7. HLADH-CATALYZED OXIDATION OF CBZ-AMINO ALCOHOLS
7.2 Materials and methods
7.3.1.2 Effect of the substrate Cbz-β-amino propanol and the product Cbz-β-
No Ceará, por iniciativa do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT- CE), foram promovidas duas edições do Prêmio TRT7 de Jornalismo, uma em 2009 e a outra no ano seguinte. De acordo com o regulamento da primeira, o objetivo era o de “estimular profissionais de jornalismo e os veículos de comunicação social para a abordagem de temas que tratam do ‘mundo do trabalho’, enfocando ações indutoras
ao processo de desenvolvimento humano como instrumento da harmonia social” (TRT 7, 2009, p. 1). Os temas do concurso foram “O trabalho como valor social”, em 2009, e “O trabalho como matriz de direitos”, em 2010 (TRT 7, 2010, p. 1).
Em ambas as edições, o certame foi dividido em cinco categorias: jornalismo impresso; telejornalismo; radiojornalismo; fotojornalismo e universitário (TRT 7, 2009, p. 2). Podiam participar jornalistas profissionais com registro no Ministério do Trabalho e Emprego e estudantes de jornalismo devidamente matriculados. Cada participante podia concorrer em apenas uma categoria com até três trabalhos, desde que não tivessem sido premiados em concursos ou prêmios anteriores. Para os autores de trabalhos vencedores, em cada categoria, foi estipulado prêmio de R$ 10 mil e, para os segundos colocados, de R$ 2 mil, exceto para as categorias fotojornalismo e universitário, que, ficaram, respectivamente, com R$ 6,5 mil e 3,5 mil para as primeiras colocações – a quantia de R$ 2 mil foi mantida para os segundos colocados nessas duas últimas categorias. No total, em cada uma das duas edições do prêmio, foram distribuídos aos vencedores R$50 mil.
Nas declarações do então presidente do TRT-CE, disponíveis no excerto a seguir, também se percebe uma avaliação que vislumbra dois grandes objetivos que justificam a realização do concurso. Um é o fortalecimento da imagem e da visão institucional do tribunal e o segundo consiste na circulação de discursos que interessam à instituição, o que ocorre a partir do trabalho do profissional jornalista.
[...] mostrou a capacidade de entendimento na relação de trabalho entre empregado e empregador a partir das matérias veiculadas pela mídia, o que dá um retorno multiplicado para o Tribunal, porque nós percebemos, que com a mídia, empregados e empregadores ampliaram seus conhecimentos a respeito dos direitos trabalhistas (PARENTE DA SILVA, 2009).
Na citação, o desembargador indica outra potencialidade que advém da estratégia discursiva do prêmio de jornalismo, que é a educação para a vivência e vigilância de direitos: “[...] empregados e empregadores ampliaram seus conhecimentos a respeito dos direitos trabalhistas”. É preciso que se fale sobre esses direitos e também sobre suas eventuais negações, pois o sentido desses direitos e também a sua configuração estão em disputa. Nesse sentido, mais uma vez, percebe- se como a associação da imprensa com os órgãos trabalhistas é benéfica a ambos e também à classe trabalhadora, pois esse diálogo estimula um debate amplo e urgente sobre cidadania e dignidade nos ambientes de trabalho.
No Prêmio TRT7 de Jornalismo não há, oficialmente, uma hierarquização entre as categorias, ou seja, não se criou uma categoria ou premiação para eleger determinado conteúdo como principal, mas, observando a política de remuneração adotada, percebe-se certa desvalorização no que diz respeito às categorias fotojornalismo e universitário71. Assim, sem uma categoria eleita como a mais importante do prêmio, a tarefa de definição do conteúdo para o corpus precisou adotar outros critérios, a serem expostos a seguir.
Antes disso, é preciso resgatar alguns dados, que nos situam com relação a esse prêmio. De uma edição para a outra, houve repetição nos premiados das categorias que melhor remuneram (impresso, rádio e TV): Jornal Diário do Nordeste; TV Verdes Mares (afiliada à Rede Globo) e Rádio Universitária FM ganharam em suas respectivas categorias tanto em 2009 quanto em 2010 (TRT7, 2009 b), (TRT 7, 2010 b). Além disso, na categoria universitário, os primeiros colocados, nos dois anos em que o evento foi promovido, eram da mesma instituição, a Faculdade Integrada do Ceará (FIC). Um terceiro destaque é que, nas duas edições, não houve inscritos na categoria fotojornalismo. Em síntese, no que diz respeito somente à origem dos competidores, há uma aparente falta de diversidade nos trabalhos vencedores, uma vez que os premiados eram ligados às mesmas empresas ou organizações72.
Como ambas as edições do concurso foram muito semelhantes em sua organização, inclusive com repetição de veículos e profissionais premiados, este estudo opta por selecionar apenas um texto para representá-lo no corpus da pesquisa.
