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DOES GENETIC PROGRAMMING INHERENTLY ADOPT STRUCTURED DESIGN TECHNIQUES?

Dans le document Genetic Programming (Page 176-181)

Para recolher as informações necessárias elaborei uma entrevista (Anexo XXVII) a realizar durante a consulta de revisão da medicação. A estrutura da entrevista permitia caracterizar os idosos, conhecer a sua farmacoterapia e patologias. Para além disso, durante a entrevista foi dada liberdade ao doente para que colocasse dúvidas sobre os medicamentos e/ou suplementos que tomava diariamente, esclarecesse questões relacionadas com a doença, posologia, efeitos adversos e interações dos medicamentos.

A medicação de cada idoso foi analisada individualmente através do resumo das características do medicamento (RCM), com recurso ao infomed, e as interações medicamentosas foram analisadas através do site drugs.com. Posteriormente os medicamentos consumidos pelos 12 idosos foram classificados segundo a classificação ATC (Anatomical Therapeutic Chemical Code) 94.

A entrevista realizada durante a consulta permitiu obter informação sobre a história clínica de cada doente, problemas de saúde atuais e anteriores, antecedentes familiares, bem como sinais e sintomas que justificam o regime terapêutico. Seguidamente, analisei o conhecimento que cada um dos doentes apresentava sobre o seu regime terapêutico, bem como as dúvidas. Para além disso abordei os doentes sobre a frequência com que recorriam aos serviços de saúde, número de consultas e médicos prescritores. Por fim avaliei o grau de adesão à terapêutica bem como as necessidades e preocupações que o idoso apresentava em relação à toma dos seus medicamentos.

A entrevista era composta por vários questionários, o Beliefs about Medicines Questionaire (BMQ) e o questionário da Medida de Adesão aos Tratamentos (MAT), incluía uma tabela com diferentes questões (Ex: Sabe para que toma este medicamento? Como toma este medicamento? Tem alguma dúvida sobre este medicamento?) com o intuito de avaliar o conhecimento específico que o idoso tinha sobre a medicação que fazia habitualmente, esclarecer as suas dúvidas e fazer recomendações (indicação; posologia; contraindicações/precauções e interações). Para além disso, questionava o idoso sobre o

33 consumo de MNSRM e/ou produtos naturais, o local onde armazenava a medicação, o número de consultas e médicos prescritores bem como se tinha em atenção os prazos de validade da medicação.

O BMQ integra um conjunto de 11 questões, 5 das quais traduzem a necessidade (necessity (N) – N1; N2; N3; N4; N5) que o doente sente em relação aos medicamentos e as restantes 6 questões traduzem as preocupações (concern (C) – C1; C2; C3; C4; C5; C6) do doente face aos riscos e efeitos secundários resultantes da toma da medicação. Este questionário tem várias respostas possíveis, segundo uma escala de Likert de cinco pontos (discordo completamente=1; discordo=2; não tenho a certeza=3; concordo=4 e concordo completamente=5). O somatório das cotações atribuídas às diferentes perguntas permite calcular o valor total de cada subescala (N e C). As cotações das subescalas N e C oscilam de 5 a 25 e 6 a 30, respetivamente. Assim, quanto maior for o valor de N, maior a necessidade que o idoso sente em relação à medicação e quanto maior o valor de C, maior a preocupação que o idoso apresenta em relação à toma da medicação. Com as cotações das subescalas é possível calcular um diferencial entre a necessidade e as preocupações (N-C) e perceber se o doente pretende seguir o regime terapêutico instituído. Para diferenciais elevados, maior a necessidade percecionada pelo doente e/ou menor a preocupação, o que representa uma menor intenção de não adesão à terapêutica pelo idoso. Para além da diferença, é possível calcular o rácio (N/C) entres estes dois valores. Desta forma, através da análise do diferencial e do rácio, é possível inferir acerca da adesão à terapêutica. Valores baixos destas relações indicam uma fraca adesão à terapêutica e valores altos refletem uma elevada adesão 95. O MAT é um questionário que permite avaliar o grau de adesão à terapêutica, composto por sete questões (Ex: 2. Alguma vez foi descuidado com as horas da toma dos medicamentos para a sua doença?) às quais os inquiridos respondem segundo uma escala de Likert de seis pontos (sempre=1; quase sempre=2; com frequência=3; por vezes=4; raramente=5 e nunca=6). O valor de MAT resulta da soma das cotações correspondentes à resposta dada pelo idoso, podendo variar de 6 a 42. Assim, um valor de MAT elevado indica que o doente adere à terapêutica farmacológica, enquanto um valor mais baixo reflete um doente não aderente 96.

4. Resultados

A idade média dos idosos consultados é de 73,75 anos (intervalo de 70 a 81). As consultas realizaram-se no gabinete da Farmácia Helena Freitas, durante o horário de funcionamento da mesma, com a duração média de 70,42 minutos (intervalo de 30 a 135 minutos).

Os doentes abordados consomem um total de 109 MSRM, um consumo médio de 9,08 medicamentos (intervalo de 5 a 14) por idoso. O consumo médio de MNSRM é de 1,75, variando de zero a 4 medicamentos. No Anexo XXVIII, os MSRM tomados pelos idosos apresentam-se segunda a classificação ATC. O AAS e a metformina são os dois fármacos mais consumidos por estes doentes. Apesar de apresentarem um elevado número de tomas diárias, apenas um doente tem ajuda para tomar os medicamentos, sendo que, os restantes idosos o fazem sozinhos. Cada doente tem em média 2,5 médicos prescritores (intervalo de 2 a 4) e 3,58 consultas anuais (intervalo de 2 a 12). Os prazos de validade dos medicamentos não são tidos em consideração pelos idosos, e a cozinha é o lugar de eleição indicado pelos doentes para guardar os medicamentos, no entanto espaços como o quarto e a sapateira também são mencionados.

