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Effective Lagrangian from a modified three-graviton vertex

O homem do mundo técnico-industrial move-se no plano da função e da funcionalidade pura. À luz do esforço da mentalidade tecnocrata, vê-se que o progresso e as exigências da técnica acentuam uma redução profunda da diversidade humana e um nivelamento progressivo do modo como o homem vive e constrói suas relações. No ato de reduzir o Ser à dimensão contratual excluem-se, precisamente, as condições metafísicas e humanas do seu desenvolvimento. As relações do ser-a-ser e do ser-com se perdem numa espécie de anonimato, “num mundo onde o sentimento das relações pessoais ou intersubjetivas se obnubila progressivamente” (MARCEL, 1951b, p. 179).

97 Marcel descreve sua experiência com este movimento, numa carta-depoimento (resposta) endereçada a três grandes amigos: o filósofo Roger; Paul, que era de tradição protestante e Thierry, um padre que estava começando sua vida provinciana. O primeiro contato de Marcel com o movimento do rearmamento moral se deu em 1933. Assim, ele mesmo diz: [...] No curso destes últimos anos, recebi frequentemente a visita de uma certa pessoa, diretamente empenhada na atividade do Rearmamento Moral, que me vinha informar do que se passava em diferentes países. Creio, porém, poder dizer que o encontro foi decisivo para mim, foi o que tive em Tóquio, novembro último, com personalidades americanas e japonesas, que desempenharam papéis de primeiro volume. Os relatos que me foram feitos em Tóquio trouxeram-me a prova irrefutável de um fato capital: que o Movimento exercia, agora, uma influência direta sobre a vida política de um certo número de países do Extremo Oriente e de homens de Estado, como o Presidente das Filipinas, o Primeiro Ministro do Japão, etc. [...] Será preciso responder que os homens e as mulheres do Rearmamento Moral, posto que façam abstração da religião confessional à qual aderem por outro lado, não se julgarão, sem dúvida, obrigados a responder a esta pergunta, porque estão envolvidos numa experiência toda nova, numa aventura que dispensa completamente, a necessidade de doutrinação [...] Trata-se de participar, autenticamente, da experiência de uma fraternidade vivida. Estamos aqui, infinitamente além do que chamamos de hábito, a tolerância [...] Não deixem de observar, por outro lado, que o caráter absoluto dos quatro padrões - honestidade, pureza, altruísmo e amor – é precisamente função de valor da sobrelevação ou de transcendência que é aqui essencial, e considerem, também, que reencontramos depois de tudo, sob uma outra forma, esta simplicidade da qual falei no início [...] Para concluir, direi, como aliás declarei publicamente em Caux, que o que me sensibiliza, antes de tudo, é que aí se encontre realizada uma surpreendente conjunção do mundial e do íntimo [...] (MARCEL, 1958, p. 4-21).

Condicionado à dimensão do serviço, o homem se perde na sua própria determinação; autocentra-se, isola-se, enclausura-se, vive como se fosse o centro do universo e passa a considerar “os outros como se fossem obstáculos que deve superar ou evitar” (MARCEL, 2005, p. 31). Como centro ao redor do qual tudo gira, ele não só perde a noção de si, como tenta reduzir o outro a uma mera síntese imaginativa. O outro ser torna-se um dado, uma sigla, um número e um código, “cuja natureza humana se perde á medida que se transforma num instrumento técnico e impessoal” (MARCEL, 1968, p. 70). O homem degrada e despersonaliza suas relações.

“A despersonalização das relações humanas corresponde a um progresso, a uma espécie de sublimação” (MARCEL, 1951b, p. 181), onde a dimensão ontológica do Ser se confunde com as noções de utilização e funcionalização. A relação pessoal sai do âmbito da comunicação intersubjetiva para habitar o campo desértico da mercantilização; do encontro entre o eu e o tu, para o lugar onde o outro só é contemplado pelo viés da função e do papel que exerce no contexto sócio-profissional.

A despersonalização das relações humanas é resultado da degradação do próprio sujeito. Cativo do adestramento mental da lógica técnica, o sujeito se desnaturaliza. “O Ser se confunde com uma vaidade que não é mais que sua degradação” (MARCEL, 2005, p. 89). O homem perde a noção de si e confunde o sentimento que tem sobre si mesmo, com seus predicados, atributos, conquistas e descobertas. Ele se submete à concepção idealista da unidade de pensamento e se transforma num objeto, “que já não pode pensar-se a si mesmo (como pensante) sem converter este eu pensado em algo que não é nada e que é, portanto, contradição pura” (MARCEL, 1968, p. 38).

Reduzido ao mundo da coisa, o homem encarcera o outro ser quando o assimila aos princípios da organização e do rendimento. Impelido pelo funcionalismo, o Ser se generaliza, se abstrai e deixa-se modelar pelas técnicas de aviltamento. Na ausência de equilíbrio interior, entre progresso técnico e desenvolvimento humano, “pode-se dizer que hoje um ser perde tanto mais consciência da sua realidade íntima e profunda quanto mais depende de todas as mecânicas que lhe asseguram pelo seu funcionamento uma vida material tolerável” (MARCEL, 1951b, p. 51-52).

Pelo fato do homem pretender, a qualquer custo, o alcance dos ideais puramente técnicos, o centro da sua vida passa a ser externo, afirma-se na dimensão do ter, na condição que lhe situa progressivamente, na esfera da coisa e no âmbito das técnicas e das tecnologias que depende para existir. “Não seria excessivo dizer que quanto mais o homem em geral consegue o domínio da natureza, mais o homem em particular se torna escravo dessa mesma

conquista” (MARCEL, 1951b, p. 52). Na crise de autenticidade o homem se coisifica e perde a noção real do sentido de sua existência (MARCEL, 1940, 2003).

