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4. Analyse des données

3.1 Description de la population d’étude

3.1.3 Durée du traitement

As pesquisas empreendidas com vários corpora da Região Sul e do próprio Projeto VARSUL vêm confirmando os resultados dos trabalhos feitos com base no NURC a respeito do uso de tu cada vez mais restrito ao sul do Brasil. Sabe-se que não é coerente comparar os resultados de corpora em virtude da especificidade de cada um. Entretanto, não se podem ignorar as coincidências dos resultados a respeito da frequência e manutenção do tu em POA frente à ausência e/ou uso diferenciado desta variante tanto nas demais capitais do NURC quanto nas outras duas capitais integrantes do VARSUL.

Abreu (1987) e Abreu e Mercer (1988) debruçaram-se sobre o estudo das formas de tratamento em Curitiba e concluíram que o sistema de tratamento do PB observado na fala curitibana não é binário, mas sim ternário, uma vez que se registrou um número significativo de ocorrências da variante nula (pronome zero) concorrendo com as formas explícitas de tratamento – ora com o senhor, ora você.

Quanto ao sistema ternário composto por você ~ senhor ~ pronome zero, encontrado em Curitiba, Abreu e Mercer (1988) obtiveram o seguinte resultado:

Gráfico 02 – Uso geral das formas de tratamento em Curitiba – Abreu e Mercer (1988)

Como se observa no Gráfico 02, com a ausência de registro da forma canônica tu na capital paranaense, instalou-se o sistema ternário distribuído conforme exposto. Observa-se, portanto, que a variante pronome zero (49%) é de uso majoritário em Curitiba, contrariando a tendência de preenchimento do sujeito já observada no PB (DUARTE, 1996).

Outro aspecto a se destacar a respeito do percentual elevado da variante pronome zero é a questão da motivação pragmática dessa escolha. Como já se vem assinalando em outras pesquisas (MONTEIRO, 1994; MENON E LOREGIAN-PENKAL, 2002), os falantes estariam optando pela não realização do pronome como uma estratégia de esquiva, a fim de não se comprometer, diante da incerteza do tratamento que seria mais adequado a determinado interlocutor num determinado contexto.

A prevalência dessa estratégia pronome zero também pode ser observada nos estudos de Abreu (1987) e Botelho Ramos (1989). A distribuição das variantes documentadas por essas autoras, em Curitiba e Florianópolis, respectivamente, confere-se da na Tabela 03, a seguir.

Tabela 03 – Formas de se dirigir ao interlocutor em Curitiba e Florianópolis

Cidades Total Zero Tu Você O senhor

de Ocor.

Ocor. % Ocor. % Ocor. %

Ocor. %

Curitiba 1714 839 49 - - 530 31 345 20

Florianópolis 427 171 40 85 20 132 31 39 09

Comparando os resultados das análises nessas duas capitais do Sul, observa-se, de fato, um sistema ternário em Curitiba, no qual se alternam as formas pronome zero (49%) ~

você (31%) ~ o senhor (20%). Já em Florianópolis, vigora um sistema quaternário, de um

modo geral, uma vez que ainda há contextos favoráveis ao tu.

O estudo desenvolvido por Botelho Ramos (1989) baseou-se numa amostra de fala de 36 indivíduos nascidos e criados em Florianópolis. Nesse corpus os informantes encontram-se distribuídos por três faixas etárias e três níveis de escolaridade. A partir dos dados obtidos desta amostra, a autora constatou o uso de você entre os informantes do terceiro grupo etário (com mais de 51 anos), a predominância de tu na faixa intermediária (36 a 50 anos) e a preferência pela forma nula, ou pronome zero, entre os mais jovens (20 a 35 anos).

Quanto ao uso dessas variantes segundo a escolaridade, Botelho Ramos (1989) optou pela exclusão de um dos grupos – o secundário – devido à semelhança do comportamento linguístico desses falantes em relação aos do nível primário. Portanto, procedeu-se à análise dos níveis primário superior, igualando-se ao critério de constituição da amostra do ALiB. Desse modo, a autora identificou uma estabilidade no uso da variante nula entre os dois níveis de escolaridade, enquanto que o tu foi a estratégia mais utilizada pelos universitários e o você predominou na fala dos informantes de menor escolarização.

