CHAPTER 4. ANALYTICAL EVALUATIONS AND EXPERIMENTAL
4.1. Analytical evaluations
4.1.3. Economic assessment
As mudanças na tecnologia da informação ocorridas durante as últimas décadas reorganizaram atividades, e promoveram alterações nas relações de disponibilização e forma de acesso à informação no cotidiano da sociedade. Tais modificações imprimiram uma conotação democrática às tecnologias da informação, bem como aos benefícios proporcionados por esses recursos. Porém, no âmbito social nem todos foram contemplados com o acesso pleno a esses produtos, ou mesmo possuem competência informacional para acessar e utilizar esses instrumentos tecnológicos.
As tecnologias da informação proporcionaram o desenvolvimento de ferramentas que simplificaram as atividades executadas pelas pessoas com deficiência, principalmente quanto
ao acesso à informação, leitura de documentos e aprendizado. Nesse sentido, Pode-se
exemplificar o uso do computador no desenvolvimento intelectual e social desses indivíduos. A utilização de tal recurso foi viabilizada pelos leitores automatizados e ampliadores de tela que compõem o conjunto de recursos das tecnologias assistivas, que correspondem a produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (BRASIL, 2007).
A importância desses recursos tecnológicos é incontestável na vida educacional dos indivíduos com cegueira e baixa visão. Uma vez que a maioria das pessoas com deficiência visual no Brasil, não tem acesso às modernas tecnologias assistivas. De forma que, o acesso a esses suportes não ocorre de forma democrática, devido a seu alto valor comercial, e também pelo quantitativo de pessoal capacitado para o treinamento dos usuários as tecnologias. No entanto, devido ao alto custo, essas pessoas conseguem fazer uso de versões livres e/ou gratuitas, que permitem acessar e interagir com sistemas operacionais, e vários aplicativos.
Existe um mercado desenvolvedor e produtor de tecnologias assistiva, formado por instituições públicas e privadas, para o atendimento das demandas das pessoas com deficiência visual, conforme o Quadro 2 a seguir:
Quadro 2 - Demonstrativo de Tecnologias Assistivas destinadas a pessoas com deficiência visual
Ferramenta Produtor Funcionalidade Indicação
Ampliador de tela MAGIC
Microsystems Software, Inc.
Software para leitura e ampliação de tela, possui o recurso Speech que lê em voz alta o conteúdo.
Para uso de pessoas com baixa visão ou cegueira. Apresenta vários níveis de alto contraste e níveis de
ampliação de tela. Além de poder ser executado ao Jaws.
LentePro (DosVox) Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ
Software que amplia a tela em uma janela tendo a função de uma lupa.
Para uso de pessoas com baixa visão. Este software aceita os controles convencionais de todos os programas para Windows.
ZoomText Aisquared Amplia tamanho do que é mostrado na tela.
Para uso de pessoas com baixa visão. Este software é capaz de ampliar até 36 vezes o conteúdo da tela com alta definição.
Jaws Freedom
Scientific Blind
Software que lê o conteúdo da tela através de síntese de fala
Para uso de pessoas com cegueira. Utilizado por mais de 50.000 usuários, este software processa leitura integral, durante a utilização do Windows programas da
Microsoft.
Virtual Vision MicroPower Software que lê o conteúdo da tela através de síntese de fala.
Para uso de pessoas com cegueira. Software leitor de tela que pode ser utilizado em diversas versões do Windows, possuindo um módulo de treinamento é considerado
autoexplicativo.
Window-Eyes GW Micro Software que lê o conteúdo da tela através de síntese de fala.
Para uso de pessoas com cegueira. Capaz de ser utilizado em todas as versões do Windows ele conta também com a compatibilidade com diversos dispositivos braille.
DOSVOX Núcleo de
Computação Eletrônica da UFRJ
Software que lê o conteúdo da tela através de síntese de fala.
Para uso de pessoas com baixa visão ou cegueira.
Fonte: Mari (2011).