As respostas dadas ao questionário BMQ refletem um valor médio de N = 21,5 (intervalo de 19 a 25) e C = 14,92 (intervalo de 8 a 23). A média do diferencial N-C = 6,58 (intervalo de -1 a 15) e o valor médio do rácio N/C = 1,64. As necessidades que os doentes sentem em tomar a medicação são superiores às

34 preocupações. Em relação ao questionário MAT, o valor médio obtido para cada idoso foi de 36,08 (intervalo de 28 a 40).

No que se refere ao conhecimento que os idosos apresentam em relação à farmacoterapia, verifiquei que existem muitas dúvidas de uma forma geral. À pergunta “Sabe para que toma este medicamento?” a maior parte dos idosos respondeu “Não”. Alguns idosos relataram dificuldade em tomar a medicação, e erros na dose administrada. Por vezes apresentavam queixas relativas à toma da medicação:

MM, mulher, 79 anos, relata sensação de azia após a toma semanal de Ácido Alendrónico + Colecalciferol 70mg + 5600 UI Ratiopharm ®. Estes fármacos pertencem à classe dos bifosfonatos e por isso podem provocar alterações esofágicas e irritação GI. O medicamento deve ser administrado após um jejum noturno (no mínimo de 6 horas) e cerca de 30 minutos antes da ingestão de qualquer medicamento (como os antiácidos e suplementos), alimento ou bebida que não seja água. Para evitar a irritação no trato GI recomenda-se que o doente não se deite até pelo menos à primeira refeição do dia, caminhe durante pelo menos meia hora, ou fique simplesmente em posição ortostática durante igual período de tempo. A doente MM não tinha estes cuidados após a toma do medicamento, o que desencadeava a sensação de azia.

Para além dos esclarecimentos, detetei possíveis interações, na farmacoterapia de cada doente, com recurso ao site drugs.com. As principais interações foram detetadas no regime terapêutico do doente CG, sendo comuns a alguns idosos:

CG, homem, 71 anos, cuja farmacoterapia inclui: Pravafenix ® 40/160mg; Bisoprolol Aurobindo ® 2,5mg; Aspirina ® 100mg; Clopidogrel Alter ® 75mg; Pantoprazol Farmoz ® 20mg.

O Pravafenix ® inclui 40mg de pravastatina (estatina) e 160mg de fenofibrato (fibrato). Este medicamento apresenta uma interação com os alimentos. Quando administrada em monoterapia, a estatina apresenta uma BD inferior na presença de alimentos, ao contrário do que acontece com o fibrato, cuja BD aumenta com a ingestão de alimentos. Como este medicamento contém ambos os fármacos, recomenda-se a toma com alimentos (ao jantar), isto porque a BD do fenofibrato está desta forma aumentada e a eficácia da pravastatina, na redução dos lípidos, não está alterada.

A Aspirina ® contém 100mg de AAS que apresenta uma interação de grau moderado com o clopidogrel. Estes antiagregantes plaquetários quando administrados simultaneamente podem aumentar o risco de hemorragia GI. Desta forma é importante alertar o idoso para que relate ao seu médico qualquer sinal de uma possível hemorragia.

Os antiagregantes plaquetários (AAS e clopidogrel) apresentam uma interação com o inibidor da bomba de protões (IBP) que o doente CG faz. Quando o pantoprazol é administrado juntamente com o clopidogrel existe um risco de interação de grau alto, pois a ação cardioprotetora do antiagregante plaquetário vai estar claramente diminuída. A administração concomitante destes dois fármacos só se justifica quando o doente faz dois antiagregante plaquetário, como é o caso. A administração de AAS e pantoprazol apresenta uma interação de grau baixo, isto porque o IBP é capaz de reduzir a BD do AAS.

Para além das interações, detectei discrepâncias nas doses, duplicação e abandono da medicação. MC, mulher, 78 anos, com prescrição de escitalopram na dose de 10mg. Durante a consulta, ao verificar as caixas de medicamentos que tomava, apercebi-me que a idosa fazia o Escitalopram KrKa ® 10 mg e o Escitalopram Farmoz ® 10 mg. Como as caixas são diferentes, não sabia que correspondiam ao mesmo fármaco. Nos idosos a eliminação desta substancia ativa está diminuída, o que faz com que a exposição ao fármaco seja mais elevada. Expliquei à doente MC que as duas caixas correspondiam ao mesmo fármaco para que não voltasse a ingerir uma dose superior à prescrita.

35 MC, mulher, 81 anos, com prescrição de Plastranit ® 5mg/24h, deixou de fazer o vasodilatador (Nitroglicerina) por se sentir desconfortável com o selo.

Após analisar a medicação de cada idoso individualmente, tive a oportunidade de esclarecer dúvidas e fazer recomendações para incentivar a adesão à terapêutica. Expliquei ao doente de forma pormenorizada a indicação terapêutica correspondente a cada um dos medicamentos prescritos, bem como a sua posologia (dose máxima e mínima, modo e hora de administração, Ex: de manhã; ao jantar), contraindicações e precauções. Os principais efeitos adversos (hipoglicemia, obstipação, hipotensão postural, refluxo/azia, dores musculares), foram abordados individualmente de forma clara e sucinta, para educar o doente no sentido de reconhecer estes efeitos secundários e saber atuar caso seja necessário.

Dans le document Genetic Programming (Page 176-181)