Como uma das colunas mestras desta tese é a informação e como ela é comunicada, necessita-se fazer uma abordagem teórica destes componentes. Não é objetivo de este estudo tratar nem medir se as informações comunicadas são efetivamente adotadas. Entretanto, pode- se no trabalho de campo observar se a adoção ocorre.
Segundo Lussier (2010) dados são fatos e números não organizados; já a informação são os dados convertidos numa forma que ajude as pessoas a realizar seu trabalho. Portanto, pensando com Davenport (1998) conhecimento não é dado nem informação, embora esteja relacionado com ambos. Davenport (1998) é claro:
A confusão entre dado, informação e conhecimento – em que difere e o que significa – gera enormes dispêndios com iniciativas de tecnologia que raramente produzem resultados satisfatórios. De modo geral, as empresas investem pesadamente em soluções antes de saber exatamente quais são seus problemas e o resultado, como, não poderia deixar de ser, é desastroso.
Davenport (1998), ao afirmar que dado, informação e conhecimento não são sinônimos, sugere que o fracasso ou o sucesso de uma organização pode depender de saber de qual deles precisamos, com qual deles contamos, e o que podemos ou não fazer com cada um deles. O mesmo autor cita outras entidades, como por exemplo: sabedoria,
insight, determinação, dentre outros, mas sugere que entendido os três
contemplados. Para Davenport (1998) dados são um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos [...], dados descrevem apenas parte daquilo que aconteceu; não fornecem julgamento nem interpretação, e nem qualquer base sustentável para tomada de decisão [...], dados nada dizem sobre a própria importância ou irrelevância. Porém, os dados são importantes para as organizações, em grande medida certamente, porque são matéria prima essencial à criação da informação.
Davenport (1998) apresenta informação como mensagem, o significado original da palavra “informar” é “dar forma à”, sendo que a informação visa modelar a pessoa a que recebe no sentido de fazer alguma diferença em sua perspectiva. O autor sugere vários métodos para transformar dados em informações: a) contextualização: sabemos qual a finalidade dos dados coletados; b) categorização: conhecemos as unidades de análise ou os componentes essenciais dos dados; c) cálculo: os dados podem ser analisados matematicamente ou estatisticamente; d) correção: os erros são eliminados dos dados; e) condensação: os dados podem ser resumidos para uma fórmula mais concisa.
O conhecimento é, na maioria das vezes, entendido como sendo a expressão de alguém esclarecido, inteligente, e com boa formação cultural. Mas para Davenport (1998) conhecimento é:
uma mistura fluída de experiência condensada, valores, informação contextual, e insight experimentado a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente de conhecedores. Nas organizações ele costuma estar embutido em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas, e normas organizacionais.
Portanto, o conhecimento deriva da informação e essa dos dados. Para que a informação se transforme em conhecimento o autor em tela sugere algumas perguntas: a) comparação: de que forma as transformações relativas a essa situação se compara à outras situações conhecidas? b) conseqüências: que implicações estas informações trazem para as decisões e tomadas de ação? c) conexões: quais as relações deste conhecimento com o conhecimento já acumulado? d) conversação: o que as outras pessoas pensam dessa informação?
comunicação, com vínculo social construído na comunicação comum, efetua-se num momento em que os sistemas tecnológicos complexos de comunicação e informação exercem um papel estruturante na organização da sociedade, da nova ordem mundial, o que implica necessariamente nas organizações sociais e suas complexidades (MATTELART, 2011), como pode ser o caso dos assentamentos.
Segundo Lussier (2010) comunicação é o processo de elaborar transmitir informações de modo que a mensagem entendida seja a mesma que foi transmitida.
A comunicação organizacional flui formalmente nas direções vertical e horizontal, informalmente por meio das conversas das pessoas. A comunicação vertical é o fluxo de informação que ocorre na cadeia de comando organizacional. É também chamada comunicação formal, já que em regra tem mensagens oficiais (LUSSIER, 2010). O autor continua esta idéia ao dizer que: a comunicação vertical pode ser descendente (quando um superior diz a um subordinado o que fazer e como fazer) e ascendente (quando os subordinados se comunicam com os seus superiores). A comunicação horizontal é o fluxo de informações entre pessoas que ocupam cargos do mesmo nível (é uma comunicação formal, mas não segue a cadeia de comando, ao contrário, é multidirecional) (LUSSIER, 2010). O autor conclui que a comunicação horizontal é a essência da comunicação em equipe. Portanto, pode ser esta a comunicação desejada para a boa governança.
A comunicação informal trata das conversas entre as pessoas, funcionários, colegas, assentados, que reclamam, compartilham idéias, conversas sobre questões profissionais, pessoas e banalidades. As conversas, às vezes chamadas de diferentes denominações, são muitas vezes mais ágeis do que os mecanismos de informação estabelecidos. Isso implica que, necessariamente, não raro os dirigentes precisam ser rápidos em esclarecer fatos antes que os boatos se formem, repercutindo negativamente nos negócios da organização. Ou, caso já tenham se formado e difundido, para explicar a real situação. A comunicação interpessoal mal utilizada gera desavenças, conflitos, contradições, e não raro pode gerar “fofocas”.
Assim sendo, feitas estas considerações sobre o significado da informação e comunicação na construção da governança, pode-se dizer que sem informação qualificada o conceito de capital social não se estabelece e a governança resulta prejudicada.
À luz das informações apresentadas neste capítulo passamos a apresentar o sistema de governança proposto.