Pinho Neto (2014) registra em sua pesquisa que o acesso às tecnologias depende das especificidades de cada grupo para escolher os equipamentos mais apropriados a sua forma de trabalho, no sentido de criar competências informacionais para uma adequada utilização dos mesmos. Para o grupo de pessoas com cegueira que necessite de um acesso à informação específica, elas podem fazer uso do sistema braille (caso seja alfabetizada) e para aquelas que tem acesso às tecnologias computacionais, utiliza-se de leitores de tela21. Essas pessoas navegam via teclado, ou comandos de voz, recorrendo-se a um software (leitor de tela) que
21 Os leitores de tela são programas criados para reproduzir em voz tudo o que está sendo mostrado no vídeo do
capta a informação e envia para um sintetizador de voz ou para um terminal em braille (QUEIROZ, 2012).
Pode-se ilustrar como leitores de tela para uso de pessoas com cegueira: JAWS22, NVDA23, DOSVOX24, ORCA25, que conseguem ler textos digitais em formatos acessíveis26 (MELO, 2010; MARI, 2011). Por sua vez, os indivíduos com baixa visão por possuírem comprometimento parcial da visão, mesmo tendo passado por procedimento específico e correções, precisam ler textos ampliados ou com auxílio de instrumentos ópticos apropriados que são denominados como recursos de ampliação de fonte ou tela.
No campo da informática, os ampliadores de tela possibilitam a utilização do computador, cujo funcionamento compreende a ampliação do conteúdo na tela permitindo que textos e imagens fiquem em tamanhos maiores. Exemplos de ampliadores disponíveis no mercado: MAGIC27, Lente Pro (DOSVOX)28 e ZoomText29. No Windows é disponibilizado um aplicativo ampliador, denominado de lente do Windows,30 que pode ser ativado em menu acessórios e na opção acessibilidade (ROCHA, 2013; ACESSIBILIDADE, 2014).
Diante da perspectiva de uma constante evolução das tecnologias de informação e variantes de recursos acessíveis, no que se refere ao acesso à informação, o desenvolvimento e aperfeiçoamento das bibliotecas digitais devem considerar aspectos de ergonomia em suas interfaces, levando em conta a especificidade de cada indivíduo, de forma a oferecer possibilidades de executar suas tarefas e alcançar os objetivos com auxilio das tecnologias assistivas.
22 Leitor de tela que interage com o sistema operacional Windows, verbalizando todos os eventos que ocorrem no
computador. Os usuários com deficiência visual podem utilizar o computador com de teclas de atalho (SONZA, 2013).
23
Software com código aberto para o ambiente Windows, que disponibiliza síntese de voz em diversos idiomas, incluindo o português brasileiro (SONZA, 2013).
24 Interface especializada que se comunica com o usuário, em português, por meio de síntese de voz (SONZA,
2013).
25 Leitor desenvolvido pela comunidade Gnome, padronizado com sistemas operacionais Solaris, Linux, entre
outros (MARI, 2011).
26 Consideram-se formatos acessíveis os arquivos digitais que possam ser reconhecidos e acessados
por softwares leitores de telas ou outras tecnologias assistivas que vierem a substituí-los, permitindo leitura com voz sintetizada, ampliação de caracteres, diferentes contrastes e impressão em braile (MARI, 2011).
27 Software desenvolvido pela Freedom Scientific Blind, é um dos ampliadores de tela mais utilizados por quem
tem baixa visão, pois disponibiliza diversas ferramentas que facilitam a visão da tela, através de vários níveis de auto-contrastes e ampliação de tela. E pode ser utilizado simultaneamente com o Jaws (ACESSIBILIDADE, 2014).
28 Recurso de ampliação mais acessível aos usuários, já que o mesmo vem instalado por padrão em sistemas
Windows (ACESSIBILIDADE, 2014).
29
Software desenvolvido pela AiSquared, é um software que amplia até 36x com alta definição. Está disponível na versão 9.1 e acompanha também um leitor de tela (ACESSIBILIDADE, 2014).
5 BIBLIOTECAS DIGITAIS ACESSÍVEIS E INICIATIVAS NAS INSTITUIÇÕES DE