoria dos atos de fala); Husserl (conceito de horizonte); Goffman (interacionismo); Schutz (fenomenologia) Piaget (estruturalismo genético); Luhmann (teoria dos sistemas); Kant (crítica à razão); G. Mead (interacionismo simbólico) M. Mead (teoria da comunicação e psicologia social), Nietzsche, Hegel (modernidade).
instrumento de domínio e manipulação, tanto no espaço das relações sociais quanto no da subjetividade, constituindo-se em efetiva fonte de ameaça à emancipação humana.
É na crítica do ethos estabelecido na ação social weberiana que Habermas tenta ampliar e determinar os espaços que a ação comunicativa pode ocupar nesse campo conceitual. Ele desenvolve o conceito de uma nova racionalidade, assentada na razão comunicativa e estabelece a crítica à teoria crítica das relações sociais na modernidade, tendo como referência básica a linguagem – que para o autor é o fundamento básico da ação social. Nesse sentido, para Habermas a objetividade da ciência também é construída dentro da linguagem concebida como garantia de um livre processo comunicativo, dirigido a conseguir acordos consensuais em decisões coletivas.
Na perspectiva habermasiana, o caráter instrumental da racionalidade desenvolvida por Weber é baseado em uma razão metódica, individualista e subjetiva, que se materializa pelas relações entre sujeito e objeto voltado para o aspecto cognitivo e instrumental visando ao domínio e ao êxito sobre a natureza e os homens. Habermas considera este tipo de racionalidade restrita demais para dar conta dos fenômenos da realidade social. Ao tentar recuperar a universalidade da razão, ele propõe uma teoria de sociedade que reúna os elementos substantivos do conhecimento objetivo do mundo e da subjetividade humana que, intermediados pela linguagem, permita efetivar a interação intersubjetiva e garantir o consenso entre os agentes envolvidos.
Ao integrar conceitos da ciência, da hermenêutica e da filosofia da linguagem, Habermas estudou a razão na sua mais profunda dimensão, buscando uma maior compreensão, possibilidades e limites da racionalidade. Para ele a racionalidade está sempre em estreita ligação com o saber, de forma que os sujeitos dessa racionalidade manifestam o seu querer, as suas intenções em seus enunciados e ações. La estrecha relación que existe
entre saber e racionalidad permite sospechar que la racionalidad de uma emisón o de una manifestación depende de la fiabilidad del saber que encarnan (Habermas, 1987, p.24).
À racionalidade é atribuída a dimensão processual, na medida em que falantes e ouvintes buscam entender-se sobre o mundo objetivo, social e subjetivo. Assim, a intersubjetividade pode ser considerada a mola propulsora da teoria da ação comunicativa por ele proposta, uma vez que a linguagem constitui a categoria fundante para o restabelecimento da razão no interior do pensamento e do conhecimento moderno. A Teoria da Ação Comunicativa14 desenvolvida pelo autor esclarece o poder libertador da razão, de forma a possibilitar liberdade e emancipação. O seu entendimento de racionalidade é assentado na esfera comunicacional, pois que se materializa na ação comunicativa.
Habermas (1987) reinterpreta a ação social sob três tipos básicos de ações coordenadas por intenções (razão) específicas dos indivíduos em sociedade, ou seja, que orientam as decisões em torno das práticas sociais: instrumental, estratégica e comunicativa, conforme mencionado na Introdução desta tese. A ‘ação instrumental’ ocorre quando as decisões racionais são orientadas pelos meios e fins e são consideradas sob os aspectos das regras técnicas da ação, sugerindo eficiência com base no saber empírico. No caso da ‘ação estratégica’ ela é considerada sob o aspecto de escolha racional orientada para o sucesso e sugere eficiência a partir de cálculo valorativo compartilhado. E por fim, a ‘ação comunicativa’ se alicerça nas decisões compartilhadas dentro de um esforço explícito, cuja ação é orientada ao entendimento, constituindo em uma ação social guiada por normas intersubjetivamente válidas, não sujeitas à racionalização técnica.
