Ao efetuar uma busca exploratória sobre modelos de aceitação de tecnologias assistivas, alguns trabalhos citavam modelos de avaliação de TA, não sendo para avaliar aceitação especificamente, porém são utilizados para desenvolver ou selecionar tecnologias para uso por pessoas com deficiência.
Nesta seção, os seis estudos são relatados: (i) Modelo HAAT (Human
Activity Assistive Technology); (ii) Framework SETT (Student, Environments, Tasks and Tools); (iii) Instrumentos de medida da descontinuidade de uso de tecnologia
assistiva (PN scale; FOD formula); (iv) Modelo CAT (Comprehensive Assistive
Technology); (v) Framework para adoção de tecnologia assistiva; e, (vi) PATTC
(Person, Ability, Technology, Task, Context).
Cook e Hussey (1995, 2002, 2007) produziram o modelo chamado Human
Activity Assistive Technology (HAAT), destinado ao desenvolvimento ou à escolha
de produtos ou serviços de AT, proposto com base no Human Performance Model, de Bailey (1989)34, o qual considera 04 fatores: o indivíduo (intrinsic enabler: competências e habilidades); a atividade (cuidados pessoais, trabalho/escola e lazer); a tecnologia assistiva (extrinsic enabler; hard technologies: equipamentos, interfaces de controle, dentre outras, e soft technologies: treinamento, instruções, dentre outras); e, o contexto de uso (social, cultural e físico).
O framework SETT (Student, Environments, Tasks and Tools) foi criado, por Zabala (1999, 2005), o qual fornece apoio para a escolha e o uso de tecnologias assistivas em ambientes educacionais. Este framework postula que a ordem de identificação das necessidades deve seguir a sequência de palavras que geram a
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Bailey RW: Human Performance engineering using human factors/ergonomics to achieve computer system usability, ed. 2, Englewood Cliffs, NJ, 1989, Prentice Hall.
98 sigla, sendo em último lugar as ferramentas (tools). Neste caso, as ferramentas podem ser equipamentos, serviços, estratégias, acomodações, dentre outras.
Zabala (1999, 2005) menciona que a partir da divulgação do SETT, muitos profissionais solicitaram modelos de documentação para a aplicação prática framework, neste sentido, alguns formulários e diretrizes foram elaborados, denominados ‘SETT Scaffolds’. Tais materiais de apoio (scaffolds) incluem formulários para: (i) Coleta de dados sobre o estudante, os ambientes e as tarefas; (ii) Seleção de ferramentas; (iii) Considerações sobre as necessidades de TA; e, (iv) Implantação e planejamento da avaliação.
Além do framework e das diretrizes, Zabala (2005) ainda complementa se fazem necessárias a adoção e a consolidação de algumas práticas para que se obtenha resultados concretos positivos, a saber: compartilhamento de conhecimento; colaboração; comunicação ativa e respeitosa; obtenção de múltiplas perspectivas; atenção para informações pertinentes; flexibilidade e paciência; e, revisão das definições prévias para as etapas em andamento.
Lauer, Rust e Smith (2006) propuseram dois instrumentos de medida para averiguar o motivo da descontinuidade de uso de tecnologias assistivas, denominados: Escala Positivo-Negativa (Positive-Negative, PN, scale); e Fórmula de Fatores de Descontinuidade (Factors of Discontinuance, FOD, formula). Os autores mencionam que geralmente se pensa que o motivo da descontinuidade35 é sempre negativo, contudo, pode ser positivo, por exemplo, se a pessoa necessitar do uso da TA temporariamente por motivo de acidente ou doença.
