low-energy charge transfer reactions
3.1. One − electron capture
A categoria apresentada abrange as seguintes subcategorias: sentimentos de pais relativos ao filho prematuro como também e à sua companheira, e sentimentos de pais relativos ao MC. Os conceitos e dimensões das subcategorias levam a compreender que o pai vivencia o MC junto ao filho prematuro com sentimentos antagônicos, como visualiza-se no quadro II. QUADRO II – CATEGORIA I E SUAS SUBCATEGORIAS
DIMENSÕES CONCEITOS SUBCATEGORIAS
C A TEGORIA I – S E NT IME NT OS V IV E NCIA DO S PELOS PA IS NA R E A LIZAÇ Ã O DO MC
Preocupando-se com possibilidade de intercorrência com no método canguru.
Preocupação
Sentimentos de pais relativos ao filho prematuro e à sua
companheira Preocupando-se com a respiração do
Preocupando-se com a saúde do RN prematuro no MC.
Preocupando-se com a possibilidade de não acompanhar o RN prematuro no MC. Preocupando-se com a alta do RN prematuro do MC.
Preocupando-se com a companheira durante o MC.
Preocupando-se com a situação financeira diante do filho prematuro.
Sentindo-se responsável em cuidar do RN prematuro durante o MC.
Responsabilidade Sentindo-se responsável em suprir as
necessidades (materiais) do RN prematuro.
Sentindo a necessidade de retorno ao trabalho.
Sentindo prazer em cuidar do RN prematuro durante o MC.
Satisfação
Sentimentos de pai relativos ao Método
Canguru Sentindo prazer em estar próximo do
filho prematuro no MC.
Sentindo medo em realizar o MC com RN prematuro.
Medo Sentindo receio com a posição
canguru do RN prematuro.
Fonte: Dados das entrevistas junto aos participantes da pesquisa, 2017.
5.2.1.1 Sentimentos de pais relativos ao filho prematuro e à sua companheira
Esta subcategoria aborda sentimentos de preocupação e responsabilidade vivenciados pelos pais junto ao filho prematuro e sua a companheira. Segundo Stork (2005), a preocupação possui um significado abrangente como o ato de preocupar-se ou ocupar-se. Além disso, como afirma Ferreira (2010), preocupação pode ser associada ao sentimento de inquietação, bem como atenção dirigida a uma coisa ou pessoa. Tratando-se dos participantes da pesquisa, esses referiram preocupação em diferentes dimensões, como pode ser visualizado no quadro II e exemplificado nas falas dos entrevistados.
Eu me preocupo com as questões de saúde dele, porque ele ainda é prematuro e tudo. E tem que ter todo cuidado do mundo[...] (E10)
Observo ele o tempo todo, fico olhando 90 % de tempo quando estou com ele no MC, é um olhar de preocupação, porque como ele é prematuro às vezes, o
doutor disse que quando o bebê nasce prematuro ele esquece de respirar[...] (E6)
Os sentimentos expostos pelos pais demonstram seu envolvimento com o filho e a sua companheira durante o MC, perpassado por um estado de inquietude referido como preocupação. Porém, sob o ponto de vista do cuidado, essa preocupação é positiva, pois revela o significado atribuído pelo pai ao filho prematuro e a sua companheira. No entanto, pode causar-lhe reações adversas como estresse, ansiedade e dificultar sua participação no MC.
Durante a realização do método, os participantes foram unânimes ao afirmarem a preocupação com o RN prematuro, associando-a às características físicas, fisiológicas e neurocomportamentais. Os pais reconheceram a importância da respiração para a sobrevivência do RN prematuro. Para eles, estar presente nos cuidados com o filho é dedicar o maior tempo possível, e assim acompanhar cada detalhe da sua evolução clínica e sinais que podem impedir sua estabilidade física e biológica.
O bebê prematuro possui diferenças, quando comparadas com o RN a termo, além do peso e medida. Geralmente, apresentam perímetro cefálico maior que o tronco, pele fina e transparente, lanugem escassa, tônus muscular diminuído e hipoatividade associada à imaturidade neurológica. Fisiologicamente, os pulmões e as funções cerebrais do RN prematuro encontram-se ainda em desenvolvimento. Assim, comumente pode evoluir para dificuldade respiratória, também denominada apneia do RN. Tal evento ocorre em 84% dos prematuros e se estabiliza à medida que eles se desenvolvem e crescem (DEUTSCH, DORNAUS, WARSMAN, 2013).
