“A essência da economia criativa é a agregação de valor econômico ao longo da história de um produto.” (Reis, A. & Kageyama, P. 2011, p. 108)
“O pressuposto importante na economia criativa é que as empresas se estabelecerão e as atividades se desenvolverão em um ambiente atraente para o talento. Tal ambiente é a cidade criativa.” (Reis, A. & Kageyama, P. 2011, p. 109) O grande crescimento das indústrias criativas e a sua consequente influência na economia local e nacional deu origem ao aparecimento de um outro conceito, o da “economia criativa”.
John Howkins (2001) foi o autor que deu a conhecer pela primeira vez o termo economia criativa, através da sua obra The Creative Economy. Onde fala da sua dinâmica e explica que a economia e a criatividade não são conceitos recentes, o que é novo é a relação que elas estabelecem e como se completam, criando assim valor e riqueza. Este autor define economia criativa, como um negócio de venda de ideias, um processo onde se comercializa inovações, fruto do trabalho criativo e intelectual que gera valor económico. “Entretanto, Howkins (2001) aparece como o autor que deu forma a economia criativa, ao vendê-la como uma maneira das pessoas transformarem ideias em dinheiro.” (Dallas Costa, A. & Souza-Santos, E. 2011, p. 2)
Howkins através deste conceito pretende mostrar que, se relacionar áreas de índole variada, será possível promover valor de modo contínuo.
Economia criativa na visão da United Nations Conference on Trade and Development (2005) é:
“o ciclo que engloba a criação, produção e distribuição de produtos e serviços que usam o conhecimento, a criatividade e o ativo intelectual como principais recursos produtivos. É um dos sectores mais dinâmicos do comércio internacional, gera crescimento, empregos, divisas, inclusão social e desenvolvimento humano.” (Barbosa, R. 2014, p.16)
O termo economia criativa na perspetiva de Howkins é bastante amplo, abrangendo cerca de 15 indústrias criativas diferentes, que vão desde as artes à ciência e à tecnologia.
“Howkins estimava que a economia criativa, no ano 2000, valia 2,2 mil milhões de dólares em todo o mundo e que tinha uma taxa de crescimento de 5% ao ano.” (Costa, D. 2015, p. 26-27)
Para este autor, criatividade está dividida em dois tipos: aquele que se baseia nas pessoas enquanto indivíduos e aquele que cria um produto. No primeiro, trata-se de uma característica comum a todas as sociedades e culturas, e o segundo trata das sociedades ditas indústrias que dão maior destaque ao que é novidade, inovação, ciência e propriedade intelectual. O conceito de economia criativa ainda é bastante subjetivo e tem se vindo a formar desde 2001.
Um grande ponto de viragem na discussão desta temática acontece em São Paulo, em 2004, na XI UNCTAD22, onde se aborda que a economia criativa está em ascensão cruzando-se com a criatividade, cultura, tecnologia e economia.
Sendo a economia criativa, um conceito em evolução, a UNCTAD defini-o com base em ativos criativos propícios ao desenvolvimento económico.
• “Ela pode estimular a geração de renda, criação de empregos e a exportação de ganhos, ao mesmo tempo em que promove a inclusão social, diversidade cultural e desenvolvimento humano.
• Ela abraça aspectos econômicos, culturais e sociais que interagem com objetivos de tecnologia, propriedade intelectual e turismo.
• É um conjunto de atividades econômicas baseadas em conhecimento, com uma dimensão de desenvolvimento e interligações cruzadas em macro e micro níveis para a economia em geral.
• É uma opção de desenvolvimento viável que demanda respostas de políticas inovadoras e multidisciplinares, além de ação interministerial.
• No centro da economia criativa, localizam-se as indústrias criativas.” (Relatório de Economia Criativa, 2010, p. 10)
Nos países em desenvolvimento a importância das indústrias criativas e a sua consequente influência na economia criativa é relativamente recente. E o facto de se ter chegado a
22 “A décima primeira Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD XI) foi realizada
no Centro Anhembi em São Paulo, Brasil, de 13 a 18 de junho de 2004.” (United Nations Conference on Trade and Developmen, 2017)
consenso sobre este tema na XI Conferência da UNCTAD em São Paulo, foi um grande passo, que levou a UNCTAD a ampliar o foco da sua investigação nestas politicas, tendo em consideração quatro objetivos essenciais sempre que se tratar de economia criativa:
• “Reconciliar os objetivos culturais nacionais com as políticas comerciais tecnológicas e internacionais;
• Analisar e solucionar as assimetrias que estejam inibindo o crescimento das indústrias criativas nos países em desenvolvimento;
• Reforçar o chamado “nexo criativo” entre investimento, tecnologia, empreendedorismo e comércio; e
• Identificar respostas de políticas inovadoras para aprimorar a economia criativa a fim de gerar ganhos de desenvolvimento.” (Relatório de Economia Criativa, 2010, p. 10)
Esta conferência não foi o único acontecimento que provocou grandes avanços nesta área, um simpósio na Índia, em 2005, organizado pela UNESCO, levou a variadas advertências como aquela que ficou conhecida como iniciativa Jodhpur, onde é proposto uma estratégia para o desenvolvimento da economia criativa, focando o papel das indústrias culturais e dando destaque a relevância das atividades locais de índole cultural e artística de forma a fortalecer o setor económico e diminuir a pobreza. Neste evento o desenvolvimento das indústrias nas sociedades era uma preocupação, principalmente nos variados países asiáticos.
Foi então no meio desta demanda da UNESCO que, através da sua Conferencia Geral, adota em 2005, a “Convenção sobre Proteção e Promoção da Diversidade de Expressões Culturais”, sendo que esta acaba por entrar em vigor em 2007.
“Surgiu como uma forma de focar a atenção no papel da criatividade como uma força na vida económica contemporânea, incorporando a preposição de que o desenvolvimento económico e cultural não são fenómenos separados ou não relacionados, mas parte de um processo maior de desenvolvimento sustentável em que o crescimento económico e o crescimento cultural podem surgir de mãos dadas” (Costa, D. 2015, p.28 cite in Nações Unidas, 2010, pág. 10).
“As indústrias criativas que utilizam esses recursos não somente capacitam os países a contarem suas próprias histórias e projetar suas próprias identidades culturais singulares para si mesmos e para o mundo, mas também proporcionam a esses países uma fonte de crescimento econômico, criação de emprego e maior participação na economia global. Ao mesmo tempo, a economia criativa promove a inclusão social, a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.” (Relatório de Economia Criativa, 2010, p.10)