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Fonte: WRNP - 2005

Simielli (1986) analisa os Modelos de comunicação cartográfica apresentados até aquele momento e avalia o mapa como meio de transmissão da informação. Kanakubo (1995) avalia o processo de evolução da Cartografia teórica contemporânea, abordando a produção nesta área em vários países.

No âmbito da Geografia quantitativa, há a sobrevivência da representação cartográfica, ou, mais especificamente, das bases cartográficas como suporte para a construção de modelos matemáticos. Essa tendência hoje em dia é bastante clara na utilização dos Sistemas de Informações Geográficas, que na essência coincidem com os propósitos da escola francesa de La Blache – com maior sofisticação tecnológica, porém com menor vinculação a um método geográfico que era mais evidente tanto na escola francesa quanto na proposta hartshorniana.

No período seguinte, a Geografia teve um papel bastante diferenciado; apoiada no materialismo histórico e dialético, ela foi denominada de Geografia critica. A Cartografia nessa vertente da Geografia passa a ser considerada como fundamental para a prática do ensino geográfico.

2.3. A Cartografia na Geografia Crítica

A Geografia Crítica surge na década de 60, com base nos procedimentos metodológicos dialéticos, apoiada na filosofia marxista, visando integrar os processos sociais no estudo e análise das formações sócio-econômicas espaciais.

Em uma obra significante que marca o início desta corrente, A Geografia –

Isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra de Lacoste (1988), são incididas

várias censuras aos métodos e posturas políticas da Geografia anteriormente constituída. Essas críticas recaem primordialmente sobre os mapas e as atividades cartográficas nos trabalhos de Geografia, desvendando as relações de poder estabelecidas na prática cartográfica. Lacoste (1988), em sua obra Os Objetos

Geográficos, proporciona uma concepção de Geografia abordando a utilização de

mapas. Ele admite as cartas temáticas como objetos geográficos, entretanto salienta que se essas cartas forem consideradas isoladamente, passam a constituir outros campos do conhecimento que não sejam a Geografia. Para serem considerados objetos geográficos, os mapas devem relacionar vários elementos, permitindo uma análise espacial e a eventual correlação de dois ou mais fenômenos, o que caracteriza a análise geográfica do espaço. Além disso, ele preconiza a análise de mapas temáticos em várias escalas como método geográfico de análise. Lacoste realça a necessidade da preparação das pessoas para a leitura dos mapas e o conhecimento do seu próprio espaço. Ele afirma que a Geografia e a Cartografia em especial são disciplinas que abarcam um conhecimento estratégico, permitem às pessoas que têm o entendimento do seu espaço e sua representação a organizar e dominar esse espaço. O autor enfatiza neste sentido a relevância da alfabetização cartográfica, necessária para a decodificação dos produtos abstratos que são os mapas.

Nesse período, o contexto em nível internacional favorece a estruturação da Cartografia como campo específico do conhecimento. Esta reivindica a atribuição das etapas do processo de elaboração cartográfica, envolvendo da construção ao estudo dos usos do mapa. Nesse sentido, a Geografia passaria à condição de usuária e fornecedora de fundamentação para uma postura crítica das representações cartográficas.

A ocorrência do rompimento entre a Geografia e a Cartografia revela uma contradição: quando a Geografia crítica assumiu a conotação de envolvimento no movimento de transformação social, admitiu também como apoio teórico o estruturalismo. Ela é pautada nesta corrente filosófica, onde também são elaboradas as teorias sobre comunicação. Portanto, tomando-se como base a concepção do mapa como meio de comunicação dos fenômenos geográficos, ocorreria, neste sentido, condições para a análise crítica das representações cartográficas pela Geografia. Nesta linha destaca-se a obra a Semiologie graphique de Jacques Bertin (1967) onde são sistematizadas as normas para a construção de imagens racionais, na comunicação de informações de caráter científico.

Martinelli (1990) explicita que é inaceitável o geógrafo da atualidade depreciar a ação dos mapas quando admite uma Geografia com a finalidade de ser crítica. Moraes (1981) explica que os mapas deveriam revelar as contradições sociais, não bastando apenas mostrar as formas e sua funcionalidade. Ele explica que a finalidade da cartografia temática deve ser a produção de mapas direcionados para os interesses da sociedade, sejam eles estáticos ou dinâmicos, analíticos ou de síntese. Essas colocações realçam a necessidade de conscientização do poder de comunicação visual das representações cartográficas e seu papel de servir a sociedade. Portanto o objeto da representação da Cartografia temática de interesse da Geografia é o espaço, um espaço social, resultante da constante produção e reprodução humana ao longo do tempo.

O uso de elementos para a confecção dos mapas como dimensão da população e medidas temporais são denominados de anamorfoses. Segundo Fonseca (2004), atualmente os mapas apresentam as distâncias de maneira absoluta, não considerando as diferenças sociais. É exemplificada essa questão falando da proximidade (distância) de uma favela com um condomínio fechado, proximidade essa que não corresponde com as distâncias sociais entre essas duas localidades. Nesse caso a crítica recai sobre a cartografia exclusivamente euclidiana e reforça a necessidade de reflexão no sentido de se produzir uma cartografia que abarque o novo modo de compreender o espaço geográfico no movimento de renovação da geografia. Outro exemplo que se aplica a essa questão refere-se à evolução das redes de transportes e comunicações que modificaram a relação entre pessoas e espaços com a diminuição das distâncias, causada pelo seu posicionamento nessas redes. Seguindo esse raciocínio, afirma-se que a

representação espacial dos continentes deveria ser priorizada devido ao seu significado social em relação à representação dos oceanos que ocupa maior dimensão geométrica na representação do globo, porém menor significância nos estudos de Geografia Humana.

O mapa 5 a seguir, apresenta uma anamorfose da projeção da população mundial para o ano 2025. Nesse tipo de representação cartográfica a área de cada país é proporcional à população.