Associada ao receio da imaturidade respiratória do RN prematuro, os pais referiram preocupação com as possíveis intercorrências que podem acometer o filho durante o MC.
[...] quase ia enfartar quando ele passou mal ali no MC [..] (E4)
Fico preocupado com ela, se ela tiver com algum problema eu vou me sentir muito mal [...]. (E5)
O fato do RN prematuro apresentar alguma intercorrência pode afetar o estado emocional do pai diante da incerteza da sua sobrevida. Neste sentido, estudo realizado por Tronchin (2006), evidencia que os pais de prematuros não imaginavam, até o nascimento precoce, vivenciar eventos inesperados com o filho idealizado.
A prematuridade desencadeia afastamento paterno e filial causado pelas necessidades, peculiaridades do RN prematuro. Contudo, o MC viabiliza a aproximação da díade pai e filho.
Durante a realização do método, o pai interage com o filho a partir de símbolos interpretados, o que interfere em suas ações diante da situação vivenciada. Desse modo, mesmo temendo quaisquer problemas que possam acometer o RN no período em que são assistidos na UCINCa, os pais reconhecem a importância da sua permanência na unidade:
Sei que aqui no canguru ela tá sendo bem cuidada e que aqui é o melhor para ela no momento, enquanto ela não tá formada ainda, mas logo sairá daqui. (E5)
Para mim como pai é muito gratificante saber que ele está se desenvolvendo, que está bem cada vez mais e que está prestes a receber alta [...]. (E6)
Diante dessas falas, cabe enfatizar que o nascimento de um filho prematuro, bem como a necessidade de permanecer no hospital, repercutem nos sentimentos paternos. Assim sendo, esses pais sentem-se inseguros e receosos com a saúde do filho e preocupados com o seu desenvolvimento. Tronchin (2006) e Marski (2015) apontaram que a alta do filho prematuro constitui uma rescisão do trinômio pai-mãe-filho com o ambiente hospitalar, superação das dificuldades vivenciadas e sentimento de conquista familiar. Ademais, os entrevistados também mencionaram preocupação com a companheira, sobretudo no que se refere aos cuidados do RN prematuro de forma compartilhada.
Estou vendo o que ela (companheira) está aqui passando, só ela sabe mesmo o que ela está passando, porque é mãe, e tem nosso filho para cuidar[...] eu me preocupo e quando venho e cuido do nosso filho. (E7)
[...]ela fica com ele um período no braço, depois ela vai dormir e eu fico com ele para não cansar muito[...]porque ela não dorme direto aqui no canguru. (E12)
Esses pais explanaram a preocupação com o bem-estar da companheira. Isto leva a compartilhar os cuidados com o RN prematuro mediante o reconhecimento de que a mãe na UCINCa dedica-se integralmente aos cuidados do filho prematuro. Assim sendo, os pais interagem com o ambiente, com o filho e com o momento vivenciado pela companheira. Desse processo interativo, o pai passa a adotar atitudes e comportamentos favoráveis ao desenvolvimento do filho e ao bem-estar materno no MC. Sob esse aspecto, Souza (2014) chama atenção à necessidade de conforto e apoio à companheira no enfrentamento da internação do filho prematuro.
De modo geral, as atitudes paternas transcendem o cuidado propriamente dito, dada a importância da sua presença no MC. A preocupação com a assistência destinada ao RN
prematuro e à companheira reafirma a necessidade de incluir-se nos cuidados ao filho na UCINCa. Porém, nem sempre é possível o pai se fazer presente, dado as atribuições que esse desempenha no trabalho e na família.
Referente às questões laborais, os participantes afirmaram preocupar-se com as questões financeiras advindas do momento vivenciado.
