• Aucun résultat trouvé

Efficacit´ e en fonction du flux incident

8.3 Caract´ erisation

8.3.3 Efficacit´ e en fonction du flux incident

CAPÍTULO 3

– ASPECTOS HISTÓRICO-CULTURAIS DO MUNICÍPIO DE

RAPOSA/MA

3.1 Caracterização histórico-geográfica de Raposa

3.1.1 Localização

O município de Raposa localiza-se ao norte da ilha de São Luís a, aproximadamente,

vinte e oito quilômetros de São Luís, capital do estado do Maranhão, como mostra o Mapa 1.

Mapa 1 – Localização do município de Raposa/MA

Situa-se na faixa litorânea, num trecho da costa maranhense classificado por Feitosa

(1998) como extremo Nordeste da ilha de São Luís como pertencente ao território da

Amazônia Oriental. Quanto às suas coordenadas geográficas, são: 02o 25' 22" na latitude sul,

044o 05' 21,3" de longitude oeste, situado na microrregião de número 31 (Mapa 2).

Mapa 2 – Município de Raposa/MA

Fonte: <http://www.neysilva.com/p/diagnostico-geoambiental-e-socio.html >. Acesso em: 20 abr. 2016

3.1.2 Clima

Apesar das diversas condicionantes meteorológicas, a zona costeira do Maranhão,

onde está situada a Raposa, possui um clima relativamente estável. Segundo Feitosa (1998),

os períodos chuvoso e seco ocorrem com suficiente regularidade, ainda que, nas duas últimas

décadas, indiquem certa subordinação às estiagens mais rigorosas que têm atingido outros

estados nordestinos.

Ainda segundo esse autor, o clima de Raposa pode ser classificado como AW’, isto é,

clima quente com chuvas de verão retardadas para o outono.

Predomina, na região, a influência dos ventos alísios do Nordeste, os quais, inseridos

no deslocamento da massa de ar Equatorial Atlântica e impelidos pela queda da pressão

atmosférica, provoca o "deslocamento do anel pluvioso de nuvens do equador térmico em

direção ao sul, durante os meses de janeiro a junho", motivo pelo qual nessa época ocorrem os

maiores índices de precipitações pluviométricas sobre o estado do Maranhão. Em seguida,

com o início do retorno do equador térmico, na direção oposta, inicia-se a estação seca, que

perdura até novembro.

3.1.3 Limites e Hidrografia

A Ilha de São Luís abriga, além de São Luís, capital do Estado, outros três municípios:

São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Envolvendo-a quase na sua plenitude há três

importantes baías, a de São Marcos, a de São José e a do Arraial, formadas pelo Oceano

Atlântico, nas quais estão os estuários dos principais rios genuinamente maranhenses.

O município de Raposa está localizado na ponta Norte da ilha, limitando-se ao Norte e

a Oeste com a extremidade leste da Baía de São Marcos, já quase no início da Baía de São

José. A Leste, limita-se com a Baía de São José e ao Sul com Paço de Lumiar. Possui extensa

faixa litorânea, onde se encontram, além da Praia do Araçagy, a maior e mais frequentada da

ilha, outras menores: Olho-de-Porco, Pucal, Curupu (na ilha de Curupu), e do Canto. A Praia

de Carimã destaca-se pelas suas pequenas dunas e lagoas, nas proximidades da Ponta do

Garrancho.

A sede do município de Raposa é uma península em cujo entorno se encontram

frondosos e produtivos manguezais, estes também comuns nas margens dos inúmeros

córregos e igarapés que integram a rede hidrográfica municipal, entre eles, o Braço do

Curupu, os Igarapés: do Combique, de Raposa, do Facão, Afoga-Burro, Cabeceira, Munjijaia,

Ariquissal, Pau-Deitado, Mocajituba, Pucal (onde há a Lagoa do Pucal), o do Porto do Braga,

o do Porto da Emília e o do Porto de Raposa.

3.2 A Seca de 1958: A retirada

Em 1958, os estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte foram atingidos por

uma das mais violentas secas já ocorridas no Nordeste Brasileiro. Segundo Lopes (2008) e

Silva (2007), os registros pluviométricos registrados na época comparam-se apenas às

ocorrências de 1915 e 1919. A área atingida foi de, aproximadamente, 500.000 quilômetros

quadrados e cerca de 1,8 milhão de pessoas desses estados (28% da população) foram

afetadas diretamente pela seca.

