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Pedro Passos Coelho: a mudança prometida

Pedro Passos Coelho subiu à liderança do Partido Social Democrata em Março de 2007. Era um político novo, com pouca experiência na arte governativa (aliás, muitos dos seus camaradas como Marques Mendes e Paulo Rangel chegaram, mesmo, a acusá- lo de amadorismo) mas, desde cedo, Passos Coelho se apresentou como o rosto da mudança, um homem determinado e consciente do problema do país. Para além disso, possuía outras características que escondiam essa fraqueza de falta de liderança governativa, “há fatores subliminares, não só pela experiência política mas que,

50 Optou-se por colocar, apenas, alguns gráficos por limites de espaço. No entanto, os restantes gráficos

encontram-se no Anexo B (como referenciado ao longo do texto).

Para além disso, todos os dados expostos nas restantes Tabelas e Gráficos foram recolhidos pelas Tabela 1, 2 e 3 do Anexo A, pelo que toda a discussão de resultados é baseada nessas três tabelas. Uma vez que estão presentes em todos os subcapítulos, optou-se por não as mencionar mais.

também, têm a ver com a empatia, com a simpatia, com o estilo de proximidade com o eleitor […]. Para além de que, como disse, havia muito cansaço com José Sócrates”51.

Acima de tudo, tentou afirmar-se como um homem político, de ideias novas e inovadoras mas, ao mesmo tempo, como um homem de família,

“houve uma produção de Passos Coelho e da mulher muito bem feita e muito importante para a revista Flash. E foi muito importante porquê? Porque era uma produção que dava de facto um ar de família, mostrava uma família feliz – e um político precisa dessa harmonia familiar, é importante para a sua construção de perfil”52.

Apesar de criticada a frequência com que Passos Coelho se apresentava em artigos ligados à sua vida privada, talvez a estratégia passasse por conseguir alguma vantagem sobre José Sócrates, sempre muito recatado a nível de privacidade, pois é “essa reputação que advém de ter um núcleo familiar forte, um núcleo familiar feliz, um núcleo familiar envolvente, com o intuito das pessoas gostarem de ver essa imagem de família”53

.

Aquele que foi o mais jovem presidente do PSD assume-se como um homem teimoso e corajoso, determinado e de ideias claras. Assim se lê no prefácio do livro da sua biografia, escrito pela jornalista Felícia Cabrita, e que foi para as bancas no dia a seguir à demissão de José Sócrates,

“do pai herdou a tenacidade e a teimosia. Da mãe a coragem, a resistência e a paciência. É desta fibra que é feito Pedro Passos Coelho. […] Quer o melhor para o país. Pedro Passos Coelho garante: „Se não me deixarem trabalhar, como nunca estive preso a cargos políticos nem preciso, viro a página. Mas já não poderei sentir que não tentei”54.

Há quem acuse o atual primeiro-ministro de oportunismo político, defendendo a ideia de que o líder do PSD se aproveitou da situação calamitosa em que estava o Governo para levar o país a eleições, “Pedro Passos Coelho apanhou Sócrates numa fase descendente. Deu-lhe a mão para ganhar tempo. E está condenado a derrubá-lo”, podia ler-se num artigo de opinião no Expresso, a 26 de Maio de 2011, que defendia

51 Entrevista a Rui Calafate, Anexo D.

52 Ibidem. 53

Ibidem.

54

Retirado do jornal Sol, dia 1 de Setembro de 2012, no site:

precisamente essa ideia. No entanto, certo é que a vitória de Passos Coelho parecia, de facto, uma realidade bem próxima. Falando sobre a volatilidade dos votos, António Salvador (responsável pelas sondagens publicadas pelo Público e pela TVI durante a campanha, a 7 de Junho de 2001, no jornal Público), “cruzando a intenção de voto com a intensão de participar nas eleições, percebeu-se a partir de certa altura da campanha, que o PS não poderia ir mais longe e que só o PSD poderia ser beneficiado”.

José Sócrates: no limiar do cansaço

José Sócrates apresentou-se às Eleições Legislativas de 2011 como primeiro- ministro demissionário. Eram, então, as terceiras eleições que travava, sendo que já tinha deixado para trás adversários como Pedro Santana Lopes (contra quem conseguiu a maioria absoluta) e Manuela Ferreira Leite. No entanto, esse ano de 2011 não começou da melhor forma para o político. O Partido Socialista perdera as Eleições Presidenciais, com o candidato Manuel Alegre a ser derrotado pelo incumbente Cavaco Silva. Para além disso, o novo ano não trouxe uma lufada de ar fresco para uma governação que era duramente criticada. Com a Esquerda contra Sócrates, três pacotes de austeridade acordados para tentar saldar as contas do país, a pressão dos mercados internacionais e com os insistentes augúrios de um provável pedido de resgate, o antigo primeiro-ministro viu o IV Plano de Estabilidade e Crescimento vetado em Assembleia da República. Sob a liderança de um Governo minoritário e alegando falta de condições para governar, José Sócrates apresentou a sua demissão ao Presidente da República a 23 de Março de 2011.

Seguidamente, o Congresso do PS ditou José Sócrates como um líder quase incontestável internamente e, a partir desse dia, começou a pré-campanha com vista às eleições. No entanto, o momento não foi o melhor para o candidato. Segundo Rui Calafate55,

“há algo que nós podemos constatar ao longo da História, que é: em todas as eleições (quaisquer que sejam) o candidato que apresenta maior índice de rejeição perde as eleições. E José Sócrates, por altura das eleições em 2011, apresentava um índice de rejeição na casa dos 60, 70%. E, portanto, era muito difícil dar a volta a esse facto naquela altura”.

Para além disso, a conduta de José Sócrates, não se coaduna com um espírito derrotista,

“José Sócrates é, por questões de temperamento pessoal, um homem combativo, um homem ambicioso, é um homem com alguma autoconfiança (mesmo em questões de

imagem brincaram, muitas vezes, com essa característica e, numa altura em que ele

tinha o cabelo mais grisalho, chegaram, até, a dizer que ele era parecido com José Mourinho) e, portanto, tinha talvez a convicção que pudesse fazer com que os portugueses pudessem, ainda, votar nele.”

Para além disso, Ricardo Costa, num artigo de opinião publicado no jornal Expresso, no dia 21/05/2011, dizia acerca deste candidato,

“José Sócrates sabe que fala bem, não tem o verbo nem a arte de Cícero, mas deve ser capaz de falar três dias de seguida. Há algum tempo que essa passou a ser a sua arma. Tem um discurso preparado que repete até à exaustão, com um curto número de argumentos, integrando um ou outro tema do momento. Não é por acaso que Sócrates é, de longe, o primeiro-ministro que mais entrevistas deu.”

Era, pois, um candidato com o dom da palavra, com uma preocupação extrema com a imagem, um candidato calmo, que criava empatia, que conseguia convencer multidões.

Como diz um artigo de opinião publicado no Expresso a 26 de Março de 2011, intitulado Quatro Líderes a que ele Resistiu, “em seis anos no poder […] o primeiro- ministro conviveu com cinco Presidentes do PSD, deu-se mal com todos, e conseguiu que as suas quedas nas sondagens nunca dessem a maioria absoluta ao partido da Oposição”.

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