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Dans le document OS PL/I (Page 156-160)

Referindo-se às diferenças entre androide, robô e ciborgue, Carneiro (1967, p. 83) traz uma definição para o termo androide que “é ‘robot’ que imita tão perfeitamente a aparência humana, que sua identificação se torna difícil com pele, olhos e músculos artificiais e, às vezes, com órgãos sintéticos semelhantes aos dos humanos”. Já Oliveira (2006, p. 09) traz outra definição para o mesmo vocábulo e afirma que o androide é um ser que sucedeu o robô e, dessa forma, é um indivíduo mais evoluído que o próprio robô.

Com o desenvolvimento da cibernética e da biologia molecular nas décadas de 1940 e 1950, os robôs da ficção científica começam a se tornar ainda mais semelhantes fisicamente aos humanos – surgem os androides. [...] O uso atual do termo androide em geral denota robôs com aparência humana, podendo ser produzidos com substâncias orgânicas ou revestidos com materiais sintéticos que imitam fielmente musculatura e pele.

A mesma autora complementa que os androides e os seres humanos sustentam semelhanças a ponto de o corpo do androide corresponder ao corpo humano, “os androides não possuem diferença biológica em relação aos humanos. [...] Freqüentemente, as histórias de ficção científica apresentam androides criados à imagem e semelhança do homem justamente com o objetivo de substituí-lo” (OLIVEIRA, 2006, p. 10). Oliveira (2003, p. 188-189) ainda sustenta que:

O uso atual do termo androide em geral denota robôs que reproduzem a aparência humana, podendo ser produzidos com substâncias orgânicas ou revestidos com materiais sintéticos que imitam fielmente musculatura e pele. Autênticas reproduções humanas, os androides são considerados seres mais evoluídos que os robôs, e freqüentemente alcançam níveis de complexidade mental - e até emocional - que rivalizam com os humanos.

Já o ciborgue é uma das concepções da junção de máquina com corpo humano. Oliveira (2003, p. 179) relaciona a figura do ciborgue à interação do ser humano contemporâneo com a tecnologia e expressa que “o ciborgue – figura híbrida de animal e máquina, habitante de mundos naturais e construídos, ponto de interseção entre realidade e ficção – é a figura que melhor incorpora as complexas questões do humano em suas novas conexões com o mundo”. A autora complementa com uma definição de ciborgue e traz outra nomenclatura que também significa ciborgue, que é “ser biônico”.

Produtos da imbricação entre humanos e autômatos, as misturas entre corpos biológicos e artefatos mecânicos, inteligências naturais e memórias artificiais recebem o nome de seres biônicos ou ciborgues. O mito do ciborgue se tornou familiar à cultura ocidental desde o início do século XX (OLIVEIRA, 2003, p. 192).

De acordo com Lucia Santaella (2004, p. 185), o termo ciborgue é a junção do fragmento de duas palavras cib(ernético) e org(anismo) e foi inventado em 1960 pelos cientistas Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline “para designar os sistemas homem-máquina auto-regulativos, quando ambos aplicavam a teoria de controle cibernético aos problemas que as viagens espaciais impingem sobre a neurofisiologia do corpo humano” (SANTAELLA, 2004, p. 185). A escritora e filósofa Donna Haraway utilizou-se do termo ciborgue como objeto de reflexão ao escrever o Manifesto ciborgue, em 1985, pelo qual é mundialmente conhecida. A autora traz, logo no início do Manifesto, uma definição de ciborgue de acordo com sua perspectiva:

Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção. Realidade social significa relações sociais vividas, significa nossa construção política mais importante, significa uma ficção capaz de mudar o mundo. [...] A ficção científica contemporânea está cheia de ciborgues – criaturas que são simultaneamente animais e máquina, que habitam mundos que são, de forma ambígua, tanto naturais quanto fabricados (HARAWAY, 2009, p. 01).

As peças artificiais acopladas ao corpo humano, particularidade que caracteriza um ciborgue, podem substituir diversas funções do corpo, e Santaella (2004, p. 201) acrescenta, com a exemplificação de diversos elementos, como se dá a caracterização de um ciborgue.

São alterações fundamentais do corpo, visando aumentar sua funcionalidade interna. O espectro de possibilidades é amplo, desde as lentes corretivas para os olhos, aparelhos auditivos e as próteses funcionais para substituição de partes do corpo, como próteses dentárias, juntas artificiais etc., até a substituição de funções orgânicas, tais como marca-passo, órgãos artificiais, implantes de biochips.

