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Os dados foram coletados por meio da observação participante, entrevista semi-estruturada e entrevista informal, por considerar que a experiência direta com a vida cotidiana do outro, seja ele indivíduo ou grupo, é capaz de revelar na sua significação mais profunda, ações, atitudes, episódios que, de um ponto de vista exterior, poderiam permanecer obscurecidas ou até mesmo pouco nítidas.

A técnica de entrevista semi-estruturada, segundo Ludke e André (1986, p. 34), se desenvolve a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador realize as necessárias adaptações. Para Gil (1996), a entrevista mostra-se como um instrumento mais adequado frente a outras técnicas de coleta de dados, uma vez que apresenta, entre outras vantagens, a possibilidade da obtenção de maior número de respostas, pois dificilmente uma pessoa se nega a dar uma entrevista; oferece uma maior flexibilidade, posto que o entrevistador pode esclarecer o significado das perguntas e se adaptar mais facilmente às pessoas e as circunstâncias nas quais se desenvolve a entrevista; e ainda, possibilita captar a expressão corporal do entrevistado, bem como a tonalidade de voz e ênfase nas respostas.

O roteiro para a entrevista semi-estruturada foi formulado a partir da questão de pesquisa e de forma a atender ao objetivo proposto à luz do referencial teórico utilizado (Apêndice A). A escolha pela entrevista também aconteceu pelo fato de serem os próprios sujeitos a informar os dados relativos às suas condutas, opiniões, desejos, atitudes, expectativas, pensamentos, sentimentos enfim, suas experiências. As

entrevistas não obedeceram a datas pré-fixadas nem momentos únicos, mas aconteceram ao longo dos encontros e com alguns usuários e foram complementadas em encontros oportunos de acordo com a necessidade de usuários e pesquisadora. As entrevistas foram gravadas e depois transcritas na íntegra para o processo de análise.

Outra estratégia de coleta de dados utilizada, a observação participante, teve o propósito de que me engajasse na situação, observando as pessoas, as atividades e os aspectos físicos, emocionais e relacionais em cada domicílio.

A observação, como técnica investigatória requer planejamento prévio, definindo o que vai ser observado, como serão feitos os registros e de que forma serão analisados os dados (STRAUS; CORBIN, 2002). A observação sistemática foi acompanhada de um roteiro sobre os pontos a serem observados nas relações entre usuários e as equipes de ID (Apêndice B).

Neste estudo, assumi uma postura de observadora que interagia com os sujeitos do estudo, ou seja, participava das atividades cotidianas do domicílio, bem como de auxílio a cuidados junto ao usuário-cuidado, e conversava com os sujeitos da pesquisa, buscando a compreensão de suas falas e ações. O grau de participação variou de acordo com a característica da atividade e o momento da observação. Mesmo em se tratando de internação domiciliar, isto é, onde o usuário-cuidado está, na grande maioria do tempo, sob os cuidados do usuário-cuidador, acredito que o fato de prestar auxílio não descaracterizou a proposta uma vez que pude questionar sempre como ele faria se não contasse com esse auxílio, que alternativas lançaria mão, a quem recorreria, ou como estava se sentindo para desempenhar estas atribuições, como foi treinado; no caso do usuário-cuidado, como tinha sido precisar de ajuda, como se sentia frente a ajuda recebida, e tudo aquilo que o momento suscitava.

Os dados da observação foram registrados em Diário de Campo, utilizando as NO - Notas de Observação; NT – notas teóricas (reflexões acerca dos achados relacionados com o referencial teórico), Notas Metodológicas – NM, (sentimentos como pesquisadora participando da vida nos domicílios, meus erros, meus acertos, as decisões metodológicas tomadas, etc.) (MINAYO, 2010).

Na composição do corpus do estudo – material empírico, foram identificados todos os participantes presentes, tantos para os dados oriundos das entrevistas como os da observação. Assim, mesmo na transcrição das entrevistas, foram registrados todos os usuários que compartilharam o diálogo e/ou se encontravam no momento em que o mesmo ocorreu.

A coleta dos dados foi realizada de fevereiro a junho de 2009. O número de encontros, sua frequência e duração aconteceram diferentemente para cada lar devido à situação vivida, tanto pelos usuários como por mim, a fim de possibilitar ou favorecer o atendimento de nossas necessidades.