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Em 1981, Jürgen Habermas publica a sua Teoria da Ação Comunicativa com o propósito de investigar a razão, dando a ela um novo conceito: a razão comunicativa – e o faz em correlação com os processos de racionalização que deram origem à modernidade ocidental. De forma que no volume I o eixo é a ação comunicativa atrelada à razão e no volume II o eixo é o desenvolvimento de um conceito de sociedade em dois níveis que relacione os paradigmas do mundo vivido e do sistema, e que de resto resulta em uma teoria da modernidade que explica as patologias sociais (Habermas, 1987, TI e TII).
Vale destacar uma diferença básica entre a ação estratégica e a ação comunicativa, embora ambas consideradas eminentemente sociais: a ação comunicativa privilegia fundamentalmente o diálogo, a interação entre sujeitos, fato que não ocorre com a ação estratégica, uma vez que ela é orientada pela lógica do monólogo, em que suas regras são escolhidas e utilizadas na consecução da ação, prescindindo de um contexto onde haja a intersubjetividade.
Assim, Habermas faz uma distinção entre ação instrumental, estratégica e ação comunicativa. A ‘ação instrumental’ que predomina nas sociedades modernas é a ação caracterizada pela manipulação, domínio e controle eficaz da realidade, orientada para o êxito, se configurando segundo o autor em ação não-social. A ‘ação estratégica’ é também ação orientada ao sucesso, caracterizada pela avaliação correta das alternativas e das escolhas dos meios de manipulação, porém configurada como ação social com base no saber analítico. E a ‘ação comunicativa’ sugere a compreensão, o diálogo, o entendimento recíproco, porque ela é concretizada pela comunicação entre os sujeitos envolvidos na busca de compreensão entre si, o mundo social, objetivo e subjetivo. Dessa forma, a ação comunicativa reproduz a cultura, a sociedade e a personalidade que formam o alicerce para os atos de entendimento.
Para que a ação comunicativa venha de fato a acontecer, Habermas (1987, p.144) pressupõe as seguintes pretensões de validez:
- de que el enunciado que hace es verdadeiro (o de que en efecto se cumplen las condiciones de existência del contenido proposicional cuando éste no se afirma sino solo se “menciona”);
- de que el acto de habla es correcto en relación con el contexto normativo vigente (o que el próprio contexto normativo en cumplimiento del cual ese acto se ejecuta es legítimo), y
- de que la intención expresada por el hablante coincide realmente con lo que este piensa.
O sentido aparece como um conceito fundamental para a construção de sua teoria sociológica, ao admitir paradigmaticamente que o significado das palavras e enunciados são produzidos em um processo consensual expressando interesses e intencionalidades.
Desse modo, o novo tipo de racionalidade apresentado por Habermas contém em si mesma os germes dos processos emancipatórios inerentes aos indivíduos, nos permitindo pensar dialeticamente em um processo de mudança da razão instrumental para uma razão comunicativa. Para ele os homens são capazes de ação e, para tanto, se utilizam de linguagem para se comunicarem com os seus pares e chegar a um entendimento.
Nessa concepção o entendimento se concretiza mediante o compartilhar de um universo simbólico predominante e nos comportamentos que caracterizam e possibilitam relações recíprocas de boa vontade e de interação em atingir um acordo consensual entre falante e ouvinte, tendo por meio da argumentação o entendimento mútuo do significado da comunicação e da intenção entre os sujeitos sociais envolvidos.
Para Habermas, o conhecimento não acontece na interação solitária do sujeito com o objeto, mas na dinamização da interação social enquanto dimensão ineludível da prática humana. É um abrir de portas para uma reflexão interativa, fruto de um contexto comunicativo intersubjetivamente compartilhado pelos interlocutores de uma argumentação. Para Antunes (2000), essa esfera da intersubjetividade se converte no constructo habermasiano em um momento privilegiado do agir societal.
