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TRANSIÇÃO AO DIGITAL

5 Embora seja, de longe, o magazine de maior circulação no País (não importando a periodicidade, entre semanais, mensais ou qualquer outro tipo de frequência), a própria revista Veja, ao que indicam os números, pode estar iniciando um declínio de tiragem: com média de circulação (ANER, 2015) de 1,17 milhão, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC 2016), em 2016 (edição de 7 de abril), pela primeira vez em décadas o veículo saiu às ruas com tiragem inferior a 1 milhão. O volume registrado naquela semana foi de 960 mil. Dados de janeiro de 2017 apontam média 860.523 mil exemplares (IDEM).

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O crescimento do consumo de conteúdo editorial realizado a partir de suportes como dispositivos portáteis – pelo menos observado nos primeiros anos após o lançamento dos tablets6 – gerou uma urgência de se desenvolver

soluções para a produção de publicações que pudessem ser adaptadas a esses equipamentos. A grande maioria, no entanto, se deu a partir de comparações de disposição de conteúdos entre um primeiro e tradicional meio (no caso, o impresso) e sua possível transição ao segundo e novo meio (o dispositivo móvel), como apontam Dick et al. (2012), entre outros. A identificação de regras estabelecidas e as consequentes considerações, em sua grande maioria das vezes, repousam em estudos comparativos realizados a partir da observação a respeito da disposição encontrada em algumas publicações digitais e interativas (selecionadas entre livros, revistas e jornais, bem como seus aplicativos disponíveis para tablets).

No estudo citado em questão, por exemplo, de Dick et al. (2012), foram escolhidos títulos como Our Choice (de Al Gore) e a revista Wired UK (editada pela Condé Nast Digital Britain). De acordo com os autores, buscava-se uma estrutura mais rígida e constante, aliada a um refinamento tipográfico. A análise, por sua vez, procurava aprofundar técnicas recomendadas por Bonsiepe (estrutural, funcional e morfológica) em alinhamento com análises desenhísticas, de Brod Júnior, com adição das de Meurer e Szabluk (estrutural, funcional, comparativa de ferramentas, logográfica, cromográfica, tipográfica, pictográfica, iconográfica e escala de diferencial semântico).

O resultado é uma investigação que divide-se em três estágios: estético- formal (aspectos estruturais, composicionais, cromáticos e tipográficos); de ferramentas (avaliam-se as ferramentas de interação disponíveis nos produtos) e funcional (analisam-se a função do produto e seu fluxograma de uso). Dentre

6 Os dispositivos eletrônicos de uso individual em formato de prancheta, conhecidos como tablets, e que podem ser utilizados para acessar a Internet ou ainda organizar dados pessoais, visualizar conteúdos diversos, jogar, etc., remontam a sua história moderna (pelo menos aproximando-se ao formato e utilização atuais) ao primeiro grande lançamento feito pela Microsoft, o Tablet PC, em 2001. No entanto, é inegável que a popularização do dispositivo deu-se a partir de 2010, com o lançamento do primeiro iPad, feito pela Apple Inc. Antes disso, alguns precursores, tais como Dynabook (1968), Bashful (1983), GridPad (1989) e EO Personal Comunicator (1993), escreveram seus nomes nesse tipo de suporte. Em maior ou maior medida, apresentam(ram) uma tela sensível ao toque (touchscreen), conhecida como o principal dispositivo de entrada, utilizando como agente impulsionador uma caneta ou a ponta dos dedos, por exemplo. (BANGA; WEINHOLD, 2014)

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as constatações a de que alguns produtos podem resultar de um design híbrido, que por sua vez recorre a bases e conceitos tanto no design editorial quanto no design digital.