De acordo com Gabriel Marcel, “a crise do homem ocidental é uma crise metafísica” (1951b, p. 34), é uma crise cujo vazio se acentua numa agonia existencial. “Neste encadeamento surge em plena luz a ação aviltante da técnica. É a noção mesma da vida que se avilta, e o resto vem por acréscimo” (1951b, p. 55-56), de tal maneira que o homem fica “preocupado e melancolicamente descontente consigo mesmo; ademais este descontentamento está condenado a converter-se em irritação contra o outro e em degenerar em uma espécie de acrimônia metafísica” (MARCEL, 2005, p. 121). Na desvitalização, o homem preocupa-se apenas consigo mesmo, encerra-se, reduz-se, desqualifica-se e esvai-se em mero verbalismo.

Na inquietação do homem, a reciprocidade se desvaloriza, perde sua importância e vitalidade. O Ser compromete a capacidade de ligar-se humanamente ao outro, de viver e existir em comunidade, disponível e fraternalmente. O homem não libera o Ser de si mesmo, mas, o prende e o condiciona aos seus próprios vínculos e concepções. Instigado por paixões conceptuais e partidário-religiosas, o homem trata seu próximo como objeto, com uma apreensão simbólica desprovida de sentido espacial e temporal. “Mas filosoficamente falando, implica certa posição de mim mesmo frente ao outro e, eu diria, uma espécie de ausência radical ou de ruptura entre os dois” (MARCEL, 1968, p. 209). O Ser torna-se refém do abstrato e alvo do caos e da tirania. Num mundo onde os indivíduos são reduzidos a elementos abstratos, percebe-se a perda, como nos diz Gabriel Marcel,

[...] no sentido mais profundo da consciência de si, isto é, antes de tudo, das regulações transcendentes que lhe permitem referenciar o seu proceder ou intenções, está cada vez mais desarmado perante as forças destruidoras desencadeadas em torno e perante as cumplicidades que elas encontram no fundo de si mesmo (MARCEL, 1951b, p. 67-68).

Na intenção de superar a si mesmo através do desenvolvimento técnico “o homem não transcende, regride, retrocede e fica aquém de si mesmo” (MARCEL, 2005, p. 38). Conduzido pelos pressupostos da técnica, o homem não discerne entre sua condição terrestre e seu enraizamento existencial, que supõe uma inserção no local e uma individualização nos hábitos; algo que é negado pelo progresso técnico. Neste sentido,

O desenvolvimento ou invasão da técnica fatalmente oblitera e apaga no homem o mundo de mistério, que é simultaneamente o da presença e o da

esperança; não basta efetivamente dizer que neste registro desejo e medo ultrapassam todo limite, mas que a natureza humana tende a tornar-se cada vez mais incapaz de elevar-se acima de um e outro, e de atingir pela prece ou pela contemplação uma esfera transcendente às vicissitudes terrestre. O aperfeiçoamento da técnica contribui para tornar o homem cada vez mais terrestre; pode observar-se correlativamente que quanto mais o homem está jungindo a terra, mais será conduzido necessariamente a multiplicar e aperfeiçoar as técnicas que lhe permitem consolidar as suas conquistas e assegurar a sua posição (MARCEL, 1951b, p. 83).

Ao colocar o primado da técnica sobre o humano, o homem da era técnico-industrial despersonaliza sua relação consigo mesmo, o outro e sua dimensão transcendente. Ele se desenraiza espiritual, existencial, social e comunitariamente. Sua vida passa a ser comparada a um material qualquer, “onde o desinteresse pela realidade viva é cada vez menos entendida como dom que se transmite e cada vez mais assimilada a uma como fatalidade incompreensível a que conviria pôr um dique” (MARCEL, 1951b, p. 84).

A despersonalização das relações humanas transforma-se, de acordo com Gabriel Marcel, em um problema de importância metafísica, em uma inquietude na qual se postula a urgente carência de uma tomada de posição, onde “cada um de nós deve multiplicar à sua volta as relações de ser a ser, e lutar tanto quanto puder contra a redução do homem a qualquer espécie de anonimato” (MARCEL, 1951b, p. 185). É necessário ressaltar “que só a transcendência autêntica pode deixar subsistir a liberdade humana” (MARCEL, 1951b, p. 219).

É preciso assumir uma atitude de resistência, por onde seja possível substituir a cultura da comparação e da concorrência, pelo espírito da fraternidade e do acolhimento ao outro. É preciso assumir um modo de convivência intersubjetiva em que o eu gira em volta do outro Ser; onde a ideia do ser próximo não se limita à dimensão geográfica nem à perspectiva reducionista de um eu igual a mim. Falamos do encontro no qual a igualdade não se confunde com a fraternidade, da vivência da comunicação interpessoal, onde “o sentimento de superioridade acompanhado de alegria, é da categoria da admiração, isto é, um impulso, um jato, uma criação” (MARCEL, 1951b, p. 187).

A intensificação da exigência ontológica exige uma reflexão sobre a ordem da relação que o homem mantém com sua própria vida. “Pois é a ele que cabe pôr-se à disposição da vida, e não pôr a vida a sua disposição” (MARCEL, 2005, p. 125). Podemos dizer que, num mundo dominado pelos critérios da técnica, cabe ao homem voltar a encontrar as fontes perdidas de seu próprio fulcro existencial; buscar diretamente desnudar a condição humana e suas implicações e reconhecer que, ao lado da regência cósmica das suas faculdades

intelectuais, se faz necessário um olhar mais digno do humano, “que lhe permitirá aperfeiçoar em tal grau a sua ciência e a sua técnica” (MARCEL, 1951b, p. 88).

1.4 Os limites da civilização industrial: entre a condição subvertida do ‘homem da