Estou gostando muito de estar dando a assistência o máximo que posso, mesmo não dando uma assistência melhor [...]pois não estou numa situação financeira boa [...]Queria poder dar mais conforto, comprar o que ela precisa aqui no MC. (E7)
Também tenho que olhar alguma coisa(trabalho) para comprar as coisas para eles senão não vai dar não, porque a situação financeira é complicada [...]. (E8)
Observa-se nessas falas que suprir as necessidades materiais do filho prematuro é motivo de preocupação para os pais. Isso é compreensível diante da situação da crise política- administrativa atual do Brasil, com repercussão para maioria da população. Para Piccinini (2007), o homem desempenha um papel protetor à mulher e aos filhos. Na visão hegemônica da paternidade, ele ainda é visto como provedor financeiro e responsável pelo sustento familiar, como confirmado no presente estudo. Nesta abordagem, estudo de Carvalho (2009) demonstrou que o pai encontra-se muitas vezes dividido entre o papel de provedor familiar e de estar junto ao filho no período do seu internamento hospitalar.
Mesmo tendo vontade de permanecer junto ao filho no MC, os entrevistados foram impedidos de acompanhá-los devido a responsabilidade em retornar ao trabalho.
Não posso passar muitos dias longe do trabalho, tem que estar trabalhando, organizando as coisas em casa, aí eu vou voltar agora. (E2)
Tenho que voltar a trabalhar. Fico com vontade de ficar aqui [...], mas como é que vou comprar as coisas para o menino (filho) senão tiver trabalhando? (E4)
Durante a coleta de dados, observou-se a preocupação dos pais para organizar e conciliar os horários de trabalho com o MC. Entretanto, como medida de minimizar esta problemática nos hospitais vinculados ao SUS, a visita aberta do pai é preconizada. O acompanhante junto à criança internada vem sendo motivo de preocupação para gestores no âmbito da saúde desde a década de 1990, quando foi instituído o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Tal medida ministerial assegura a permanência de pais e responsáveis, em tempo integral, nos
estabelecimentos de saúde, visto a importância da presença desses nos cuidados à criança hospitalizada (BRASIL, 2010).
De acordo com os entrevistados, existe o desejo de ficar mais tempo com o filho prematuro. Entretanto, sua ausência é justificada mediante a nova rotina familiar. Na ausência da companheira, o pai assume atividades do lar, e se coloca como suporte à díade mãe-filho internados. A necessidade de deixar o filho prematuro no MC, imposta pelo estilo de vida e compromissos familiares, confere um desafio, superação paterna e adaptação do homem nas relações familiares e sociais. Essa afirmativa foi revelada por Blomqvist et al. (2011) quando detectaram as dificuldades dos pais em conciliar o MC e outras atividades extra hospitalares.
Para alguns autores (SOARES,2015; PERDOMINI,2011; FEELEY,2013), o homem tem se envolvido afetivamente com a companheira e os filhos, modificando o papel de provedor familiar socioculturalmente estabelecido. Essa mudança pode acarretar no íntimo do pai sentimentos diversos e antagônicos no que se refere ao comprometimento da saúde de seus familiares.
Concebe-se que o sentimento de preocupação dos pais esboçado nesta subcategoria é amenizado por sensações positivas como a satisfação, prazer, orgulho em cuidar e participar do MC junto ao filho prematuro. Soma-se a esses, a ambivalência emocional quando referiram sentimento de medo em realizar o MC, dada as circunstâncias da prematuridade, conforme é explanado na subcategoria a seguir.
5.2.1.2 Sentimentos de pais relativos ao Método Canguru
Nesta subcategoria são expostos os sentimentos paternos de satisfação e medo na realização do MC. Esses podem ser associados ao fato de os pais experienciarem a aproximação com o filho, e se apropriarem dos cuidados necessários ao novo membro da família. Convém salientar que na UTIN o pai tem o primeiro contato com o filho prematuro. Porém, a convivência de ambos só se efetiva na UCINCa. Dessa forma, o encontro do pai com filho após a primeira fase do MC é motivo de satisfação. De acordo com Ferreira (2010), este sentimento contempla o contentamento e o prazer advindo da realização do que se espera ou deseja.
O sentimento de satisfação referido pelos entrevistados expressa que a aproximação dele com o RN lhe confere a possibilidade de cuidar do filho na UCINCa.