O conhecimento nessa perspectiva é construído por uma razão dialógica baseada na força da argumentação, estabelecida a partir das experiências de cada sujeito, onde a linguagem desempenha um papel singular como mecanismo de coordenação da ação. É do próprio Habermas (1987) a consideração de que uma teoria da ação mediatizada pela linguagem mostra-se mais útil para a sociologia, quando leva em conta a inserção das instituições da sociedade. Ou seja, quando leva em conta o contexto sócio cultural em que se dão as interações entre os sujeitos na interação cotidiana.
De acordo com Habermas (1987), a linguagem na Teoria da Ação Comunicativa proporciona por meio de aspectos da racionalidade da ação o que ele denomina de tipos
puros de ação orientada ao entendimento: ação pela conversação, ação orientada por normas e a ação dramaturga, além da ação estratégica que, embora não seja orientada ao entendimento, também usa a linguagem como meio de coordenação de ação e de influência sobre decisões alheias. Na ação teleológica (instrumental e estratégica) o conhecimento é utilizável em técnicas e estratégias; a argumentação baseada no discurso teórico e a transmissão do conhecimento é feita via tecnologias e estratégias. Neste caso a relação do homem com o mundo objetivo é orientada a fins e intenções (êxito e eficácia).
Na ação pela conversação, embora o conhecimento também seja teórico-empírico, ele é manifestado pelo discurso teórico considerando-se todas as funções da linguagem (interpretativa, interativa etc). A relação do homem com o mundo objetivo é orientada ao entendimento.
Na ação normativa temos um conhecimento prático moral que é manifestado no discurso prático. O conhecimento prático-moral exige do sujeito raciocínio e motivação que resultará na orientação de comportamentos de acordo com normas. A relação do homem com o mundo social pode ser orientada ao entendimento.
Por fim, na ação dramatúrgica o conhecimento prático estético se manifesta pelas críticas terapêutica e estética. A relação do mundo subjetivo é também orientada ao entendimento (Habermas, 1987, p. 420-428).
Destacamos a importância das orientações dialógicas das ações sociais e nelas o reconhecimento do seu sentido realizador, carregado de intenções genuinamente comunicativas por parte dos sujeitos. Ele pretende mostrar que as questões valorativas podem ser tratadas de forma racional, não arbitrária, onde a superação da dicotomia entre valor e fato se fundamenta na identificação de critérios universais para justificar racionalmente as normas implícitas na estrutura da comunicação, tal como se realiza nos atos da fala.
O que Habermas nos propõe é o entendimento da linguagem como papel estratégico na construção de uma teoria social que coloca a interação num patamar de universalidade, ao constituir-se, mesmo que simbolicamente, em todos os domínios e dimensões específicas da atividade comunicativa.
Significa deixar à margem o conceito monológico de Razão e defender um conceito de razão comunicativa dialógica, de acordo com as regras estabelecidas pelos membros do grupo numa situação dialógica grupal. Deparamo-nos assim, com a construção de um outro tipo de objetividade que não está baseado no sujeito, mas no resultado da ação comunicativa. Nesta dinâmica, a linguagem torna-se uma categoria central para qualquer teoria social da modernidade.
Habermas, ao considerar fundamental a importância do desenvolvimento científico e tecnológico para o melhoramento da vida material da humanidade, não dispensa a aquisição de conhecimento como um recurso de competência argumentativa de todos os seus membros para criticar, questionar, posicionar-se nas interações sociais – emancipar-se, entender-se.
Portanto, recorrendo à teoria habermasiana, procuramos outros conceitos que permitam apreender o modo de ser da sociedade capitalista e estudar as potencialidades das novas tecnologias na educação, conforme veremos a seguir.
