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Os fatores críticos caracterizam as condições que estão determinando os rumos para a agroindústria diante do novo ambiente que se apresenta, considerando mudanças e tendências do mercado. Esses fatores críticos devem ser considerados e gerenciados para que as vantagens competitivas das organizações sejam efetivas em sua cadeia.

Wedekin & Neves (1995) descreveram os seguintes fatores críticos na agroindústria, indispensáveis para que o sucesso competitivo seja atingido. São eles:

•sinais da demanda final, destacando a expansão do mercado mundial de alimentos e bebidas em desnível segundo as regiões (combinando fatores econômicos, demográficos, de consumo e socioculturais); segmentação de mercado criando oportunidades para produtos dirigidos aos consumidores de renda mais elevada; e rápido crescimento dos gastos com alimentação fora de casa;

•impacto das tecnologias de informação e dos serviços; este impacto acontece para frente em direção ao consumidor através dos programas Eficient Consumer Response (ECR), que em função dos recursos de informática, código de barras e outros, permite o monitoramento das vendas, o acompanhamento da efetividade das promoções e comportamento do consumidor entre outros, redução de filas e permanência de clientes na loja, disponibilidade de informações e facilidade de pagamento; para trás em direção à indústria de processamento e transformação por intermédio de gerenciamento integrado, com otimização dos transportes, carregamentos mais freqüentes, emprego do just-in-time,

containers de formato adequado para reduzir manuseio, controle integrado de qualidade,

estratégias comerciais e promocionais conjuntas e compartilhamento de informações e ganhos; para dentro, nos processos de gestão, propiciando automatização dos estoques, compras, contabilidade, precificação, crédito, cobrança e distribuição, possibilitando a redução de custos, papéis, desperdícios, erros, perdas de manuseio e em relação ao próprio emprego da mão-de-obra;

•custos do processo inteiro, enfatizando a necessidade de coordenação do sistema, destacando que para ter sucesso, a empresa precisa conhecer os custos de todo o seu sistema econômico, tendo de trabalhar com outros membros para gerenciar o custo e

maximizar o ganho; propõem, assim, o estabelecimento de um “Parceria para Agregação de Valor (PAV)”, com a participação de todos os envolvidos no fluxo de produto e das atividades.

Neves et alii (1997), avaliando o cenários e as perspectivas para o agribusiness brasileiro e os condicionantes da “nova competição”, vinculando a competitividade das firmas à sua capacidade de inovar, atender às necessidades dos consumidores e criar nexos de cooperação, relaciona os seguintes fatores críticos para o sucesso da agroindústria:

•coordenação dos sistemas agroindustriais, visando a rapidez das informações, adequação dos sistemas às novas tendências, negociação a menor custo e com o mínimo de conflitos;

•reestruturação com rapidez dos sistemas agroindustriais brasileiros que apresentam forte ineficiência, em termos tecnológicos e articulação estratégica dos seus atores;

•necessidade de reconversão de sistemas que não apresentam futuro promissor, por meio de alteração geográfica ou a troca gradual de atividades;

estabelecimento de parcerias, joint ventures e alianças para entrar em novos mercados, visando a obter redução de custos de ingresso, ganhos mais rápidos de expertise e sinergia dentre outros;

•inserção de marcas brasileiras no processo de globalização, buscando a exportação de produtos processados.

Os fatores considerados críticos de competitividade no sistema agroindustrial, segundo Siffert Filho & Faveret Filho (1998), definem as seguintes características para o padrão de concorrência na agroindústria:

•intervenção governamental, destacando que a agricultura é um dos setores que permanece sob forte influência do governo, o qual têm impacto direto nas indústrias processadoras;

•baixas barreiras tecnológicas à entrada e crescentes barreiras de escala, observando que em muitos segmentos as barreiras de entradas não são elevadas em função da ampla difusão de pacotes tecnológicos, mas as economias de escala têm cada vez mais importância como fonte de barreiras à entrada, principalmente as ligadas à distribuição e aquisição de matérias-primas, atingindo também o segmento primário em que a pequena produção enfrenta problemas de produtividade frente à grande produção; notam, ainda, que a logística de transporte, redes de fornecedores, administração de estoques, esforços de vendas e propaganda tornaram-se variáveis críticas à garantia de competitividade;

•mudanças nos padrões de distribuição: crescente concentração dos canais de comercialização, com a ampliação da participação dos supermercados, que passam a apresentar forte poder de barganha, exigindo da indústria fornecedora desenvolvimento de marcas fortes junto ao consumidor, baixos custos, e sistema de entregas bem estruturado

para manutenção de sua competitividade;

•mudanças nos padrões de consumo: novos hábitos e demandas dos consumidores, exigindo capacidade adaptativa das organizações, destacando-se os seguintes pontos: envelhecimento da população, redução do número de habitantes por domicílio, crescente intercâmbio cultural, crescente participação de mulheres no mercado de trabalho e intensificação da jornada de trabalho; para eles, estas mudanças têm levado a alterações no perfil da demanda, destacando-se: crescente procura por produtos com baixo teor de gordura, dietéticos, de qualidade e convenientes, procura por porções individuais e por alimentos semipreparados, maior diversificação da oferta de alimentos e busca de refeições prontas para o consumo em função da grande mobilidade dos consumidores. Os fatores críticos observados por alguns dos estudiosos do assunto, confirmam a relação destes fatores àqueles relacionados à organização das cadeias agroindustriais. Os imperativos tecnológicos e o atendimento integral à demanda colocam-se como críticos a competitividade do sistema agroindustrial. Por outro lado, a melhor coordenação da cadeia, permitindo obtenção de vantagens comparativas e agilidade na atuação junto ao mercado, propicia capacidade às organizações integradas para responder prontamente às tendências detectadas no ambiente.

Um fator que se apresenta com potencial crítico, está relacionado à questão da distribuição. A concentração dos canais de distribuição, com destaque para a ampliação da participação dos supermercados, vêm exigindo atenção dos agentes da cadeia, principalmente da indústria processadora. O forte poder de negociação dos supermercados pode levar a uma desestabilização da cadeia, em face da concentração de benefícios que pode se direcionar para este segmento. Por outro lado, além da parceria, exigirá das indústrias e componentes à montante dispêndios no fortalecimento da identidade do seu produto, para que este seja um forte instrumento de negociação, fundamentado no desejo do consumidor, assegurando, assim, seu espaço nas prateleiras dos supermercados e ganhos pertinentes.

A intervenção governamental deve, também, ser destacada como uma variável crítica à competitividade do sistema agroindustrial. Suas ações se fazem sentir em todos os fluxos da cadeia, seja nos aspectos tributários e políticas de importação e exportação, interferindo na distribuição e no processamento, seja na política agrícola desestimulando pequenos e médios agricultores que dependem das linhas de financiamento para o plantio. Não cabe aqui uma análise de qual deve ser o papel do governo no ambiente econômico, mas sim destacar a importância da análise criteriosa do impacto que suas ações podem exercer sobre o sistema agroindustrial. Uma postura ativa da cadeia, representada por todos os integrantes, numa filosofia sistêmica, deve ser implementada de forma a se obter estabilidade, condições promotoras de desenvolvimento e equilíbrio das condições competitivas no mercado globalizado, a partir das ações governamentais.

A condição de instabilidade e imprevisibilidade do mercado exige monitoramento constante das organizações, não de aspectos pertinentes ao seu setor, mas também, do sistema como um todo, para que sua posição possa ser defendida. Isto exige capacidade inovadora e trabalho cooperativo, ou

seja, uma nova postura para as organizações.