A escala PN consiste em uma escala Likert, para medir a descontinuidade positiva ou negativa, com faixa de valores entre -3 (O equipamento não atendeu às suas necessidades) e +3 (O equipamento atendeu minhas necessidades e agora não preciso mais utilizá-lo). Para o cálculo da fórmula FOD, em uma ficha com 30 frases afirmativas opções devem ser marcadas pelo entrevistado, sendo que as frases positivas tem valor +1, as negativas valem -1, e outros valem zero. Conforme Lauer, Rust e Smith (2006), as frases para o cálculo da fórmula FOD se referem aos seguintes:
35 A palavra descontinuidade, neste caso, pode ser definida como “o processo pelo qual uma pessoa para de utilizar produtos/equipamentos de tecnologia assistiva (Assistive Technology Devices, ATD) após um período de tempo”. (LAUER, RUST e SMITH, 2006, p. 3).
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04 frases positivas: (1) melhoria das funções; (2) substituição por equipamento melhor; (3) solução alternativa; e, (4) preferência por assistência pessoal;
23 frases negativas, divididas em três categorias: (1) pessoa: (a) redução das funções, (b) sente que nunca precisou do equipamento, (c) visão negativa para com o equipamento, (d) depressão, (e) não aceitação da deficiência, (e) perda do equipamento; (2) tecnologia assistiva: (a) dificuldade de uso (peso, largura e consumo de energia); (b) segurança; (c) estética; (d) instruções de uso complexas; (e) longo período para instalação e configuração; (f) falhas no funcionamento; (g) dor/ desconforto; (h) custo de manutenção; (i) danos materiais; (j) nunca instalado – nunca utilizado; (k) incompatibilidade (equipamento errado); (l) falta de treinamento ou treinamento insuficiente; (m) opinião do usuário não considerada no processo de seleção da TA; (3) ambiente
(contexto de uso): (a) problemas de acessibilidade, (b) inaceitável socialmente
(estigma), (c) requer assistência pessoal, (d) depende de outro dispositivo;
03 opções da categoria ‘outros’: (1) equipamento ultrapassado (obsoleto); (2) mudança de prioridades/necessidades; (3) morte.
Hersh e Johnson (2007, 2008a, 2008b); e, Hersh (2013) criaram o modelo
Comprehensive Assistive Technology (CAT), o qual serve tanto para avaliar
tecnologias (assisitvas) existentes quanto auxiliar no levantamento de requisitos de novas tecnologias. Assim como no modelo HAAT, o CAT também leva em consideração os mesmos 04 fatores. Contudo, o CAT amplia as características de cada fator, por exemplo, em indivíduo, aspectos sociais, e atitude de intenção de uso da tecnologia (um dos fatores presentes no TAM) são consideradas; em contexto, a legislação nacional (do país em questão) torna-se um aspecto importante; em tecnologias assistivas, são evidenciadas características de usabilidade e de experiência do usuário; e, em atividade, foram incluídas: mobilidade, comunicação e acesso à informação, e atividades cognitivas.
Kintsch e DePaula (2002) propuseram um framework para adoção de tecnologia assistiva, e mencionam que para que uma tecnologia assistiva seja adotada, se faz necessária a participação das pessoas envolvidas (usuários, projetista, especialista de TA, e cuidadores). Conforme os autores, o processo de adoção de TA deve levar em consideração as fases e as características das pessoas envolvidas nestas fases, a saber: desenvolvimento (atributos:
100 customização, simplicidade, durabilidade, e respeito às preferências do usuário); seleção (testagem, avaliação e seleção); treinamento (ensino do uso da TA para o usuário e o cuidador); e, integração (contexto de uso). Não são mencionados pelos autores os detalhes sobre o processo de seleção (fase dois do framework), os quais poderiam especificar fatores para uma avaliação de aceitação.
Deibel (2011) relata uma pesquisa sobre o processo de adoção de tecnologias assistivas por adultos com deficiência em leitura. Para isso, a autora propõe o framework denominado PATTC (Person, (dis)Ability, Technology, Task,
Context), considerando a abordagem de Design Sensível a Valor (Value Sensitive Design, VSD) de Friedman, Kahn e Borning (2006), modelo de difusão de inovação
de Rogers (2003), e estudos sobre adoção de tecnologias assistivas (por exemplo, KINTSCH e DEPAULA, 2002).