Alguns dos aspectos nas análises que podem contribuir no caráter interativo dos projetos editoriais (facilitando a boa leitura, a acessibilidade e a fácil navegação) foram identificados, tais como as indicações de páginas e capítulos (no caso de livros) ou seções (em se tratando de revistas), um elemento indicador de localização do leitor relativa ao restante da publicação e os padrões iconográficos que indicam recursos de interação. Também são recomendadas uma certa moderação em relação ao tamanho das fontes e distancia da entrelinha e a colocação de um indicador de continuidade do texto. As observações seguem:

Quanto à análise de ferramenta, foram observados que as publicações apresentam vídeos e animações, recurso de ampliação de imagem, áudio e infográficos interativos. No que diz respeito à análise funcional, a navegação pode se tornar um tanto complicada quando se tem orientação dupla (vertical/horizontal) e nos dois sentidos (para baixo e ao lado). Sugere-se, portanto, um vídeo ou infográfico instrutivo de navegação e interação no início da publicação, ao iniciar o aplicativo. Recomenda-se ainda, cuidado com excessos de atalhos e um padrão coerente de navegação para evitar que o usuário se perca na publicação, além de fazer uso de interatividade e objetos multimídia ao longo do fluxo de leitura para torná-la mais prazerosa e menos cansativa. Para realização de tarefas por parte do usuário, algumas heurísticas como saídas claramente marcadas; prevenção de erros; minimização da sobrecarga do usuário e consistência entre a navegação dos artigos deveriam ser observadas com maior cautela. (DICK et. al, 2012, p. 11).

Os autores do estudo finalizam suas apreciações defendendo o fato de ser “fundamental ao designer conhecer a tecnologia envolvida em seus produtos e projetos” (IDEM). A justificativa é clara: uma vez dominando essa dimensão – assim como acredita-se dominar o design –, o profissional seria capaz de desenvolver uma linguagem própria e assim criar espaços de comunicação eficazes.

Preocupação semelhante encontramos em Gurski, Padovani e Puppi (2013), enfatizando a urgência de seu trabalho diante de “uma lacuna no que

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se refere à caracterização e avaliação de revistas digitais para tablets” (GURSKI; PADOVANI; PUPPI, 2013, p. 19). De fato, a literatura relativa ao tema encontrou (e encontra) certo descompasso em relação às próprias mudanças e avanços tecnológicos dos dispositivos, refletidos em novas funcionalidades e movimentos de utilização, fazendo com que algumas das suas aplicabilidades sejam mais acionadas em detrimento de outras que perdem seu propósito de existir. Embora, ao mesmo tempo, os autores tenham visto o lançamento do iPad (2010) como uma oportunidade para a proliferação de publicações digitais, uma vez que esta plataforma poderia ser adotada pela indústria editorial com vigor, reconhecem que tem havido experimentações por parte dessa mesma indústria com o objetivo de ter clareza quanto à percepção das capacidades desta mídia em si. E essa própria compreensão se converteria na definição de novos parâmetros para as novas publicações.

Assim, levando em consideração a lacuna existente e a iminente "necessidade de caracterizar e avaliar revistas multimídia dentro de uma pesquisa maior sobre navegação e interação neste tipo de publicação" (IDEM), os autores desenvolveram um estudo com o qual propõem "um modelo descritivo-normativo para caracterização e análise de subsistemas de interação e navegação em revistas digitais multimídia" (IBIDEM).

O caminho traçado pelos pesquisadores para chegar ao objetivo passou pela verificação das unidades de interação e navegação nas interfaces das revistas de multimídia; das recomendações para o design de revistas digitais e de interfaces gestuais relacionadas a essa interação/nagegação; a categorização desses elementos e recomendações; a proposição de um modelo descritivo-normativo para a análise de revistas multimídia; e, por fim, a verificação da aplicabilidade desse modelo a partir da avaliação de revistas de distintas editoras.

Os autores acreditam, então, ser necessária a utilização desses instrumentos que possam auxiliar no processo de design, “tanto na fase de análise de similares, quanto em fases de avaliação para o design ou redesign de revistas digitais multimídia, permitindo sua caracterização e avaliação” (IBIDEM). O modelo descritivo-normativo, do qual falam, passível de ser utilizado para o design de revistas multimídias – e criado sob esse estudo –, surgiu através das recomendações presentes na literatura em relação estreita

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com a observação direta do objeto em estudo. No entanto, os próprios autores reconhecem que, uma vez que o modelo descritivo-normativo “foi utilizado apenas pelos autores na caracterização/avaliação de duas revistas multimídia, será necessário um processo de validação e aprimoramento deste modelo”. (GURSKI; PADOVANI; PUPPI, 2013, p. 35).