1.2.1. Mundo da vida e mundo do sistema na sociedade moderna
Inicialmente integrado na visão marxista15, mas que dela se afasta paulatinamente, Habermas busca dar conta da totalidade social, sem perder de vista o aspecto crítico e
15 Este é um dos aspectos básicos do afastamento de Habermas dos pressupostos teóricos de Marx que tem na sua argumentação em o ‘O Capital’ a categoria ‘trabalho’ como fulcro gerador de explicação e compreensão da sociedade capitalista. Percebemos neste caso que Habermas se contrapõe à atividade instrumental da produção material defendida por Marx, ao tempo em que observamos uma submissão completa da própria produção em si, a uma outra lógica de produção: a comunicação.
contraditório da sociedade. Ele retrata a estrutura e a dinâmica das sociedades modernas não como um antagonismo enraizado na esfera da produção, mas como um choque entre os ‘subsistemas de ação intencional’.
Trabalho e Interação são categorias distintas que permeiam a formulação da crítica de Habermas como conhecimento fundamentado nos vários aspectos da existência social. A relação do homem com a natureza é intermediada pelo Trabalho, submetendo-a a seu controle, pelos instrumentos. É a ação instrumental correspondendo ao controle das regras técnicas, baseadas em proposições empíricas, observáveis e passíveis de dominação pelo acompanhamento asseverado dos meios e fins.
Na interação humana social os homens se relacionam, tendo nas normas sociais e nas instituições as definições de expectativas recíprocas fundamentadas na intersubjetividade da compreensão mútua de intenções mediatizadas pela linguagem. É a ação comunicativa, que, por sua vez, também pode estar relacionada às proposições empíricas, e sua estrutura reivindica validade a partir de normas fundamentadas no entendimento mútuo entre os agentes sociais envolvidos.
Habermas (1987) divide a sociedade em dois grandes mundos: o mundo do sistema e o mundo da vida. No mundo do sistema está materializada a razão instrumental como racionalidade da lógica estratégica, a partir de uma ação estratégica por meio de suas grandes regras e leis formais. É o mundo criado pelo próprio homem, visando ao êxito e ao domínio sobre a natureza. Esse mundo se reflete na organização da sociedade, na educação, na abordagem científica.
É o mundo construído a partir de determinado paradigma dominante em determinada época que toda a organização social, política, econômica e cultural é moldada. Na sociedade contemporânea, o sistema ao qual Habermas se refere é representado pelo
Estado16 e pelo mercado, derivando daí subsistemas econômicos, administrativos e institucionais.
A utilização estratégica da lógica do poder e da dominação é expressa na ação política institucionalizada, legitimada pelo Estado, como espaço de racionalização instrumental.Ao adotarmos essa perspectiva consideramos uma política educacional como o Proinfo uma instituição produtora de práticas discursivas, cujas ações de institucionalização, implementação e operacionalização são, a priori, ditadas e legitimadas pelo Estado e, por suposto, eivadas de interesses e intenções coordenadas pela razão instrumental do mundo do sistema.
Essa mesma racionalidade, essa mesma lógica também está presente na escola, o que a faz, portanto, a priori, uma instituição em que racionalidade (s) se produz (em) e se reproduz (em). O plural aqui empregado nesse jogo de possibilidades é atribuído ao mundo da vida, isto é, à intensa convivência entre os sujeitos sociais, cujas experiências vividas, se pensadas e dialogadas, podem fazer a diferença.
Entretanto, temos que ficar atentas a algumas questões. O processo das ações sociais reguladas estrategicamente pelo mundo do sistema, por intermédio, por exemplo, de instâncias democráticas tende tanto a inibir os processos libertários, quanto a reforçar as ações funcionais de reprodução social, pois na medida que o sistema se fortalece, em detrimento do mundo da vida, passa a impor sua própria lógica e seus mecanismos de integração sistêmica.
Esse argumento se sustenta em virtude do processo de racionalização que diferencia a ciência, a moralidade e a arte em domínios autônomos e controlados e do seu isolamento em relação à vida cotidiana, comprometendo consciência e entendimento necessários à crítica. A consciência cotidiana vê-se [...] estilhaçada. Temos hoje uma
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Na perspectiva da sociedade de classe, diferentemente da abordagem de Habermas, o Estado exerce uma função siamesa com as exigências do modo de produção. Constitui-se em uma organização burocrática com poderes para legislar e legitimar a ideologia (racionalidade) dominante.
consciência fragmentada que bloqueia o entendimento através do mecanismo de reificação, o que caracterizaria a colonização do mundo da vida (Habermas, 1987).