Complementando a análise quantitativa, a autora observou a consciência linguística dos informantes sobre do fenômeno estudado. Sobre essa avaliação do informante a respeito da própria fala, Botelho Ramos (1989) conclui que muitos informantes não têm consciência de que usam a variante inovadora – você – na interlocução. Outros, por seu turno, reconhecem a alternância das formas tu/você em seu repertório linguístico, mas tentam justificá-la. Segundo esses informantes, o uso do tu seria por influência interna, forma predominante nas relações solidárias e de mais intimidade, enquanto o uso do você ocorreria por interferência externa, ou seja, o contato com falantes de outros dialetos e normas do PB – já que esta é uma cidade turística – e a exposição à mídia, na qual predomina o uso do você, variante prestigiada.

Loregian (1996), por seu turno, empreendeu uma análise utilizando dados do VARSUL. Sendo assim, a autora pôde observar a alternância/concordância tu/você nas capitais do Sul. No que diz respeito à realidade desse fenômeno em Curitiba, constatou-se a ausência de tu nessa capital; em Florianópolis e Porto Alegre, por sua vez, verificou-se a alternância entre as duas variantes. Entretanto, a autora ressalta que há diferença entre o uso do tu nessas duas localidades: o tu documentado na fala catarinense é acompanhado do verbo

com desinência correspondente, já em Porto Alegre, o tu é mais frequente, porém sem concordância.

Esse resultado confirmou-se em Loregian (2004), quando em ocasião de sua tese de doutoramento a autora reanalisou a concordância tu/você ampliando o corpus utilizado para a pesquisa de mestrado (LOREGIAN, 1996). Nesse trabalho, além da confirmação da ausência de tu em Curitiba, corroborou-se o uso majoritário da variável canônica nas outras duas capitais, considerando as mesmas diferenças já observadas na análise do mestrado.

Menon e Loregian (2002) também observaram o uso de tu e você no Sul. A respeito das capitais, as autoras confirmaram os resultados de outras pesquisas e concluíram, numa análise geral, que o sistema de tratamento vigente na região consiste na alternância tu/você. Porém, salientam que um estudo mais detalhado da realidade desse fenômeno revela a existência de outros sistemas por localidade, faixa etária, sexo e por indivíduo.

Por fim, no que respeita à realidade do tratamento nessa região, os poucos estudos aqui descritos apontam a variação diatópica, diastrática, diagenérica e diageracional.

2.3.2.3 Dados do Nordeste

Alguns estudos do NURC já mencionados (cf. seção 2.3.2.2), dentre outros (cf. Quadro 03), vêm destacando a ausência do tu em Salvador e a baixa frequência de uso dessa variante em Recife e Teresina como se observam nos estudos de Sette (2001) e Cardoso (2008) descritos a seguir.

Ao analisar o uso coloquial de algumas formas de tratamento na fala de Recife, Sette (2001) observou a atuação de fatores extralinguísticos na escolha de uma variante para o trato do interlocutor em determinado contexto comunicativo. A fim de obter as ocorrências do fenômeno desejado, coletaram-se dados de duas situações de fala: a) respostas ao questionário composto de perguntas direcionadas para a realização das variantes em análise e b) gravações de conversas espontâneas.

Os informantes dessa pesquisa foram identificados como fixo (trabalhadores locais) e não-fixos (demais informantes que participaram das gravações espontâneas). Controlaram-se também os seguintes fatores sociais, a saber: sexo, idade, profissão, nível social e escolaridade. No que diz respeito à faixa etária, destaca-se que boa parte dos informantes são relativamente jovens.

Diante dessas características do corpus analisado por Sette (2001), observam-se os seguintes resultados: dentre as respostas ao questionário, a maioria dos informantes afirmou

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