A transição para um modelo económico circular deve envolver esforços de inovação ao nível do desenvolvimento de novos materiais ou produtos para o desenho de novos modelos de negócio (Comissão Europeia, 2014c). De acordo com a Comissão Europeia (2015), a SI surge como um exemplo de eco-inovação e Lombardi & Laybourn (2012) referem mesmo que a SI pode ser considerada como uma ferramenta para a inovação.
O conceito de eco-inovação integra a dimensão económica, social e ambiental no desenvolvimento de novos processos ou produtos, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável (Tseng & Bui, 2017). Este conceito tem ganho cada vez
25 mais importância nos últimos anos como solução para a redução dos impactes ambientais dos processos produtivos, consumo e eliminação de resíduos (Tseng & Bui, 2017). Através da combinação entre benefícios económicos e ambientais, a eco-inovação deve impulsionar modelos de negócio, de produção e de consumo mais sustentáveis (Comissão Europeia, 2014c).
A eco-inovação aplicada aos produtos é também reconhecida como uma prática que pode permitir uma vantagem competitiva às empresas (Tseng & Bui, 2017) e pode ser considerada como uma estratégia empresarial de criação de valor (Paquin et al., 2015).
De acordo com o Observatório para a Eco-Inovação (OEI), a eco-inovação pode ser definida como a introdução de um novo produto (bem ou serviço), processo, alteração organizacional ou solução de marketing que reduza a utilização de recursos naturais (materiais, energia, água ou solo) e diminua a emissão de substâncias perigosas ao longo de todo o seu ciclo de vida (Eco-Innovation Observatory, 2011).
A eco-inovação num contexto de transição para um modelo económico circular pode envolver dois níveis distintos, um relacionado com a tecnologia e as infraestruturas técnicas necessárias para a conversão de resíduos em recursos e um outro que se refere às competências, conhecimentos e modelos de negócio que permitam transformar estes processos em oportunidades de negócio (Eco-Innovation Observatory, 2016).
De acordo com Eco-Innovation Observatory (2016) existem vários tipos de eco-inovação referentes a:
• Design do Produto, em que o produto é desenhado de forma a minimizar o seu
impacte ambiental ao longo de todo o seu ciclo de vida;
• Processo produtivo, através da redução da utilização dos recursos, emissões e de substâncias tóxicas o que, ao mesmo tempo permite também uma redução dos custos;
• Organização, relacionado com novos métodos e sistemas de gestão que permitam um “fecho do ciclo dos materiais” e aumento da eficiência na utilização de recursos, como por exemplo a implementação de simbioses industriais;
• Marketing, que permita o desenho de novos produtos ou serviços como, por exemplo, rótulos ecológicos;
26 • Alteração de comportamentos por parte dos consumidores e de toda sociedade, envolvendo os governantes para a procura de soluções mais sustentáveis para as cidades.
A internalização da sustentabilidade ambiental no desenvolvimento de produtos mais verdes pode trazer vários benefícios para as empresas entre os quais o retorno do investimento, o aumento das vendas, o aumento da competitividade e a melhoria da imagem (Pujari, 2006; Paquin et al., 2015).
O sucesso de novos produtos depende da definição clara do projeto, de uma boa pesquisa de mercado e previsão das vendas para perceber quais as necessidades do mercado. Estes novos produtos surgem de novas ideias que passam por uma fase de pré-seleção, definição do projeto, análise de negócios e, eventualmente, no desenvolvimento do produto (Pajuri, 2006).
Há vários fatores que podem condicionar o desenvolvimento de um processo de eco inovação. Tseng & Bui (2017) defendem que a regulamentação e perceção dos consumidores são alguns desses aspetos, uma vez que a utilização de resíduos como recursos pode ser um obstáculo pois pode levar a uma falta de confiança nos produtos desenvolvidos.
A colaboração surge também como um aspeto importante para o desenvolvimento de relações de SI entre as organizações, assim como o aspeto relativo à sustentabilidade ambiental que cria oportunidades para integrar a SI na cadeia de abastecimento (Tseng & Bui, 2017).
Velenturf (2016) refere waste-to-resources innovations como um tipo específico de SI, que envolvem a colaboração entre várias empresas em que um resíduo (waste) de uma empresa é transformado num recurso (resource) por outra empresa. Esta autora estuda este tipo de inovação em termos de Social Network Development em cinco casos de estudo na região de Humber no Reino Unido. Através deste estudo, a autora identifica alguns aspetos importantes na criação e desenvolvimento dos processos de inovação:
• O processo de inovação pode ser uma resposta a uma alteração legislativa, sendo que as organizações governamentais desempenham um papel importante neste contexto;
27 • O processo inicia-se como resposta a uma alteração no contexto do mercado que pode criar uma oportunidade para um determinado fluxo de resíduos e assim gerar benefícios económicos para as empresas a curto ou longo prazo;
• Ao longo do processo de inovação a rede de contatos pode ou não evoluir. Esta rede pode ser construída através do contato direto dos participantes sendo que pode manter-se estática ao longo do tempo através do fortalecimento das relações criadas ou podem ser encontrados novos parceiros, permitindo assim uma maior diversificação da rede;
• Numa fase inicial do processo de inovação, a colaboração para a criação de relações de confiança é importante para a partilha de informação que é necessária no processo;
• Para o fortalecimento das relações de confiança podem ser criados contratos entre as entidades envolvidas. Normalmente são estabelecidos em processos mais complexos e quando envolvem entidades governamentais, universidades ou outras instituições;
• Após o processo de inovação, as empresas podem decidir limitar ou aumentar/ diversificar a sua rede de contatos, sendo que, neste caso, a diversificação pode ser uma estratégia para a gestão de riscos associados à dependência de um pequeno número de parceiros.