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2.1 CONSEILS POUR UN USAGE SÛR

2.1.4 Entretien et stockage

Pesquisas sobre a viabilidade da captação da água de chuva no semiárido para consumo humano são recentes. Diante disso, ainda há carência de um volume maior de dados científicos para subsidiar com mais eficácia as políticas públicas.

Uma das primeiras questões levantadas quando se discute a viabilidades dos sistemas de captação de água de chuva, como uma opção para as populações rurais difusas do semiárido, é se essas são, realmente, capazes de gerar

excedentes hídricos. Questiona-se, nesse caso, se esses excedentes hídricos são suficientes para suprirem a demanda no período seco (em média 240 dias por ano), para consumo humano, animal e produção.

Para Jalfim (2003), as causas do pouco entendimento sobre a viabilidade dessa proposta são, relativamente, semelhantes. Em relação aos técnicos e governantes, parte da sua descrença nessas tecnologias se origina na própria formação de seus conhecimentos sobre o semiárido, que se deu no bojo da política do “combate a seca”. Política essa,baseada na centralização dos recursos hídricos, através da construção de grandes obras hídricas e um reduzido leque clássico de obras de porte médio disseminados, apresentadoscomo as únicas formas viáveis para o abastecimento de água.

Estudos realizados pela Diaconia (1999), no Sertão do Pajeú/PE, revelam que mesmo no município que menos choveu na região (Iguaracy/PE – 344,6mm), seria possível captar 24.000L de água, admitindo-se 10% de perdas e uma área média de captação dos telhados da região de 78 m2. O aspecto da viabilidade

hídrica é também ressaltado por Porto (2005), que trata do total precipitado no semiárido brasileiro em relação a outras áreas semiáridas do mundo. Em outros países a precipitação média anual é de 80 a 250 mm enquanto a média no Brasil é de 700mm. Mesmo existindo lugares com média da ordem de 250 mm, como é o caso de Cabaceiras/PB, esse autor calcula que o volume de chuva que cai no semiárido é da ordem 581 bilhões de metros cúbicos por ano. Considerando a população do semiárido, tem-se uma média de 29.050 metros cúbicos por habitante ano, um valor suficiente para suprir as carências de água desta população.

Galvíncio (2005), apresentou em um trabalho específico sobre a viabilidade da captação da água para as cisternas familiares de 16.000L, no estado de Pernambuco. Concluiu-se que levando em consideração a região mais crítica do referido estado (região Oeste), com média de precipitação nos anos mais secos de 400 mm, faz-se necessário uma área de captação de 67m2 para

encher a cisterna de 16 m3. Ao mesmo tempo o autor afirma que as cisternas

em anos mais críticos. Galvíncio & Ribeiro (2003) realizaram estudo semelhantes no semiárido paraibano, selecionando às médias pluviométricas com a área de captação necessária para encher as cisternas de 16.000 l e chegaram à conclusão que, naquele estado, a área necessária na região mais crítica (Cariri paraibano), é de 65 m2.

Com relação à área de captação Jalfim (2003) afirma que o tamanho e a qualidade dos telhados das casas do meio rural no semiárido são apropriados para a captação de água de chuva. Estudo sobre a área dos telhados das casas, realizado pela Diaconia em 22 comunidades rurais dos sertões do Pajeú-PE e Médio Oeste do Rio Grande do Norte, revelou dados que podem ser considerados representativos para o semiárido. Nesse estudo, observou-se que a área média dos telhados é de 84 m2 e que mais da metade das residências têm 75 m2 de telhado. O mesmo autor estabelece o total de 200 mm de precipitações como padrão de cálculo para a determinação do volume de chuvas que podem ser captadas em cisternas, considerado como um valor crítico. Mesmo nestas condições, se multiplicar a área de captação pelo volume de precipitações e considerar um fator de perdas de 25%, a água captada será suficiente para suprir a demanda de uma família de 05 pessoas consumindo 6l/dias.

Para o consumo animal, a EMBRAPA Semiárido tem desenvolvido estudos visando dimensionar sistemas de captação de água de chuva para caprinos e ovinos. Brito et al.(2007) descrevem um sistema que utilizou uma estrada de cascalho de 80 m X 5 m (área de captação 400 m2) com filtros e

declividade de 0,8%, permitindo o escoamento da água por gravidade. Uma cisterna foi construída para armazenamento com capacidade de armazenar 16 m3,

volume suficiente para atender 20 animais (consumo de 4,5 l/dia-1) por até 240

dias sem chuvas.

No caso de água para produção, as técnicas de captação, hoje utilizadas, são bem variadas. Utilizam-se barragens subterrâneas, poços amazonas e poços manuais rasos que são construídas em sedimentos aluvionais ao longo de rios e riachos intermitentes. Os barreiros e pequenos barramentos são construídos em linhas de drenagem com objetivo de retenção de água oriunda do escoamento

superficial. Recentemente têm-se utilizado de cisternas calçadão com o objetivo de armazenamento de água para produção familiar em pequena escala.

Apesar de algumas destas alternativas citadas já serem utilizadas há centenas de anos, poucos estudos técnicos foram realizados, até então, com o objetivo de avaliar a segurança hídrica do agricultor frente a estas tecnologias. No entanto, é certo que todas estas tecnologias possuem grande aceitação das famílias da região, sugerindo sua viabilidade, mesmo sabendo-se que pesquisas devem ser feitas com objetivo de entender melhor os mecanismos de funcionamento, além de propor ajustes para tornar as tecnologias mais eficientes e relevantes.

Estudos realizados por Brito (2001),ressaltam que o planejamento para a captação de água de chuvas em regiões de grande variabilidade (interanual e interdecadal) de precipitação, como é o semiárido brasileiro, torna-se uma tarefa engenhosa e de difícil execução, pois são necessários, no mínimo, o dobro de anos de dados de precipitação que devem ser analisados para a elaboração de modelos mais eficientes.

Outro fator que pode contribuir para viabilidade destas tecnologias é a capacidade de adaptação às diferentes realidades locais, quer sejam elas de ordem física-ambiental, ou social. Também pesa a possibilidade de que materiais existentes nas comunidades possam ser utilizados nas obras. A utilização da mão-de-obra local deve ser priorizada durante o processo de construção. É muito comum que o trabalho da comunidade seja utilizado como contrapartida não financeira para a construção das obras físicas. Da mesmaforma, merece ser destacado o fato das tecnologias de convivência ter como princípio a diminuição da exposição da água aos raios solares, o que leva a diminuição das perdas por evaporação.

2.6 PERSPECTIVAS DO USO DAS TECNOLOGIAS DE CONVIVÊNCIA NA

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