• Aucun résultat trouvé

Effet du sport sur le muscle

3. Le sport, passage obligé dans la lutte contre l’obésité : bienfaits corporels,

3.1 Physiologie de l’exercice

3.1.1 Effet du sport sur le muscle

Falar do próprio trabalho implica falar a posição em que se vê ocupando, no cenário institucional em que as relações se desenvolvem. A análise disso, no caso dos educadores, possibilitou-nos identificar alguns aspectos de interesse, tais como o quão pode ser especial ser um professor da educação especial. Vejamos:

[...] e hoje eu vejo, assim, que muitas coisas, né, é... pra trabalhar com aluno com maior dificuldade, eu utilizo até recursos que eu utilizei com meus filhos quando eram menores, né. Você, você vê, é... a necessidade daquele aluno, né, na idade, que ele se encontra, pode ser jovem, adolescente ou velho, mas, mas a necessidade de um carinho ou então uma intervenção de uma criança menor. Então eu volto lá atrás, eu penso nos meus filhos, em como eu faria e eu consigo os resultados com isso, né. Então, eu, ahn, eu acho que é paixão mesmo. (Gláucia)

[...] a dona da escola, ela falava: – “As pessoas acham que o professor entra em educação especial por dois motivos: ou porque morre de pena, ou por status”. Porque um tem... um tempo atrá, até dava status falar, né, que trabalhava com educação especial. [...] É... nossa! E as pessoas ficam... nossa, ficam comovidas: – “Que trabalho lindo! Que Deus lhe abençoe! Como você é abençoada!” Eu... é... não. Eu sou uma pessoa normal, eu simplesmente escolhi esta área porque eu gosto, porque me desafia, né, e porque nessa área eu tenho a possibilidade de fazer inúmeras coisas que eu gosto de fazer e na educação formal eu não consigo, não poderia fazer. (Gláucia)

E- Mas você escolheu lá [unidade de terapia educacional]por que te ofereceram ou você sabia como era o trabalho?

Melissa – Sabia... eu sabia. Aí eu fui pra lá e eles tinham a experiência... Eu não sei, a experiência que eles passaram, pra mim, assim, é... o pedagogo nunca ficava, é... assim, ficava uns meses, depois saía. E, na realidade, lá, quem... como era um trabalho em grupo, quem tinha que, que puxar era a pedagogia, né. Fazer um trabalho... E elas não tinham experiência, assim, na área delas, né? [...] então eu levava as atividades... e a gente ia adaptando. E nós montamos um grupo assim, ó, que... super engajado. Nossa, o olhar era o mesmo! Foram [...] dois anos, acho... Maravilhoso! E as crianças cresceram, assim, o ganho foi muito grande. Tanto que a, que a gente começou a encaminhar prá cá [escola de educação especial]. Nossa turma foi a pioneira, porque antes: —“Ai, não... mas o pessoal não aceita...” – “Como, não aceita?” Eu procurava né, conversar... eu trazia o caso, discutia, aí a gente... aí eu encaixava numa sala que eu achava legal, com uma professora super legal, né... – “Então tem que dar certo...”; foi a Deby, a primeira. Aí depois foi vindo... Os que, os que não eram usuários de cadeira de rodas... começou com o Fermino. [...] e já estava mudando o perfil daqui. Aí a gente foi encaminhando e foi dando certo, né. Aí ficaram só os usuários de cadeiras de rodas, por quê? Aí não tinha uma infraestrutura e nem transporte pra trazê-los, né? Eu me empenhava, então

não adiantava a gente tentar encaminhar sem estar em condições, né? (Melissa)

Eu trabalhava com, eu sempre peguei a turma de jardim, que é a turma de cinco, quatro pra cinco anos.[...]Todos surdos. Então, era super gostoso, porque era a minha salinha, eram meus alunos, oito ou dez alunos, que tinha no máximo. E eu trabalhava com eles, eu ensinava e via o crescimento de cada um, eu via como eles entravam no começo, depois eu via no meio do ano e no final do ano eu tinha um resultado assim bem grande do conhecimento que tinham aprendido ali, a parte de coordenação motora, a parte de conhecimentos gerais, de LIBRAS, tudo. [...] (Bibiana)

Gláucia, apaixonada, conforme diz, pela educação especial, faz um paralelo entre seus alunos “com maior dificuldade” e seus próprios filhos, quando estes “eram menores” (“... pra trabalhar com aluno com maior dificuldade, eu utilizo até recursos que eu utilizei com meus filhos quando eram menores”). Fala, em seguida da necessidade que identifica no aluno de um carinho ou de uma intervenção e deixa explícita a relação que estabelece entre a forma como educou os seus filhos e a forma como age, como professora. Gláucia usa a referência da vida familiar e do lugar de mãe ocupado por ela para atuar como educadora, uma referência doméstica e pessoal.

No segundo extrato, a educadora diz ser “uma pessoa normal”, quando diante de situações que enaltecem o trabalho que faz e explicita a diferença que vê entre a educação especial e a “educação formal”. Na primeira, ela teria espaço para trabalhar como gosta. Gláucia, mais uma vez, aproxima seu trabalho da informalidade da vida doméstica. Note-se que à educação que não é a educação especial, ela apõe o qualificativo “formal”. Donde se poderia supor que a educação especial ficaria no polo da informalidade. Informalidade essa que, embora comova as pessoas, para Gláucia foi uma escolha, movida pela paixão.

Já com Melissa, vemos que, ao assumir outra inserção profissional, ela depara com colegas que

não tinham experiência, assim, na área delas

”, de modo que “quem tinha que

puxar era o pedagogo”. Neste ponto, destaquemos que a experiência pregressa de Melissa parece ser um elemento que a distingue das demais colegas, já que estas não tinham experiência. Por outro lado, ela sublinha a vantagem do trabalho em equipe e o fato de que, além de ser “um grupo super engajado”, “o olhar era o mesmo”. Vemos ainda que, se a entrevistada parece nivelar o grupo pela ausência de experiência em assunto sobre o qual ela parece já se considerar experiente, ela o reafirma pela distinção que estabelece entre os dois ambientes em que trabalhava, de tal modo que sua atuação vai ser destacada, em sua fala (“Nossa turma foi a pioneira”), como um dos vetores que possibilitou a passagem dos usuários da unidade de terapia educacional para a escola de educação especial. Nesta última,

ocorre como que uma entronização dos mesmos em uma condição mais próxima do lugar de alunos, desde que alguns pré-requisitos sejam cumpridos. Um deles é ser ou não ser “usuário de cadeira de rodas”. Isso porque haveria não só diferença entre a forma de trabalhar, em um e outro contexto institucional, como há, também, graus distintos de dependência, desses usuários. Naquele momento, tais usuários pareciam ser os menos especiais, dentre os especiais: “Aí não tinha uma infraestrutura e nem transporte pra trazê-los, né? Eu me empenhava, então não adiantava a gente tentar encaminhar sem estar em condições, né?”