Sibilia (2015, p. 145) fala em absorver as máquinas ao corpo humano, e aqui podemos afirmar que essa também é uma definição cabível ao termo ciborgue: “No último milênio construímos nossas máquinas, e neste nos converteremos nelas. Não precisamos temer porque nós, do mesmo modo que acontece com qualquer artefato tecnológico, as absorveremos em nossos corpos”. Já Santaella (2004, p. 187) define o ciborgue como “composto de partes

orgânicas e próteses maquínicas. Uma prótese é a parte ciber do corpo. Ela é sempre uma parte, um suplemento, uma parte artificial que suplementa alguma deficiência ou fragilidade do orgânico ou que aumenta o poder potencial do corpo”. Assim, com frequência constata-se o uso do termo e do próprio ciborgue como personagem em obras literárias e cinematográficas.

Por fim, o robô. De acordo com diversas fontes (MARTINS, 2004; CARNEIRO, 1967; OLIVEIRA, 2006; MATARIC, 2014), o termo “robô” foi utilizado pela primeira vez por Karel Capek na peça teatral denominada R.U.R. (Rossum’s Universal Robots, traduzida como Robôs Universais de Rossum), que foi encenada inauguralmente em Praga, República Tcheca, em 1921. A palavra robota, em tcheco, significa trabalho forçado ou compulsório, referindo-se à mecanização do trabalho. Já a palavra robotnik é utilizada para designar servo ou os seres mecânicos que realizam as tarefas pesadas.

Assim, a palavra “robô” foi adaptada a partir desses dois termos anteriores, popularizou- se e, segundo Martins (2004, p. 207), “robô” passou a ser sinônimo de “homem artificial”. Segundo a mesma autora (2004, p. 207), em R.U.R. “Rossum é um cientista que fabrica homens artificiais em série, para executar os trabalhos árduos do mundo, no lugar dos humanos. Contudo, tendo os robôs desenvolvido emoções, ressentem-se de serem usados como escravos, e, rebelando-se contra essa condição, exterminam a raça humana”. Foi a partir dessa história fictícia que os robôs passaram a ser parte de outras narrativas ficcionais, como no cinema e na literatura.

Por meio das máquinas e da tecnologia implantada nelas, os seres humanos estão desenvolvendo novas habilidades e máquinas têm sido com maior sofisticação, a ponto de poderem fazer suas próprias escolhas, se providas de inteligência artificial. De qualquer maneira, comportamentos humanos mudam com a introdução de novas tecnologias e o próprio ser humano se funde às tecnologias, o que pode ser afirmado pela citação de Domingues (1997, p. 27).

Identidades são vividas a partir de máquinas. O humano se reafirma, pois atrás de mouses, teclados, luvas, na ponta de fios, cabos, há sempre um homem com a sua energia natural que se funde à energia das máquinas. O sangue tem o mesmo valor que a corrente elétrica.

Os robôs representados em filmes de ficção científica são diferentes dos robôs existentes na contemporaneirdade mas, progressivamente, os robôs reais têm se tornado mais parecidos com a concepção de robôs que vemos em narrativas ficcionais. Oliveira (2006, p. 05) define essas diferenças ao afirmar que

Os robôs da ficção científica são qualitativamente diferentes dos robôs industriais. Estes foram projetados para realizar tarefas específicas e repetitivas, assemelhando-se a braços mecânicos, cavalos de aço ou polvos gigantes. As narrativas ficcionais reconfiguram os robôs reais dotando-os de qualidades imaginárias. Os robôs da ficção possuem forma corporal e capacidade sensorial e emotiva que os habilita a atuar no mundo humano. Só nas últimas décadas a robótica tem criado robôs parecidos com os imaginados pela ficção científica [...].