Pizzi (1994, p.74), secundando o pensamento de Habermas, diz que a colonização do mundo da vida ocorre, pois, por intermédio da instrumentalização das relações sociais que, além de separar sistema e mundo vivido, institucionaliza e internaliza um tipo de ação econômica e administrativa com-respeito-a-fins. É nesta dinâmica que o poder e o dinheiro se adentram nas instituições sociais, educativas e culturais, donde as NTCI podem ser vistas como instrumentos eficazes de controle e manutenção desta lógica.
No mundo da vida estão os sentimentos, as ações do cotidiano e os contextos sociais. Habermas (1987, p. 104) argumenta que o mundo da vida pode ser conceituado como sendo aquilo onde os participantes da interação iniciam e discutem suas operações interpretativas. Ao mundo da vida é imputada a racionalização comunicativa por meio da ação comunicativa, donde Habermas concebe a sociedade enquanto espaço de esfera pública e política, privilegiando a perspectiva dos sujeitos na compreensão dos processos políticos e culturais na articulação e reprodução de formas racionais e comunicativas de ação. “Un mundo de la vida constituye, {...} el horizonte de procesos de entendimiento con que los implicados llegan a un acuerdo o discuten sobre algo perteneciente al mundo objetivo, al mundo social que comparten, o al mundo subjetivo de cada uno” (Habermas, 1987, p.184).
A diferença entre sistema e mundo da vida possibilita a especificação das esferas de reprodução social, seja material ou simbólica, que designam as funções integradas da sociedade, envolvendo o próprio sistema e o social em seus diferentes contextos de ação comunicativa.
Assim sendo, o mundo da vida refere-se ao processo pelos quais os agentes sociais, ao organizarem suas ações em torno de valores compartilhados, se identificam do ponto de vista individual e social, e compartilham de forma crítica dos aspectos de validade acerca da compreensão da complexidade dos artefatos constituintes e constitutivos do
mundo. Tal conhecimento pode ser criticamente propiciado pelo diálogo, pela interação, pela reflexão.
A aproximação entre os dois mundos é o grande jogo da abordagem habermasiana. Para ele, é no diálogo entre o mundo da vida e o mundo do sistema que a ação comunicativa deve ser estabelecida, dando concretude ao entrelaçamento crítico e reflexivo possível. O mundo da vida é base e centralidade da ação humana e ‘a situação da ação é o centro do mundo da vida’ (Habermas, 1987). É no âmbito do mundo da vida onde se processa a comunicação, onde os sujeitos capazes de fala se expressam sobre os mais variados temas, pertinentes a situações específicas, mas relacionadas ao todo social, e que se dá o jogo comunicativo de falas e intenções incidindo possibilidades do entendimento recíproco.
Assim, é de se esperar que o mundo da vida forme o contexto indireto do que é tecido e discutido, endereçado numa situação; ele é acessível, mas não pertence ao domínio de relevância, delimitado tematicamente, da situação da ação. Podemos encontrar em Habermas (1987) uma descrição do mundo da vida enquanto um mundo instintivamente presente, nesse sentido familiar e transparente e, ao mesmo tempo, uma vasta e incalculável teia de pressuposições que tem que ser satisfeita, ou seja, se uma asserção atual vai ter qualquer sentido - válido ou inválido.
De acordo com Rouanet (1989, p.23) esse mundo da vida “é o lugar das relações sociais espontâneas, das certezas pré-reflexivas dos vínculos que nunca foram postos em dúvida”. Dito de outra forma por Prestes (1996, p.82) “o mundo da vida é um horizonte pré- científico, intuitivo, não tematizado, ou não questionável em princípio”. Dessa forma,