No primeiro lar a coleta de dados teve inicio quando a usuária cuidada já estava há vinte e nove dias em internação domiciliar. Esteve sessenta e quatro dias ligada ao Serviço e sua alta ocorreu devido a decisão dos usuários cuidadores pela re-internação hospitalar. Acompanhei estes usuários por um período de três meses, num total de dezenove encontros, tendo sido cinco deles após o desligamento do serviço de I.D. Quatro desses encontros aconteceram após o óbito de dona Paola ocorrido em abril de 2009 e corresponderam ao velório, duas visitas específicas de apoio aos usuários cuidadores após a morte da usuária-cuidada e mais uma entrevista com a usuária-cuidadora, previamente agendada, para avaliação dessa experiência de internação domiciliar. Cada encontro teve uma duração média de 1h 10 min. sendo o menor tempo de quinze minutos e o máximo de uma hora e quarenta e cinco minutos. Na primeira semana, quando apresentei o convite e a proposta de trabalho, realizei três encontros semanais a fim de conhecer os usuários e sua realidade. Na semana seguinte um encontro, nas demais semanas foram dois encontros semanais até a última semana em que foram realizados quatro encontros, devido a situação de vulnerabilidade em que se encontravam os usuários pelo agravamento do estado de saúde de dona Paola (Apêndice C).

No segundo lar, a coleta de dados teve inicio quando a usuária- cuidada já estava há sessenta e quatro dias em internação domiciliar. Esteve cem dias ligada ao Serviço e sua alta ocorreu devido sua decisão de buscar re-internação hospitalar. Acompanhei estes usuários por 43 dias, num total de doze encontros, tendo sido quatro deles após o desligamento do serviço de ID. Após o óbito de dona Hibiscos ocorrido em 03/05/09 realizei dois contatos telefônicos com sua filha pela dificuldade de disponibilidade da mesma em me receber por compromissos de trabalho e estudo. Os encontros tiveram a duração média de trinta minutos, sendo o menor tempo de quinze minutos e o máximo de uma hora e quinze minutos. O tempo de duração dos encontros foi determinado também pela grande dificuldade de conversação de dona Hibiscos secundária a dispnéia e sua insistência e necessidade de conversar, o que me fez tentar conciliar tão divergentes necessidades apresentadas pela mesma. Na primeira semana, quando apresentei o convite e a proposta de trabalho, realizei apenas um

encontro a fim de conhecer os usuários e sua realidade. Na semana seguinte um encontro e, nas demais semanas foram realizados dois encontros semanais até a última semana em que foram realizados três encontros, já no hospital com dona Hibiscos muito debilitada (Apêndice C).

No terceiro lar, a coleta de dados teve inicio quando o usuário cuidado estava há sete dias em internação domiciliar, portanto na fase inicial da mesma. Esteve sessenta e quatro dias ligado ao Serviço e sua alta ocorreu pela estabilidade de seu quadro de saúde. Acompanhei estes usuários durante quatro meses, num total de sete encontros, tendo sido um deles após o desligamento do serviço de ID. Os encontros tiveram uma duração média de uma hora, sendo o menor tempo de trinta minutos e o máximo de uma hora e trinta e cinco minutos. O tempo de duração dos encontros e a frequência dos mesmos foi determinado pelo ritmo da casa e necessidades dos usuários. Com estes usuários as cinco primeiras visitas foram semanais pela própria disponibilidade dos mesmos (padrão de sono, ritmo da casa e solicitação da esposa) nas duas últimas semanas passaram a quinzenais (Apêndice C).

No quarto e último lar, a coleta de dados teve inicio quando a usuária-cuidada já estava há vinte e nove dias em internação domiciliar. Esteve quarenta e dois dias ligada ao Serviço e sua alta ocorreu por avaliação e decisão da equipe. Acompanhei estes usuários por quarenta dias, num total de seis encontros, tendo sido três deles após a alta do serviço de ID. Os encontros tiveram a duração média de uma hora, sendo o menor tempo de trinta minutos e o máximo de uma hora e trinta minutos. O tempo de duração dos encontros foi determinado também pela necessidade dos usuários e sua grande receptividade. Percebi que a minha visita tinha uma conotação de lazer. Os encontros aconteceram semanalmente e com um intervalo de quinze dias entre o penúltimo e o último de forma a encaminhar minha saída do campo.

4.3.3 A saída do campo

A busca por aprofundamento e qualidade dos dados levantados implicou num significativo tempo de permanência e convivência entre pesquisadora e pesquisados. Evidentemente que a conclusão do processo de coleta de dados precisou ser preparada, principalmente porque este ocorreu no domicilio dos usuários. Por mais que tenhamos acordado com tal situação, ninguém compartilha concretamente de tamanha