Com essa afirmação, constata-se que a realidade tecnológica está se aproximando frequente e gradualmente da ficção, e caminhamos para uma nova configuração social. Como afirma Santaella (1997, p. 41), é preciso “repensar a robótica não mais como máquinas que trabalham para o homem, mas como a emergência de um novo tipo de humanidade”. Ou seja, o que existia somente na ficção pode tornar-se real e fazer parte do cotidiano das pessoas; a sociedade constituída também por robôs inteligentes pode de fato existir e já está caminhando para esta configuração. A pesquisadora Maja J. Matarić, em seu livro Introdução à robótica, explora a capacidade que os robôs têm adquirido com os anos de desenvolvimento na área da Robótica. Os robôs são, muito além de seres somente mecânicos, máquinas pensantes capazes de resolver problemas e que poderão ter emoções e consciência num futuro próximo. Matarić (2014, p. 19) sugere uma definição técnica para o termo robô ao propor que “um robô é um sistema autônomo que existe no mundo físico, pode sentir o seu ambiente e pode agir sobre ele para alcançar alguns objetivos”. Em seu livro, Matarić desenvolve os conceitos fundamentais da robótica e define quais os elementos que uma máquina deve conter para assim ser considerada um robô. A seguir, será apresentada a concepção acerca da Robótica a partir de Matarić.

Antes disso, é pertinente introduzir o surgimento da Cibernética. Derivado da palavra grega kybernetes, cibernética significa “o que regula o movimento” ou “timoneiro” (o tripulante responsável pela navegação de embarcações). Matarić define Cibernética como um componente importante da Robótica pois estuda o “comportamento dos robôs e sua interação com o meio ambiente” (MATARIC, 2014, p. 32) e é “baseado no acoplamento, na combinação e na interação entre o mecanismo ou organismo e seu ambiente” (MATARIC, 2014, p. 27). Justifica- se uma introdução a esses estudos específicos, como a Cibernética, pois “a moderna robótica nasceu dos desenvolvimentos históricos e das interações entre várias áreas de pesquisa, como a teoria de controle, a cibernética e a IA” (MATARIC, 2014, p. 37). Resumidamente, a Robótica surgiu a partir de algumas influências:

As abordagens atuais para o controle do robô, incluindo as abordagens reativa, híbrida e de controle baseado no comportamento, surgiram a partir das influências e das lições aprendidas da teoria de controle (de sistematização do controle de máquinas), da cibernética (da integração entre sensoriamento, ação e ambiente externo) e da IA (dos mecanismos de planejamento e raciocínio) (MATARIC, 2014, p. 38).

Matarić (2014, p. 20) defende que, para que uma máquina seja considerada um robô, tem que ser autônoma, ou seja, não pode ser controlada por pessoas. A pesquisadora também compara os robôs aos seres humanos, uma vez que essas máquinas têm sensores para perceber o seu entorno e, comparativamente, os humanos compreendem o que os rodeia através dos sentidos.

Um robô é um sistema autônomo. Um robô autônomo atua com base em suas próprias decisões e não é controlado por um ser humano. [...] Robôs verdadeiros agem autonomamente. Eles são capazes de receber informações e instruções de seres humanos, mas não são completamente controlados por eles. Um robô é um sistema autônomo que existe no mundo físico. Um robô é um sistema autônomo que existe no mundo físico e pode sentir o seu ambiente. Sentir o ambiente significa que o robô tem sensores, ou seja, que possui alguns meios de perceber (por exemplo, ouvir, tocar, ver, cheirar) e obter informações do mundo. Um robô verdadeiro pode sentir seu mundo somente por meio de sensores, assim como as pessoas e outros animais o fazem por intermédio dos sentidos (MATARIC, 2014, p. 20).

Além disso, Matarić (2014, p. 41) afirma que os principais componentes de um robô são “um corpo físico, para que possa existir e trabalhar no mundo físico; sensores, para que possa sentir/perceber o ambiente; efetuadores e atuadores, para que possa agir; um controlador, para que possa ser autônomo”. Considerando esses aspectos essenciais colocados por Matarić, a pesquisadora especifica cada item e considera todos como requisitos para que uma máquina seja um robô. De acordo com a autora (MATARIC, 2014, p. 42), o corpo físico serve para que a máquina se mova e se mexa, permitindo que o robô compartilhe do universo físico com as pessoas. Os sensores (MATARIC, 2014, p. 43) permitem que o robô perceba o ambiente físico no qual está inserido; dessa maneira, a máquina obtém informações sobre si mesma e sobre os objetos que a cercam. A autonomia (MATARIC, 2014, p. 49) é elemento fundamental para que uma máquina seja considerada um robô, uma vez que um robô autônomo consegue decidir e agir individualmente, sem ser comandado por outro indivíduo ou operador humano.

Dans le document OS PL/I (Page 156-160)