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DRAFT AMENDMENTS TO THE OPERATIONAL DIRECTIVES ON SAFEGUARDING, COMMERCIALIZATION AND SUSTAINABLE DEVELOPMENT

de valores, regidos por diversos fatores. Levia Jr. & Frost (2003) fizeram uma revisão sobre o que já se conhece das quantidades e mecanismos desse processo em diferentes regiões climáticas do globo. Esta seção é fundamentada na publicação de Levia Jr. & Frost (2003), exceto por inserções indicadas com a citação dos autores correspondentes.

Os registros de escoamento de tronco variam de 0,6 a 45 % da chuva incidente. Essa variabilidade se deve às diferenças climáticas, de condições meteorológicas e de composições florestais entre cada região. Mas dentro de cada região ecológica ainda existe variabilidade: em regiões tropicais, foram encontrados volumes de escoamento de tronco de 0,6 a 13,6% da chuva incidente; em regiões temperadas e áridas e semi áridas, a faixa de valores é de 0,9 a 20%, e de 0,8 a 45%, respectivamente. Possíveis responsáveis por essa variabilidade dentro das regiões ecológicas são: geometria e estrutura da copa; densidade de parcelas do estudo; presença ou ausência de epífitas; composição de espécies; variação da textura das cascas das árvores; características dos eventos de chuva. Portanto, além das diferentes regiões ecológicas, outros fatores influenciadores da geração de escoamento de tronco são principalmente: as condições meteorológicas (características da chuva e do vento), sazonalidade, características inter e intra específicas e estrutura da copa.

Sobre a influência das características da chuva na produção de escoamento de tronco, esse processo aumenta com a magnitude e diminui com a intensidade do evento de chuva. Como exceção, quando a condição meteorológica é quente e com vento, a intensidade e o tamanho das gotas são decisivos para a redução da evaporação, e o escoamento de tronco pode aumentar com a intensidade da chuva.

A influência da velocidade e direção do vento na produção de escoamento de tronco ainda não está completamente entendida. Há estudos que relatam que a chuva de vento cria na copa uma “sombra de chuva”, que determina a real área de interceptação pela copa. Ainda, o vento que incide persistentemente na vegetação movimenta a copa e a

água interceptada é redistribuída copa abaixo, com tamanhos de gota e ângulos aleatórios. Crockford & Richardson (2000) relataram que o ângulo da chuva com vento afeta significativamente a produção de escoamento de tronco; e Kuraji et al. (2001) observaram que a produção de escoamento de tronco aumenta com a velocidade do vento.

Sobre a sazonalidade, em florestas decíduas, a parcela da chuva que escoa pelos troncos é maior no inverno do que no verão. Em coníferas, as estações do ano parecem não influenciar essa proporção.

A variabilidade na geração de escoamento de tronco entre espécies é atribuída a diferenças na estrutura da copa, tais como a quantidade, geometria e área projetada dos galhos, ou a características do tronco, principalmente relativas à casca: porosidade, fisiologia e composição química, textura, capacidade de retenção de água e taxa de secagem. Por exemplo, o escoamento de tronco aumenta com a inclinação dos galhos, até um ponto crítico – quando a área da projeção vertical da copa passa a ser muito pequena e reduzir o escoamento. Crockford & Richardson (2000) mencionam o tamanho e angulação das folhas como um fator influenciador da geração do escoamento de tronco: folhas côncavas e com angulação acima da horizontal direcionam a água para o galho. Muitas espécies de eucalipto têm suas folhas praticamente verticais e, portanto, as folhas dessas espécies contribuem para o escoamento de tronco apenas quando gotejam sobre outro galho (CROCKFORD & RICHARDSON, 2000).

Além da variabilidade entre diferentes espécies, também há variações intra específicas na geração de escoamento de tronco. Ao medir escoamento de tronco em floresta temperada e em vegetação de clima semiárido, Návar (2011) encontrou variações do volume do escoamento de tronco não só entre espécies, mas também intra específicas. Entretanto, o único fenômeno já conhecido que explica essa variabilidade é que árvores mais velhas em geral produzem menos escoamento de tronco.

Sobre características estruturais da copa, já foram relatadas como influenciadores da produção de escoamento de tronco: a quantidade de galhos e a presença de aberturas na copa. Crockford & Richardson (2000) mencionaram o papel das obstruções ao fluxo, formando pontos de gotejamento. Em geral, o escoamento de tronco não parece ser proporcional à capacidade de armazenamento total da copa, devido ao armazenamento de água na casca dos troncos e também porque é gerado quase completamente na parte superior da copa, com exceção de chuva com vento.

Para avaliar a influência das características da vegetação no escoamento de tronco, alguns pesquisadores compararam os resultados desse processo com características frequentemente estimadas em inventários florestais. Black (19575, citado por HELVEY & PATRIC, 1965) não encontrou nenhuma relação forte entre o escoamento de tronco e diversas características da vegetação. Entretanto, Rutter (1963) encontrou correlação linear entre os volumes de escoamento de tronco e o quadrado do diâmetro à altura do peito (DAP). Oyarzún et al. (2011) encontraram alta correlação entre o escoamento de tronco e o DAP. Crockford & Richardson (1990) observaram uma correlação positiva entre o escoamento de tronco e área basal e comprimento do tronco, devido ao aumento do tamanho da copa com o aumento desses atributos.

Quanto à espacialidade, sabe se que a razão de afunilamento em florestas tropicais é da ordem de 7 a 112, i.e., o volume do escoamento de tronco supera em 7 a 112 vezes o volume de chuva esperado em um pluviômetro com a área de coleta igual à área basal das árvores. Em geral, a variabilidade espacial do escoamento de tronco é menor quanto maior a magnitude do evento de chuva.

Scatena (1989) observou que a presença de epífitas, lianas, e caules articulados na vegetação exerce influência no escoamento de tronco; a presença de epífitas reduz os volumes de escoamento de tronco, porque aumenta o total da área disponível para retenção de água.