7.6.1. OS BEBÊS: integram os grupos G1 e G2
É preciso dar tempo para os bebês serem bebês. Mais: é preciso esperança de esperar o tempo dos bebês. Paulo Sérgio Focchi (2018)
As Orientações Curriculares do Município de Três Lagoas visam a importância da Educação Infantil na primeira infância, como elemento fundamental para promover o desenvolvimento integral das crianças desde a mais tenra idade, neste sentido, os bebês. Nessa perspectiva, concebe-os como sujeito de direitos, atendendo seus interesses e suas necessidades desde o nascimento. Considerando-os sujeitos de direitos, o currículo assegurará que possam conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se, considerando essas, como as formas pelas quais os bebês aprendem.
Para a abordagem histórico-cultural do desenvolvimento humano é mais que isso, as condições materiais de vida e de educação desde o nascimento e ao longo da vida condicionam a formação e o desenvolvimento da inteligência e personalidade, promovem a formação das capacidades, das habilidades, das aptidões de cada ser humano. (SILVA; SOUZA; MELLO; LIMA, 2018, p.14)
Neste sentido, é necessário pensar e estruturar o trabalho educativo a partir de uma concepção de bebês que pensam, agem, desejam, narram, imaginam, questionam e elaboram ideias sobre o mundo, criando oportunidades para que possam vivenciar diferentes experiências e se manifestar por meio de diferentes linguagens.
Nesta perspectiva, contrariando a concepção de um bebê passivo, demarcado no período assistencialista este D.O.C. propõe uma abordagem de compreensão da concepção de bebê e de infância e o lugar desses sujeitos nos espaços educativos, assim como, aprendem e se desenvolvem, por meio das interações e brincadeiras, ressaltando seu protagonismo, compreendendo-o além do aspecto biológico e das necessidades fisiológicas e reconhecendo a necessidade do processo educativo para sua humanização, para o desenvolvimento dos aspectos intelectuais, emocionais, físicos e morais. Em consequência disso, vai se tornando humano, com base nos aprendizados que apropria, amplia suas possibilidades de atividade prática e intelectual, ou seja, novos conhecimentos.
Isso significa compreendê-los como fruto das relações sociais. O bebê interpreta o mundo em seu entorno por meio dos sentidos e de maneira particular vai sendo afetado por esse movimento que passa pelas mãos dos adultos mais experientes, nesse caso, os professores dos Centros de Educação Infantil.
Para isso, o Documento de Orientações Curriculares do Município de Três Lagoas supera a ideia de bebês vista como um adulto em potencial e/ou miniatura, considera-os seres com histórias e experiências diferentes, tendo, portanto, mecanismos, necessidades e condições diferenciadas para fazerem parte do meio social onde vivem. Assim, os modos de ser dos bebês e suas infâncias, os saberes constituídos por eles no cotidiano do CEI devem ser articulados com o patrimônio histórico, social e cultural construído pela humanidade.
7.6.1.2. O (A) PROFESSOR (A) DOS BEBÊS
Em consonância com o papel que exerce o processo educativo na vida dos sujeitos, observamos que associada à construção de uma especificidade desse nível de educação, há a busca da identidade do(a) professor(a) para atuar com bebês. Para tanto, o perfil do professor de bebê ambicionado nas Orientações Curriculares do Município de Três Lagoas anseia um profissional que além da formação inicial e continuada, é também consciente de que sua formação será contínua em virtude do que nos alerta FOCCHI (2018), Os bebês também são portadores do inédito, [...] e, por isso, carregam a novidade. Para interagir e ensinar esse sujeito tão peculiar, é necessário assumir essa metamorfose nos modos de fazer educação com esta criança de tenra idade.
Este profissional, assume o papel de adulto mais experiente ao se colocar como elo entre criança e mundo, valorizando suas aptidões, respeitando seus limites, reconhecendo cada bebê como ser único, que necessita do outro para desenvolver-se.
Neste sentido, o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e oportunizando espaços e situações de forma que os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas sejam articulados. Sua intervenção é extremamente necessária para que os bebês alarguem suas capacidades de apropriação das diferentes linguagens e dos contextos sociais. Ou seja, o trabalho docente nos Centros de Educação Infantil tem como eixo um ensino a partir das interações e brincadeiras, além da indissociabilidade do cuidado e da educação, entretanto, quando nos referimos aos bebês o professor/a para esse sujeito, específico e único, deve compreendê-los como ser capaz, que se tornará humano, a medida em que se apropria da cultura, constituída ao longo da humanidade. Parafraseando as palavras de Paulo Sérgio Focchi (2018) este sujeito que ensina, “é um professor com alto grau
192
de consciência sobre o seu fazer pedagógico, pois nas palavras e nos gestos de um adulto está a cultura”.
A partir do Documento Orientações Curriculares do Município de Três Lagoas o professor que aqui descrevemos e que desempenhará o papel de professor/a de bebês, precisa compreender como os bebês aprendem, ser um bom observador sobre o que o bebê realiza, que de acordo com Monteagudo (2018), essa atividade principal é, na verdade, a linguagem por meio da qual o bebê se relaciona com o mundo e aprende”. Vale ressaltar que por mais que o professor planeje uma atividade “nova”, com intencionalidade, com apenas um único objeto para a contextualização dessa atividade, não lhe garante proporcionar vivência concreta e atender a necessidade do bebê, tal fato exige que o professor tenha conhecimento que na situação social de desenvolvimento do bebê, tudo é novo, todo o entorno lhe atrai, no entanto, eles interagem com aquilo que lhe afeta. Portanto, o que move ou o que afeta o bebê é o objeto que satisfaz sua necessidade interna e não aquilo que o professor escolheu e apresentou.
Para além dessa compreensão do que constitui os processos de ensino e de aprendizagem e desenvolvimento, neste grupo de crianças, o profissional para atuar com os bebês, precisa dispor de atenção individual, conviver no campo visual dos bebês, ou seja, sentar ao chão, e ainda ter cuidados pessoais para evitar riscos e acidentes, como atenção as unhas, as roupas e calçados, os cabelos, os brincos e colares, assim como, uma atitude acolhedora no que se refere a intensidade do toque e ao tom da voz.
Nessa posição, compreendemos a primeira infância e sua especificidade caracterizando o bebê concreto e histórico, assumindo-o como sujeito e cidadão de direitos, que se constituirá nos CEIs e na sociedade da qual faz parte.
7.6.1.3. GRUPO 1: CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS, OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO PARA OS BEBÊS
EDUCAÇÃO INFANTIL