Ao final de 1958, o total de pessoas atingidas chegava a dois milhões de habitantes, o

que levou cerca de duzentas mil pessoas, já sem alternativas, a migrar para várias outras

regiões brasileiras. Diegues Júnior (1960) afirma que a cidade de Acaraú (CE) foi uma nas

quais houve maior deslocamento populacional, devido à escassez de chuvas com marcantes

prejuízos para a lavoura e para a pecuária, e muita fome para as populações carentes.

Da considerável corrente migratória, um número substancial aportou no Maranhão,

dentre os quais muitos na Praia de Raposa, atraídos, conforme Azevedo et al. (1980, p. 20)

"pelos excelentes pesqueiros que havia na baía e pelo desejo de mudar de vida”.

Grande parte das pessoas foi transportada para a Raposa na biana de seu Chico Noca,

mas nem todos; alguns, como o Sr. José Maria Brandão (conhecido em Raposa como Zé

Maria Peba), percorreram um longo caminho a pé até chegar na "terra prometida".

Apesar da insistência do Sr. Linhares, alto comerciante que financiava os currais em

troca de uma altíssima porcentagem da venda dos peixes e ex-funcionário da Assembléia

Legislativa do Estado do Maranhão, em afirmar que aquelas terras lhe pertenciam, os

cearenses permaneceram no lugar, fazendo-o prosperar.

Em princípio, todos os laços da Praia de Raposa eram ligados diretamente ao

município de São José de Ribamar, do qual somente em 1961, Paço do Lumiar se desligou,

para se tornar, através da lei nº 1890, de 7 de fevereiro do referido ano, município de Paço do

Lumiar.

Paço do Lumiar obtinha, assim, sua independência político-administrativa e a Raposa,

já liberta das amarras em favor do comerciante José Linhares, começava a crescer, não apenas

em termos populacionais, como também despertando a atenção em virtude do seu crescente

índice de produção pesqueira, fator fundamental para condução ao rol dos principais polos

pesqueiros maranhenses.

Os pescadores faziam "salga" da pescaria na praia, improvisando abrigos em cajueiros

onde pernoitavam. No entanto, a presença constante das raposas (atraídas pela quantidade

considerável de pássaros na localidade) que pescavam e comiam o pescado começou a

preocupá-los, pois eles não podiam sair para pescar deixando os peixes na salga, que as

raposas os roubavam. Um dia, apareceu uma raposa morta na beira da praia e, como os

nativos acreditavam que onde morre uma raposa as outras não voltam mais, resolveram criar

naquele local o Rancho de Raposa (AZEVEDO et al, 1980).

Outra versão, também contada pelos moradores de Raposa, é a de que a denominação

Raposa seria resultado da alusão a um dos primeiros moradores do lugar: Maia Raposo.

Azevedo et al. (1980), após entrevistas com moradores antigos do local, concluiu que

o nome decorre de uma raposa morta encontrada por dois homens que vinham de Miritiba e

dirigiam-se para Carimã, os quais combinaram reencontrar-se, depois, no local próximo

àquele em que tinham encontrado a raposa morta. Daí em diante, passaram a se referir ao

local como Raposa.

De Rancho de Raposa, passou à Praia de Raposa, de praia, a povoado Raposa,

pertencente à jurisdição do município Paço do Lumiar e, finalmente, tornou-se o município de

Raposa, através da Lei nº 6132 de 10 de novembro de 1994.

3.3 O universo das redes e rendas

3.3.1 A origem da renda no Brasil

A atividade de manusear fios e fibras é antiga na história da humanidade. Segundo

Brussi (2009), a transformação de linhas, ou fibras, em superfícies planas ou com volume, de

acordo com uma técnica específica, teria se iniciado com a cestaria e se desenvolvido por

meio da tecelagem. Posteriormente, surgiram os bordados, os quais eram colocados sobre o

tecido.

Com o passar do tempo, os bordados se aperfeiçoaram, e, como parte da sua

sofisticação, foi retirado o tecido sobre o qual ficava, surgindo assim a renda. As rendas

surgiram, de acordo com Ramos et al (1948 apud BRUSSI, 2009, p. 13), como resultado do

desejo “de quebrar a monotonia do bordado fechado sobre um fundo compacto de tecido pré-

existente”.