71 Essa desvalorização levanta questionamentos, periféricos à pesquisa, sobre o valor de cada suporte
ou meio, o que pode incorrer, inclusive, em uma avaliação não apenas mercadológica, mas moral sobre a realidade do trabalho no cotidiano profissional do jornalismo: fotojornalistas têm prêmio menor porque a atividade deles exige menos trabalho? Estudantes universitários ganham menos porque ainda não são profissionais? O trabalho de um ou de outro não poderia trazer inovações ou, pela qualidade, agregar maior audiência a determinados tipos de discurso? Por que profissionais de rádio, TV e impressos concorrem a prêmios maiores?
72 Tal característica pode revelar situações, que, também, são acessórias às questões centrais que
aqui se pretende discutir, mas que merecem ser pontuadas. Uma diz respeito à realidade de mercado. Talvez, como ocorre em outras praças brasileiras, o problema seja o oligopólio nos principais meios de comunicação social do Ceará – ou seja, como há poucas empresas de rádio, TV e também jornais, isso estaria limitando o número de candidatos aos prêmios, uma vez que era preciso publicar para poder se inscrever no concurso. Outra hipótese é que pode não ter havido competidores de outras instituições - essa segunda possibilidade fica mais forte quando verificamos que, em uma categoria específica (fotojornalismo) não houve inscritos em nenhuma das edições. De qualquer forma, como não se procede a uma investigação específica, não há como validar qualquer uma dessas hipóteses, da mesma forma que também precisam ser consideradas outras variáveis e realidades, como a coincidência; a capacidade e a qualidade profissional de jornalistas e estudantes das referidas instituições ou, por que não, algum nível de preferência e/ou rejeição da banca por determinadas instituições. O aprofundamento desse debate, entretanto, apesar de intrigante e relevante por envolver recursos públicos, não é crucial para a pesquisa.
Tal conteúdo foi buscado entre as três categorias que melhor remuneram, mantendo- se o critério financeiro como um dos principais parâmetros para a construção do corpus. Feito esse recorte, foi dada preferência para os conteúdos da categoria impresso, por possibilitarem a busca em arquivos digitais. Com esses filtros, a escolha ficou restrita a duas séries de reportagens publicadas pelo Jornal Diário do Nordeste. A escolhida para o corpus se chama “Trabalho e Cidadania” e é composta por conteúdos produzidos por três jornalistas durante os meses de julho a setembro de 2009 (DIÁRIO DO NORDESTE, 2009). A primeira (WANBERGNA, 2009) aborda a falta de espaço das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A segunda (MAIA, 2009), de agosto do mesmo ano, disserta sobre os sentidos do trabalho, tendo como ponto de partida a realidade social cearense do final da primeira década do século XXI. E a última (VASCONCELOS, 2009), publicada em novembro, trata da exclusão sofrida por pacientes com esquizofrenia no mercado de trabalho.
Das três reportagens que integram a série73, foi selecionada apenas a segunda (MAIA, 2009), devido à sua singularidade no contexto do jornalismo diário brasileiro. O conteúdo traz reflexões sobre os sentidos do trabalho no Brasil contemporâneo, discutindo teorias sobre o trabalho sem perder de vista a realidade desse objeto no país e, especificamente, no Ceará. A abordagem da matéria tem relação direta com os objetivos deste estudo, o que possibilita um diálogo objetivo sobre trabalho e trabalhador, tendo em vista que, na reportagem, ambos são dados de maneira explícita e reflexiva, de forma semelhante a que buscamos fazer nesta ADD.
73 Para se chegar aos conteúdos da série “Trabalho e Cidadania” foi preciso entrar em contato com
uma das autoras, o que ocorreu por meio de mídias sociais. Não usual, tal procedimento foi necessário porque houve dificuldade em obter acesso a informações oficiais sobre os conteúdos premiados. Toda a informação disponível relacionada ao concurso estava na forma de matérias isoladas publicadas na página do tribunal. Não foi encontrado hotsite ou página específica que reunisse os dados sobre o certame. Além disso, as matérias institucionais não eram precisas no tratamento das informações relacionadas aos participantes do concurso, especialmente sobre os conteúdos vencedores. No caso da apresentação de séries de reportagens, por exemplo, havia menção, apenas, ao nome genérico dado para as coletâneas, não sendo possível identificar quantas e quais reportagens as integravam. Foram enviados pedidos de informação pelos canais oficiais do tribunal solicitando a confirmação de dados como esses, porém, até a finalização deste estudo, os questionamentos não foram respondidos. Houve, apenas, um retorno da ouvidoria do tribunal, que recomendou o contato direto com a assessoria de comunicação, que, por sua vez, não respondeu aos questionamentos. De qualquer forma, com a triangulação dos dados disponíveis e com a colaboração de uma das autoras da série, a quem agradecemos, foi possível efetuar os recortes necessários.