Acho bom...só em sentir ele ali próximo de mim, é bom demais[...]uma alegria, sinto um amor em estar mais perto dele no canguru e poder dar mais amor para ele[...]. Dá vontade de ficar com ele ali nos meus braços direto. (E4)
A experiência para um pai que nunca fez (método canguru) é muito interessante, superagradável, é ótima. E você ter contato com seu próprio sangue, sua própria carne, é muito bom[...]. (E1)
A experiência de estar próximo ao filho possibilita ao pai ver, tocar e cuidar do bebê prematuro. Isto contribui para o fortalecimento de laços afetivos entre pai e o filho, iniciando neste primeiro momento o processo de vinculação. Concordando com Soares (2015), o toque e o som da voz do pai proporcionam ao RN prematuro benefícios neurocomportamentais e ajudam no seu desenvolvimento.
Em estudo realizado por Silva, Budô e Silva (2013), os homens apresentaram dificuldades em definir os sentimentos após o nascimento do filho. Porém, descreveram como prazeroso e satisfatório. Segundo esses autores, estar com o filho no MC proporciona ao pai um sentimento de realização pessoal, contentamento, favorecendo o contato pele a pele e consequentemente o vínculo precoce entre ambos. Compreende-se que o contato diário entre pai e filho conduz à intimidade que lhe confere a identidade paterna e intensifica seu amor pelo filho.
Assim, ao cuidar do filho prematuro, o pai vivencia a paternidade de forma ampla e significativa, além de favorecer a evolução clínica do RN no MC. Ao apresentar atitudes de proximidade com o filho prematuro, os pais entrevistados se envolveram e disponibilizaram tempo para cuidar dele. Essa atitude é compreensível quando se considera que o ato de cuidar é desenvolvido mediante a interação de um com o outro. Neste contexto, o ato de cuidar é inerente ao ser humano e, é por meio desse que ocorre a sobrevivência. Concordando com Boff (2014), o cuidar abrange diversas definições, porém o cuidado é a condição prévia que permite um ser a vir à existência.
O cuidado ao filho sempre esteve atrelado à responsabilidade feminina, tornando o papel do homem como coadjuvante no desenvolvimento dos filhos (SILVA, BUDÓ, SILVA, 2013). Entretanto, o “novo pai”, conforme Silva, Piccinini (2007), é aquele que participa, compartilha e interage com o filho, diferente do modelo hegemônico e tradicional, transformando assim a família contemporânea. Nesse entendimento, pesquisas realizadas indicaram que é imperativo reconhecer a presença paterna no MC, para que não se sintam excluídos dos cuidados ao filho (BERNARDO, ZUCCO, 2015; JESUS, 2015 & PICCININI, 2007).
Tratando-se deste estudo, observa-se nas falas que os pais interagiram e compartilharam do momento vivenciado pela companheira no MC. Associado à satisfação e prazer em cuidar do RN prematuro, os pais referiram a sensação de medo em posicioná-lo no MC.
Fico com medo quando faço o canguru, fico observando ela o tempo todo, puxando e passando...para ver se ela soltou o braço ou a perna dela tá para fora, e tomo cuidado com isso para colocar o bracinho dela no lugar de novo. (E5)
[...]Tenho medo demais... Pego com tanto cuidado[...]de machucar porque ele muito novinho ele. Quando peguei ele fiquei com medo bem molinho bem pequenininho. (E4)
Esses sentimentos foram atribuídos à prematuridade do filho e suas características físicas e fisiológicas. Considerando que o medo significa perturbação angustiante perante um risco, ameaça real ou imaginária (FERREIRA, 2010), entende-se que o medo do pai em realizar o MC guarda relação não só com a prematuridade, mas também com a sua inexperiência no cuidado. O RN prematuro apresenta flexibilidade física, não tendo o controle de seus membros e região cervical, o que propicia ao pai insegurança em posicionar o filho no contato pele a pele. Pesquisas realizadas no Brasil por Medeiros, Piccinini (2015) e Santos (2015) confirmaram que o receio dos pais em segurar o filho prematuro no colo deve-se à delicadeza e fragilidade do RN, gerando no pai insegurança em realizar o método.
Observou-se que os pais reconheceram a fragilidade anatômica e ponderal do filho. Todavia, revelaram seu interesse em cuidar dele e confirmam o despreparo para essa tarefa. Nesse ínterim, concebe-se que os sentimentos apresentados pelos pais durante a realização do MC estão vinculados a sua inexperiência paterna diante da prematuridade do novo papel familiar.