Quanto à origem da renda de bilros, Brussi (2009) destaca que, assim como a origem

da renda de agulha, a de bilro vem sendo motivo de disputa de autores de nacionalidades

diversas, sendo que autores belgas defendem que sua criação ocorreu em Flandres,

apresentando como prova um quadro de Quentin Mesisys, de 1495, que retrata uma jovem

fazendo rendas em uma almofada semelhante às utilizadas na Bélgica. Ocorre que outros

autores, atribuem a autoria verdadeira desse quadro ao filho de Quentin Metsys, e, sendo

assim, sua criação teria sido datada após o surgimento da renda de bilro na Itália.

Segundo informações do Brasil cultura

27

, os pesquisadores que defendem que a renda

de bilro surgiu em Flandres, na Bélgica, no século XV, entendem que de lá se espalhou pela

Europa, em especial para a Itália e França, até chegar a Portugal e arquipélago dos Açores,

principais centros de produção.

Ramos et al (1948 apud BRUSSI, 2009, p. 19), por sua vez, afirmam que sua origem

vem do século XV, tendo como berço a Itália setentrional, mais precisamente, Milão e

Gênova, cuja lenda da renda de Vênus confirmaria a origem italiana:

A lenda fala de que um marinheiro ofereceu à sua noiva um ramo de coral

denominado Mermaid's lace, ou “renda da sereia”. A moça ficou encantada

com a delicadeza da planta e, com receio que se desintegrasse com o tempo, tentou imitar seus lindos nós com a agulha. Sua tentativa teria resultado na criação da renda.

Uma outra lenda diz que um jovem pescador usando pela primeira vez uma rede de

pescar tecida pela sua noiva, apanhou do fundo do mar uma belíssima alga petrificada, que

ofereceu à sua eleita. Tempos depois, partiu para a guerra. A noiva, saudosa e com

pensamento voltado para o ausente, um dia, teceu outra rede que reproduziu o modelo da alga;

os fios dessa rede eram terminados por pequenos chumbos. Assim, foi descoberta a renda

chamada “a piombiini” ou de chumbos; os chumbos foram posteriormente substituídos por

bilros. Dessa forma, de um pensamento amoroso teria surgido a renda de bilros.

Anos depois, a arte do rendado teria chegado à França, invadindo a Corte do Rei Luís

XIV e chegando aos centros produtores de Portugal.

No Brasil, considerando que, no início da colonização, poucos eram os brasileiros que

se vestiam com tecidos, e os que o faziam, importavam tecidos sofisticados do Oriente e da

Europa, infere-se que tenha aqui chegado com as primeiras mulheres portuguesas vindas de

áreas costeiras daquele país, onde, tradicionalmente, as rendas eram produzidas e que, ao

virem para o Brasil, trouxeram a atividade da renda para enfeitar trajes e alfaias da igreja,

além de toalhas, cortinas, lençóis e peças do vestuário da nobreza.

Após assentarem-se no Nordeste brasileiro, seguiram pelos estados das áreas costeiras,

em sua maioria, áreas de pesca, onde permanece até hoje a atividade de pesca e de renda: na

região Norte (Pará), Nordeste (Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande

do Norte, Sergipe e Bahia), no Sudeste (Rio de Janeiro),e no Sul (Santa Catarina).

De acordo com Ângelo (2013), a renda de bilro surgiu em Santa Catarina por

influência dos açorianos. Os primeiros imigrantes partiram do porto de Angra do Heroísmo,

na Ilha Terceira, rumo ao Brasil, em 21 de outubro de 1747, chegando ao destino em 6 de

janeiro de 1748. Para sobreviver, os homens pescavam com redes artesanais, e como se

demoravam muito tempo na pesca, suas mulheres ocupavam o tempo livre tecendo em

almofadas de bilro.

As rendas eram vendidas no mercado ou trocadas por produtos de necessidade básica

para reforçar o orçamento familiar, numa tradição cultural, passada de geração para geração, e

que originou o ditado popular “onde há rede, há renda”.

Segundo o IPHAN (2011, P. 18), o Ceará se destaca, dentre os estados nordestinos, no

que tange à tradição do artesanato da renda de bilro e, com sua propagação, a renda chegou ao

Maranhão, com menor intensidade em cidades como Pastos Bons, Caxias e São Luís e tendo-

se sobressaído em Raposa.

3.3.2 A renda em Raposa