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4.4 Validation des m´ethodes

4.4.3 Donn´ees r´eelles

No tema relativo ao trabalho colaborativo observámos, nas afirmações das educadoras entrevistadas, uma categoria prevalecente que designámos conceções das

educadoras sobre o trabalho das equipas pedagógicas.

Definimos a sua subdivisão em seis subcategorias, atribuímos-lhe as seguintes designações: i) constituição das equipas, ii) objetivos, iii) requisitos, iv) imperativo à profissão, v) vantagens, e vi) constrangimentos. Estão por nós discriminadas, com os seus respetivos indicadores, no quadro nº. 10, e revelamos a distribuição dos dados disponibilizada no gráfico n.º 3.

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Quadro 10 - Conceções das educadoras sobre trabalho colaborativo

Subcategoria Indicadores UE UR

Constituição das equipas

Enquanto prática resultante das colocações E1; E2; E3

(2); E4 5

Objetivos Fomentar colaboração para cumprir objetivos da ação educativa

E1(2); E2;

E3; E4 5

Requisitos

É necessário saber ouvir e dialogar E1(2); E3;

E4(2) 5

É necessário haver flexibilidade e disponibilidade

E1(2); E3;

E4 (2) 5

Imperativo à profissão

Enquanto é exigência para o bom exercício de funções

E1(2); E2; E4 (2)

5

Enquanto é prática complementar das educadoras

E1; E2; E4

3

Articulação com o 1º ciclo E2 1

Vantagens

Cria condições para enriquecer a prática pedagógica

E1; E2 (4); E3 (7); E4 (2)

14

Facilita a dinâmica de trabalho E2; E3 (3);

E4 (2) 6

Valoriza o trabalho em equipa alargada E1; E2; E3 3

Constrangi- mentos

Falta de diálogo e colaboração E1 (4); E2(2); E4 (4)

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Gráfico 3 - Distribuição dos dados do quadro nº 10

A cultura colaborativa presente no trabalho de equipa de pares pedagógicos é relevante no discurso das participantes no estudo, em que todas as entrevistadas referem a necessidade e vantagem encontrada nesta prática, percetível através de um número de referências elevados, (23 UR), nessa subcategoria.

O trabalho das salas de pré-escolar na dependência da DRE é, na sua maioria, partilhado por duas profissionais que trabalham em turnos de horários justapostos. As educadoras participantes no estudo revelam na totalidade que a sua equipa se constituiu, fundamentalmente, por necessidade uma vez que “…as equipas são formadas pelo resultado dos concursos e pela organização do trabalho nas salas de pré, onde uma educadora trabalha num turno e outra no outro”, (E3). Pese embora se constituam por imposição exterior, revestem-se por sua vez de características próprias de um autêntico trabalho colaborativo porquanto a permanência de muitos anos na mesma equipa é vantajosa, como alude a este respeito a entrevistada E1, “Já nos conhecemos há muitos anos e sabemos como a outra pensa”.

No discurso pedagógico das educadoras, valoriza-se o trabalho colaborativo como fator promotor da sua atividade educativa, merecendo as diversas subcategorias encontradas uma concordância generalizada nas referências que constam no quadro nº 10 e que foram transpostas para o gráfico 3.

Para dar uma resposta articulada à necessidade de educar melhor, o trabalho em equipa, visto como frequente na atualidade na perspetiva de Formosinho e Machado (2009), é importante porque alarga o pensamento pela exposição a outras ideias: “…nós

0 2 4 6 8 10 12

Constituição das equipas Objetivos Requisitos ao trabalho Vantagens Constrangimentos Necessidade profissional 19 21 24 35

86 fazemos quase diariamente com uma pessoa, diferente de nós, que tem outra perspetiva, outras ideias e vai dando achegas e por isso enriquece, eu a ela e ela a mim”, (E4). Trabalhar em equipa é, no discurso das educadoras, facilitador para fazer mais e melhor, “…, no fim o trabalho com duas educadoras torna-se mais rico e mais forte, porque estamos mais confiantes, porque dividimos a responsabilidade do que fazemos e das avaliações das crianças”, (E3). Não representa, porém, a negação dos momentos de trabalho individual, como refere a educadora E3, “…são duas pessoas, ambas profissionais, a pensar, a trocar ideias, a partilhar experiências, a partilharem trabalhos, no fundo, dividem as coisas entre si”.

As educadoras pensam que o trabalho colaborativo tem significativa vantagem na sua prática, mas não negam algumas dificuldades com que se deparam na sua vida profissional. São estas questões essencialmente do foro inter-relacional que advêm das características pessoais dos intervenientes nas equipas, tais como os que são referidos respetivamente pelas educadoras E1 e E4, “…existe nalguns casos, aquela postura “é assim como eu quero, porque é assim que tem que ser, e a outra que faça como quiser!” e, “…por vezes não conseguem trabalhar em conjunto, é cada uma para cada lado, e o trabalho fica incompleto”.

Este trabalho pressupõe competências de diálogo, aceitação, abertura,

disponibilidade e ética, apontadas por todas as entrevistadas na subcategoria requisitos, e que se podem resumir nas palavras de E1, “como profissionais temos que saber trabalhar com a nossa colega de sala”, revelando-se a prática colaborativa como uma necessidade para a profissão sem negar o respeito pela individualidade de cada um: “há sempre pormenores que são próprios de cada pessoa e há coisas que são mais individuais na forma de trabalhar, e isso até é bom porque uma equipa são duas pessoas” (E3).

O trabalho em equipa é, pois, visto pelas educadoras participantes no estudo, como um imperativo profissional, indicando que “…está tudo tão interligado porque as crianças são as mesmas, o foco de ambas é o mesmo” (E1), e ainda como uma mais-valia para a sua prática profissional, como refere E4, “…enriquece trazendo algo de novo ou apenas porque tem uma forma diferente de ver as coisas, de olhar as coisas e de as ver, de as simplificar ou às vezes de as complicar”.

Falar de colaboração na educação pré-escolar é, conforme já referimos, falar de uma obrigação profissional. A flexibilidade curricular facilitada pelas OCEPE exige, por outro lado, rigor e acordo entre as educadoras numa conceção em torno da organização de um

87 projeto que servirá de base para ambas, refletida nas palavras de E3, “…há coisas que ainda acertamos logo no início do ano, como organizar o espaço, as rotinas e que princípios regem a nossa prática”. A prática de trabalho em equipa é, na opinião das educadoras entrevistadas, mais do que uma necessidade: é um ganho para o desempenho docente porquanto favorece com a sua dinâmica as condições da capacidade reflexiva. As educadoras consideram, através das suas palavras, que os benefícios apontados ao trabalho colaborativo, com vinte e quatro registos, ultrapassam largamente os constrangimentos, com dez registos.

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